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Novo Benfica

Novo Benfica

02
Mai11

O BENFICA QUE SE PREPARA

Pedro Fonseca

Terceiras vias, movimentações e outras equações

Na passada semana, no rescaldo de dois resultados negros e historicamente inapagáveis, o jornal Record publicou 3 artigos em 3 dias consecutivos, de 3 articulistas permanentes do periódico.
A saga começou na terça-feira 26 de abril, com João Querido Manha (JQM) e o artigo intitulava-se, enigmaticamente, “Terceira Via”. O excerto mais significativo é este: “… o Benfica só terá êxito adoptando uma terceira via, a da afirmação positiva dos valores e da seriedade, sem tiques de superioridade pacóvia, mas também não serão indicadas para tão nobre fim as pessoas que têm sido batidas em toda a linha na opção pela confrontação aberta sob forma de uma intifada ridícula”.
No dia seguinte, João Gobern (JG), focalizando o seu artigo sobre Jorge Jesus, escreve, a dado passo: “… o Benfica sabe que, daqui até final, não dispõe de uma terceira via: ou quebra um jejum de 49 anos sem conquistas europeias ou aceita a sentença de uma época falhada, com tudo o que isso acarreta de sangue, suor e lágrimas para os próximos capítulos”.
Curiosamente, nem um nem outro falam em Luís Filipe Vieira (LFV). Foi o último articulista desta trilogia, Rui Santos (RS), que, no dia do Benfica – SC Braga, 1ª mão da meia-final da Liga Europa, em artigo intitulado “Correio encarnado”, dedicou todo o espaço ao Presidente do Benfica.
Nesta carta aberta, Rui Santos enaltece Vieira pela luta em defesa da verdade desportiva, mas critica-lhe aspectos da gestão desportiva e aspectos da gestão comunicacional. Para terminar dizendo, “… que esta foi a época em que, mesmo não ganhando o que almejava ganhar desportivamente, perdeu a oportunidade de marcar muitos pontos no dirigismo nacional, como alguém capaz de romper com o estilo “caceteiro” que vigora no futebol português. Não está tudo perdido, mas a verdade é que, num momento capital, perdeu-se. E essa foi, talvez, no meio de vitórias, a maior de todas as (suas) derrotas”.
Bom, posto isto, quatro reflexões:
1 – Nada disto são coincidências – começaram as movimentações com vista às próximas eleições no Benfica. É cedo? Ainda falta uma época? Sim, é verdade, mas um conselho a Luís Filipe Vieira: cautela e caldos de galinha…;
2 – RS tem razão. O capital de prestígio e de credibilidade que LFV granjeou não podia ter sido posto em causa por diatribes menores. LFV sabe bem que o que demora anos a construir pode ser destruído em segundos. O prestígio e a credibilidade estão intocáveis, mas não havia necessidade…;
3 – Aconteça o que acontecer esta época e na próxima, LFV vai ter pela frente uma “terceira via”. É uma expressão recuperada à política que significa “alguém que à última hora aparece em condições de fazer estragos”;
4 – Aliás, ao contrário do que aconteceu no passado, foi LFV que, recentemente, nos Açores, abriu a corrida eleitoral ao dar sinais claros de recandidatura, com o argumento de que há ainda projectos, como o Museu, que necessitam da sua presença.
O presidente do povo
É injusto, mas LFV sabe que o discurso da “obra feita” não vai chegar na próxima campanha. É certo que ainda tem o Museu para apresentar, mas, ao contrário das últimas campanhas, o futebol, a gestão e o sucesso desportivo vão marcar a próxima campanha.
E as duas derrotas com o fc porto na Luz – e o que se seguiu - são algo incontornável para o qual LFV tem de encontrar um bom argumentário. LFV parte à frente? Parte bem à frente. Porque semeou o benfiquismo como mais nenhum outro presidente do Benfica e isso é algo que nunca nenhum benfiquista esquecerá. Por isso o apelidei de “Presidente do Povo”. Porque o benfiquista anónimo, o benfiquista das “Casas do Benfica”, o benfiquista que faz todos os sacrifícios para estar presente nas bancadas da Luz, não é ingrato e não tem a memória curta. Sabe que nem tudo correu bem no futebol, sabe que LFV cometeu erros na gestão desportiva, mas lá no fundo sabe bem que o Benfica ainda precisa de LFV por mais anos. E porque, as alterações estatutárias colocam à partida fora da corrida nomes de potenciais candidatos como José Eduardo Moniz e Rui Costa – mas não é líquido que as movimentações que já começaram não passem por estes dois nomes.
Dois pontos fulcrais
1 – O Benfica precisa da vitória como de pão para a boca. Precisam os adeptos; o clube; Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira. Uma vitória em Dublin contra o fc porto arruma de vez a questão presidencial. A não ocorrer uma próxima época completamente catastrófica, LFV tem a reeleição garantida, apareça quem aparecer;
2 – LFV precisa de traçar uma estratégia inteligente com vista às eleições para a FPF. Esta eleição é fundamental para a credibilidade e modernidade do futebol português. O Benfica precisa de se empenhar em apoiar e garantir a eleição de um nome acima de qualquer suspeita. Percebe-se o nome de Fernando Seara à luz do afastamento de um eventual candidato nas próximas eleições do clube. Mas não é o candidato ideal nem para o Benfica nem para o futebol português. É preciso alguém mais inovador e arejado, sem os “vícios” e a “experiência” de tantos anos de bastidores. É preciso alguém como Bagão Félix.
Última nota
A negociação dos direitos televisivos vai ser um dos temas mais delicados da vida do Benfica dos próximos tempos. Não só em questão das verbas que o Benfica legitimamente quer receber, como autêntica “galinha dos ovos de ouro” do futebol português, como em função da estratégia que LFV quer montar com vista a influenciar decisivamente a próxima liderança da FPF e as próximas eleições para o Benfica. Pragmático, sagaz e inteligente, LFV sabe que neste delicado “puzzle” há uma peça a ser tratada com pinças: a Olivedesportos.

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