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Novo Benfica

Novo Benfica

02
Fev09

A FUNDAÇÃO BENFICA

Pedro Fonseca

Há semanas atrás escrevi neste mesmo espaço que “o Benfica é mais do que um clube de futebol”. A tese foi entendida por muitos como uma justificação para os anos amargos que vivemos em termos de desempenho desportivo. Nem mesmo depois de ter sublinhado que o Benfica existe para vencer, nasceu para as vitórias e ser campeão é o seu destino histórico, fez afastar essa “acusação” – eu, diziam, estava a tentar branquear anos de fracos resultados da equipa de futebol.

 

Na semana passada, o Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, lançou as fundações da Fundação Benfica. A ideia já lhe germinava na cabeça desde 2003, mas tarefas mais imediatas e urgentes como a recuperação financeira do clube, a construção do novo estádio, a reabilitação do “tecido” futebolístico que permitiu a conquista de um campeonato, uma taça de Portugal e de uma Supertaça, adiaram a sua concretização.
Não deixa de ser significativo que seja agora, em plena crise económico-financeira internacional, que este projecto de apoio social aos mais desfavorecidos é lançado. E é isso que é a Fundação Benfica, uma instituição que se propõe ajudar os mais pobres, desvalidos e marginalizados da sociedade.
Quando o futebol português se encontra mergulhado em guerras palacianas, troca de acusações espúrias, mentiras, falsidades e hipocrisias, do Benfica vem uma saudável e positiva mensagem de esperança num futuro melhor. Do Benfica vem uma lufada de ar fresco no poluído ambiente do futebol nacional.
Para o Presidente do Benfica, o clube-instituição não se esgota, nem se pode esgotar, naquilo que se passa dentro das quatro linhas – sendo que hoje, dentro e fora das quatro linhas se passam coisas que nada têm a ver com o jogo que todos amamos.
Vieira pensou e pensa um clube-instituição para além e acima do relvado ou dos pavilhões. Estou-lhe grato por isso. Os benfiquistas, estou certo, estão-lhe gratos por isso. A Fundação Benfica é mais um projecto em que o Benfica é pioneiro em Portugal. Como o foi a Benfica TV. Como o será o Museu do Benfica.
Todos estes projectos, que elevam o Benfica a um estatuto ímpar entre os maiores clubes do Mundo, têm o contributo e a dedicação de milhões de benfiquistas anónimos. Mas como tudo na vida, têm um rosto e uma liderança – Luís Filipe Vieira.
A Fundação Benfica, e até nisso é exemplar, não se fecha no universo dos sócios, adeptos e simpatizantes do Benfica, abre-se a todas as pessoas, a todos os portugueses, independentemente da sua cor clubística. Orgulhamo-nos desta nossa universalidade e deste nosso “ecumenismo”.
Com esta Fundação, o Benfica substitui-se ao Estado, assumindo um papel determinante no combate à pobreza, à exclusão, às desigualdades sociais. É muito mais que um mero gesto solidário, são muito mais que meras palavras de ocasião, mesmo que grandiloquentes. A Fundação Benfica ficará como um marco histórico na gloriosa História centenária do maior clube do Mundo.
E as crianças, como disse Luís Filipe Vieira, são a prioridade do trabalho da fundação. Ainda há dias, a RTP, em directo de Maputo, durante o programa Trio de Ataque, mostrava crianças moçambicanas vestidas com a camisola de Eusébio, jogando à bola descalças nos baldios do bairro de Mafalala. Pediram mais bolas e equipamentos. Também aqui pode chegar o braço solidário da Fundação Benfica.
Luís Filipe Vieira sabe bem o que é não ter nascido em berço de ouro. Não renega as origens. A vida ensinou-lhe que só a solidariedade pode construir sociedades mais justas, harmoniosas e desenvolvidas.
A fundação que agora nasce será também uma “ponte” que o Benfica estende aos países africanos de língua oficial portuguesa, onde principalmente às crianças ainda falta quase tudo. Não foi por acaso que o Presidente do Benfica esteve recentemente em Cabo Verde, em Angola e em Moçambique – três países impregnados de benfiquismo. Com a Fundação Benfica, esta paixão será alargada e reforçada.
Apelidei-o, também aqui, de “Presidente do Povo”. Pela presença dedicada e permanente junto do povo benfiquista, essa imensa maioria que, como ele, não nasceu em berço de ouro. Como Cosme Damião, que fundou e idealizou o Sport Lisboa e Benfica, como Joaquim Bogalho, que foi o “Presidente do Estádio” e lançou as raízes da “Mística” benfiquista, como Maurício Vieira de Brito, que liderou a epopeia da conquista da Europa, como Duarte Borges Coutinho, o supremo e inigualável “gentleman” do futebol – Luís Filipe Vieira arrisca-se a ficar nesta galeria dourada como o Presidente que resgatou o clube dos escombros financeiros e aquele que lhe deu a dimensão social e solidária, inscrita na sua matriz genética.

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