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Novo Benfica

Novo Benfica

19
Fev09

DEIXEM-ME SONHAR!

Bruno Carvalho

                 

 
 
Escrevo há já alguns meses neste blog.
 
Tem sido uma experiência bastante interessante porque se consegue sentir o pulsar dos benfiquistas através de um meio de comunicação tão aberto, democrático e acessível como é a internet.
 
É evidente que há, no meio disto tudo, alguns que não têm a menor dose de civilidade ou de respeito e que se permitem, a coberto do anonimato que a internet permite, soltar toda a sua agressividade e falta de educação.
 
Mas essa agressividade não é um mal do Benfica ou deste blog, é, antes, o reflexo destes tempos modernos em que os valores são cada vez mais deixados para trás e onde a tolerância para com quem tem opiniões diferentes das nossas não cessa de diminuir.
 
No entanto, vou deixar essas análises para os sociólogos, uma vez que nem essa é a minha especialidade, nem dissecar esses fenómenos é o objectivo deste meu texto.
 
É interessante verificar que muitos se entretêm mais em analisar o meu benfiquismo do que a tentarem reflectir sobre os problemas do Benfica e sobre as várias soluções que vou apontando.
 
Quando iniciei este blog com os meus companheiros deste Novo Benfica, confesso que não tinha a noção do estado de resignação que os meus consócios atingiram.
 
Depois de presidentes como Manuel Damásio ou João Vale e Azevedo, os benfiquistas baixaram, e muito, a fasquia quanto ao grau de exigência relativamente ao desempenho do Benfica e de quem o lidera.
 
Tenho 40 anos e, de uma forma realista, tenho que admitir que o Benfica não é o clube dominador do futebol em Portugal há já muito tempo.
 
Fico orgulhoso com o facto de o Benfica ter ganho por duas vezes a Taça dos Campeões Europeus. No entanto, isso ocorreu em 1961 e em 1962. Tenho muito orgulho, mas não vi. Não vivi. Não festejei. Não abracei os meus amigos, num qualquer estádio da Europa ou em frente a uma televisão, para celebrar os golos da vitória e da conquista do troféu máximo do futebol europeu.
 
Há um paralelismo evidente relativamente ao período dos descobrimentos portugueses. Todos temos muito orgulho em Gil Eanes, em Diogo Cão, em Bartolomeu Dias, em Vasco da Gama, em Pedro Álvares Cabral e em muitos outros, mas nenhum de nós viveu esse período.
 
Eu não quero que aconteça ao Benfica o mesmo que sucedeu a Portugal. O nosso País viveu um período de intensa glória e realização há 500 anos atrás e ainda hoje vive à sombra desses feitos, não tendo sido capaz de se reinventar e fazer reviver o esplendor perdido.
 
Tenho muito orgulho que o Benfica tenha sido campeão nacional por 31 vezes, no entanto, nos meus 40 anos de vida, o Benfica não é o clube português que mais vezes ganhou o campeonato e não ganhou um único título europeu.
 
De facto, se fizermos as contas aos últimos 40 anos, repito, 40 anos, há outro clube que foi mais vezes campeão que o Benfica, com a agravante desse clube ter ganho 6 títulos internacionais nesse período, sendo que 3 desses títulos foram nos últimos 6 anos.
 
Não obstante, o Benfica continua a ser o maior clube de Portugal, o que mais campeonatos nacionais ganhou, o que tem a maior massa associativa, o que tem os melhores adeptos do mundo, o que tem mais meios em Portugal, o que obtém mais receitas, o que move mais paixões, o que faz vender mais jornais, o que consegue gerar mais audiências televisivas, o que arrasta mais gente aos estádios portugueses, o que mais suscita paixão por todo o mundo, em qualquer lugar em que haja um português.
 
Se somos tão grandes, se somos ainda maiores do que as palavras conseguem transmitir, será pedir demais que voltemos a colocar o Benfica no lugar que é, por direito e dever, o seu?
 
Pois eu peço, como pediu um dia o nosso estimado José Torres, que me deixem sonhar.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica ganhador como o que tínhamos nos anos 60.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica respeitado na Europa.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que jogue todos os anos na Liga dos Campeões.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica Campeão Europeu, que não seja humilhado na Taça UEFA por equipas sem gabarito.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que domine, com clareza, o futebol português.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que seja a ambição máxima para qualquer jogador de futebol.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica influente e prestigiado entre os demais grandes clubes europeus.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica de alegrias em vez de lamúrias.
 
Deixem-me sonhar com o renascimento da mística benfiquista.
 
No fundo, quero que me deixem sonhar com um Benfica grande e respeitado pelo seu presente e não apenas pelo seu passado que, por muito glorioso que tenha sido, e foi, já é isso mesmo, passado.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: Dedico este post a todos aqueles que, como eu, sonham com um Benfica de regresso à sua famosa glória e que acreditam que isso é possível.
 
 

    Benfica: Campeão Nacional e Campeão Europeu, 1961

 

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