Finalmente, Portugal!

A classificação portuguesa para o mundial da África do Sul parece mais próxima, apesar de ainda não consumada.
O processo de classificação teve, apesar da actual e mais airosa perspectiva, as suas vicissitudes, a tal ponto que deixamos de depender de nós próprios para garantirmos a classificação. Isto num grupo, onde a única grande potência mundial era mesmo Portugal, o que não deixa de ser demonstrativo da irregularidade do nosso desempenho.
Carlos Queirós é um treinador com inegáveis qualidades técnicas mas também com indisfarçáveis tibiezas naquilo que à liderança e à firmeza dizem respeito, em especial em tempo de crise. O melhor dos dois mundos para Portugal seria juntar a capacidade técnica de Queirós com a inteligência emotiva e capacidade de liderança de Scolari. Mas como isso não é possível, assistimos hoje com bonomia à ressurreição do Professor que muitos tinham já por morto e enterrado e outros tantos (talvez os mesmos!!) resolveram agora desenterrar, ressuscitar e glorificar. Coisas do futebol…
E tudo isto porque Portugal ganhou à Hungria e a Malta, em casa!! Dois Países de grande destaque mundial, como é sabido. Sim porque, para quem não se lembre, Portugal não jogou no jogo decisivo deste apuramento que foi o Dinamarca-Suécia.
Mas sem ironias, acho que apesar das sucessivas modificações na estrutura principal da equipa, Portugal esteve bem nos dois jogos e merece a qualificação.
Registo o portentoso jogo de Simão Sabrosa no Estádio da Luz (quanta saudade…). Registo ainda a total ausência de benfiquistas no onze principal. Embora me pareça que para além de César Peixoto e Nuno Gomes, também Ruben Amorim e Coentrão têm lugar nesta equipa. Mas a verdade é que o nosso Benfica parece ter desistido de apostar no produto português. A prová-lo está o facto de ser aquele que, dos grandes, menos seleccionados tem de Portugal e mais seleccionados tem das restantes selecções estrangeiras.
Opções que me inquietam mas que são o que são.
Vem ai o Play off e eu espero que Portugal que é bom nas horas do aperto (no tal “mata-mata”) não morra na Praia e esteja mesmo na África do Sul.
Naquele habitual “deixem-nos sonhar” que até é capaz de desfraldar bandeiras em cada casa portuguesa.
Assim seja!
António de Souza-Cardoso
