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Novo Benfica

Novo Benfica

31
Dez08

O "BOM GIGANTE"

Bruno Carvalho

                                   

 

Aproveito este último dia do ano para relembrar um grande nome do Benfica: José Torres, o “Bom Gigante”, que tem, neste momento, 70 anos.
 
Sobretudo para os mais novos, recordo que José Torres jogou no Benfica entre 1959 e 1971, tendo sido companheiro de equipa de lendas como Eusébio, Coluna, Simões ou José Augusto.
 
Ao serviço do Benfica, Torres ganhou 9 campeonatos e 4 Taças de Portugal, tendo envergado a nossa camisola por 259 vezes e marcado, ao longo da sua carreira, 217 golos.
 
José Torres foi o melhor marcador do Campeonato Nacional, na época de 1962/63, com 26 golos.
 
Torres jogou, ainda, 3 finais da Taça dos Campeões Europeus ao serviço do Benfica: em 1963, 1965 e 1968, tendo sido sempre finalista vencido.
 
Ao serviço da Selecção Nacional, José Torres também brilhou, tendo sido internacional por 34 vezes, marcando 14 golos, tendo jogado os 6 jogos que a Selecção Portuguesa disputou na fase final do Mundial de 1966, em Inglaterra, em que Portugal se classificou em 3º lugar.
 
Como Seleccionador Nacional, José Torres, ficou famoso com a sua frase “deixem-me sonhar”, que antecedeu o jogo que qualificou Portugal para o Mundial do México, de 1986, em que Carlos Manuel acabou por marcar o célebre golo de Estugarda com que Portugal ganhou à República Federal da Alemanha por 1-0.
 
Por tudo isto José Torres merece um lugar de destaque no futebol português e, sobretudo, na memória do Benfica.
 
Estamos a falar de um jogador que foi, repito, 9 vezes Campeão Nacional com a camisola do Benfica e jogou 3 finais da Taça dos Campeões Europeus, num tempo em que os jogadores estavam longe de receber as fortunas que hoje em dia recebem.
 
Se pensarmos que actualmente, do nosso plantel, os jogadores com mais títulos apenas ganharam um único Campeonato Nacional ao serviço do Benfica, se nos lembrarmos que o Benfica ainda este ano se deu ao luxo de pagar prémios de 180 mil euros a Administradores da SAD que talvez nem benfiquistas sejam, se verificarmos que vivemos a época em que o Benfica paga os maiores salários de sempre aos seus jogadores, é totalmente inadmissível esquecer um símbolo do clube como é José Torres.
 
O Benfica podia, deveria e tem absoluta obrigação de cuidar melhor dos seus.
 
É que a solidariedade do Benfica não se pode esgotar em Pedro Mantorras. Um só salário que se paga mensalmente a Mantorras daria certamente para resolver problemas como este.
 
A verdade é que no Benfica gosta-se muito de falar em mística, mas poucos são os que entendem o que isso é.
 
A mística de um clube não deve ser nunca um conceito abstracto, mas algo que se constrói todos os dias.
 
A grandeza de um clube não se mede apenas pelos troféus que se conquistam. A grandeza advém principalmente dos valores que nos orientam.
 
A dimensão e força das instituições vêem-se nos actos que são praticados e no fervor com que somos capazes de defender os nossos, nos momentos em que eles precisam, sobretudo quando temos para com eles uma enorme dívida de gratidão.
 
Ser amigo dos ricos, dos famosos e dos poderosos é tarefa fácil para todos. O que se espera de um clube como o Benfica é algo muito distinto.
 
O que se espera do Benfica não é a ostentação, não são os jactos privados, não são os carros de luxo ou os relógios em ouro.
 
A prioridade do Benfica é ganhar, mas mantendo o respeito pela sua história, curvando-se, com respeito, perante aqueles que com o seu suor, abnegação e talento fizeram do Benfica o maior clube do mundo.
 
O que se pede ao Benfica não é que dê esmolas, mas que saiba cuidar dos seus, que seja um clube com memória e que a respeite e dignifique.
 
É que os balanços que se fazem habitualmente nos finais de cada ano perdem todo o seu sentido quando nos esquecemos do lado mais elementar da vida, quando nos esquecemos da amizade e da solidariedade.
 
Daqui, e neste final de ano, envio um abraço sincero e sentido a José Torres e à sua família, agradecendo tudo o que esse jogador extraordinário e essa extraordinária pessoa fizeram pelo Benfica.
 
Um Bom Ano para todos, benfiquistas ou não.
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: A propósito dos balanços de 2008 que vou lendo por aí, parecem-me todos muito cor-de-rosa e bastante desfasados da realidade.
Essas doses de optimismo são absolutamente prejudiciais ao futuro do Benfica, uma vez que impedem que se procurem soluções para os problemas. Enquanto não formos capazes de enfrentar a realidade dificilmente encontraremos o caminho das vitórias.
O ano de 2008 foi muito difícil para o Benfica. Há que ter a coragem e o discernimento para o dizer, sem quaisquer rodeios.
Em 2008, o Benfica ficou em 4º lugar no Campeonato, atrás do Guimarães, no ano em que o Presidente anunciava que tínhamos a melhor equipa dos últimos 10 anos.
Em 2008, fomos afastados da Taça de Portugal pelo Sporting, num jogo que perdemos em Alvalade por 5-3, quando estávamos a ganhar por 2-0 ao intervalo.
Em 2008, fomos afastados da Taça UEFA pelo Getafe, que ganhou na Luz e em Madrid.
Em 2008, assistimos a uma gestão desportiva lamentável, tendo o Benfica acabado o campeonato com um voluntarioso, mas confrangedor, Chalana como treinador, depois de Camacho ter batido com a porta quando o Benfica ia em segundo lugar, sendo que Camacho estava já, por sua vez, a substituir Fernando Santos que tinha sido despedido ao fim da 1ª jornada. Fazer pior do que isto seria muito difícil e os resultados desta trapalhada foram bem visíveis, tendo o Benfica ficado a 23 pontos do 1º classificado!
Em 2008, comprometemos já muito o ano de 2009 ao termos sido afastados da Taça de Portugal pelo Leixões e por já termos sido eliminados da Taça UEFA, numa participação totalmente inqualificável.
Em 2008, assistimos, ainda, a uma preocupante derrapagem das contas do Benfica, sendo que a informação disponível mais recente, mostra que a SAD, nos 3 primeiros meses do ano, registou um prejuízo de 2 milhões de euros.
Resta-nos a consolação de podermos passar o ano em primeiro lugar no Campeonato e mantermos a esperança de conseguir mantê-lo até ao fim.
Se Rui Costa com Quique Flores e David Suazo e Pablo Aimar e José António Reyes e Angel Di Maria e Óscar Cardozo e Nuno Gomes e Katsouranis e Carlos Martins e Ruben Amorim e Luisão e David Luís e Sidnei, todos juntos, não forem capazes de nos dar o título, por mais sistemas que tenham que enfrentar, então algo de muito errado se passa no Benfica.
Haja mentalidade ganhadora!
É que, com franqueza, já não há paciência para que nos venham falar em mais Novos Ciclos.
Já foram tantos.
E a cada Novo Ciclo seguiu-se sempre uma Nova Desilusão.
Espero que desta vez seja diferente.
Espero que em 2009 sejamos, finalmente, campeões.
 

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