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Novo Benfica

Novo Benfica

16
Abr09

ATÉ JÁ!

Bruno Carvalho

 

É com grande satisfação que vejo que este nosso “Novo Benfica” dez meses após a sua fundação superou todas as expectativas iniciais.
 
Até ao momento foram publicados no “Novo Benfica” quase 300 posts, tendo registado mais de 315 mil visitas, mais de 670 mil page views e mais de 15.000 comentários!
 
São números impressionantes e a prova concludente da força do Benfica.
 
No entanto, seríamos ingénuos se pensássemos que isto se deve apenas ao nome Benfica, uma vez que blogs sobre o Benfica proliferam por aí sem se aproximarem minimamente dos números apresentados pelo “Novo Benfica”.
 
O que está na base deste enorme êxito, e digo-o sem falsas modéstias, é o facto de este ser um espaço onde se reflecte com muita seriedade o Benfica.
 
É, de facto, com grande mágoa que vejo o Benfica que temos actualmente.
 
Temos um Benfica permanentemente adiado que vive de ilusões.
 
Temos um Benfica pouco humilde e pouco trabalhador.
 
Temos um Benfica sem cultura de exigência, onde o Presidente se desculpabiliza permanentemente.
 
O que falta a este Benfica em suor, organização e disciplina, sobra em vaidade.
 
Só no Benfica é que o Director de Comunicação é uma estrela que se desmultiplica em entrevistas.
 
Só no Benfica é que o Assessor Jurídico é apresentador de televisão.
 
Só no Benfica é que um Vice-Presidente é comentador desportivo.
 
Eu não me revejo neste Benfica.
 
Tenho muita pena que haja Benfiquistas que se acomodam a tudo isto.
 
É que, enquanto o Benfica não mudar de vida, nunca ganhará nada.
 
É sobre um Benfica fanfarrão, arrogante e incompetente que tenho vindo a falar.
 
Este Benfica é totalmente inaceitável para mim.
 
Foi por isso que decidi candidatar-me à Presidência do Sport Lisboa e Benfica.
 
Tenho a firme convicção de que sou capaz de alterar o actual estado das coisas.
 
E é precisamente por ter que me dedicar intensamente ao meu projecto para o Benfica que não posso continuar a assumir o compromisso de escrever semanalmente neste nosso espaço “Novo Benfica”.
 
Não estou, com isto, a abandonar o “Novo Benfica”.
 
No entanto, com o nível de empenhamento com que estou neste momento a construir soluções para o Benfica, não me é possível dispor de tempo para escrever os meus textos e para responder a todos aqueles que os comentam.
 
Fica, no entanto, a promessa que quando entender necessário aqui virei dizer o que penso.
 
Fica também já aqui anunciado que muito em breve começará a funcionar o site da minha candidatura que terá espaço para que todos possamos trocar ideias de forma a que possamos recolocar o Benfica no lugar de onde nunca deveria ter saído: a liderança do futebol português.
 
Quero deixar aqui uma palavra muito especial para os meus companheiros do blog:
 
- ao Pedro Fonseca, pessoa de quem sou muito amigo, um grande benfiquista, que faz o favor de representar com brilhantismo o Benfica no programa desportivo do meu Canal. É sabido que eu e o Pedro temos muitas vezes pontos de vista opostos sobre o que se passa no Benfica, mas que fique bem claro uma coisa: aquilo que nos une é muito mais do que aquilo que nos separa. Queremos ambos um grande Benfica.
 
- ao Miguel Álvares Ribeiro. Confesso que não o conhecia, mas digo publicamente que tenho hoje a melhor impressão do Miguel. É alguém muito sério e com fortes convicções. As divergências que tem tido comigo são salutares e mostram como se pode conviver com quem tem visões diferentes da nossa.
 
- ao António Souza-Cardoso. O António Souza-Cardoso é das pessoas mais cultas, inteligentes e perspicazes que conheço. Os seus textos são sempre excelentes e escritos com uma elegância ímpar. Tenho a felicidade de ter o António como um dos meus melhores amigos e de partilhar com ele a visão sobre o Benfica. De facto, eu e o António temos visões muito semelhantes dos problemas e das soluções de que o Benfica tanto precisa. Quero agradecer ao António o apoio público à minha candidatura à Presidência do Benfica.
 
- ao Paulo Ferreira. Conheço bem o Paulo Ferreira sob o ponto de vista profissional. O Paulo é um profissional muitíssimo competente e sério. Ao longo deste anos que tenho convivido com o Paulo, ganhei por ele muito respeito e admiração. Penso que os textos do Paulo se têm pautado por uma extrema moderação e sensatez. Também ao Paulo se deve muito o sucesso do “Novo Benfica“. Quero, igualmente, agradecer-lhe o apoio à minha candidatura à Presidência do Benfica, que o Paulo fez questão de tornar público.
 
- ao Júlio Machado Vaz, Pedro Ribeiro e Miguel Osório. A todos eles agradeço o contributo que sempre deram a este blog, com a qualidade que a todos eles é reconhecida.
 
Quanto ao Miguel Esteves Cardoso e Armindo Monteiro, que muito simpaticamente aceitaram o convite para integrarem este projecto, tenho esperança que um dia ainda venham a entrar em campo para dignificarem a camisola do “Novo Benfica”.
 
Mas o grande sucesso do “Novo Benfica” deve-se sobretudo a todos aqueles que lêem e participam neste espaço.
 
Como em tudo na vida, uns juntam-se a esse esforço e contribuem com as suas opiniões muito válidas e construtivas e outros apenas se preocupam em destruir, incapazes de tolerarem qualquer opinião diferente das deles.
 
Confesso agora que recebi muitas ameaças e insultos que visavam não só a minha integridade física, bem como pretendiam atingir a minha família.
 
A esses digo-lhes com clareza: não tenho medo. Podem continuar com as ameaças que eu vou prosseguir a minha luta por devolver o Benfica ao lugar de nunca deveria ter saído.
 
A todos os outros não tenho palavras para expressar o meu sincero agradecimento.
 
Volto a dizer que isto não é uma despedida. É um até já. Tenciono voltar a escrever neste espaço quando entender que tal se justifique.
 
Espero que compreendam que a única razão que me faz parar por agora é o facto de não ter tempo. Estou a usar todos os minutos que disponho para construir um projecto ganhador que orgulhe todos os Benfiquistas.
 
Um abraço amigo para todos.
 
Viva o Benfica!
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: A todos aqueles que, com toda a legitimidade, querem conhecer as minhas ideias para o Benfica, terão a oportunidade de conhecer o meu projecto em tempo útil.
Mas uma coisa é certa: graças a este blog, nunca se conheceu tanto o pensamento de um candidato a Presidente do Benfica como no meu caso.
Quem quiser saber o que penso basta ler o que escrevi para trás.
È evidente que o meu projecto será coerente com o meu pensamento sobre o Benfica.
Os sócios terão, desta vez, a oportunidade de poderem escolher nas próximas eleições.
Quem quiser continuar com o que tem actualmente tem uma solução fácil.
Quem estiver farto de tanta conversa e de tanta falta de vitórias, irá ter uma alternativa.
 
PS 2: No passado dia 12 de Março anunciei que serei candidato a Presidente do Benfica. È interessante verificar que decorrido mais de 1 mês a Benfica TV nem sequer se dignou a contactar-me. Viva a democracia!
 

 

09
Abr09

QUANTO TEMPO DEMORA CONSTRUIR UMA EQUIPA?

Bruno Carvalho

 
Por incompetência, por não serem capazes de ganhar, os actuais dirigentes do Benfica apenas sabem falar do sistema ou dizer que as equipas demoram muito tempo a formar.
 
Relativamente ao sistema já falei na semana passada, por isso vou agora abordar o tema do tempo que demora a construir uma equipa.
 
Quanto tempo demorará?
 
Para isso acho útil que se olhe para alguns exemplos.
 
Quanto tempo demorou Mourinho em fazer do FC Porto Campeão Nacional e vencedor da Taça UEFA?
 
Quando chegou ao FC Porto, Mourinho encontrou um clube desfeito que não era campeão há 3 anos e que se preparava para nem sequer se qualificar para as competições europeias.
 
José Mourinho chegou a meio da época para substituir Octávio Machado e conseguiu qualificar, in extremis, o Porto para a Taça UEFA.
 
No ano seguinte, o FC Porto com alguns jogadores do Leiria, do Setúbal e até do Benfica (como sempre!) foi Campeão e ganhou a Taça UEFA e no ano seguinte ganhou outra vez o campeonato e foi Campeão Europeu, tendo feito tudo isto sem andar a gastar fortunas em estrelas decadentes.
 
Afinal quanto tempo demora a construir uma equipa?
 
Será que pode demorar alguns meses ou tem sempre que se esperar muitos anos?
 
Olhei para o FC Porto como podia ter olhado para o Chelsea.
 
O Chelsea foi campeão logo no ano de estreia de Mourinho, coisa que não acontecia há mais de 50 anos.
 
E no ano seguinte, o Chelsea voltou a ser campeão.
 
Então quanto tempo é que é preciso para construir uma equipa?
 
No entanto, o mais grave é o que se está a passar este ano e que muitos benfiquistas ainda não se aperceberam.
 
Ora vejamos.
 
Depois de no final da última época ter vendido Ricardo Quaresma ao Inter e Bosingwa ao Chelsea e ter visto Paulo Assunção sair intempestivamente para o Atlético de Madrid a que podemos somar a saída de Pepe para o Real Madrid na época anterior, era sabido que o FC Porto precisaria de reconstruir a sua equipa.
 
Para os mais desatentos o FC Porto deste ano tem 6 titulares que o ano passado nem sequer estavam no clube: Cissokho (21 anos), Sapunaru (24 anos), Rolando (23 anos), Fernando (21 anos), Cristian Rodriguez (23 anos) e Hulk (22 anos).
 
Como se pode verificar, este ano, o FC Porto reconstruiu totalmente a sua equipa.
 
E com que resultados?
 
Já se sabe que nos anos em que o Porto tem que reconstruir a equipa fica mais vulnerável, mas este ano o FC Porto lidera o campeonato, está perto da final da Taça de Portugal e vê-se a forma como está a jogar na Liga dos Campeões.
 
Parece-me claro que o FC Porto durante este época, com muito trabalho e sem alaridos nem entrevistas do seu Director de Comunicação, fez o seu trabalho de reconstrução da equipa.
 
E isso é muito perigoso.
 
É que o Porto já é Tri-Campeão e poderá tornar-se Tetra este ano.
 
Com a equipa refeita, o FC Porto poderá estar a preparar-se para ganhar mais 3 ou 4 campeonatos seguidos o que poderá anunciar um ciclo nunca antes visto no futebol português de vermos uma equipa ganhar 7 ou 8 campeonatos seguidos.
 
Podemos estar a ver o início de um fenómeno do tipo Lyon no futebol português.
 
Em França o Lyon já ganhou 7 anos seguidos e finalmente este ano tem concorrência no campeonato francês.
 
Em Portugal, olhando para Benfica e Sporting só se vê o vazio.
 
O vazio de ideias e de ambição.
 
Há muito que o Sporting desistiu de lutar por ser campeão todos os anos. O objectivo do Sporting é claro: ficar à frente do Benfica para poder entrar na Liga dos Campeões e ganhar uma Taça de Portugal ou uma Supertaça, de vez em quando, para calar os seus adeptos.
 
