Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

O "ano zero" de Luís Filipe Vieira

Terminada a época desportiva é tempo de projectar a próxima época do Benfica. Para Luís Filipe Vieira, este é o seu "ano zero", aquele onde vai ter de se confrontar com uma verdadeira prova de fogo, depois de 10 anos de Benfica, 8 dos quais como Presidente.
Para Vieira chegou o momento da verdade. Não que não tenham existido épocas desportivas mais negras no passado, mas os benfiquistas pressentiam que Vieira tinha lançado mãos a uma obra hérculea, a de levantar o Benfica do chão depois dos tratos de polé de Vale e Azevedo.
A obra, cujo principal responsável é Vieira, aí está e deixou de poder ser utilizada como álibi para justificar os resultados desportivos. Acresce que, esta época foi má de mais. Os confrontos com o fc porto redundaram em derrotas humilhantes; a eliminação aos pés do Braga, na meia-final da Liga Europa é algo ainda inimaginável.
Vieira tem de recomeçar tudo de novo, com as eleições de Outubro de 2012 no horizonte. Começou bem, ao garantir Jesus para a próxima época e ao adoptar um discurso de auto-crítica e pacificador. Mas a divulgação dos nomes de Couceiro e, principalmente, Octávio Machado para um cargo que parece ser o de director-geral, não auguram nada de bom.
Vieira tem de se desmarcar rapidamente destes nomes, principalmente do de Octávio, cuja entrada na Luz já foi rejeitada em assembleia geral, no tempo de Artur Jorge. Octávio está ligada à pré-história do futebol português e os seus métodos não têm nada a ver com a cultura do Benfica.
A argúcia de Luís Filipe Vieira vai ser agora posta à prova. A forma como lidar com o "caso" Rui Costa; o nome que escolher para director-geral do futebol; ou a continuação de Coentrão (um jogador à volta do qual se tem de construir uma grande equipa) - vão marcar a época e a liderança de Luís Filipe Vieira.
O Presidente do Benfica já percebeu o erro histórico e estratégico cometido esta época com a insistência numa guerra de palavras com o fc porto. Ainda tem tempo e toda a margem de manobra para dar a volta por cima, mas não pode errar.
De uma forma mais ou menos detectável, as movimentações nos bastidores já vão agitando o universo benfiquista e Outubro de 2012 não vem longe.
 
Post-Scriptum: Com a simpatia que o caracteriza, o Ricardo Maia, assessor de imprensa do Benfica, chamou-me a atenção para o facto das eleições no Benfica ocorrerem em Outubro de 2012 e não Maio 2012 como inicialmente tinha escrito. Enviou-me os novos estatutos e confirmei que tal está estatuído no artª 88º.
Peço desculpa aos meus leitores pelo lapso. Julgo que tal se deveu ao facto de ainda ter presente que a alteração de Outubro para Maio foi uma das questões em cima da mesa durante os trabalhos de revisão dos estatutos.
Julgo, aliás, que fazia todo o sentido regressar ao tema. A antecipação das eleições para o final da época (Maio) seria benéfica para o clube, dado que não iria "agitar" o início da época 2012/2013. Se calhar esta questão ainda vai merecer debate...



