09
Nov09
MAYBE...
Pedro Fonseca
Escrever sobre o sporting é incontornável. O clube dos aristocratas e dos viscondes tornou-se palco de arruaças, de tiroteios, de insultos. Quem diria! Está, assim, descoberto o mistério da qualificação de “clube diferente”.
O sporting vive em guerra civil. José Eduardo Bettencourt chamou aos sócios e adeptos do seu próprio clube: cretinos, anormais e terroristas. O mais enérgico anti-sportinguista não faria melhor.
O problema do clube de Alvalade não era Paulo Bento. O problema é a falta de liderança. Bettencourt pode ter muitas qualidades, mas não tem perfil de líder. A sua eleição foi um erro histórico, mas não foi um acto invulgar nos clubes de futebol.
O Benfica também já cometeu esse erro, com Vale e Azevedo. Mas soube, a tempo, virar de página e hoje a pujança do clube da Luz é consequência de uma liderança forte, carismática e mobilizadora, personificada em Luís Filipe Vieira. A dúvida está em saber se o sporting, depois desta “guerra civil”, está em condições de dar a volta por cima, como fez o Benfica.
Tenho dúvidas. Ninguém no sporting apresenta um mínimo de características para ser líder. Bettencourt terá de ficar com a criança nos braços. O presidente do Sporting foi completamente ultrapassado em todo este processo.
Bento disse que estava há 4 meses a mais em alvalade. Ou seja, o treinador que Bettencourt quis “forever”, deixou implícito que não acreditava no projecto do presidente esmagadoramente vencedor. E mais tarde deixou-o fazer o triste papel de ir a Alcochete, após o jogo com o Marítimo, dar-lhe uma palavra de confiança e apoio quando já tinha decidido demitir-se.
Bento fez gato-sapato de Bettencourt. Quando um líder diz que “never” demitiria o treinador, dá uma ideia triste do seu papel. Talvez que o sporting não mereça melhor, mas pelo menos merecia um filme menos absurdo, onde todas as personagens parece ter apanhado a doença das vacas loucas.
Enquanto uns dizem que o sporting está na iminência de acabar, ou de lutar para não descer, os sportinguistas dizem-se deprimidos com a pujança do Benfica. Problema deles. Esta é uma crise anunciada.
Quando o sporting resolveu ter uma atitude neutral no processo “Apito Dourado”, e se prestou a servir de muleta de interesses de outros clubes, estava a cavar a sua própria sepultura, sem o saber.
Esta era, por isso, uma crise inevitável. Mas estávamos longe de imaginar as proporções. E a história desta “guerra civil” está, ainda, longe de ter chegado ao fim. Como diz o povo, cada um faz a cama em que se vai deitar. O sporting está a caminho do fim? Maybe…
