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Novo Benfica

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30
Abr09

Crise de Responsabilidade

António de Souza-Cardoso

Vivemos dias de angústia e de incerteza.

 

 

 

Os principais paradigmas onde assentavam as democracias económicas ocidentais, caíram com estrondo.

O sistema financeiro que se impunha como corolário do capitalismo económico, implodiu de forma tremenda.

Os grandes e respeitáveis senhores da alta finança europeia, a quem cabia a responsabilidade de garantir a idoneidade do sistema, transmutaram-se em vulgares criminosos, amigos do ilícito e do alheio.

O sistema político a quem cabia a responsabilidade de fiscalizar e regular a economia e seus agentes deixou, por efectiva falta de comparência, que os produtos tóxicos contaminassem todo o mercado, a partir das intocáveis off-shores.

O sistema judicial e judiciário, a quem cabia a responsabilidade de prevenir e punir a ilicitude, demitiu-se de actuar, entretido que estava nos grandes processos mediáticos onde a responsabilidade também andou sempre escondida.

A crise resulta assim da absoluta declinação de responsabilidade das classes dirigentes. E o pior de tudo é que quem vai sofrer com esta falta de responsabilidade, são precisamente aqueles que não têm qualquer responsabilidade na situação a que chegamos.

Porquê toda esta lengalenga (?), dirão os meus Amigos, ansiosos que a “bola comece a rolar”.

A verdade é que o Benfica vive também uma crise profunda de resultados. Uma crise que por mais que nos custe tem já duas décadas. Uma crise que vem do preciso tempo em que, não deixando de ser os maiores, deixamos claramente de ser os melhores.

E esta crise está umbilicalmente ligada a uma crise de responsabilidade directiva que o Benfica tem atravessado. Um crise de liderança, de dar a cara, de assumir o que há para assumir, em nome do Clube e da sua grandeza.

Os dirigentes do Benfica das últimas duas décadas (com honrosas excepções) não têm assumido essa responsabilidade e, pior do que isso, não têm estado à altura das suas responsabilidades.

Vem isto a propósito das últimas declarações do Presidente do Benfica sobre a sua saúde, depois de ter corrido galhardamente 5 Km.

Disse o Presidente do Benfica no fim do “passeio” que estava bem fisicamente e que “para o ano ainda estaria melhor”. Só não podia era assistir aos jogos…

Eu julgo que nenhum Benfiquista aspira a que o seu Presidente ganhe uma maratona. Mas todos gostaríamos que o Presidente do Benfica fosse um verdadeiro líder – e o provasse estando com a equipe nos principais momentos que são quando ela joga. Quando ganha ou quando perde, que é o destino último de um clube de futebol.

 

Mas o nosso Presidente não. Não está lá. Demite-se dessa responsabilidade.

E também não tem qualquer culpa do desempenho do Benfica no já longo período em que tem responsabilidades directivas. Porque, apesar de ser o líder, não marca golos, não treina pessoas, não contrata jogadores.

A única coisa que o Presidente do Benfica parece ser capaz é de correr e… naquela entranhada mania de tudo adiar, promete-nos que para o ano ainda correrá ainda mais e melhor.

O Presidente do Benfica não quer ser o Líder do Benfica. Não suporta essa responsabilidade. E é por isso que eu acho que não serve para liderar o Benfica.

 

António de Souza-Cardoso

PS1. Pelo terceiro jogo consecutivo, o Benfica jogou melhor. Com outro modelo de jogo, o que eu defendi desde o inicio.Com Ruben Amorim no meio, como defendi desde o inicio. Com Nuno Gomes e Óscar Cardozo (marcou 6 golos em 4 jogos) na frente, como eu defendi desde o inicio.

PS2 – Continuamos a ser vítimas da (falta) justiça desportiva. Veja-se Rui Costa (o outro) e o escandaloso penalti que inventou (será que o faria se fosse contra o FCPorto?). Veja-se o castigo iníquo ao nosso Rui Costa (porque não a Paulo Bento de quem todos vimos a mãozinha a girar ?!)

 

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