Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Novo Benfica

Novo Benfica

03
Abr10

Fora das 4 linhas

Miguel Álvares Ribeiro

À falta de argumentos dentro de campo, os últimos tempos têm sido pródigos em movimentações fora das 4 linhas.

 

Em termos cronológicos a primeira foi a demissão de Fernando Gomes da SAD do Porto, preparando o terreno para a sua candidatura a presidente da Liga. Não conheço a pessoa em questão, para poder com seriedade fazer qualquer tipo de juízo sobre a sua capacidade para gerir com imparcialidade a Liga, mas a forma como o processo foi conduzido e o historial da actuação do Porto nestes domínios só pode deixar-nos a todos muito desconfiados.

 

A segunda terá ocorrido na reunião do CJ da FPF. A chamada de atenção encontrei-a no blog de António Boronha (que frequento com assiduidade e recomendo aos interessados no fenómeno desportivo) e remete para um artigo do Correio da Manhã.

 

Resumindo, afirma que

  • o membro do CJ da FPF responsável pelo acórdão que ditou redução dos castigos a Hulk e Sapunaru confidenciou que
    • iria confirmar na íntegra a decisão da Comissão Disciplinar (CD) da Liga.
    • Terá mesmo afirmado que não havia qualquer hipótese de entender os stewards fora da categoria dos "intervenientes no jogo com acesso ao recinto desportivo" e, portanto, a tese de que poderiam ser equiparados a espectadores (apresentada pelo Porto no recurso) não era compreensível
    • declarou-se impressionado com a fundamentação jurídica do acórdão da CD e entendia que a jurisprudência do CJ – que já definira que bombeiros e maqueiros em funções em jogos também eram "agentes desportivos" agredidos – era certa e tinha de ser seguida neste caso. Já estava inclusivamente a fazer o acórdão que iria rejeitar todas as pretensões do FC Porto.
  • Contudo, na reunião do CJ de 24 de Março, apresentou um acórdão em que equiparou os stewards a espectadores, para espanto de alguns colegas, que sabiam o que pensava Dionísio Alves Correia e estavam de acordo com ele.
  • Após ter sido tomada a decisão, o acórdão do CJ foi enviado por fax à Liga e ao FC Porto, o que não é habitual. As outras decisões, em especial a que confirmou o castigo do bracarense Vandinho (três meses por agressão ao treinador adjunto do Benfica Raul José), foram por correio e chegaram à Liga na passada sexta-feira.
  • Apesar de 3 conselheiros estarem contra a equiparação dos stewards a espectadores, votaram a favor do acórdão, o que, segundo o CM, se deve a um pacto que existe no CJ: todas as decisões importantes têm de ter o apoio de todos os conselheiros.
  •  

Finalmente, na passada 3ª feira ocorreram quase em simultâneo 3 entrevistas televisivas de pessoas ligadas ao futebol.

 

Ainda por ordem cronológica, a primeira foi também a mais fraquinha. Pouco incisiva, Judite de Sousa permitiu que o seu presidente se refugiasse nas habituais tiradas supostamente irónicas sem o confrontar com as suas próprias incoerências. Apesar disso, mesmo para quem, como eu, não gosta do seu estilo, Pinto da Costa apresentou-se claramente abaixo do habitual, limitando-se a umas “boquinhas” típicas do mau perder portista. Sem o anúncio da sua recandidatura à presidência do clube, a entrevista seria praticamente vazia. Uma das supostas “revelações” de Pinto da Costa seria mesmo desmentida logo a seguir por Ricardo Costa, na última das entrevistas, e mais tarde pelo próprio Hermínio Loureiro.

 

Apesar de entrevistado por um jornalista com um estilo muito aguerrido (para não exagerar na adjectivação) e assumidamente portista, Luís Filipe Vieira saiu-se bastante bem, adoptando uma postura muito mais resguardada e institucional do que lhe era habitual. Devo, no entanto, reconhecer que neste momento a sua posição é bastante confortável, dado o bom momento desportivo que a nossa equipa atravessa. Para comentar a sua performance posso recuperar a primeira das minhas crónicas deste ano: “Ao longo da entrevista sobressai a noção de que, depois de um período de recuperação da credibilidade da instituição Benfica, deixou de haver alguma ingenuidade e improviso na gestão desportiva. Para além de se notar uma visão estratégica para o posicionamento do clube no sistema desportivo nacional, vê-se que há um rumo definido, assente numa definição da política desportiva e num trabalho de organização e planificação rigorosos.”

 

A única crítica importante que faço a LFV nesta entrevista prende-se com o protagonismo que assumiu relativamente a algumas decisões tomadas e a naturalidade com que assumiu curto-circuitar decisões que deviam ser da esfera de competência de Rui Costa. Mesmo que tenha tido sido ele a assumir algumas decisões e mesmo que tenha sido contra a opinião de Rui Costa, devia guardar para o interior da sua equipa dirigente o crédito sobre estes sucessos, sob pena de minimizar (ou, no limite esvaziar) o papel de Rui Costa na condução do futebol profissional.

 

Finalmente, e vou ser breve que o post já vai longuíssimo, esteve muito bem Ricardo Costa (muito bem secundado por Ana Lourenço, que mostrou neste caso estar bem preparada e conseguir a melhor entrevista), demonstrando franca capacidade para explicar as decisões tomadas e deixando bem patente que na justiça desportiva é um caso à parte por não decidir como os demais, que olham antes do mais à cor dos clubes envolvidos.

2 comentários

Comentar post

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2011
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2010
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2009
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2008
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D