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Novo Benfica

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24
Mar09

Uns Têm, Outros ...Não!

António de Souza-Cardoso

Há momentos na vida de cada um de nós, onde somos postos à prova. São momentos que pela sua intensidade e pelo apelo que fazem a emoções ou convicções profundas, se traduzem em desafios maiores à nossa integridade e ao nosso carácter.

Momentos de verdade, onde as máscaras caem e a nossa natureza se revela.

Momentos de valor, onde se convocam os valores do que somos e do que queremos.

Sem querer parecer demasiado presunçoso ou moralista julgo que é nestes momentos que reconhecemos o valor e a grandeza dos Homens e das Instituições.

Vem este intróito a propósito da posição dos dirigentes do Benfica sobre a final da Taça da Liga e sobre o erro claro do árbitro Lucílio Baptista.

Temos falado abundantemente no espaço deste Blogue na corrupção no futebol, na defesa da justiça e da equidade desportiva e na luta intransigente que devemos promover contra todos os sistemas que condescendam com menos do que a verdade inteira.

Tenho dito muitas vezes que essa luta pela verdade deve ser sempre um pressuposto da nossa actuação, e até que não se deve transformar numa obsessão nem, principalmente, num álibi para as nossas próprias fragilidades.

E, por isso, reconhecendo que o Benfica foi já prejudicado neste campeonato e que deve denunciá-lo com veemência tenho, para ser justo, que reconhecer que não temos sido os melhores e que foi tantas vezes por culpa própria que perdemos, quando era importante ganhar. A forma como fomos eliminados na Taça UEFA ou na Taça de Portugal são apenas exemplos recentes do que refiro.

Os dirigentes do Benfica têm tido, e bem, esta postura de serem paladinos da verdade e da justiça desportiva e de não pactuarem com as suas hesitações ou, muito menos, com as suas declinações.

Pois na primeira oportunidade que tiveram de ganhar através do erro e da mentira (que todos viram e reconhecem), o que fazem os dirigentes do Benfica?:

Mandam a verdade desportiva às malvas e embrenham-se numa teoria obscura e perigosa da “compensação”. Uma espécie de “ladrão que rouba a ladrão..” ou da “mão que lava a outra” e …não se fala mais nisto. A “Tacinha” já cá canta e o resto, apesar de espúrio, deixou de o ser porque, desta feita, o bandido que ficou com o ouro fomos nós.

E não percebem, na soberba (ou desespero?) de ganhar uma taça menor que deixaram passar o momento em que podiam ter sido estrondosamente íntegros, coerentes e verdadeiros.

Pelo contrário mostraram que são feitos da mesma massa: Porque só condenam a batota que os prejudica. Porque não percebem que só há uma verdade e uma mentira. Por muito que nos custe, por mais que quiséssemos fazer a festa que tem sido repetidamente adiada.

No exacto momento em que tomaram esta atitude, os dirigentes do Benfica perderam a superioridade moral de quem não se limita a dizer o faz, mas se preocupa também em fazer o que diz. Perderam a legitimidade de continuar a reclamar que a justiça e a verdade sejam sempre vencedoras.

Estes dirigentes no Benfica, neste momento único e revelador perderam a oportunidade de serem íntegros e corajosos, defendendo que o Benfica não quer ganhar assim e mostrando a certeza de que voltaríamos a ganhar, com verdade, só porque somos melhores.

Estes dirigentes do Benfica perderam, neste momento único e revelador, a batalha contra a corrupção, contra a mentira, … contra o sistema.

Que teriam ganho se, neste momento único e revelador, tivessem sabido mostrar a integridade e o carácter que têm reclamado veementemente dos outros.

 

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 

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