FUTEBOL E POLÍTICA
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Os compromissos competitivos da Selecção Nacional obrigaram à paragem da Liga por duas semanas. São duas semanas que Jesus certamente aproveitará para olear a máquina do futebol do Benfica, embora com muitas limitações pela chamada às respectivas selecções de um grande número de profissionais do clube.
Salvo erro são 8 jogadores que não poderão participar no próximo dia 17 no jogo da Taça de Portugal contra o Monsanto, o que não deixa de ser uma preocupação.
Mas hoje é dia de Selecção e nas próximas horas jogam-se dois jogos decisivos para as nossas cores; primeiro o Dinamarca-Suécia e depois o Portugal-Hungria.
Se a Suécia vencer a Dinamarca quase podemos dizer adeus à África do Sul pois seria preciso que a Suécia não vencesse a Albânia no seu último jogo, ainda por cima em casa, ou que a Dinamarca não vencesse a Hungria, também em casa.
Depois é preciso vencer hoje a Hungria e na quarta feira Malta, com resultados tão folgados quanto possível. Não nos permite ganhar o grupo (tarefa utópica mas ainda teoricamente possível), mas apura-nos para os play-off, concedendo-nos uma hipótese real de estar na África do Sul.
Por isso hoje vou estar a sofrer no sofá; primeiro a apoiar a Dinamarca e depois Portugal. Espero que os Estádios da Luz e D. Afonso Henriques (curiosamente os dois onde já vi o Benfica jogar este ano) estejam repletos de um público vibrante, que ajude Portugal a atingir mais uma fase final do Mundial.
Força Portugal!
Sou minhoto e bracarense. Tal como minha mulher. Lá escolhemos que nascessem os nossos dois filhos apesar de vivermos no Porto há muitos anos.
Foi em Braga que vi o meu primeiro jogo de futebol. Um Braga-Benfica, com vedetas tão inesquecíveis como Perrichon e… Eusébio.
Julgo que a condição geográfica deste meu nascimento foi directamente responsável por ter crescido em mim esta forte alma benfiquista. Não só porque nos anos 60 e 70, em que passei a minha infância e adolescência, o Benfica era quem tudo ganhava, mas seguramente também porque o coração do Minho era todo, todo benfiquista.
Por isso fico sempre a vigiar o Braga que também sinto um pouco como meu. Em dois únicos momentos no ano, eu e tantos bracarenses, pedimos desculpa ao Braga mas temos mesmo que torcer pelo nosso Benfica.
Assim vai acontecer na próxima jornada altura em que, como dizem os nossos detractores, começa verdadeiramente o campeonato para o Benfica que tem jogado com clubes menores e recebe finalmente o actual lider. Não perceberam ainda que o que mudou no Benfica não foi a ordem das equipes contra quem joga, mas antes a forma como a equipa passou a jogar.
O Braga tem o impressionante registo de 21 pontos em 7 jogos do campeonato. Não sei se todos os chamados grandes fizeram isto muitas vezes ou sequer alguma vez?
O que sei é que, como diz Jorge Jesus (ando a concordar muito com ele..), o campeonato português tem este ano a surpresa e o estimulo de ter mais um candidato. Que em 7 jogos pôs, por exemplo, o candidato Sporting a 10 pontos, que derrotou o Porto sem apelo nem agravo e que tem mostrado um nível exibicional elevado e consistente.
O Braga de António Salvador, tem nos últimos anos estruturado um modelo de organização e uma cultura de gestão que permitem que o que foi construído por uns possa aproveitar aos seguintes. Assim aconteceu desde Jesualdo Ferreira e continuou mais recentemente com Jorge Jesus e agora com Domingos Paciência.
Por isso, uma saudação ao Braga de acolhimento ao grupo dos que aspiram ser campeões.
E, apesar disso (como acontece 2 vezes por ano) aqui fica a minha plena confiança de que na próxima jornada teremos um outro líder no Campeonato.
António de Souza-Cardoso
PS. Jogamos bem na tão difícil “Mata Real”. Com uma equipe de trabalho e de atitude que fez esquecer a “anemia” da Grécia. Assim, vamos lá…
Era uma vez um jovem rapaz discreto, inexperiente, de poucas falas e que se julgava de boas famílias. Um dia foi empurrado para presidir a um clube de futebol simpático, com alguma exposição pública.
O jovem rapaz estava bem instalado na vida, mas viu nessa oportunidade uma forma de ser socialmente visível, algo que com a sua vida discreta e algo aborrecida nunca imaginou. O clube estava na falência, mas este jovem e azougado rapaz, tido pela massa ululante como o salvador da pátria (porque, como era discreto, nunca se lhe conheceu nenhuma ideia, nem nenhum projecto, nem nenhuma obra), pediu logo uma pipa de massa para se dedicar de corpo e alma à causa.
Venceu as eleições contra uma não-existência mas continuou discreto e de poucas falas, não fosse alguém pedir-lhe uma ideia, um projecto, uma obra. Coisas que ele não tinha. Na verdade, formalmente presidia ao clube simpático, mas quem dava a cara nas questões difíceis era o treinador da equipa de futebol.
O jovem rapaz era discreto mas não era burro. Nas suas palavras "Paulo Bento forever", ele achava que tinha ali o seu escudo e o seu alibi. Para quê meter-se em guerras contra o sistema? Apito dourado, o que era isso? Corrupção no futebol? Credo, nem queria ouvir falar.
