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Novo Benfica

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02
Ago08

Tabus, Destinos e Ciclos Virtuosos!

António de Souza-Cardoso

Sócrates comprometeu-se com Estatuto dos Açores Cavaco Silva fala ao país sobre o estatutoPolítico-Administrativo da Região Autónoma dos Açores

 

No final da semana o País viveu um longo dia com “o coração na garganta “ à espera da grave e reservada comunicação ao País que o Presidente da República anunciou para o horário nobre das televisões. Encharcados em ansioliticos, os portugueses dividiam-se na interpretação prospectiva desta nova versão do tabu. A verdade é que só duas alternativas mereciam a solenidade majestática da convocatória: Ou, no antes de férias, o nº 1 da República ia comunicar aos portugueses os contornos “tremendistas” da crise internacional, e a forma perversa com o crude o sub-prime (?) tomariam conta do nosso bolso ou, numa versão optimista, Cavaco Silva de braços ao alto e com os dedos em “V” anunciaria que Luis Garcia tinha entrado no Benfica por troca com Luis Filipe (o nº 2, claro!). Mas afinal, o Presidente, num discurso amuado, veio falar afinal de questões jurídico-constitucionais ligadas ao Açores, e da forma como uma vez mais um Presidente da República (não) deve actuar. Ora batatas, dissemos todos ao fim de 5 minutos, enquanto “zapávamos” para outro canal. Para tudo isto não merecia a pena tanta “mis en scéne”. Bastava, por exemplo e agora sim (uma vez que de direito constitucional se trata) pedir um parecer ao Professor Marcelo Rebelo de Sousa. É o mal do semi-presidencialismo porque a verdade é que só temos um “semi-Presidente” que só não faz o que nós gostávamos que fizesse. Este Novo Benfica (que ainda não é o “Nosso”) da pré época de 2008, tarda a cumprir o desafio lançado a Quique Flores por Rui Costa – Acordar o Benfica! De facto, este efeito despertador é menos visível (e previsível) quando se continuam a notar as recorrentes lacunas de que fala a “família Benfiquista”: Sem perder tempo com os guarda-redes (sem deslumbres, acho que não é por ai), é urgente e vital contratar um novo defesa direito e um novo central. Diria que é mais urgente e vital do que tudo o resto. Depois, dava jeito ter um ala esquerdo com mais jeito do que o que temos (ou não temos?) e um avançado goleador que no sistema de 4x4x2 (mais ou menos dinâmico) jogasse ao lado de Óscar Cardozo (grande apelido!). Todos os dias lá vamos ao quiosque jogar “A Bola” que ainda nos resta e… ainda não foi desta! Será que vamos iniciar mais um ciclo que arrasa a casa cara que construímos o ano passado (erro grave de concepção justificamos nós) e iniciamos a construção de uma outra casa, tão cara como a primeira e com os mesmos erros fundacionais e os mesmos desequilíbrios de concepção e de projecto? Julgo que ao contrário de Rui Costa e de Quique Flores que merecem ter um tempo de qualidade neste Benfica, a actual direcção põe o seu destino nesta época que coincide com final do seu mandato. Porque teve já todo o tempo do mundo para ter resultados desportivos à imagem do Benfica. Experimentou já todos os ciclos do universo, mesmo este de semi-presidencialismo em que, tal como Cavaco, o Presidente não manda (não marca golos, não treina os jogadores…) ou finge que não manda. Sosseguem por favor os apaniguados da actual Direcção, porque eu sou daqueles que sente um genuíno reconhecimento a Luis Filipe Vieira por voltar a credibilizar o Benfica. Mas também sei que isso e a saúde financeira do clube são questões meramente instrumentais, porque a verdade é que um Benfica credível e rico que não ganha, serve para quê? Julgo, no entanto que ainda vamos a tempo de, sem tabus, entrarmos num ciclo virtuoso que glorifique todos os destinos e sufrague até o semi-presidencialismo que temos.

 

António de Souza-Cardoso

 

PS1 – Ao contrário de muitos, julgo que Petit saiu do Benfica de uma forma pequena. Se o Clube nada ganha, porque não continuar a contar com a sua enorme experiência, capacidade de sacrifício e de agregação e o seu infindável amor ao Benfica?

 

PS2 – Hoje a Igreja comemora o dia de S. Eusébio de Vercelli, um Bispo do Século IV.O que me faz lembrar a justiça da “Eusébio Cup”, anunciada numa versão que me pareceu apressada e “magra” de mais. Esperemos que este seja um exemplo da “Memória com Futuro” que queremos para o Benfica.

 

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