No Benfica fala-se sempre que se quer ser campeão, mas há 3 anos seguidos que ficamos em 3º ou 4º lugar e a única coisa que conseguimos ganhar são Taças do Guadiana ou, agora, Taças da Liga.
 
Quando vejo o Porto a jogar daquela forma na Liga dos Campeões sinto uma enorme frustração por ver aonde chegou o Benfica.
 
Enquanto o Benfica e o Sporting fazem tanto barulho por causa de uma Taça da Liga o FC Porto luta pela Liga dos Campeões.
 
É que, apesar da fanfarronice e de tantas palavras ocas, ficou claro o desempenho miserável do Benfica na Taça UEFA, onde ficou em último de um grupo constituído por equipas vulgares, enquanto o Sporting andou a humilhar-se e a envergonhar o País ao perder por 12-1 com o Bayern de Munique.
 
Que pena ver o Benfica neste estado.
 
Que pena ver tantos benfiquistas resignados a isto.
 
Muitos me dizem que falo muito do FC Porto. Provavelmente é verdade. Mas falo porque quero ser melhor do que eles e não quero fazer a figura de avestruz que muitos fazem.
 
Fica feito aqui o aviso: continuem a falar do sistema e dos anos que demoram a construir equipas e o resultado será o de o Benfica nunca mais ganhar nada.
 
Até quando os benfiquistas acreditarão nestas histórias?
 
Sei que muitos já despertaram, mas o que mais me incomoda é a resignação e conformismo de muitos.
 
Sei que é possível quebrar este ciclo.
 
Vamos lá então responder à pergunta inicial: quanto tempo demora a construir uma equipa?
 
Demora o tempo que a competência precisa para actuar.
 
Não são precisos anos a fio, mas sim saber.
 
Esse é o principal problema do Benfica.
 
No Benfica falta saber fazer as coisas, falta competência, falta organização, falta planificação, falta esforço, falta humildade e falta cultura de exigência.
 
Até quando?
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
02
Abr09

ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Bruno Carvalho

 

Como todo o Universo Benfiquista sabe, este ano é ano de eleições para a Direcção do Sport Lisboa e Benfica, tendo eu já anunciado a minha candidatura a Presidente da mesma.
 
Nos estatutos do Clube está previsto que decorra o acto eleitoral no mês de Outubro, mais precisamente, entre o dia 24 e o dia 31.
 
Contudo, as eleições nesta data constituem um problema.
 
De facto, este calendário eleitoral compromete definitivamente o sucesso da próxima época.
 
Como está bem demonstrado, Luís Filipe Vieira não é capaz de montar uma equipa ganhadora, nem mesmo contando com a ajuda de Rui Costa.
 
Como há eleições, o Benfica irá voltar a gastar mais do que deve e do que pode.
 
Luís Filipe Vieira irá mais uma vez recorrer à lógica da propaganda pura, tentando entusiasmar, novamente, os adeptos, prometendo-lhes mais um “novo ciclo”.
 
Todos já sabemos os resultados desses “novos ciclos”: a seguir às promessas sucedem-se sempre as desilusões.
 
É por isso que eu não quero perder mais tempo.
 
Não quero que o Benfica continue adiado.
 
Por isso, digo com toda a frontalidade que as eleições devem ser antecipadas para Junho.
 
Deste modo, eu e a minha equipa, se merecermos a confiança dos benfiquistas, poderemos ter total responsabilidade na preparação da próxima época.
 
Sei que sou menos conhecido que Luís Filipe Vieira e que o tempo corre contra mim.
 
Quanto mais tarde forem as eleições mais tempo terei para dar a conhecer o meu projecto e as minhas ideias.
 
No entanto, isso poderá ser bom para mim, mas será mau para o Benfica.
 
Assim, e tendo em mente apenas os superiores interesses do Benfica, deixo aqui o meu alerta: ANTECIPEM-SE AS ELEIÇÕES.
 
Desse modo, ganhando as eleições poderei preparar o Benfica para uma vida nova já na próxima época. Um Benfica ganhador.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
26
Mar09

O SISTEMA

Bruno Carvalho

 

Muitos me pedem para falar do sistema. Pensam eles que dessa forma me poderão atacar ou afectar a minha candidatura à Presidência do Benfica.
 
Em vários posts tenho-me referido ao sistema, mas tenho muito gosto em voltar ao tema para deixar perfeitamente claro aquilo que penso.
 
Ao contrário do que muitos imaginam, o tema “sistema” é um assunto que me agrada bastante e que acho que pode ser fundamental para o futuro do Benfica, como certamente se perceberá no final deste texto.
 
Vamos lá, então, analisar o sistema e tudo aquilo que gira à sua volta.
 
Neste momento, Luís Filipe Vieira assume-se como a pessoa que publicamente mais fala contra o famoso sistema.
 
Por esse facto, o actual Presidente do Benfica consegue o aplauso de muitos benfiquistas.
 
Mas, afinal, que sistema é esse?
 
Vamos começar por fazer o pequeno exercício de, por momentos, ver o que pensam os adeptos dos vários clubes sobre o sistema e sobre as arbitragens:
 
- Na perspectiva dos adeptos do FC Porto:
 
Será suficiente falar apenas alguns minutos com os adeptos do FC Porto para se perceber que qualquer portista acha que o Benfica domina o sistema.
 
Os adeptos do FC Porto acreditam que o Benfica é sempre “levado ao colo”.
 
Todos os portitas acham, genuinamente, que o FC Porto é sistematicamente roubado pelos árbitros e que só sendo muito melhor que os adversários é que conseguem ganhar títulos em Portugal.
 
Experimentem e falem com eles.
 
Os adeptos do Porto pensam que, se tiverem uma equipa ao nível da do Benfica ou do Sporting, nunca serão capazes de ganhar nada por culpa dos árbitros.
 
Logo a solução que eles preconizam é serem melhores que Benfica e Sporting.
 
- Na perspectiva dos adeptos do Sporting:
 
Para os sportinguistas é totalmente claro que o Sporting é o eterno prejudicado das arbitragens.
 
Os sportinguistas até já chegaram a fazer luto por causa do sistema.
 
 Basta ver as declarações após o jogo da final da Taça da Liga para se perceber que os adeptos e dirigentes sentem-se perseguidos por um sistema dominado pelo Benfica e pelo FC Porto.
 
- Na perspectiva dos adeptos do Benfica:
 
Para muitos benfiquistas o futebol é um lugar simples.
 
Nos últimos 15 anos o Benfica ganhou 1 campeonato, mas a culpa é evidentemente do sistema.
 
Para os adeptos do Benfica, o FC Porto controla tudo e todos. Se não fosse isso o Benfica ganharia tudo.
 
Pouco importa que a equipa nada jogue, que não haja um treinador que se consiga impor na Luz ou que os resultados europeus sejam uma catástrofe.
 
Está bem claro para todos que, se o Benfica não ganha, a culpa é dos árbitros que são todos corruptos, sendo que há sempre um dedo de Pinto da Costa nisso tudo.
 
- Na perspectiva dos clubes mais pequenos:
 
Qualquer clube de menor dimensão quando joga com Benfica, Porto ou Sporting queixa-se sempre da arbitragem.
 
Os clubes mais pequenos dizem que os árbitros têm medo e que protegem sistematicamente os 3 grandes.
 
Não fazem aqui diferenças entre Benfica, Porto ou Sporting. Acham que quando jogam com qualquer um deles são sempre prejudicados.
 
 
Em resumo, e como se pode verificar, o sistema tem muitas faces e serve para muita coisa.
 
Que fique, desde já, uma coisa esclarecida: com isto não quero dizer que não existam situações menos claras no futebol português.
 
Mas o certo é que se fala muito e prova-se muito pouco ou nada.
 
Contudo, na justiça desportiva, FC Porto, Boavista e Leiria foram castigados, bem como Pinto da Costa, João Loureiro e João Bartolomeu, no processo designado por “Apito Final”.
 
Já disse noutros posts e volto a repetir, o FC Porto, para não começar este campeonato com menos 6 pontos, sacrificou a honra e não recorreu do castigo que lhe foi aplicado.
 
Para mim esse foi um erro gravíssimo do FC Porto porque a honra não tem preço.
 
Ao não recorrer o FC Porto arriscou-se seriamente a ficar para sempre conotado como um clube corrupto. Tal só ainda não aconteceu porque o seu Presidente recorreu e, se for ilibado, tal facto aproveitará ao FC Porto porque os factos são os mesmos.
 
Este processo ainda não terminou uma vez que as decisões tomadas contrariam a decisão de um Supremo Tribunal.
 
Na justiça civil ainda não há qualquer condenação.
 
E isto é tudo que verdadeiramente se conhece do sistema.
 
Parece-me muito pouco para que se fale tanto de sistema.
 
Os processos Apito Dourado e Apito Final decorrem já há quase 4 anos, o que tem colocado os árbitros sobre grande pressão e o futebol em permanente vigilância até das autoridades judiciais.
 
E o que tem acontecido?
 
O FC Porto continua a ganhar o campeonato todos os anos.
 
Então a quem serve o sistema?
 
É claro que, para quem perde, o sistema é uma desculpa fantástica.
 
No ano em que o Luís Filipe Vieira dizia que o Benfica tinha o melhor plantel dos últimos 10 anos e que nem queria ser treinador do Benfica pois este deveria ter problemas em dormir para formar a equipa, tal era a qualidade dos jogadores, o que é aconteceu?
 
Esse treinador que devia ter problemas de sono foi despedido no final da 1ª jornada.
 
Depois veio o amigo Camacho, com quem Luís Filipe Vieira tinha passado essas férias de verão, tendo a época acabado com Chalana à frente da equipa, pois Camacho, quando se apercebeu que tinha um jogador no plantel que na prática já era seu chefe, achou que já era palhaçada a mais e foi-se embora.
 
E qual foi o resultado de tudo isso? O Benfica ficou em 4º lugar, a 23 pontos do Porto, e fora da Liga dos Campeões.
 
E o que fez o Benfica?
 
O habitual.
 
Queixou-se muito do sistema. Chegou até a ir para a UEFA apresentar queixa contra o FC Porto e tentar conseguir na secretaria o que não conseguiu em campo.
 
E este ano o Benfica vai pelo mesmo caminho.
 
O Benfica já vai em 3º lugar, o que a suceder nos deixará, de novo, fora da Liga dos Campeões. Para além disso, o Benfica teve uma presença triste na Taça UEFA e foi eliminado muito cedo da Taça de Portugal.
 
No entanto, como colocou Rui Costa como Director Desportivo, Luís Filipe Vieira pensa que pode lavar as mãos de toda a responsabilidade como qualquer Pilatos.
 
Para além disso, Luís Filipe Vieira tem ainda o sistema como desculpa.
 
De facto, o sistema serve principalmente para branquear a gestão desportiva catastrófica e desastrosa que existe há muitos anos no Benfica.
 
Se Luís Filipe Vieira é genuinamente um defensor da verdade desportiva como diz ser, perdeu uma excelente oportunidade para o provar na final da Taça da Liga.
 
Toda a gente viu como é que o Benfica venceu essa Taça e como o árbitro errou.
 