Segunda-feira, 2 de Maio de 2011

Pedro Fonseca em 02/05/11 | comentar | 1 comentários

Terceiras vias, movimentações e outras equações

Na passada semana, no rescaldo de dois resultados negros e historicamente inapagáveis, o jornal Record publicou 3 artigos em 3 dias consecutivos, de 3 articulistas permanentes do periódico.
A saga começou na terça-feira 26 de abril, com João Querido Manha (JQM) e o artigo intitulava-se, enigmaticamente, “Terceira Via”. O excerto mais significativo é este: “… o Benfica só terá êxito adoptando uma terceira via, a da afirmação positiva dos valores e da seriedade, sem tiques de superioridade pacóvia, mas também não serão indicadas para tão nobre fim as pessoas que têm sido batidas em toda a linha na opção pela confrontação aberta sob forma de uma intifada ridícula”.
No dia seguinte, João Gobern (JG), focalizando o seu artigo sobre Jorge Jesus, escreve, a dado passo: “… o Benfica sabe que, daqui até final, não dispõe de uma terceira via: ou quebra um jejum de 49 anos sem conquistas europeias ou aceita a sentença de uma época falhada, com tudo o que isso acarreta de sangue, suor e lágrimas para os próximos capítulos”.
Curiosamente, nem um nem outro falam em Luís Filipe Vieira (LFV). Foi o último articulista desta trilogia, Rui Santos (RS), que, no dia do Benfica – SC Braga, 1ª mão da meia-final da Liga Europa, em artigo intitulado “Correio encarnado”, dedicou todo o espaço ao Presidente do Benfica.
Nesta carta aberta, Rui Santos enaltece Vieira pela luta em defesa da verdade desportiva, mas critica-lhe aspectos da gestão desportiva e aspectos da gestão comunicacional. Para terminar dizendo, “… que esta foi a época em que, mesmo não ganhando o que almejava ganhar desportivamente, perdeu a oportunidade de marcar muitos pontos no dirigismo nacional, como alguém capaz de romper com o estilo “caceteiro” que vigora no futebol português. Não está tudo perdido, mas a verdade é que, num momento capital, perdeu-se. E essa foi, talvez, no meio de vitórias, a maior de todas as (suas) derrotas”.
Bom, posto isto, quatro reflexões:
1 – Nada disto são coincidências – começaram as movimentações com vista às próximas eleições no Benfica. É cedo? Ainda falta uma época? Sim, é verdade, mas um conselho a Luís Filipe Vieira: cautela e caldos de galinha…;
2 – RS tem razão. O capital de prestígio e de credibilidade que LFV granjeou não podia ter sido posto em causa por diatribes menores. LFV sabe bem que o que demora anos a construir pode ser destruído em segundos. O prestígio e a credibilidade estão intocáveis, mas não havia necessidade…;
3 – Aconteça o que acontecer esta época e na próxima, LFV vai ter pela frente uma “terceira via”. É uma expressão recuperada à política que significa “alguém que à última hora aparece em condições de fazer estragos”;
4 – Aliás, ao contrário do que aconteceu no passado, foi LFV que, recentemente, nos Açores, abriu a corrida eleitoral ao dar sinais claros de recandidatura, com o argumento de que há ainda projectos, como o Museu, que necessitam da sua presença.
O presidente do povo
É injusto, mas LFV sabe que o discurso da “obra feita” não vai chegar na próxima campanha. É certo que ainda tem o Museu para apresentar, mas, ao contrário das últimas campanhas, o futebol, a gestão e o sucesso desportivo vão marcar a próxima campanha.
E as duas derrotas com o fc porto na Luz – e o que se seguiu - são algo incontornável para o qual LFV tem de encontrar um bom argumentário. LFV parte à frente? Parte bem à frente. Porque semeou o benfiquismo como mais nenhum outro presidente do Benfica e isso é algo que nunca nenhum benfiquista esquecerá. Por isso o apelidei de “Presidente do Povo”. Porque o benfiquista anónimo, o benfiquista das “Casas do Benfica”, o benfiquista que faz todos os sacrifícios para estar presente nas bancadas da Luz, não é ingrato e não tem a memória curta. Sabe que nem tudo correu bem no futebol, sabe que LFV cometeu erros na gestão desportiva, mas lá no fundo sabe bem que o Benfica ainda precisa de LFV por mais anos. E porque, as alterações estatutárias colocam à partida fora da corrida nomes de potenciais candidatos como José Eduardo Moniz e Rui Costa – mas não é líquido que as movimentações que já começaram não passem por estes dois nomes.
Dois pontos fulcrais
1 – O Benfica precisa da vitória como de pão para a boca. Precisam os adeptos; o clube; Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira. Uma vitória em Dublin contra o fc porto arruma de vez a questão presidencial. A não ocorrer uma próxima época completamente catastrófica, LFV tem a reeleição garantida, apareça quem aparecer;
2 – LFV precisa de traçar uma estratégia inteligente com vista às eleições para a FPF. Esta eleição é fundamental para a credibilidade e modernidade do futebol português. O Benfica precisa de se empenhar em apoiar e garantir a eleição de um nome acima de qualquer suspeita. Percebe-se o nome de Fernando Seara à luz do afastamento de um eventual candidato nas próximas eleições do clube. Mas não é o candidato ideal nem para o Benfica nem para o futebol português. É preciso alguém mais inovador e arejado, sem os “vícios” e a “experiência” de tantos anos de bastidores. É preciso alguém como Bagão Félix.
Última nota
A negociação dos direitos televisivos vai ser um dos temas mais delicados da vida do Benfica dos próximos tempos. Não só em questão das verbas que o Benfica legitimamente quer receber, como autêntica “galinha dos ovos de ouro” do futebol português, como em função da estratégia que LFV quer montar com vista a influenciar decisivamente a próxima liderança da FPF e as próximas eleições para o Benfica. Pragmático, sagaz e inteligente, LFV sabe que neste delicado “puzzle” há uma peça a ser tratada com pinças: a Olivedesportos.



Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

Pedro Fonseca em 11/04/11 | comentar | 4 comentários

A clarividência de Salvio

 

Salvio é mais uma “invenção” de Jorge Jesus. Há poucos meses atrás, não se sentava sequer no banco do Atlético de Madrid – mais uma prova da incompetência de Quique Flores. Hoje, é chamado à selecção da Argentina, uma das melhores do Mundo, e é titular indiscutível do Benfica.
Em poucos meses, Salvio – ou Toto – viu a sua carreira transfigurar-se. Ele próprio se transfigurou-se como jogador de alto nível. Na passada 5ª feira, contra o PSV, fez gato-sapato da defesa holandesa, carimbou 2 golos, abriu as portas da meia-final e colocou os holofotes da Europa virados para ele.
O A. Madrid abriu a boca e agora já quer 15 milhões para ele ficar na Luz. Mas do Dragão o apetite também merece atenção. Redobrada. É que ainda ninguém se esqueceu do que aconteceu com Christian Rodriguez.
Porém, quando muitos já o viam de camisola listada, Salvio, o próprio, resolveu colocar um ponto final naquela que poderia ser uma transferência-choque para o Benfica. O internacional argentino, em declarações a uma rádio do seu país(ler aqui), deu a sua opinião sobre o “apagão” na Luz, após o jogo com o fc porto.
As suas clarividentes palavras serviram sobretudo para atestar duas coisas: Salvio tem tanto de bom jogador como de pessoa inteligente; o Dragão já era… Obrigado Toto!



Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

Pedro Fonseca em 04/04/11 | comentar | 6 comentários

Objectivo: Taças!

 

Faltavam cerca de 15 minutos para acabar o clássico. As imagens da televisão focam então a tribuna presidencial da Luz. Na primeira fila, um homem, entre o presidente da AG do Benfica e o seleccionador nacional, estava curvado para a frente, como quem deseja entrar no relvado para ajudar os nossos rapazes.
Luís Filipe Vieira tem no rosto um mar de preocupações. As imagens não enganam. O líder da Luz sabe bem o que está em causa. Aliás, ninguém na Luz sabe tão bem quanto ele o que está em causa.
Desde que, em 2003 assumiu a liderança do Sport Lisboa e Benfica – já lá vão 8 anos, Vieira não tem parado um minuto. Sabemos o que fez nestes anos – a obra está aí visível e fantástica. Passemos à frente.
Há a questão desportiva? Pois há. Mas vamos aos factos: Pinto da Costa, nos seus primeiros 8 anos de liderança portista ganhou 3 campeonatos; Vieira ganhou 2. E Pinto da Costa não teve de se preocupar com mais nada.
É certo que o Benfica não pode ganhar 1 campeonato de 5 em 5 anos. Vieira sabe disso. Sabe-o tão bem que no início da época afirmou: “0s campeões não ganham só uma vez”. Vieira falhou com Fernando Santos? É verdade. Pinto da Costa falhou com Del Neri, Fernandez, Couceiro, Octávio Machado, Quinito – que me lembre…
Agora que o campeonato se foi, há que começar a preparar já a nova época, embora sabendo que esta ainda tem muito para ganhar. O Presidente do Benfica tem que reunir um núcleo duro de 3 / 4 pessoas para estudar o ataque ao mercado – vendas e compras -; dispensas do plantel; enquadramento de 2 / 3 juniores; estágio de pré-época.
Numa política acertada, tem vindo a ser renovados os contratos com alguns jogadores, mas é essencial que o plantel esteja fechado até à primeira quinzena de Julho. Antes, ainda, Luís Filipe Vieira podia pensar numa jogada “política”: renovar com Jorge Jesus.
O Presidente do Benfica sabe bem que tudo o que fez só será reconhecido por muitos se for acompanhado por um desempenho mais vitorioso da equipa de futebol. É injusto? No caso de Luís Filipe Vieira é tremendamente injusto.
Mas o Presidente do Benfica, que tem fortes hipóteses de alcançar um lugar ímpar na galeria de presidentes do Glorioso, não ignora que tem de, pelo menos, alcançar uma mão cheia de campeonatos nos próximos 8 anos.
É que se o Benfica ainda precisa para mais uma década de Luís Filipe Vieira, este precisa de campeonatos como de pão para a boca. Para que não se diga apenas que foi o homem de reconstruiu o Benfica, Vieira sabe que não pode nem deve falhar esse objectivo.



