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Novo Benfica

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26
Mai09

CERTEZAS E EQUÍVOCOS – PARTE 2

José Esteves de Aguiar

 

Na semana passada expressei as minhas dúvidas quanto à questão do treinador e, pelo menos aparentemente, não sou o único a ter dúvidas. Uma semana depois mantém-se o tabu quanto a este tema e a ver vamos quando haverá uma decisão definitiva.
 
Antes de passar à segunda parte deste “Certezas e Equívocos”, queria aproveitar para esclarecer um ponto do meu texto da semana passada, que suscitou muita polémica - o nome de Humberto Coelho. A minha referência a este nome não passou de um exemplo de um grande Benfiquista.
 
Escreveram várias pessoas – certamente com razão – que devido à falta de curriculum não seria a pessoa certa para treinar o Benfica. No entanto, tal não afasta a minha convicção de que seria desejável que, entre os mais de seis milhões de almas que somos, houvesse um ou mais bons treinadores de futebol. Talvez seja altura de o Benfica investir na formação adequada de treinadores de futebol, para ter “matéria-prima” a curto ou médio prazo…
 
Passo agora à questão que deixei em aberto na semana passada: que faceta de Luís Filipe Vieira deverá ser mais valorizada – a de quem tanto fez, em termos patrimoniais e para reabilitação da imagem do nosso Benfica, ou a de quem não conseguiu que o futebol profissional nos desse as alegrias por que tanto ansiávamos?
 
Parece-me inequívoco que Luís Filipe Vieira ganhou um lugar de destaque na galeria dos Presidentes do Benfica. Goste-se ou não dele, dificilmente haverá um Benfiquista bem-intencionado que não considere que o Benfica tem uma dívida de gratidão para com o actual Presidente, tanto pelo seu trabalho neste cargo, como desde 2000, quando chegou à Luz pela mão de Manuel Vilarinho.
 
Em termos patrimoniais tem sido um período notável – a progressiva regularização do passivo, aliada à construção do novo estádio, do pavilhão dedicado a várias modalidades e do centro de estágio, à criação da Benfica TV e à aposta na vertente científica e de estudo, no que diz respeito ao rendimento dos atletas, para além da aposta na formação, constituíram passos muito importantes para a credibilização do nosso Clube e a reabilitação da sua imagem enquanto entidade.
 
Por outro lado, a atenção prestada aos sócios não pode deixar de ser salientada – falo, por exemplo, da criação do kit de sócio, da negociação de diversos protocolos com vantagens óbvias para os sócios, da possibilidade de voto electrónico “à distância” e do reforço notório da rede de casas do Benfica no mundo. Falo também do acesso de todos os sócios a contas devidamente auditadas, que nos conferem algum conforto e do facto de nos sentirmos membros da maior família desportiva do mundo, em número de sócios.
 
Em suma, pelo que diz respeito às questões patrimoniais e de imagem do Benfica, temos razões para andar de cabeça bem levantada e, porque não dizê-lo, nos sentirmos orgulhosos.
 
Já quanto aos resultados desportivos, o nosso sentimento é bem diferente – principalmente quanto ao futebol profissional, porque o ressurgimento de várias outras modalidades a alto nível e o lançamento do projecto olímpico permitiram-nos ter razões para sorrir.
 
A nível do futebol profissional tem-se verificado um notório défice de títulos. Obtivemos uma Superliga, uma Taça de Portugal (com um sabor especial, porque foi bem ganha contra o Porto de Mourinho), uma Supertaça e uma Taça da Liga. Tivemos uma boa prestação na Liga dos Campeões, quando eliminámos o Manchester United e o campeão em título Liverpool, mas convenhamos que, para um clube como o Benfica, é muito pouco.
 
Quase todos os anos me lembro de uma frase que Luís Filipe Vieira proferiu, aquando da sua primeira eleição como Presidente do Benfica e que foi algo deste género: “os Benfiquistas que não esperem ganhar muitos títulos nos próximos anos, porque há que limpar o passivo, construir infra-estruturas importantes e recomeçar quase do zero”.
 
Mesmo com este panorama e este realismo, Luís Filipe Vieira ganhou eleições de forma folgada e, é justo dizê-lo, envolveu-se em todas as frentes que entendeu necessárias para melhor defender os interesses do Benfica.
 
Cometeu erros? Seguramente que sim, mas só não erra quem nada faz.
 
Sendo eu Benfiquista desde que me lembro de ser gente, é evidente que sofro muito pela falta de melhores resultados desportivos do Clube do meu coração, ainda para mais quando vivo na cidade do Porto.
 
No entanto, à medida que fui escrevendo este texto, a minha dúvida inicial foi-se dissipando. Sem tudo o que tem vindo a ser feito nos últimos anos, só casuisticamente poderíamos ter êxito a nível desportivo. As condições excelentes que têm vindo a ser criadas hão-de, necessariamente, dar frutos.
 
A questão é: quem deverá colher tais frutos? Quem, ao longo dos últimos anos lutou para que aquelas condições fossem criadas ou quem chegar agora ao Clube, por muito legitimamente que o faça?
 
Acho que, por tudo quanto ajudou a criar para o Benfica, Luís Filipe Vieira merece continuar Presidente do nosso Clube. Contudo, parece-me imprescindível que reformule a sua equipa de apoio, introduzindo sangue novo, através de pessoas que possuam uma enorme vontade de vencer, para assim aliviar a sede de vitórias de todos os Benfiquistas!

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