Luís Filipe Vieira poderia dizer que o Benfica não quer ganhar títulos assim e que o jogo deveria ser repetido.
 
Teria o meu aplauso e o de quase todos os benfiquistas.
 
Por um lado, porque nenhum benfiquista gosta de ganhar assim.
 
Por outro lado, até explorando o facto de a Taça da Liga ser um troféu menor sem qualquer relevância desportiva, aproveitava isso para pôr-se num plano moral superior e dizia: “o Benfica quer a verdade desportiva, logo queremos que o jogo se repita”.
 
Isso já aconteceu, por exemplo, com o Arsenal, em 1999, quando Arsène Wenger pediu para que um jogo que tinha ganho ao Sheffield United fosse repetido por respeito ao espírito desportivo. Esse jogo foi mesmo repetido e o Arsenal voltou a ganhá-lo.
 
É importante salientar que a reacção do Sporting é totalmente disparatada e exagerada.
 
Erros dos árbitros com influência nos resultados acontecem todas as semanas, e todos os benfiquistas já sentiram na pele terem sido prejudicados.
 
Mas mesmo até por causa desta reacção despropositada do Sporting, Luís Filipe Vieira poderia ter demonstrado toda a classe do Benfica.
 
O Presidente do Benfica deveria ter dito, em conferência de imprensa, que queria que o jogo fosse repetido e aproveitava para pedir ao Sporting que escolhesse o árbitro e o estádio. Depois disso o Benfica ia lá jogar e ganhava a Taça.
 
Isso, sim, seria uma reacção à Benfica!
 
Luís Filipe Vieira perdeu, deste modo, uma grande oportunidade de ficar para a História e de mostrar a toda a gente que o seu discurso sobre a verdade desportiva não é só conversa.
 
É que as palavras, leva-as o vento…
 
De facto, o que acontece é que a prática está bem longe das acções.
 
É por isso que o sistema é muito útil, sobretudo, para explicar as derrotas.
 
Perguntam-me, então, se eu não acredito no sistema.
 
Deixem-me que vos diga, eu acredito não apenas num sistema, mas em dois.
 
Parece-me claro que no futebol português existem 2 sistemas: há o “Sistema da Cigarra” e o “Sistema da Formiga”.
 
No “Sistema da Cigarra” canta-se demasiado em Agosto e chora-se muito em Maio.
 
No “Sistema da Cigarra” promete-se muito, vendem-se todas as ilusões, mas trabalha-se pouco, não se planeia, está tudo mal organizado e depois, é claro que os resultados não aparecem.
 
No “Sistema da Cigarra” compram-se jogadores pelos nomes, mesmo que estejam numa fase descendente da carreira há já muito tempo.
 
No “Sistema da Cigarra” os jogadores chegam em jactos privados, em ambiente de grande festa, e dão logo muitas entrevistas fazendo elogios pouco credíveis ao clube que os contratou.
 
No “Sistema da Cigarra” apresentam-se dois “números 10” na mesma época como se isso fosse normal.
 
No “Sistema da Cigarra” pagam-se salários incomportáveis aos jogadores e depois nada se lhes exige.
 
No “Sistema da Cigarra” nenhum treinador serve porque ninguém é solidário.
 
No “Sistema da Cigarra” há muita gente vaidosa, que gosta muito de aparecer e falar.
 
No “Sistema da Cigarra”, os Directores de Comunicação tendem a dar muitas entrevistas e a falar muito, quando o seu papel seria fazer com que a mensagem dos verdadeiros protagonistas passasse correctamente na comunicação social.
 
Mas nos clubes que adoptam o “Sistema da Cigarra” falam todos. Vice-Presidentes são comentadores desportivos, Directores de Comunicação são estrelas mediáticas e Assessores Jurídicos são apresentadores de televisão.
 
O “Sistema da Cigarra” é muito alegre e colorido, só tem um problema: é que com ele não se ganha nada.
 
Depois há outro sistema: o “Sistema da Formiga”.
 
No “Sistema da Formiga” fala-se pouco e trabalha-se muito.
 
No “Sistema da Formiga” está tudo milimetricamente organizado, as coisas são pensadas e está tudo bem planificado.
 
No “Sistema da Formiga” compram-se os jogadores que são necessários para as posições em que foram detectadas necessidades.
 
No “Sistema da Formiga” descobrem-se jogadores que tanto podem estar a jogar num clube do nosso País como pode estar a jogar num qualquer clube japonês.
 
No “Sistema da Formiga” não se compram jogadores pelos seus nomes famosos que depois são incapazes de se entregarem de alma e coração aos jogos.
 
No “Sistema da Formiga” são preferidos jogadores jovens cheios de vontade e talento que depois podem ser vendidos com grandes proveitos.
 
No “Sistema da Formiga” os jogadores chegam de forma discreta ao clube que os contratou, não dão entrevistas e são protegidos até se sentiram integrados na nova equipa.
 
No “Sistema da Formiga”, os Directores de Comunicação não são protagonistas nem falam à comunicação social.
 
No “Sistema da Formiga” os Vice-Presidentes não são comentadores desportivos nem os Assessores de Comunicação apresentam programas de televisão.
 
O “Sistema da Formiga” não está pensado para promover pessoas ou vaidades, mas sim para ganhar títulos.
 
No “Sistema da Formiga” os foguetes não são lançados em Agosto, mas sim lá para Maio.
 
Agora, peço apenas que façam um pequeno exercício: atribuam um nome de um clube português que pensem que se identifique com o “Sistema da Cigarra” e façam o mesmo relativamente ao “Sistema da Formiga”.
 
Infelizmente, não deve ter sido um exercício difícil.
 
Confesso que acho triste a facilidade com que seguramente acertaram porque demonstra bem onde as coisas chegaram.
 
No entanto, os benfiquistas em breve poderão optar, nas eleições, qual o Sistema que preferem para o Benfica.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: O Benfica foi retirado da lista dos Clubes Históricos da FIFA. A representar o futebol português está lá agora o FC Porto.
É o resultado lógico do sistema, do “Sistema da Cigarra” e do “Sistema da Formiga”.
 
PS 2: Hoje à noite (5ª feira, dia 26 Março), estarei presente no programa de televisão "Lugar Cativo", da TVI 24, onde terei muito gosto em responder a qualquer questão que me queiram colocar.

 

19
Mar09

MAIS UM NOVO CICLO

Bruno Carvalho

        

 
Na semana passada, neste mesmo espaço, anunciei a minha candidatura à presidência do Benfica.
 
Gostaria de dizer que escolhi este espaço para fazer esse anúncio devido ao grande respeito que tenho pelos leitores do Novo Benfica.
 
Como será fácil de perceber, haveria outros meios para anunciar a minha candidatura, nomeadamente através de uma clássica conferência de imprensa ou de uma entrevista selectiva a um órgão de comunicação social.
 
No entanto, pela primeira vez na história de um grande clube em Portugal, uma candidatura à presidência surge a partir da internet, neste preciso blog, tendo eu tido o privilégio de receber, de imediato, um conjunto de reacções a este meu propósito.
 
A minha decisão de me candidatar à presidência do maior clube português, e um dos maiores do mundo, foi um acto consciente e muito reflectido porque essa decisão acarreta uma série de inconvenientes para a minha vida.
 
Por um lado, porque, como todos aqueles que me conhecem bem sabem, eu não gosto de me expor aos olhos do grande público. Sempre gostei de preservar a minha privacidade. Apesar de já ter sido director de dois canais de televisão e de ter sido mandatário de uma candidatura à segunda maior câmara municipal do País, sempre consegui manter-me longe dos holofotes da imprensa, tendo recusado muitas e muitas entrevistas.
 
Por outro lado, porque tenho a minha vida organizada na cidade do Porto e esta minha candidatura e uma eventual eleição introduzirão significativas alterações em tudo.
 
Não obstante tudo isso, parece-me que a minha candidatura faz mais sentido do que nunca porque sinto que posso alterar o actual rumo do Benfica, apesar de haver quem o queira manter.
 
Eu, conjuntamente com o núcleo de pessoas que já está comigo e com todos aqueles que se vierem a juntar a nós, todos juntos, podemos e devemos mudar este Benfica.
 
Nesta semana o Benfica desceu à 3ª posição, situação que era manifestamente previsível.
 
Nos últimos 3 anos, o Porto foi sempre campeão e o Sporting ficou sempre em 2º lugar. O Benfica ficou duas vezes em 3º e no ano passado em 4º lugar.
 
Deste modo, não me parece nada estranho, nem fora do comum, estarmos mais uma vez em 3º lugar, com a agravante de, assim, ficarmos, de novo, fora da Liga dos Campeões.
 
Com sinceridade, a única coisa que me custa entender é a passividade que a massa associativa mostra perante esta situação.
 
Esta apatia é comparável à apatia da equipa do Benfica que, mesmo estando a perder com o Guimarães, parecia imperturbável. O que mais me custa não é perder, é a forma como se perde.
 
Será que ninguém no Benfica fica incomodado com as derrotas?
 
Porque é que nenhum dos jogadores do Benfica estava irritado por estar a perder?
 
Tirando o caso de David Luiz (cujo esforço era incompreensivelmente premiado com assobios), não havia mais nenhum jogador que se parecesse importar minimamente com o resultado.
 
Do mesmo modo, parece-me que há muitos sócios que não reagem a este ciclo de derrotas que se perpetua há anos.
 
Será que ninguém se importa?
 
O que será necessário fazer para acordar o Benfica que eu sempre conheci?
 
Porquê tanta resignação?
 
Não será possível fazer melhor?
 
Não será possível colocar o Benfica, de novo, no seu lugar?
 
Não será possível pôr o Benfica a ganhar?
 
O Presidente Luís Filipe Vieira pede mais tempo. Mas não está Luís Filipe Vieira há 8 anos no Benfica? Quanto mais tempo será que ele acha que necessita? Mais 20 anos?
 
O Presidente Luís Filipe Vieira diz que este rumo é para manter. Mas que rumo?
 
- Será que é para manter o rumo de ficar sempre em 3º ou 4º lugar?
- Será que é para manter o rumo de ficar anos a fio sem ganhar nada?
- Será que é para manter o rumo de passar a vida a mudar de treinador?
- Será que é para manter o rumo de contratar 30 milhões de euros de jogadores por ano, como quem vai ao supermercado?
- Será que é para manter as festas em Agosto e os choros no final dos campeonatos?
- Será que é para manter o rumo de ter presenças frustrantes na Europa?
- Será que é para manter o rumo de estarmos sempre a arranjar desculpas para os nossos fracassos?
- Será que é para manter o rumo de aumentar fortemente o passivo do clube?
- Será que é para manter o rumo de apresentar prejuízos cada vez maiores?
 
Sinceramente não se percebe que rumo é este.
 
Não se percebe para que projecto é que Luís Filipe Vieira precisa de mais tempo.
 
É por isso que eu faço daqui um apelo veemente a Luís Filipe Vieira: a bem do Benfica, não se recandidate a Presidente.
 
Se eu fosse Presidente do Benfica há 8 anos e tivesse os resultados do actual Presidente podem ter a certeza que não me recandidataria.
 
A gestão desportiva da actual Direcção do Benfica é péssima e a gestão económico-financeira caminha a passos largos para o desastre.
 