O seu clube cada vez tinha menos gente a assistir aos jogos. O sistema escolhia árbitros que estavam em litígio com o seu clube, mas ele continuava calado e discreto. Afinal, "Paulo Bento forever" tinha que valer alguma coisa.
O treinador que tratasse desses problemas que ele apenas estava preocupado com o que recebia no fim do mês. Pouca militância? Futebol zero? Sócios e adeptos em brasa e em contestação? O que é que isso interessa. O clube está na falência, mas enquanto tiver dinheiro para me pagar os salários, está tudo bem - pensava o jovem discreto, agora, sem o saber, presidente de um clube simpático.
Lia nos jornais que o seu clube estava a caminhar para a "belenensização", mas não percebia o alcance da comparação, nem isso lhe interessava. Afinal, estava nas boas graças do "papa", junto de quem assistia aos jogos de futebol. O resto era indiferente.
Mas, alguém lhe soprou aos ouvidos que era preciso fazer alguma coisa. O clube estava na falência, cada vez menos público ia ao estádio, o título já era uma miragem e o campeonato ainda nem a meio tinha chegado.
Os sócios e os adeptos assobiavam a equipa e mostravam lenços brancos. Era preciso agir. Afinal, estava em causa um bom salário mensal. O jovem discreto e de poucas falas pensou.
E logo descobriu o que fazer: falar grosso para desviar as atenções da sua casa que estava a arder. Contra o sistema? Não. Contra os árbitros? Não. Contra o treinador que não punha a equipa a jogar bom futebol? Não. Contra os jogadores que não se empenhavam o bastante? Não. Contra os sócios e os adeptos que não têm paciência nem gostam da estabilidade? Não.
O jovem discreto e de poucas falas resolveu gritar contra o clube vizinho, um gigante do futebol que fazia a sua vida sem turbulência e sem se meter com ninguém. O problema é que o nosso jovem discreto e de poucas falas, falou mas ninguém o ouviu e continua a ter por resolver os problemas que afectam o seu clube simpático e em vias de extinção. Coitado do Zé.
Contra uma equipa desmoralizada e sem qualidade para fazer frente ao melhor Benfica desta época, fizemos uma das exibições mais pobres dos últimos tempos e o AEK aproveitou as facilidades para dar um pontapé na sua crise interna.
Pela segunda vez nesta época o Benfica jogou fora para a Liga Europa, perdeu e não mostrou o bom futebol a que nos vem habituando.
Não acho que o Benfica merecesse perder, mas também não fez o suficiente para ganhar o jogo, sobretudo na primeira parte, em que cometeu o erro de oferecer a iniciativa ao adversário, que se foi convencendo que podia fazer um bom resultado contra aquele Benfica que estava em campo.
Sem grandes mexidas na equipa base de Jesus, menos se compreende esta pálida imagem da equipa que temos visto a jogar esta época.
Júlio César teve outra oportunidade mas não ofereceu confiança e poderá ter perdido de vez o lugar para Quim, pelo menos nos tempos mais próximos. César Peixoto, que até tem sido opção frequente de Jesus, era aqui titular por doença de Shaffer e também não foi nada feliz.
Para além destes, alinharam os habituais jogadores da equipa base, mas não foram capazes de jogar com o entusiasmo e a qualidade que vêm mostrando; apenas di Maria e Ramires e, a espaços, Javi Garcia e David Luiz, me pareceram manter a atitude que vem caracterizando o Benfica vencedor.
No ataque, que vem sendo a imagem do Benfica 2009, estiveram as exibições mais desinspiradas; a falta de chama de Aimar (praticamente passou ao lado do jogo) terá sido a maior razão para a queda exibicional a que assistimos e desta vez não houve Weldon salvador.
É verdade que Sebastian Saja, o guarda-redes argentino ao serviço do AEK, fez meia 3 ou 4 defesas que evitaram outros tantos golos do Benfica. Se pelo menos uma destas ocasiões tivesse resultado em golo, poderia ter empolgado a equipa para outra exibição e pelo menos o resultado seria bem mais positivo.
O único lado positivo deste jogo terá sido o de não comprometer nenhum objectivo e afastar euforias excessivas. Para os jogadores terá ficado a lição de que têm que entrar em campo sempre com uma enorme determinação e capacidade de entrega ao jogo e que não se pode relaxar por o adversário ser, teoricamente, mais fraco.
2ª feira o Benfica joga em Paços de Ferreira sem 3 titulares indiscutíveis: Aimar, di Maria e Maxi Pereira. Será um teste difícil (jogar na Mata Real é-o geralmente), que nos irá permitir ver até que ponto a equipa consegue reagir bem a esta exibição menos conseguida e também se as soluções do banco (aposto
P. S. 1 – Pela grande diferença relativamente a alguns erros do passado, saúdo a forma organizada e sistemática como o Benfica tem vindo a rever a situação contratual dos seus principais jogadores.
P. S. 2 – A nossa equipa de futsal começou da melhor forma as competições europeias desta época, com duas goleadas (15-1 e 7-1) e o apuramento para a fase seguinte da UEFA futsal Cup. Tal como se previa Joel Queirós está a provar ser um grande reforço e Ricardinho continua a espalhar magia pelos pavilhões.

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