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Novo Benfica

Novo Benfica

15
Nov09

COIMBRA FOI UMA LIÇÃO

Pedro Fonseca

Nestes últimos dias o sporting tem sido um tema apetecido de anedotas e dichotes. Poucas vezes um clube terá passado em tão pouco tempo por tão grande desvario e desnorte. Desde a inenarrável sequência de declarações de JE Bettencourt, que num clube a sério teriam levado imediatamente a eleições antecipadas, até à escolha de Carlos Carvalhal como o sucessor de Paulo Bento, o non-sense mais absurdo tem tomado conta daquela casa. Escrevo sobre o sporting num blogue do nosso Benfica porque aquilo que se está a passar em alvalade é algo que se poderia passar em qualquer outro clube. Como aqui já escrevi, os clubes não são eternos. O processo de sucessão de Paulo Bento deve ser estudado por todos aqueles candidatos, proto-candidatos ou pseudo-candidatos a líderes de qualquer coisa, porque em poucas horas Bettencourt conseguiu escrever um compêndio sobre como fazer tudo errado quando havia margem de manobra para fazer tudo certo. Bettencourt meteu o sporting noutra enorme trapalhada. Pós humilhação às mãos do Bayern, o sportinguista Eduardo Barroso disse que o sporting já não era um clube grande; há dias, na “A Bola”, Miguel Sousa Tavares escreveu que o sporting está em processo de morte lenta. Concordo com os dois. A eleição de Bettencourt foi um erro histórico, que o sporting está a pagar e vai pagar ainda mais. Qualquer manual sobre o perfil de um líder é inequívoco na avaliação do presidente do sporting: não tem características de liderança. Bettencourt, aliás, tem feito os impossíveis para confirmar esta tese. A contratação do novo treinador foi mais um processo que envergonharia qualquer clube dos distritais do futebol português. Em poucas palavras, a questão é esta: André Villas Boas, um neófito treinador, sem nome, sem currículo, sem nada, recusou abrir um braço de ferro com a Académica, histórico clube mas hoje no último lugar do campeonato, para ir treinar o sporting. Bettencourt e o Sporting levaram um rotundo não na cara de Villas Boas e da Académica. Esta é, resumidamente, a história desta falhada contratação. Seguiu-se uma segunda escolha – o desempregado Carlos Carvalhal. O ex-treinador do Marítimo, de onde foi corrido por triste e má figura, chegou a ganhar alguma aura no seio da “geração Mourinho”. Mas essa aura perdeu-a depressa por claro défice de competência e de liderança. Repito: o que se passa no sporting podia acontecer noutro clube. O Benfica já elegeu presidentes que nunca foram líderes, como Damásio, João Santos, Jorge de Brito, Manuel Vilarinho, e passou uma fase dramática na era de Vale e Azevedo. Mas, na hora da verdade, os benfiquistas souberam perceber que era preciso uma liderança forte, carismática, credível e mobilizadora, para agarrar no testemunho da fase de transição de Manuel Vilarinho. Os benfiquistas, que também já cometeram “erros históricos” mas souberam ultrapassá-los, perceberam que só um homem como Luís Filipe Vieira, cujas características de líder são inquestionáveis, estava à altura de comandar um clube da dimensão do Sport Lisboa e Benfica. O que se passa no sporting e o que se irá passar no fc porto pós-pinto da costa, é algo que não nos deve passar ao lado. Construir aquilo que se construiu depois dos anos catastróficos de Vale e Azevedo é algo de muito difícil – eu diria que, sem Vieira seria impossível. Mas destruir é fácil, muito fácil. Numa altura de euforia, os benfiquistas não se podem deixar inebriar. Ainda há muito caminho para caminhar, muito projecto para concluir, muitas vitórias e troféus para ganhar. Nada é irreversível. Olhando para o estado comatoso em que se encontra o sporting e perspectivando o caos no pós-pintismo, temos de estar eufóricos pelas nossa clarividência de termos eleito um líder para o presente e para o futuro. Um líder que soube escolher e contratar um líder para o relvado.

 

 

 

Post-Scriptum: O funeral de Robert Enke foi um momento único de pesar como poucas vezes vi no futebol. Em poucos anos, o Benfica vê desaparecer dois “monstros” da sua baliza: Bento e Enke. Como a grandeza também se vê na tragédia, gostava que imortalizassem na Luz a memória destes dois gigantes da nossa baliza. Como fizeram com Miki Fehér.

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