E eu pergunto: quando é que os benfiquistas despertam?
 
O que será necessário que aconteça para que os benfiquistas acordem?
 
Será que os benfiquistas irão ficar apáticos, sem poder de reacção, tal e qual a nossa equipa de futebol cujos jogadores tanto lhes faz estarem a ganhar ou a perder?
 
O Benfica precisa realmente de um Novo Ciclo!
 
Mas não de mais um “novo ciclo” ao estilo de Luís Filipe Vieira!
 
Depois do lamentável 4º lugar do ano passado a 23 pontos do FC Porto, Luís Filipe Vieira tirou da cartola um coelho chamado Rui Costa e conseguiu, de novo, criar a ilusão nos benfiquistas.
 
O certo é que, apesar de todas as promessas feitas e de todo o fogo-de-artifício lançado, no Benfica nada de estrutural mudou.
 
O clube permanece sem estratégia, sem rumo, sem ideias, sem organização, e tudo isso reflecte-se, obviamente, nos resultados.
 
É claro que com o desastre eminente o Benfica já prepara o “Novo Ciclo” do costume.
 
Parece evidente que as críticas a Quique Flores, que começaram discretamente, aumentaram repentinamente de tom.
 
Eu diria que há já em marcha uma campanha organizada para colocar Quique Flores fora do Benfica e a prová-lo estão as opiniões que têm vindo a ser emitidas por várias pessoas próximas de Luís Filipe Vieira.
 
É que Quique Flores será o alvo perfeito.
 
Por um lado, funcionará como bode expiatório, pronto a ser sacrificado em caso da mais do que provável derrota no campeonato.
 
Por outro lado, a saída do treinador será bastante útil, pois poderá dar azo a que se abra
mais um “Novo Ciclo” no Benfica.
 
Isso mesmo, o tal “Novo Ciclo” que Luís Filipe Vieira anuncia todos os anos.
 
É que depois do entusiasmo gerado pela chegada de Rui Costa o ano passado será necessário gerar de novo um grande entusiasmo para disfarçar, mais uma vez, os fracassos do Benfica.
 
Não seria de admirar que um treinador brasileiro que foi até há pouco tempo Seleccionador Nacional venha a ser utilizado para mais uma manobra de diversão e para vender mais ilusões.
 
Empurra-se Quique pela borda fora para que possa vir o”Treinador do Povo”.
 
Já estou a imaginar a euforia habitual que se gera normalmente lá para Agosto, desta vez com a alegria de podermos ver milhões de bandeirinhas do Benfica às janelas das casas portuguesas, de norte a sul do País.
 
Depois da indemnização recebida no Chelsea, com os bolsos bem recheados, nada como voltar a viver num país cheio de sol, em que se fala português e onde os adeptos, por um estranho adormecimento, parecem ter perdido a necessária exigência. Estão reunidos os ingredientes para umas belas férias!
 
Não importa se no final o Benfica não ganha nada.
 
Volto a fazer a mesma pergunta que já aqui lancei: se a culpa dos maus resultados do Benfica é do sistema, porque é que insistem em trocar de treinador?
 
É que o que é importante para os actuais dirigentes do Benfica é gerar esta alegria e iludir os sócios, fazê-los sonhar uns meses e depois, se não correr bem, arranja-se sempre um culpado.
 
Este ano o sacrificado será Quique, como já foram outros no passado.
 
Enfim, o Benfica prepara-se para mais do mesmo.
 
Até quando os sócios suportarão isto?
 
Saudações benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: Para aqueles que têm dúvidas da força da minha candidatura ou que olham para ela com desdém, fica aqui apenas uma nota: o meu nome foi pesquisado no Google, esta semana, por 500 mil pessoas, repito, em 7 dias apenas, meio milhão de pessoas quis saber mais sobre aquilo que eu quero fazer no Benfica.
Quem tenta fazer da minha candidatura algo de marginal ou pretende comparar-me com candidaturas marginais do passado está a perder o seu tempo. Talvez seja do medo…
 
PS 2: Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, é agora, pasme-se, apresentador da Benfica TV, num programa chamado “A Jornada”, em que, todas as quintas-feiras, entrevista o Director de Comunicação do Benfica, João Gabriel, que aproveita o tempo de antena que lhe é dado para fazer uma espécie de eucaristia semanal, ao estilo daquilo que apenas se vê em países como a Venezuela, em que Hugo Chavez também faz uma comunicação ao país uma vez por semana.
E eu pergunto, onde é que já se viu o assessor jurídico de um clube ser apresentador de televisão?
Talvez a falta de jeito que demonstrou a defender a estratégia do Benfica na UEFA tenha levado Paulo Gonçalves a mudar de carreira e dedicar-se a ser estrela de TV.
A continuar assim, qualquer dia talvez o vejamos a apresentar um programa ao estilo do Big Show SIC, aos pulinhos, a fazer lembrar o nosso saudoso João Baião.
Depois de o Benfica ter colocado um Vice-Presidente seu a debater futebol na televisão com meros adeptos dos outros clubes, temos agora um assessor jurídico a apresentador de televisão.
É a febre da TV a invadir o Benfica.
Já ninguém se dá ao respeito.
Isto bateu no fundo!
 
PS 3: Conforme sempre disse, e ficou demonstrado nos últimos dias, o “Novo Benfica” nunca foi nem nunca será um blog que represente qualquer tendência organizada dentro do Benfica.
De facto, a pluralidade e o debate de ideias são as principais características deste blog.
Não posso, neste momento, deixar de agradecer ao António Souza-Cardoso e ao Paulo Ferreira as palavras de apoio à minha candidatura à presidência do Benfica.
Quero aproveitar esta ocasião para lhes enviar um grande abraço extensível a todos os outros companheiros deste blog.
Não posso deixar, igualmente, de enviar um agradecimento muito especial a todos aqueles que na área de comentários quiseram expressar o seu apoio à minha candidatura.
Foi muito importante para mim e será ainda mais importante para o futuro do Benfica.
Todos juntos podemos alterar o rumo das coisas e ter, de novo, o Benfica que tanto desejamos.
Muito obrigado.
 
PS 4: Como muitos me têm sugerido (ou desafiado), na próxima semana vou falar do sistema. Vou falar do sistema como eu o vejo.
 
12
Mar09

OBVIAMENTE, CANDIDATO-ME

Bruno Carvalho

 

Quando iniciei este blog estava longe de imaginar o caminho que iria percorrer nestes meses.
 
E estava longe porque apesar da péssima época realizada o ano passado, em que ficámos em 4º lugar, a 23 pontos do 1º classificado, acreditei que o Benfica poderia trilhar um caminho diferente com a chegada de novos jogadores e com um novo Director Desportivo.
 
No entanto, para mim, o Benfica continua a ser um clube sem um rumo vencedor, sem uma estratégia que o guie, vivendo sem o planeamento necessário para alcançar as vitórias em alta competição.
 
Parece-me claro que o problema do Benfica não está nos jogadores.
 
Parece-me evidente que o problema do Benfica não está nos vários treinadores que vai tendo.
 
Parece-me que o problema do Benfica não estará, seguramente, no Director Desportivo.
 
Se dúvidas há, basta olhar para as dezenas de jogadores que passaram no Benfica sem terem conseguido afirmar o seu valor.
 
Se há dúvidas, pode ver-se que treinadores como Manuel José, Mourinho, Ronald Koeman, Camacho ou mesmo Jesualdo Ferreira não serviram ao Benfica. Até Trapattoni, que foi campeão no Benfica, acabou por não servir.
 
O problema do Benfica é, então, muito mais profundo.
 
É um problema de gestão, de organização e de saber.
 
E é por achar que é possível alterar este estado de coisas, e por pensar que a actual equipa de gestão já esgotou tudo o que poderia dar ao clube, que creio que é hora de mudança.
 
Todos aqueles que são bem-intencionados sabem que tenho uma enorme paixão pelo Benfica.
 
Chamo-me Bruno Carvalho, tenho 40 anos e sou pai de 3 filhos maravilhosos.
 
Nasci em Bissau, em 1968, tendo vindo para Portugal com 8 meses. Nasci em África porque os meus pais aí viveram dois anos enquanto o meu pai combatia na guerra que aí se travava.
 
Fiz toda a minha vida no Porto excepto no período em que estudei no Reino Unido.
 
Sou licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, sou licenciado em Marketing pelo Chartered Institute of Marketing de Londres e tenho um MBA, com especialização em Marketing Management, tirado na Cardiff Business School da Universidade do País de Gales.
 
Fui e sou Administrador de algumas empresas, tendo sido Administrador e Director do canal de televisão NTV que hoje é a RTP-N.
 
Actualmente, sou Director Geral e Accionista do canal de televisão Porto Canal.
 
Lancei na televisão portuguesa algumas caras conhecidas como Isabel Figueira, Marta Leite Castro, Merche Romero, Cristina Alves, Olga Diegues, Inês Gonçalves, Francisco Meneses, Eduardo Madeira, Andreia Teles, Luísa Sequeira, Ana Guedes Rodrigues ou Maria Cerqueira Gomes.
 
Não sou filiado em nenhum partido político. No entanto, nas últimas eleições autárquicas fui mandatário do candidato do Partido Socialista à Câmara do Porto, Dr. Francisco Assis.
 
Sou membro da Direcção Nacional da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) onde ocupo o cargo de Vice-Presidente.
 
Finalmente, e o mais importante de tudo, sou benfiquista.
 
Sempre fui e sempre serei benfiquista.
 
Sou um benfiquista que sofre com o clube, que fica emocionado nas vitórias e frustrado nas derrotas.
 
Sou benfiquista por influência do meu avô que também era benfiquista.
 
O meu avô chegou, inclusivamente, a ser jogador de futebol do Benfica para além de, mais tarde, quando foi viver para o Porto, ter sido Presidente do Boavista num tempo em que as coisas eram muito diferentes de hoje.
 
Com o meu avô, que era coronel do exército, aprendi o que é que o Benfica representava e quais eram os valores do clube. Com ele, percebi a grandeza do Benfica e o respeito que todos lhe devemos.
 
Não gosto nem pretendo dizer muito mais coisas acerca da minha vida pessoal, mas compreendo que as pessoas tenham que conhecer o meu passado e o meu percurso que, em meu entender, me habilita a poder ser Presidente do maior clube português.
 
Tenho a minha vida pessoal organizada no Porto, mas o Benfica é um clube do mundo, um clube maior do que as palavras e pelo amor que lhe tenho estou disposto a mudar de cidade.
 
Neste nosso blog “Novo Benfica” tenho vindo a fazer uma análise exaustiva do estado em que se encontra o Benfica hoje.
 
O Benfica, na minha opinião, assemelha-se a um mau aluno, mas que é um rapaz inteligente e capaz. É claro que a culpa das más notas é da escola, dos professores ou dos colegas, em vez de se olhar para a verdadeira causa do insucesso. É que esse aluno não estuda e não se aplica. Passa a vida a gabar-se que é o mais inteligente da turma em vez de trabalhar. E depois fica surpreendido por ter maus resultados, passando a vida a queixar-se de tudo e de todos.
 
O Benfica não tem sido capaz de parar para pensar e de reconhecer os seus erros.
 
