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Novo Benfica

Novo Benfica

08
Abr09

Pequenos Pormenores

António de Souza-Cardoso

 

Finalmente de regresso ao campeonato que nos permite tangibilizar teorias naquilo que verdadeiramente nos importa que é o jogo, vale a pena perceber o que é e o que não é do caminho do Benfica.

Tenho sido acusado de atacar sistematicamente esta Direcção e de o fazer com maior assiduidade e contundência desde que o Bruno Carvalho anunciou neste Blog a sua candidatura.

A verdade é que já no ano passado, antes de iniciarmos este Blog que teve também a motivação de ajudar a repensar o Benfica (nem tudo estaria bem já naquela altura), manifestei publicamente as minhas reservas sobre a qualidade da gestão desportiva do Clube e sobre o deficit de Cultura de Organização de que sofria. Fi-lo reiterada e publicamente, no programa semanal de Televisão “a Bola é Redonda” onde, no final da época, fui (com nítida vantagem para o Canal e para os telespectadores) substituído pelo meu Amigo Pedro Fonseca.

Depois foi o tempo romântico de fundar um espaço de reflexão a que quisemos dar o sugestivo nome de “Novo Benfica”.

Como todos os Benfiquistas seguimos com esperança a “transfiguração” de Rui Costa. Critiquei, oportunamente, o facto do Presidente do Benfica, esconder os inesquecíveis resultados desportivos da época anterior, através da hipoteca do futuro de Rui Costa, prematuramente promovido a Director Desportivo, potencial Presidente ou…, a sabe Deus o quê?

 No tempo de nos desculpabilizarmos vale tudo, mesmo transformar um jogador decisivo como foi o Rui na época passada, num “bem futuro”, de putativas expectativas e com quase tudo por cumprir. E enquanto ainda jogava (!!!)

Percebo mas não aceito esta permanente desresponsabilização de Luis Filipe Vieira.

Depois foi o tempo de um grande treinador, à imagem de Rui Costa, e do impulso que o Presidente do Benfica queria para a equipe de futebol.

Com Quique Flores, um homem com a cultura do mítico Real Madrid, empenhavam-se as esperanças da Direcção e também novo Director desportivo que o escolheu.

Com Quique Flores vieram para o (quase galáctico) universo do Clube novas estrelas como Reyes, Suazo ou Aimar, num esforço inusitado para um Clube que não consegue (de há muitos anos) colocar os seus activos no cada vez mais enxuto mercado internacional, nem ter acesso às provas que verdadeiramente financiam os clubes de maior dimensão.

Ninguém podia negar a esperança (mais uma) dos benfiquistas perante esta promessa (mais uma) de mudança que nos foi servida com cores garridas e inabaláveis convicções.

Este final de Quaresma impele-nos sempre para uma introspecção avaliativa -“quid Iuris” de tanta promessa, de tanto e bom futuro hipotecado, de tantos milhões de euros que fogem como areia das mãos do Clube?

Nada, uma vez mais, não ganhamos nada.

E porque será?

Fazendo aquela comparação com o F.C. Porto que os meus detractores tanto gostam:

Se compararmos os jogadores um a um, provavelmente ganhamos;

No comparativo dos treinadores eu também escolheria Quique Flores (Jesualdo já deu e já era no nosso Benfica);

No paralelismo dos Directores desportivos, confesso que nem sei bem quem é o do F. C. do Porto (?);

Então porque será? Onde está a diferença entre um Porto que vimos ontem empatar garbosamente com o Campeão do Mundo em Old Trafford (ou ganhar contundentemente ao Guimarães, para não me falarem já de motivações) e o Benfica que ganhou pela margem mínima a uma equipe de desempregados, sem que o sistema tivesse (desta vez) culpa nenhuma.

Para esta Direcção do Benfica é sempre mais fácil o canto da sereia que apenas promete o melhor dos amanhãs.

Hoje, porque a Páscoa se aproxima, vai imolando o Cordeiro espanhol Quique Flores constituído arguido de todos os males de mais um insucesso Benfiquista (quem o escolheu, quem foi?).

Hoje, porque as eleições se aproximam, vai insinuando novos e triunfantes ciclos, no meio de quixotescos golpes de espada aos moinhos de vento que a justiça não quer condenar (não que eu não tenha inquietudes com a Justiça…).

A verdade, meus Amigos, que alguns só não querem ver é que há muitas pequenas diferenças de cultura, de postura, de organização, de crença, de confiança, que só estão ao alcance dos líderes e que se contaminam pelos seus seguidores. São, porventura, pormenores, mas fazem seguramente toda a diferença.

Eu limito-me a fazer o teste do algodão: olho para a equipe do Porto (feita, como a nossa, com tantas coisas novas e com tão menos dinehiro) e para a minha equipe a jogarem e vejo, com infinita tristeza, a diferença - os senhores não vêm???. E percebo a treta do treinador, dos sistemas, dos directores desportivos e de todo o baú de desculpas onde se esconde a Direcção do Benfica.

E fico com tremendas saudades de alguns pequenos pormenores – de entrega, de dedicação, de liderança, de autoridade e de raça.

E fico com saudades daquela mistura entre a pele e camisola que encontrávamos, por exemplo, em Petit.

O “petit” pormenor de um dos últimos moicanos da mística benfiquista. Um dos últimos verdadeiros capitães do Benfica. Que não desistia, nem deixava desistir, que liderava, que unia, que organizava, que nunca queria menos do que ganhar. Que era um líder, natural, verdadeiro, a quem se podia entregar um balneário, apesar do treinador ou do director desportivo. Um Ícone que o Benfica deve fazer regressar a casa.

Como foi possível, apesar de tantos milhões ter perdido Petit? Ou Micolli, ou Leo, ou Cristian Rodriguez (que exibição de sonho com a camisola errada)?

Pequenos pormenores que fazem grande diferença e não nos deixam voltar a ser Grandes!

.

António de Souza-Cardoso

 

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