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Novo Benfica

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31
Mar10

Política de empréstimos de jogadores do SL Benfica

José Esteves de Aguiar

Hoje decidi publicar - com a devida vénia - um texto que me foi enviado por um amigo, Francisco Andrade, o qual tem vindo recentemente a este blog, enriquecer vários posts com os seus oportunos comentários.

 

Definição de prioridades e objectivos

 

A nível nacional – penso que claramente deveria ser assumido um clube nacional, de preferência ligado ao Universo Benfica (uma filial do Glorioso), que fosse considerado parceiro estratégico preferencial para a política de empréstimos do SLB. Este parceiro poderia jogar ou na Divisão de Honra ou até na Liga Principal. Este ponto parece-me claro, tal como me parece claro que o parceiro existe e deve ser assumido sem rodeios: o Clube Desportivo Santa Clara (filial do Benfica) é o clube que deverá ser sempre, em cada época, ser tido como parceiro preferencial do Benfica para efeito de empréstimos de jogadores. Mesmo que o CD Santa Clara ascenda à Primeira Liga. Penso até que, nesse caso, haveria enorme vantagem em fazer rodar jogadores do Benfica na filial açoriana.

 

Uma outra filial do Benfica poderá e deverá ser assumida como importante, a médio prazo – trata-se do Sport Benfica de Castelo Branco (actualmente a disputar a III Divisão Nacional). De momento, ainda não constitui uma alternativa muito interessante, pois não será aliciante para jovens jogadores oriundos das camadas jovens do Benfica estagiarem numa III Divisão. Mas bastaria a subida do Benfica albicastrense à 2.ª B e já teríamos uma situação equivalente à que o Benfica, durante algumas épocas e com custos bem mais elevados, foi mantendo através da sua equipa B (penso que não faz qualquer sentido manter equipas B em divisões secundárias, quando o Universo Benfica até dispõe de estruturas capazes de garantirem a rodagem dos seus jogadores nessas divisões). Mas claro que o ideal seria que o Benfica de Castelo Branco conseguisse regressar, a médio prazo, ao lugar que já lhe pertenceu na Divisão de Honra. 

 

Independentemente do Universo Benfica e da posição que venha a ocupar num futuro próximo o Sport Benfica de Castelo Branco, parece que uma boa política seria a de privilegiar alguns clubes (também da zona Norte do País, porque não) que sejam rivais daqueles que têm merecido situação de preferência por parte de FC Porto – por exemplo, sabe-se que o FC Porto tem mantido uma ligação especial com o FC Penafiel – não deveria o Benfica apoiar, por exemplo, o Lousada? Sabe-se também que o Varzim SC é a filial n.º 1 do FC Porto. Não deveria o Benfica manter entre os seus parceiros preferenciais o FC Rio Ave?

 

A nível internacional

Penso que em termos estratégicos fará todo o sentido pensar num sério apoio, a médio prazo, ao Sport London e Benfica. Um Benfica a disputar as competições profissionais do futebol inglês, mesmo que nas divisões secundárias, seria uma aposta estratégica da maior importância. A competitividade do futebol inglês, o elevado ritmo de jogo presente em todas as competições profissionais inglesas, seriam garantes, à partida, da utilidade para o Benfica de fazer rodar jogadores seus na filial londrina. Acresce a visibilidade e prestígio para o clube que decorreriam dessa participação nas ligas profissionais inglesas, sem esquecer o facto de serem essas precisamente as competições que mais possibilitam uma angariação de receitas bem necessária ao futebol de alta competição.

No entanto, parece também evidente que a utilização do Sport London e Benfica como verdadeira equipa B do Benfica, se bem que desejável, terá custos e ainda levará alguns anos a alcançar.

Penso, no entanto, que o objectivo de fazer rodar jogadores do Benfica, oriundos das camadas de formação, no exigente e competitivo futebol inglês, deve ser desde já assumido sob outras formas que possibilitem, com redução dos custos iniciais, tirar partido do elevado ritmo competitivo das ligas inglesas. Parece-me que, independentemente do sucesso que possa vir a ter a médio prazo o Benfica londrino, deve ser procurado de imediato um parceiro estratégico nos campeonatos de Inglaterra, para efeitos de cedência de jovens jogadores do Benfica. O ideal seria um clube com prestígio, um histórico do futebol inglês, a militar na segunda liga e desejoso de um regresso a um lugar entre os maiores. Um clube que verdadeiramente interessasse a um jovem jogador português representar. E, se possível, integrado numa zona de Inglaterra em que houvesse uma razoável representatividade da comunidade luso-brasileira. Parece-me que, de momento, dois históricos clubes do futebol inglês preencherão estes requisitos: o Nottingham Forest e o Leeds United, dois históricos do futebol inglês e europeu (atenção que o Nottingham Forest, para além de também equipar de vermelho, foi por duas vezes campeão europeu de futebol!!), ambos desejosos de voltarem a ocupar o lugar que já foi seu. Penso que poderia ser equacionada uma parceria, preferencialmente com o Nottingham Forest, tendo até em vista, no campo das contrapartidas, algum apoio que pudesse ser angariado em Inglaterra com destino ao Sport London e Benfica.  