No Benfica prefere-se adoptar uma postura de desculpabilização permanente em vez de se procurar as verdadeiras causas dos problemas.
 
Essa atitude é extremamente perigosa porque nos conduz a soluções fáceis, mas que nada resolvem.
 
Todos sabemos que o Benfica é um clube popular, mas isso não deveria conduzir ao triunfo sistemático do populismo.
 
Os benfiquistas são permanentemente enganados porque eles próprios também parecem pouco interessados em encarar a realidade de frente.
 
Talvez por isso tenham dado a vitória a João Vale e Azevedo que prometia o regresso de Rui Costa. Talvez por isso tenham, depois, dado a vitória a Manuel Vilarinho quando este prometeu o ingresso de Jardel no Benfica. Talvez por isso os benfiquistas ficaram tão felizes com o 4º lugar da época passada, uma vez que essa realidade foi logo esquecida com a contratação de Rui Costa para Director Desportivo ou pelo ataque que o Benfica fez ao Porto na UEFA para tentar conseguir na secretaria o que não conseguiu em campo.
 
Os benfiquistas têm vivido de ilusão em ilusão.
 
É preciso parar com isto!
 
É necessário falar verdade aos benfiquistas.
 
No Benfica actual não é preciso ganhar, basta dar a ilusão que se vai ganhar.
 
No Benfica fala-se permanentemente em ganhar na Europa quando o que conseguimos são presenças vergonhosas na Taça UEFA. Deste modo, todo o prestígio ganho com o suor de grandes jogadores vai-se degradando ano após ano.
 
No Benfica actual fala-se de Fundações quando não se respeitam devidamente as antigas glórias, onde os dirigentes nem se dignam a estarem presentes num funeral de um jogador que foi campeão europeu com a camisola do Benfica.
 
No Benfica falam-nos de uma recuperação financeira e de credibilidade enquanto o que se vê na prática é o passivo aumentar 22 milhões de euros, só nos últimos 6 meses.
 
Recentemente o Benfica contraiu alegremente um endividamento de 40 milhões de euros que é somente metade do passivo de um clube destroçado como o Boavista, sendo que, desse montante, 12 milhões destinavam-se ao pagamento de salários.
 
Como é que isto é possível?
 
Numa coisa concordo com a actual Administração do Benfica: o Benfica não pode cair jamais em mãos de aventureiros, apesar de eu considerar que a actual política do Benfica é de alto risco e longe da prudência que estes tempos difíceis recomendariam.
 
É claro que alguns falarão do “timing” deste meu anúncio e de que é altura de darmos as mãos e sermos campeões.
 
Mas a esses eu direi o seguinte: as eleições são só em Outubro e eu não farei qualquer acção de campanha até o título estar decidido.
 
Deste modo fica demonstrado a todos que não sou nenhum abutre, que não estou à espera de nenhum desastre para dizer o que me proponho fazer no Benfica. Sei bem que outros haverá que, permanecendo na sombra, estarão a congeminar estratégias de actuação no caso de o Benfica não ser campeão.
 
Eu não faço nada disso.
 
Ponho tudo claro em tempo útil, garantindo que não causarei qualquer perturbação no Benfica.
 
Espero, com todas as minhas forças, que o Benfica seja campeão. Mas esse título sabe-me a muito pouco. Parece-me que o Benfica, a ser campeão, o será de uma forma parecida com 2005, isto é, com pouco futebol e com pouca classe e com um custo financeiro completamente incomportável.
 
Eu quero um Benfica bem diferente deste.
 
Quero um Benfica bem organizado, bem estruturado e ganhador.
 
É necessária uma política contra o sistema. Mas contra o verdadeiro sistema, contra a incompetência e falta de visão.
 
Tenho a certeza que é possível fazer, de novo, do maior clube português aquele que mais ganha.
 
Sei que o lugar do Benfica é ser o número 1.
 
Uma palavra final de agradecimento a todos aqueles que neste blog foram demonstrando o seu apoio às coisas que por aqui vou escrevendo.
 
Saudações benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: No momento do lançamento, foi afirmado por nós que este blog não representava nenhuma tendência dentro do Benfica. E continua a não representar, pelo que peço aos meus companheiros do Novo Benfica que clarifiquem a sua posição face à minha candidatura, se assim o entenderem fazer.
 
05
Mar09

IGNORÂNCIA OU PROPAGANDA?

Bruno Carvalho

                     

 
 
1. NOTA INTRODUTÓRIA
 
Quero começar o texto de hoje declarando que, sinceramente, não me quero enredar em polémicas, muito menos com os meus companheiros de blog.
 
No entanto, não posso deixar de constatar uma completa diferença entre a minha postura e a posição que alguns assumem relativamente a mim. Eu nunca comentei o texto de ninguém, tenho apenas debatido ideias, como fiz recentemente com o Pedro Fonseca a propósito do Benfica Global.
 
Alguns companheiros de blog escrevem coisas com as quais não concordo minimamente, mas não teço quaisquer comentários às suas opiniões.
 
Confesso que alguns desses textos expressam exactamente as ideias que, na minha opinião, fizeram com que o Benfica chegasse ao estado de fraqueza actual, mas eu não digo nada. Respeito as opiniões dos outros como espero que respeitem as minhas.
 
Uma coisa é certa, nunca ninguém me viu fazer qualquer ataque pessoal a quem quer que seja e quando expresso as minhas opiniões, fundamento-as sempre com dados concretos.
 
Na área de comentários deste blog discute-se muito se eu quero ou não candidatar-me a presidente do Benfica, provavelmente pela forma como expresso as minhas opiniões.
 
A verdade é que eu me limito a dar, sem quaisquer rodeios, o meu ponto de vista sobre o Benfica sem me importar rigorosamente nada com os índices de popularidade, o que parece incomodar alguns.
 
Para que tudo fique claro e transparente, no post da próxima semana abordarei precisamente o tema da tal eventual candidatura, esclarecendo aquilo que pretendo fazer relativamente ao Benfica.
 
Como é fácil perceber, se eu quisesse arrancar palmas e apoios maciços faria o que muitos fazem: diria sistematicamente mal do FC Porto, repetiria incessantemente que o Benfica é um clube fantástico e ganhador, que tem sido feito um trabalho maravilhoso, que o Benfica estava destruído, que voltar a ganhar demora tempo, mas que estamos no bom caminho, uma vez que somos incontestavelmente superiores em tudo aos nossos adversários.
 
No entanto, esse Benfica é apenas ilusório. Esse Benfica, infelizmente para nós, não existe.
 
O Benfica, no mundo real, tem sido superado em tudo pelos seus adversários directos.
 
Mas os benfiquistas, alguns, recusam-se a encarar a realidade.
 
Ou pior, os benfiquistas, alguns, contentam-se com pouco.
 
Como se deve qualificar a gestão desportiva de um clube cuja equipa, desde 1994 até hoje, ganhou apenas 1 campeonato?
 
Deveremos dizer que é brilhante? Magnífica? Maravilhosa? Fenomenal? Para mim e para os benfiquistas que sentem o clube como eu, essa performance é MEDÍOCRE.
 
Depois falam da maravilhosa grandeza de um Benfica Global que aparentemente esmaga tudo e todos.
 
Mas quando se olha para os resultados tudo se desmorona:
 
- Basquetebol: nos últimos 10 anos o Benfica não ganhou 1 único campeonato.
 
Como se deve qualificar esse resultado?
 
Deveremos dizer que é brilhante? Magnífico? Maravilhoso? Fenomenal? Para mim e para os benfiquistas que sentem o clube como eu, não ganhar nada é MEDÍOCRE.
 
- Andebol: nos últimos 10 anos o Benfica ganhou 1 campeonato.
 
Como se deve qualificar esse resultado?
 
Deveremos dizer que é brilhante? Magnífico? Maravilhoso? Fenomenal? Para mim e para os benfiquistas que sentem o clube como eu, ganhar 1 campeonato em 10 anos é MEDÍOCRE.
 
- Hóquei em Patins: nos últimos 10 anos o Benfica não ganhou 1 único campeonato.
 
Como se deve qualificar esse resultado?
 
Deveremos dizer que é brilhante? Magnífico? Maravilhoso? Fenomenal? Para mim e para os benfiquistas que sentem o clube como eu, não ganhar nada é MEDÍOCRE.
 
- Futsal: o Benfica nos últimos 10 anos ganhou 4 campeonatos.
 
Neste caso a performance é boa, mas há sérias ressalvas a fazer. No futsal o Benfica, nos últimos 10 anos, tem o mesmo número títulos que o Sporting num desporto em que o FC Porto nem sequer compete. Mas o que me parece grave é o que custa esta modalidade ao Benfica. O Benfica paga mais aos jogadores de futsal do que 90% dos clubes da primeira Liga de Futebol pagam aos seus jogadores. Parece-me uma factura incomportável para mostrar que se consegue ganhar em qualquer coisa.
 
- Voleibol: nos últimos 10 anos o Benfica ganhou 1 campeonato.
 
Como se deve qualificar esse resultado?
 
Deveremos dizer que é brilhante? Magnífico? Maravilhoso? Fenomenal? Para mim e para os benfiquistas que sentem o clube como eu, ganhar 1 campeonato em 10 anos é MEDÍOCRE.
 
- Ciclismo: o Benfica não venceu, neste seu regresso, a Volta a Portugal em bicicleta.
 
O Benfica entra, de vez em quando, com grande alarido no ciclismo fazendo promessas de grandes conquistas nacionais e internacionais. O ciclismo, diziam alguns, era fundamental pois até está no emblema do clube.
 
E o que é que sucedeu?
 
Andamos a ver o Benfica a fazer a figura a que tanto nos acostumamos nestes tempos recentes. Isto é, fizemos uma grande festa antes de começarem as provas a valer e quando chegamos à Volta a Portugal fomos copiosamente derrotados.
 
Provavelmente a culpa foi do sistema ou dos árbitros, do alcatrão que era muito irregular ou do bandeirinha que se encontrava na meta, que segurava, sem vergonha, um pano de xadrez preto e branco, sinal claro de que a corrida estava controlada pelos mesmos de sempre.
 
Mas o mais grave quanto ao ciclismo é que o Benfica abandonou a modalidade sem dar explicações convincentes. Entrou e saiu de repente, da forma que o Benfica nos habituou a lidar com os seus assuntos: sem estratégia, sem lógica, sem uma visão de longo prazo e sem profissionalismo.
 
Como se deve qualificar esta forma de fazer as coisas?
 
Deveremos dizer que é brilhante? Magnífica? Maravilhosa? Fenomenal? Para mim e para os benfiquistas que sentem o clube como eu, tratar uma modalidade como o ciclismo desta forma é MEDÍOCRE.
 
Em resumo, nos últimos 10 anos, o Benfica, não ganhou nenhum campeonato de basquetebol, não ganhou nenhum campeonato de hóquei em patins, ganhou 1 campeonato de andebol, ganhou 1 campeonato de voleibol, ganhou 4 campeonatos de futsal, ganhou 1 campeonato de futebol e não ganhou em ciclismo.
 
Que Benfica é este? É um Benfica poderoso, dominador, glorioso?
 
Foi à custa de ganhar tão pouco que o Benfica se tornou o maior clube português?
 
