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Novo Benfica

Novo Benfica

30
Mar09

UM BENFICA PORTUGUÊS

Pedro Fonseca

A dois meses e oito jogos oficiais de acabar a época, os nomes de potenciais reforços do Benfica começam a inundar as páginas de jornais. É uma tradição que não se perde – neste caso, a tradição ainda é o que era.

 

Desconhecidos e semi-desconhecidos fazem parangonas e enriquecem o nosso conhecimento futebolístico. A “A Bola”, sempre à frente da concorrência no que ao Benfica diz respeito, preenche, há semanas, duas páginas sobre as novidades para a próxima época.
Hoje, para além de novos nomes de futebolistas que vão animar a Luz, revela “os espiões da águia”. Os 5 nomes, cada um com a sua área de influência, suscitam alguma reflexão. Dois, José Boto e Francisco Oliveira, são-me completamente desconhecidos; Abel Silva, um razoável defesa direito, ex-campeão mundial de juniores, com Queiroz (autor de um monumental golo à Nigéria, na final de Riade), cuja carreira podia ter sido mais “perfomante”; Jorge Gomes, um ex-lugar tenente de Reinaldo Teles e de José Veiga, nos anos da brasa da década de 80; e Pietra, esse sim, uma antiga glória, fantástico defesa direito (e esquerdo, quando era preciso).
Curiosamente, a Pietra está destinada, na minha opinião, a área mais importante e decisiva da prospecção – o mercado nacional. E ainda bem.
É tempo de o Benfica começar a preparar a próxima época. Nenhuma dúvida sobre isso. Contudo, o que tem vindo a lume não é de maneira a merecer grandes optimismos. Dos mercados externos chegam nomes de jogadores desconhecidos, uns ainda na sua fase de formação, outros com a carreira já em fase terminal. Nem uns, nem outros, apresentam o que quer que seja que os referencie positivamente.
Espero que Pietra apresente serviço. É aqui, no mercado nacional, que o Benfica deve apostar as suas energias e o seu investimento. Não quer isso dizer que os jogadores devam ser todos portugueses, mas o conhecimento que têm do futebol português é uma vantagem e uma mais-valia a não negligenciar.
Um jogador estrangeiro tem, pelo menos, um ano para se adaptar. E se for de fora da Europa, esse período de tempo é mais alargado. Tomemos o exemplo de Luisão. As suas primeiras exibições foram de molde a considerar a sua aquisição um fracasso. Hoje, é titular da Selecção do Brasil, capitão do Benfica, e pedra fundamental no relvado e no balneário.
Antes de pensar em conquistar, de novo, a Europa, o Benfica tem de readquirir a hegemonia do futebol português.
No mercado interno há jogadores que podem ser mais eficazes que os oriundos de outros mercados. E há jogadores a quem se deve dar outra oportunidade. Estou a lembrar-me de Fábio Coentrão. Mas, para isso, é preciso que o Benfica crie, para além da “equipa de espiões”, uma outra “equipa” – um grupo de elementos, preferencialmente antigas glórias, que acompanhe diariamente jogadores que vêm de outras realidades futebolísticas e sociais.
Coentrão já disse que “em Lisboa a fama subiu-me à cabeça”, e que isso foi um dos factores do seu insucesso. O jogador emprestado pelo Benfica ao Rio Ave não teve o acompanhamento que devia na Luz. Preparar a integração destes jovens numa realidade colossal como é o Benfica e numa cidade como Lisboa devia ficar a cargo de homens como José Henriques, Vítor Martins, Néné, Chalana, Pietra, Mozer, Veloso, Diamantino, muitos deles a trabalhar na Luz mas sem se saber muito bem em que funções.
Jogadores para observar em Portugal não faltam. No passado, da província vieram enormes craques como Vítor Paneira, António Veloso, Isaías (do Boavista), Álvaro, Toni, entre muitos outros.
Era o “Benfica português”, a que se tem de regressar. Bem acompanhado, bem integrado, Fábio Coentrão pode ser uma espécie de porta-estandarte desta nova era – abrindo a porta a Di Maria, para possibilitar, também, um encaixe financeiro significativo.
Coentrão pode ser o Chalana (na equipa principal com 17 anos, no final da década de 70) da próxima década.
Mas na preparação da próxima época, a questão do treinador é fundamental. Na minha opinião, dentro dos parâmetros que defini atrás, só um treinador português é capaz de compreender a nova filosofia que tem de emergir na Luz.
Mais que os nomes, é o perfil que tem de começar a ser, desde já, desenhado. Jovem, com experiência internacional como jogador, estudioso das novas metodologias de treino, com discurso moderno. Comecem à procura.

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