  

Um caso especial – é talvez difícil falar de um caso muito particular no Universo Benfica, um clube que disputa a primeira liga de um dos campeonatos menos evoluídos da Europa mas, ao mesmo tempo, o clube do Universo Benfica que está mais próximo de conseguir uma classificação que lhe dê acesso às competições europeias de clubes. Penso, por isso, que alguma atenção deve ser dada ao FC RM Hamm Benfica, clube do Luxemburgo (e que conta com entusiástico apoio da comunidade portuguesa naquele País). A este respeito devo notar que, apesar de tudo, poderá ser bem mais aliciante, para um jovem jogador oriundo das camadas jovens do Benfica, actuar num campeonato de primeira divisão (por fraco que seja) com a perspectiva de conquistar títulos nacionais e de participar em competições europeias, do que actuar numa III Divisão portuguesa, que era o que acontecia com a equipa B do Benfica. 

 

Estes são apenas alguns pontos que eu gostaria de ver debatidos na Nação Benfiquista. Sem esquecer o trabalho que haverá por fazer noutros núcleos benfiquistas, sobretudo na Europa. Onde também poderia ser equacionado o desenvolvimento de um trabalho junto da comunidade portuguesa em França, onde existe já uma pequena estrutura benfiquista em Paris, o Sport Paris e Benfica – e esse sim, teria todas as possibilidades de se tornar a médio prazo num dos grandes clubes de França. 

 

 

 

 

3 comentários

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    Francisco Andrade 01.04.2010

    Este comentário de rcoelho foca aspectos interessantes e pertinentes. No entanto, gostava de me debruçar sobre os seguintes pontos:
    quando se fala na "deslocalização" dos "nossos jovens para locais remotos e até para paises estrangeiros" do que é que estamos a falar? Penso que a ideia dos empréstimos surge aqui como apoio à rodagem dos jogadores que, uma vez terminada a possibilidade de participação na equipa junior, ainda não tenham capacidades nem ritmo competitivo para ingressarem na equipe principal. E não tenhamos dúvidas: por muito bons que sejam os resultados da formação (e temos boas razões para esperar grandes melhorias a esse nível, nos próximos anos) raros serão os casos em que os jogadores poderão passar de imediato da equipe junior para a equipe senior. E como bem refere rcoelho "falta um elo de ligação mais eficaz entre os juniores e os seniores". A questão é saber se temos mesmo que ter uma equipe B do Sport Lisboa e Benfica, ou se podemos equacionar aproveitar as filiais do Benfica. Esta última solução, a meu ver, poderá ter algumas vantagens: menores custos e promoção de clubes que, envergando a mesma camisola e emblema, possam reforçar o peso do Benfica nas instâncias federativas e Liga (por um lado), com garantias de que, se algum desses clubes chegar à 1ª Liga, FCP e Sporting encontrarão nesses clubes adversários fortemente empenhados (o que não acontece com todos os emblemas da 1ª liga....). Mas, sobretudo, utilizar estruturas de acolhimento em que os jovens possam ter a honra de continuar a jogar de águia ao peito...e para mim, o Benfica de Castelo Branco ou o Santa Clara são inequivocamente equipes do Benfica... Precisaremos mesmo de uma equipe B? (Claro que, mais adiante, poderia ainda fazer sentido alargar a formação a outros pontos do País, mas isso já obriga a outro tipo de actuação e de custos). Relativamente a clubes estrangeiros, o interesse estaria em ter equipes do Benfica em campeonatos competitivos (hipótese do Benfica de Londres) ou em manter uma parceria estratégica com clubes que pudessem ser interessantes para o Benfica e que pudessem estar interessados no Benfica. Para ilustrar melhor: eu, como benfiquista, não estou interessado numa parceria como a que o Sporting aceitou com o Manchester United, em que o controlo passa para o estrangeiro e os resultados da formação acabam por beneficiar terceiros. Mas uma parceria entre Benfica e Nottingham Forest, em que o Benfica pudesse retirar benefícios de tal colaboração, nomeadamente pela rodagem, em regime de empréstimo, de jogadores oriundos dos juniores nos campeonatos profissionais de Inglaterra, já me pareceria bem.
    Por fim, apenas mais uma nota: eu não concordo com o actual regime de empréstimos entre equipes da 1ª liga, mas a verdade é que o FCP tem tirado enorme partido dessa possibilidade. Face a isto, não deveria o SLB definir também uma política de empréstimos? Para mim, esta questão é importante e deve por nós ser debatida...
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    Francisco Andrade 03.04.2010

    Esta questão da política de empréstimos não pode ser dissociada de um tema absolutamente fulcral na perspectiva do que queremos (ou não queremos) para o Benfica: a política de criação, desenvolvimento e fortalecimento das Casas do Benfica e das filiais do Benfica.
    Temos que reconhecer que a actual Direcção fez um enorme e a todos louvável esforço no sentido do fortalecimento das Casas do Benfica e dos laços entre estas e o SLB. Aceito que este teria que ser o primeiro e decisivo passo, cujos frutos começam já a ser visíveis. A consolidação de um Universo de público, sócios e simpatizantes do Glorioso tinha que ser o passo inicial.
    Mas se as Casas do Benfica são importantes para levar o SLB aos quatro cantos de Portugal, da Lusofonia e do Mundo, convém não perder de vista a existência de filiais e perceber que, estrategicamente, as filiais do SLB podem ser de enorme utilidade para o desenvolvimento de um verdadeiro (e pujante) Universo Benfica. A este propósito, quer-me parecer que uma aposta clara no CD Santa Clara e no Benfica de Castelo Branco (a nível de formação, prospecção, política de empréstimos) poderia ser uma excelente aposta. Já quanto às filiais no estrangeiro, há que analisar as diferentes situações e fazer opções, de acordo com aquilo que possa ser mais útil ao desenvolvimento a médio e longo prazo das estruturas filiais do Glorioso, tendo sendo em vista o fortalecimento e a universalidade do Glorioso SLB.
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