Eu digo isto claramente e sem rodeios: este Benfica é um Benfica MEDÍOCRE, longe dos pergaminhos da sua história.
 
Se há muitos benfiquistas satisfeitos com isso? Não sei. Espero sinceramente que não. Eu não estou satisfeito e tenho recebido imensas mensagens de benfiquistas que pensam e sentem o mesmo que eu.
 
Qual é o melhor benfiquista? Será aquele que finge não ver e que se vangloria permanentemente de ser o melhor, mas que na realidade nada ganha, ou será aquele que encara os problemas de frente, não se conforma e que quer acabar com esta mediocridade global?
 
Será que se presta um bom serviço ao Benfica fingir que somos os maiores e apregoar isso aos sete ventos e depois ver os outros sempre em festa, pois são os outros que, na realidade, ganham? Ou pensam, por algum instante, que os outros não sabem que nada ganhamos?
 
Dizem alguns que o Benfica já esteve muito pior e que agora somos uma instituição credível e respeitada.
 
Mas o Benfica de que eu me lembro sempre foi credível e respeitado e não é por termos tido um presidente desonesto que vamos ter que pagar a factura o resto das nossas vidas.
 
Eu quero um Benfica credível e respeitado, mas ganhador.
 
Quanto tempo mais será preciso para ganharmos? A actual equipa de gestão já está no Benfica há 8 anos. Quantos mais anos serão precisos para ganharmos? Será que daqui a 20 anos ainda estaremos a recompor-nos?
 
E fica, desde já, aqui o meu aviso: o Benfica em termos económico-financeiros está a caminhar francamente mal. A propaganda diz o contrário, mas a verdade é que o Benfica está a andar mesmo muito mal. Eu queria falar sobre este tema esta semana, mas fica a promessa que o farei num futuro muito breve, uma vez que não podia deixar de me referir a este assunto do Benfica Medíocre, dado que, mais uma vez, os meus textos foram alvo de amplos comentários.
 
Quanto às contas, fica apenas uma nota para reflexão: no primeiro semestre de 2008/09 o Benfica teve um prejuízo de mais de 9 milhões de euros e o passivo subiu 22 milhões!!!
 
Nos tempos que correm, uma gestão destas é totalmente aberrante e pode encaminhar o Benfica para o precipício. Mas isso pouco importa aos benfiquistas, alguns, desde que lhes digam que o Benfica é grande, glorioso, o maior do mundo e que no futuro tudo irá ganhar.
 
Eu amo o Benfica e por isso não me conformo com este Benfica!
 
 
2. IGNORÂNCIA OU PROPAGANDA?
 
Após a minha nota introdutória, que eu sei que foi longa, gostava de falar do assunto que queria partilhar com todos os benfiquistas e que me parece bastante relevante.
 
Penso que devíamos olhar atentamente para a representação do Benfica nos vários programas de debate sobre futebol que existem nos diversos canais de televisão.
 
Até há pouco tempo, o Benfica estava representado por Fernando Seara no programa “O Dia Seguinte” da SIC Notícias, por António Pedro Vasconcelos no programa “Trio de Ataque” da RTP N e por Pedro Fonseca e Raul Lopes no programa “A Bola É Redonda” do Porto Canal.
 
Não pretendo fazer grandes juízos de valor quanto ao desempenho de cada um destes ilustres representantes do Benfica, pois são bastante subjectivos, mas uma coisa posso dizer: nenhum deles desempenhava ou desempenha qualquer cargo no Benfica e parecem-me ser todos homens livres, independentes, que emitem as suas próprias opiniões em cada um dos respectivos programas.
 
O mesmo se passa, aliás, em relação aos representantes dos outros clubes em todos esses programas, uma vez que nenhum tem algum cargo de Direcção nos seus clubes.
 
Ora, com o advento da TVI 24, esta lógica foi rompida.
 
A TVI 24 foi buscar Fernando Seara, sendo que a SIC Notícias substituiu-o por Sílvio Cervan.
 
E é precisamente aqui que se inicia o problema.
 
Mais uma vez o Benfica mostra a sua falta de pensamento estratégico sobre os assuntos.
 
Sílvio Cervan, goste-se dele ou não, é Vice-Presidente do Benfica.
 
Se é Vice-Presidente, Sílvio Cervan só deveria aceitar estar presente num programa de debate se os outros clubes estivessem representados ao mesmo nível.
 
Com todo o respeito que José Guilherme Aguiar e Dias Ferreira me merecem, eles não são institucionalmente Vice-Presidentes dos clubes que representam no programa.
 
Muito pelo contrário.
 
José Guilherme Aguiar e Dias Ferreira são inteiramente livres de dizerem o que entenderem pois não são vozes oficiais dos respectivos clubes. Estão lá como adeptos.
 
São, com certeza, adeptos com uma grande notoriedade, mas estão lá como adeptos. E os adeptos têm todos os graus de liberdade. Podem estar de acordo, podem criticar, podem dizer coisas mais acertadas ou outras mais irreflectidas, próprias do calor da discussão em que tudo, ou quase tudo, lhes pode ser perdoado, pois estão lá livres de amarras.
 
E o Benfica e Sílvio Cervan? Como é que funciona connosco?
 
Sílvio Cervan, sendo Vice-Presidente do Benfica, não pode ser independente.
 
Se Sílvio Cervan criticar o treinador do Benfica, quem é que o faz? Será o adepto ou o Vice-Presidente do Benfica?
 
Se Sílvio Cervan criticar o Director Desportivo por não concordar, por exemplo, com alguma contratação, quem estará então em desacordo? Será o adepto ou o Vice-Presidente do Benfica?
 
Se Sílvio Cervan criticar o Presidente do Benfica pelo descalabro das contas, quem é que fará essas críticas? Será Sílvio Cervan o adepto do Benfica ou será o Vice-Presidente do Benfica?
 
E neste caso, se o Vice-Presidente criticar num programa de televisão o Presidente do Benfica, como é que será na manhã seguinte a relação dos dois quando chegarem ao clube?
 
Parece claro que Sílvio Cervan não poderá ter uma opinião isenta sobre o treinador do Benfica, sobre o Director Desportivo do Benfica, sobre o Presidente do Benfica, sobre nenhum assunto do Benfica.
 
Então que está Sílvio Cervan a fazer nesse programa?
 
Estará a fazer campanha eleitoral? Estará a fazer a propaganda habitual?
 
O Benfica, ao autorizar o seu Vice-Presidente a estar presente num programa de televisão com estas características, criou mais um problema a si próprio.
 
Só não sei se o fez por ignorância ou por propaganda.
 
Sílvio Cevan é, claramente, um erro de casting.
 
Por um lado, o Benfica não se dá ao respeito pois coloca um Vice-Presidente seu a discutir com dois adeptos de outros clubes.
 
Por outro lado, o Benfica atenta contra a sua tradição de liberdade, pois tem um comentador condicionado, que nada poderá dizer de uma forma independente, limitando-se a poder divulgar o discurso oficial.
 
É este o Benfica que queremos? É neste Benfica que nos sentimos representados?
 
Eu continuo a preferir os comentários do Pedro Fonseca e do Raul Lopes no programa do Porto Canal.
 
Apesar da proximidade de pontos de vista que, por exemplo, o Pedro Fonseca tem com Luís Filipe Vieira, isso não o impede de ser um homem livre e sem condicionalismos e cujas opiniões eu muito respeito.
 
É que para sermos respeitados temos que nos dar ao respeito, e o Benfica que seguramente autorizou a presença de Sílvio Cervan no programa da SIC Notícias não soube, uma vez mais, dar-se ao respeito.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: O Novo Benfica já atingiu as 250.000 visitas. É um número impressionante e muito acima das nossas expectativas iniciais. Este número de visitas só vem comprovar duas coisas: a força do Benfica e a força das ideias.
Obrigado a todos por nos ajudarem a fazer do Novo Benfica aquilo que ele é: um espaço de reflexão sobre o Benfica onde existe total liberdade de opinião.
 
26
Fev09

UM BENFICA GLOBAL, MAS MEDÍOCRE

Bruno Carvalho

  

 

Hoje vou falar do denominado Benfica Global, mas sem antes deixar de me referir ao jogo de Alvalade, Sporting-Benfica, do passado sábado.
 
Não vou tecer quaisquer comentários, uma vez que já foi tudo dito e, pelo que vou lendo noutros blogs benfiquistas, se fosse eu a dizer essas coisas, cairia o Carmo e a Trindade.
 
A única observação que quero fazer é que me meteu impressão ver a vontade, o querer e a garra dos jogadores do Sporting, em claro contraste com a total apatia e indiferença dos jogadores do Benfica.
 
No entanto, esse alheamento dos jogadores do Benfica não é um problema novo, é, antes, algo que se arrasta, inexplicavelmente, há anos a fio.
 
Em abono da verdade, vimos um Benfica a ser esmagado na segunda parte, exactamente como aconteceu o ano passado no jogo para a Taça de Portugal.
 
Com efeito, é lamentável que praticamente não haja diferenças entre esse Benfica de Chalana e o Benfica do passado sábado.
 
Aliás, houve uma diferença muito grande relativamente ao ano passado: este ano tivemos muito mais sorte. No ano passado sofremos 5 golos na segunda parte, este ano apenas sofremos 2, tendo o Sporting criado as mesmas ou até mais ocasiões flagrantes para marcar.
 
E todos sabemos que este Sporting vale muito pouco, como o Bayern de Munique deixou bem claro ontem ao ganhar por 5-0 em Alvalade. Mas mesmo um Sporting fraquinho chegou para ganhar, com facilidade, ao Benfica.
 
É pena constatar que passou mais um ano, mas as coisas no Benfica continuam na mesma.
 
Depois deste preâmbulo, vamos lá, então, falar do tal Benfica Global.
 
No passado dia 16 de Fevereiro, o meu companheiro de blog Pedro Fonseca escreveu um post sob o título “O Benfica Global”.
 
Pelo interesse do assunto, resolvi revisitar esse texto e mostrar a minha perspectiva sobre o que é o Benfica de hoje.
 
É importante que se diga que eu sou, como já afirmei múltiplas vezes, amigo do Pedro Fonseca e tenho uma enorme consideração por ele, pois é uma pessoa com uma dimensão humana extraordinária.
 
Apesar de eu e o Pedro termos muitas vezes visões diferentes do Benfica, isso não impede que eu admire a forma como ele defende o nosso clube e a prová-lo está o convite que lhe fiz para ser um dos representantes do Benfica no programa “A Bola é Redonda” que o Porto Canal emite, em directo, às segundas-feiras à noite.
 
Nesse programa, Pedro Fonseca e Raul Lopes são os melhores defensores do Benfica na televisão portuguesa. Afirmo isto sem favor e com a imparcialidade que me é possível.
 
Dito isto, para que não haja qualquer mal entendido sobre este assunto, parece-me que a ideia de um Benfica Global ganhador e glorioso está bem longe de ser verdade.
 
Antes de aprofundar o meu pensamento gostaria de fazer uma nova ressalva para dizer o que penso do papel das modalidades no Benfica.
 
Eu defendo um Benfica eclético, mas centrado no seu “core business” (no seu negócio central) que é o futebol.
 
Clarificando, eu quero que o Benfica ganhe no futebol e que pratique as outras modalidades.
 
O sucesso ou fracasso do Benfica, mede-se pelo sucesso ou pelo fracasso que tem no futebol, desde que isso seja feito sem comprometer a estabilidade financeira do clube.
 
As restantes modalidades devem existir, pois o Benfica não é apenas futebol, mas, no meu ponto de vista, não é muito relevante se elas ganham ou não.
 
O importante é que as modalidades existam, que com a sua prática se fomente o desporto, que o Benfica tenha um papel útil à sociedade, que promova o seu nome, tudo isto num contexto em que essas modalidades sejam sustentáveis sob o ponto de vista económico.
 
Sinceramente, não me deixa nada feliz se formos campeões de basquetebol, de andebol, de voleibol, de hóquei patins ou de futsal, mas se não vencermos em futebol.
 
É no futebol que o Benfica tem que ganhar e tem que ganhar muito mais vezes que os seus adversários.
 
O problema do Benfica é que não tem dominado em nada e não existe uma verdadeira cultura de vitória e de responsabilização.
 
A forma como se celebra o tal Benfica Global, recheado de vitórias, não passa de uma ilusão.
 
O Benfica tem sido globalmente um fracasso, com uma gestão desportiva medíocre e o que se passa no futebol, também se passa nas modalidades, não havendo solidez, nem um conjunto de vitórias sustentadas.
 
Na realidade estamos longe de um Benfica ganhador, como podemos ver de seguida nos quadros que mostram as classificações nas modalidades apontadas pelo meu companheiro Pedro Fonseca, nos últimos 10 anos:
 
- HÓQUEI EM PATINS
 
1998/1999: FC Porto
1999/2000: FC Porto
2000/2001: ÓC Barcelos
2001/2002: FC Porto
2002/2003: FC Porto
2003/2004: FC Porto
2004/2005: FC Porto
2005/2006: FC Porto
2006/2007: FC Porto
2007/2008: FC Porto
 
Em hóquei em patins, o Benfica não ganhou um único campeonato. O FC Porto ganhou 9 e o Óquei Clube de Barcelos 1.
 
- ANDEBOL
 
1998/1999: ABC
1999/2000: Sporting
2000/2001: ABC
2001/2002: FC Porto
2002/2003: FC Porto
2003/2004: FC Porto  
2004/2005: Madeira Andebol SAD
2005/2006: ABC
2006/2007: ABC
2007/2008: BENFICA
 
No andebol, o Benfica é o campeão em título, mas, como se vê, está longe de dominar o andebol português. Nos últimos 10 anos o ABC foi campeão por 4 vezes, o FC Porto 3, o Madeira SAD, o Sporting e o Benfica 1 vez.
 
- BASQUETEBOL
 
1998/1999: FC Porto
1999/2000: Ovarense
2000/2001: Portugal Telecom
2001/2002: Portugal Telecom
2002/2003: Portugal Telecom
2003/2004: FC Porto
2004/2005: Queluz
2005/2006: Ovarense
2006/2007: Ovarense
2007/2008: Ovarense
 
Em basquetebol, o Benfica não ganhou nenhum campeonato nos últimos 10 anos. A Ovarense ganhou 4, a extinta equipa da Portugal Telecom ganhou 3, o FC Porto ganhou 2 e o Queluz ganhou 1.
 
- FUTSAL
 
1998/99: Sporting
1999/00: Miramar
2000/01: Sporting
2001/02: Freixieiro
2002/03: BENFICA
2003/04: Sporting
2004/05: BENFICA
2005/06: Sporting
2006/07: BENFICA
2007/08: BENFICA
 
Em futsal, a modalidade estrela do Benfica, somos bi-campeões. Nos últimos 10 anos ganhámos 4 campeonatos, os mesmos que o Sporting, enquanto o Miramar e o Freixieiro ganharam 1 campeonato cada. Refira-se que o FC Porto não tem futsal.
 
- VOLEIBOL
 
1998/1999: Espinho
1999/2000: Espinho
2000/2001: Castelo da Maia
2001/2002: Castelo da Maia
2002/2003: Castelo da Maia
2003/2004: Castelo da Maia
2004/2005: BENFICA
2005/2006: Espinho
2006/2007: Espinho
2007/2008: Guimarães
 
Em voleibol, o Castelo da Maia ganhou por 4 vezes o campeonato nacional nos últimos 10 anos, o Espinho foi campeão também por 4 vezes e o Benfica e o Guimarães ganharam 1 campeonato cada.
 
- FUTEBOL
 
1998/1999: FC Porto
1999/2000: Sporting
2000/2001: Boavista
2001/2002: Sporting
2002/2003: FC Porto
2003/2004: FC Porto
2004/2005: BENFICA
2005/2006: FC Porto
2006/2007: FC Porto
2007/2008: FC Porto
 
Em futebol, nos últimos 10 anos, o FC Porto ganhou 6 campeonatos, o Sporting 2 e o Benfica e o Boavista ganharam 1 campeonato cada.
 
No quadro resumo que se segue, poderá ver-se, então, os títulos de campeão nacional que o Benfica conquistou nas principais modalidades, nos últimos 10 anos:
 
- VITÓRIAS DO BENFICA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS:
 
Hóquei em Patins: 0
Andebol: 1
Basquetebol: 0
Futsal: 4
Voleibol: 1
Futebol: 1
 
Como se pode constatar, o tal Benfica Global e avassalador de que se falou não existe.
 
O que existe é um clube que de vez em quando, de uma forma esporádica, lá vai ganhando um campeonato de qualquer coisa. E quando ganha, curiosamente, tende a não manter os treinadores campeões, como aconteceu no andebol, no futsal e no futebol.
 
De facto, no Benfica não há conquistas sistemáticas, não há uma organização com um fim ganhador.
 
Se repararmos bem, em 10 anos, exceptuando no futsal, não há nenhuma modalidade em que o Benfica tenha conseguido ser campeão mais do que uma vez, sendo que em hóquei em patins e em basquetebol nem sequer um campeonato ganhou.
 
Mesmo no futsal, o Benfica tem o mesmo número de vitórias que o Sporting, apesar de pagar salários milionários e totalmente insustentáveis, como é o caso dos 12.500 euros mensais que paga ao Ricardinho. Eu gostava de saber quanto ganha o jogador mais bem pago da equipa profissional de futebol do Leixões. De futebol, não de futsal.
 
Seguramente o jogador que mais ganha no futebol do Leixões tem um salário menor que um jogador de futsal do Benfica, o que é um absurdo e que poderá ter consequências financeiras muito graves para o futuro do Benfica. Mas esse será o tema do meu próximo post.
 
A deriva deste Benfica pode ser vista com o que sucedeu numa modalidade que não está nos quadros acima: o ciclismo.
 
De vez em quando, no Benfica, alguém se lembra desta modalidade, gastam-se fortunas e depois o ciclismo volta a desaparecer.
 
Desta vez, foi mesmo lamentável, pois apesar de toda a propaganda e de todo o investimento, não ganhamos sequer a Volta a Portugal.
 
O regresso do ciclismo foi ainda pior do que no tempo de Vale e Azevedo. Ao menos, nessa altura, conseguimos ganhar a Volta. Desta vez, o ciclismo apareceu com pompa e circunstância, para depois desaparecer sem qualquer honra nem glória.
 
É, de facto, assustadora a falta de estratégia no Benfica que depois se reflecte a todos os níveis.
 
O Benfica Global de que se fala é, sem dúvida, um Benfica medíocre.
 
A realidade, triste, é que neste pretenso Benfica Global a única coisa que se pode constatar com clareza é a falta de mentalidade ganhadora e a ausência de uma organização séria e profissional orientada para as vitórias.
 
Mas alguns benfiquistas parecem estar muito contentes com um Benfica que não ganha, mas que é muito bom a lamentar-se e a desviar as atenções dos seus próprios fracassos.
 
A maior vitória dos adversários do Benfica não são os campeonatos que conquistaram, mas sim o facto de terem conseguido que o Benfica e os benfiquistas se contentem com pouco.
 
Ao que o Benfica chegou!
 
Pois eu digo a todos em alto e bom som: é preciso parar com isto urgentemente, é preciso devolver a ambição ao Benfica, é preciso que no Benfica não nos contentemos com as migalhas dos outros.
 
Não pensem alguns que a cegueira é colectiva, pois há sempre alguém que consegue realmente ver a floresta.
 
Um dia, voltaremos ao nosso lugar!
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: No passado dia 8 de Fevereiro, faleceu Humberto Fernandes.
Humberto Fernandes era defesa central, tendo representado o Benfica durante 17 anos, repito, 17 anos.
Ao serviço do Benfica, Humberto Fernandes foi Campeão Europeu em 1962, ganhou 6 campeonatos e 4 Taças de Portugal.
Humberto Fernandes foi e será para sempre uma glória do nosso Benfica.
Pena é que nenhum membro da Direcção do Benfica tenha tido disponibilidade para ir ao funeral de Humberto Fernandes.
É uma vergonha e depois ainda falam de mística e de Fundações!
Não saber respeitar a história do próprio clube é um pecado sem perdão.
 
PS 2: Já há bode expiatório à vista! Se o Benfica não for campeão já sabemos que as culpas irão inteirinhas para Quique Flores. Basta estarmos atentos e os sinais estão por todo o lado. Só não sei se Rui Costa conseguirá evitar sair, igualmente, chamuscado por um eventual fracasso. Uma certeza existe, porém: Luís Filipe Vieira, mais uma vez, sairá isento de quaisquer culpas e dará, alegremente, início a mais um “Novo Ciclo”. Em Agosto gastaremos mais 30 milhões de euros em novos jogadores, teremos um novo treinador, será prometido um Benfica ganhador em Portugal e na Europa e será anunciado mais um novo ciclo perante a felicidade de milhares de benfiquistas. Até quando será assim? Até quando cairemos todos nesta propaganda barata?
 
PS 3: Só mais uma questão que deixo para meditarmos todos e que gostava que alguém da Direcção do Benfica respondesse: se o Benfica não ganha por culpa dos árbitros, do sistema e da corrupção, porque é que despedem os treinadores?
 

 

19
Fev09

DEIXEM-ME SONHAR!

Bruno Carvalho

                 

 
 
Escrevo há já alguns meses neste blog.
 
Tem sido uma experiência bastante interessante porque se consegue sentir o pulsar dos benfiquistas através de um meio de comunicação tão aberto, democrático e acessível como é a internet.
 
É evidente que há, no meio disto tudo, alguns que não têm a menor dose de civilidade ou de respeito e que se permitem, a coberto do anonimato que a internet permite, soltar toda a sua agressividade e falta de educação.
 
Mas essa agressividade não é um mal do Benfica ou deste blog, é, antes, o reflexo destes tempos modernos em que os valores são cada vez mais deixados para trás e onde a tolerância para com quem tem opiniões diferentes das nossas não cessa de diminuir.
 
No entanto, vou deixar essas análises para os sociólogos, uma vez que nem essa é a minha especialidade, nem dissecar esses fenómenos é o objectivo deste meu texto.
 
É interessante verificar que muitos se entretêm mais em analisar o meu benfiquismo do que a tentarem reflectir sobre os problemas do Benfica e sobre as várias soluções que vou apontando.
 
Quando iniciei este blog com os meus companheiros deste Novo Benfica, confesso que não tinha a noção do estado de resignação que os meus consócios atingiram.
 
Depois de presidentes como Manuel Damásio ou João Vale e Azevedo, os benfiquistas baixaram, e muito, a fasquia quanto ao grau de exigência relativamente ao desempenho do Benfica e de quem o lidera.
 
Tenho 40 anos e, de uma forma realista, tenho que admitir que o Benfica não é o clube dominador do futebol em Portugal há já muito tempo.
 
Fico orgulhoso com o facto de o Benfica ter ganho por duas vezes a Taça dos Campeões Europeus. No entanto, isso ocorreu em 1961 e em 1962. Tenho muito orgulho, mas não vi. Não vivi. Não festejei. Não abracei os meus amigos, num qualquer estádio da Europa ou em frente a uma televisão, para celebrar os golos da vitória e da conquista do troféu máximo do futebol europeu.
 
Há um paralelismo evidente relativamente ao período dos descobrimentos portugueses. Todos temos muito orgulho em Gil Eanes, em Diogo Cão, em Bartolomeu Dias, em Vasco da Gama, em Pedro Álvares Cabral e em muitos outros, mas nenhum de nós viveu esse período.
 
Eu não quero que aconteça ao Benfica o mesmo que sucedeu a Portugal. O nosso País viveu um período de intensa glória e realização há 500 anos atrás e ainda hoje vive à sombra desses feitos, não tendo sido capaz de se reinventar e fazer reviver o esplendor perdido.
 
Tenho muito orgulho que o Benfica tenha sido campeão nacional por 31 vezes, no entanto, nos meus 40 anos de vida, o Benfica não é o clube português que mais vezes ganhou o campeonato e não ganhou um único título europeu.
 
De facto, se fizermos as contas aos últimos 40 anos, repito, 40 anos, há outro clube que foi mais vezes campeão que o Benfica, com a agravante desse clube ter ganho 6 títulos internacionais nesse período, sendo que 3 desses títulos foram nos últimos 6 anos.
 
Não obstante, o Benfica continua a ser o maior clube de Portugal, o que mais campeonatos nacionais ganhou, o que tem a maior massa associativa, o que tem os melhores adeptos do mundo, o que tem mais meios em Portugal, o que obtém mais receitas, o que move mais paixões, o que faz vender mais jornais, o que consegue gerar mais audiências televisivas, o que arrasta mais gente aos estádios portugueses, o que mais suscita paixão por todo o mundo, em qualquer lugar em que haja um português.
 
Se somos tão grandes, se somos ainda maiores do que as palavras conseguem transmitir, será pedir demais que voltemos a colocar o Benfica no lugar que é, por direito e dever, o seu?
 
Pois eu peço, como pediu um dia o nosso estimado José Torres, que me deixem sonhar.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica ganhador como o que tínhamos nos anos 60.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica respeitado na Europa.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que jogue todos os anos na Liga dos Campeões.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica Campeão Europeu, que não seja humilhado na Taça UEFA por equipas sem gabarito.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que domine, com clareza, o futebol português.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que seja a ambição máxima para qualquer jogador de futebol.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica influente e prestigiado entre os demais grandes clubes europeus.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica de alegrias em vez de lamúrias.
 
Deixem-me sonhar com o renascimento da mística benfiquista.
 
No fundo, quero que me deixem sonhar com um Benfica grande e respeitado pelo seu presente e não apenas pelo seu passado que, por muito glorioso que tenha sido, e foi, já é isso mesmo, passado.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: Dedico este post a todos aqueles que, como eu, sonham com um Benfica de regresso à sua famosa glória e que acreditam que isso é possível.
 
 

    Benfica: Campeão Nacional e Campeão Europeu, 1961

 

12
Fev09

SÉTIMO CÉU

Bruno Carvalho

             

 

Sei muito bem que alguns aguardam este meu texto com saliva a escorrer-lhes pelos cantos da boca, tal a ansiedade em que estão para me poderem criticar, uma vez que acham que chegou uma boa altura para isso.
 
É curioso, porque esses que tanto me querem atacar julgam-se mais benfiquistas do que eu e, não é menos verdade, que eu me julgo muito mais benfiquista do que eles, pelo menos no sentido daquilo que eu defino o que é ser benfiquista.
 
Como não gosto de desiludir ninguém, vou escrever um texto de acordo com a minha forma de ver as coisas.
 
A minha principal conclusão é que o status quo do Benfica, isto é, os actuais dirigentes do Benfica e todos aqueles que com o seu apoio têm vindo a sustentar a actual situação do Benfica devem estar muito felizes, devem mesmo ter subido ao sétimo céu que é, como se sabe, o paraíso supremo.
 
É fácil de explicar o motivo que me leva a dizer isso: o Benfica colocou-se exactamente na posição em que tanto gosta de estar e que lhe retira toda a pressão.
 
O Benfica, apesar de não ter ganho no Dragão e consequentemente não ter atingido o primeiro lugar no campeonato, conseguiu aquilo a que tanto nos acostumou: conseguiu, uma vez mais, colocar-se na posição do coitadinho, do clube permanentemente roubado e espoliado pelos maus, pelos árbitros, pelo presidente da arbitragem, pelo sistema, por tudo e por todos.
 
Neste momento, o Benfica já não precisa de ganhar. O Benfica já tem a desculpa perfeita para o caso de não ganhar.
 
Na realidade, após este jogo, o Benfica já nem precisa de ser campeão. Já há culpados a quem se poderá apontar o dedo e, assim, todos dormirão mais tranquilos.
 
Perguntam-me logo todos: “então o penalti do Yebda, foi ou não falta?”
 
Não, não foi penalti. Digo isso com toda a clareza, mas também me parece que não o foi por mero acaso, pois o Yebda bem se esforçou por fazer a tal falta e não toca nos pés do Lisandro por milagre.
 
Mas, de facto, não foi penalti e eu detesto, como qualquer outro benfiquista, que o Benfica seja injustiçado por uma decisão errada de um árbitro.
 
Dito isto, não acho que o Benfica tenha empatado o jogo apenas por causa do árbitro, mas sim, sobretudo, pela sua falta de ambição demonstrada na segunda parte, uma vez que, estando a ganhar por 1-0, foi pouco o que fez no jogo para ampliar a vitória, limitando-se a tentar não sofrer o empate.
 
Bem sei que é tudo uma questão de expectativas, mas, na minha opinião, este Benfica podia e devia ter feito muito melhor.
 
As recentes declarações públicas dos dirigentes máximos do Benfica mostram uma grande satisfação com a atitude do Benfica no jogo contra o Porto. Apenas posso entender que estejam satisfeitos porque ou estavam à espera de pior ou, então, não são capazes de exigir mais. É tudo uma questão de ambição. Quem tem pouca ambição normalmente contenta-se com pouco.
 
Parece-me claro aquilo que venho dizendo há muito tempo: o Benfica tem um plantel claramente superior ao do Porto e quem tivesse alguma dúvida disso bastava olhar para os dois bancos de suplentes. O Benfica tinha sentados no banco Cardozo, Nuno Gomes, Di Maria, Carlos Martins, Binya, Jorge Ribeiro e Quim, enquanto o Porto tinha Mariano González, Farias, Pedro Emanuel, Stepanov, Guarin, Tomás Costa e Nuno Espírito Santo. A diferença parece clara.
 
Assim, quando se é melhor deve jogar-se para ganhar.
 
Ao Benfica, para vencer a partida, faltou-lhe o denominado “estofo de campeão”, faltou-lhe a crença nas suas próprias capacidades, faltou-lhe a mentalidade ganhadora.
 
No Benfica há muito que se preferiu instalar um discurso de desculpabilização e de empurrar as responsabilidades para outros.
 
Talvez a maioria dos adeptos do Benfica não goste, não perceba, ou não queira perceber, o que vou escrevendo neste blog, mas uma coisa posso assegurar: com outra mentalidade, com outro discurso, com outra atitude, provavelmente teríamos ganho, até com alguma facilidade, no Dragão.
 
É claro que é mais simples, mais cómodo e, sobretudo, traz muito mais popularidade responsabilizar os outros pelos nossos fracassos.
 
Neste aspecto, o Benfica está no perigoso caminho de hostilizar tudo e todos, queixando-se permanentemente dos árbitros, de todos, tratando-os como se todos fossem uns criminosos e corruptos.
 
Aqueles que acham que o Benfica é o principal prejudicado pelas arbitragens deveriam olhar para o caso do Sporting de Braga.
 
O Braga veio à Luz dar um banho de futebol ao Benfica e só não ganhou devido a vários erros do árbitro. Na semana seguinte podia e devia ter ganho ao Porto e isso só não sucedeu, novamente, devido a erros de arbitragem.
 
Se estes dois jogos tivessem acabado com a merecida vitória do Braga, o que teria sucedido não fosse a influência dos árbitros, neste momento o Braga teria mais 6 pontos, o Porto menos 3 e o Benfica também menos 3. Neste momento, o líder do campeonato seria precisamente o Braga com 35 pontos, o Porto teria 32 e o Benfica, Sporting e Leixões teriam 31.
 
Já agora, aproveito para perguntar aos meus consócios benfiquistas que se limitam a olhar para as arbitragens, como é que é possível que o Benfica deste ano consiga ter apenas mais um ponto que a desgraça da equipa do ano passado?
 
Como é possível que Suazo, Aimar, Reyes, Ruben Amorim, Katsouranis, Yebda, Carlos Martins, Luisão, Sidnei, David Luiz & Companhia tenham, ao final da 17ª jornada, apenas mais 3 pontos que o Leixões e terem mesmo sido eliminados da Taça de Portugal por esse mesmo Leixões?
 
Um Leixões que teve mesmo que vender a sua maior estrela, Wesley, que saiu no final de Dezembro por 350 mil euros! Parece, de facto, um valor irrisório para quem se habituou aos 300 mil euros por mês que recebe Suazo ou dos 220 mil euros mensais que recebe Reyes.
 
Os jogadores de Matosinhos chamam-se Beto, Braga, Chumbinho, Zé Manel ou China. Não são meninos ricos e mimados que passam a vida a chorar e a lamentarem-se dos árbitros.
 
Para concluir, reitero o meu ponto de vista: o problema principal do Benfica prende-se com a cultura do próprio clube. O Benfica afastou-se de uma cultura de exigência e conquista para uma cultura de vitimização e de desculpabilização.
 
O Benfica chegou a ter o Porto à sua mercê, mas faltou-lhe a ambição dos campeões para desferir o golpe final. O Benfica não ganhou porque lhe faltou mentalidade ganhadora e a prová-lo esteve a substituição de Suazo por Di Maria,
 
Agora temos o Benfica de que muitos gostam. Um Benfica coitadinho, um Benfica prejudicado, um Benfica vitimizado, um Benfica que não é campeão porque não o deixam.
 
Está aberta a caixa de Pandora de todas as desculpas para não sermos, uma vez mais, campeões.
 
Sei que muitos estão fartos do que eu digo. Mas saibam que eu também estou farto de todos aqueles que se resignam à condição de coitadinhos.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: Ao contrário do que alguns, menos atentos, pensam, eu não estive silencioso. Eu, por regra interna do blog, escrevo à 5ª feira e respeito sempre o meu compromisso.
  

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