Terça-feira, 29 de Março de 2011

Pedro Fonseca em 29/03/11 | comentar | 2 comentários

O fim (de um grande) anunciado

 

A decadência do Sporting – melhor dizendo: a tomada de consciência pelos sportinguistas da real dimensão do clube – é um facto inelutável e irreversível. É-o desde sempre. Apenas dissimulado durante décadas por se tratar do clube do Estado Novo, cuja intenção de o promover a único clube nacional (e da União Nacional) é o filme-emblemático dos anos 40 “O Leão da Estrela”.
A propaganda fez, então, o seu caminho. E o regime sentiu-se confortável com um clube-bandeira cuja cor era o verde, cor das camisas da Legião Portuguesa, guarda pretoriana de António de Oliveira Salazar.
A génese aristocrata também servia às mil maravilhas a um país liderado por um homem da província, mas que precisava de dar imagem de cosmopolitismo (e precisava, como hoje, dos grandes grupos económicos e financeiros).
Ajudado por este empurrão do Estado Novo, a que não é estranho a fuga de mais de meia equipa do Benfica para Alvalade, o Sporting dominou as décadas de 40 e 50, e de alguma forma conseguiu afirmação nacional. Depois veio o Ultramar, sempre o Ultramar, e um “colored” chamado Eusébio da Silva Ferreira aterrou em Lisboa e rumou à Luz. A história, a partir daqui, é conhecida.
O Sporting nunca mais se recompôs. Até hoje. Confrontado com a dimensão mundial do Benfica, seu vizinho, e com a ascensão do FC Porto, a norte, remeteu-se a um plano secundário, de que nunca mais irá sair.
Sem uma identidade que lhe permita alargar a base social de apoio, isolado voluntária e voluntariamente, o Sporting assume a imagem de fidalgo arruinado, inadaptado aos tempos modernos.
O que se passou nas eleições do Sporting é, simplesmente, a revolta do choque com a realidade. O clube já não é sequer de Lisboa, quando muito é capaz de liderar as simpatias em metade da Av. de Roma e metade do Campo Grande.
Acresce a ausência de títulos no futebol e no resto. O ecletismo, tão propagandeado pela imprensa do regime (que ainda há) é um mito: onde está o voleibol? Onde está o basquetebol? O hóquei patins está na 3ª divisão. O andebol luta a meio da tabela.
A bipolarização faz o seu caminho. Inexorável. Por muito que lute contra ela alguma comunicação social e alguns “opinion makers”. A “culpa” não foi de Jorge Gonçalves, nem de Sousa Cintra ou Roquette ou Bettencourt. Nem será de Godinho Lopes.
O Sporting de hoje e também de muitos “ontens” merece tanto as capas dos jornais e as aberturas dos noticiários televisivos como o Braga ou o Guimarães. Não passa de um clube de simpatias muito localizadas.
O choque com a realidade é duro e quase sempre violento. Mas às vezes é melhor assim…



Segunda-feira, 21 de Março de 2011

Bagão Félix para Presidente da FPF

 

A recente qualificação de 3 equipas portuguesas para os quartos-de-final da Liga Europa, levanta várias reflexões/perguntas. A primeira é: onde poderia o futebol português chegar se tivesse dirigentes e árbitros à altura?
A resposta é impossível; a reflexão necessária. Olho para o quadro dos quartos-de-final da Liga dos Campeões e vejo Tottenham, Schalke 04, Shaktar Donetz. A equipa inglesa é inferior ao Benfica ou ao SC Braga? A resposta tem de ser peremptória: NÃO É.
O Schalke 04, que em nada foi superior ao Benfica (antes pelo contrário), na fase de grupos, está, na liga alemã, apenas 3 pontos à frente do Estugarda, que foi cilindrado por 4-1 na anterior eliminatória da Liga Europa.
O Shaktar, que apanhou o Braga desprevenido no primeiro jogo, mas no segundo, em Donetz, já sentiu a capacidade da equipa portuguesa, teria hoje poucas hipóteses de levar de vencida tanto bracarenses como o Benfica.
Onde é que eu quero chegar? Simples: Jorge Jesus não estava a delirar quando apontou a fasquia alta em matéria de Liga dos Campeões. Hoje, qualquer das equipas da Liga Europa caberia no quadro dos “quartos” da Liga dos Campeões.
O nosso problema tem nome e tem rostos: dirigentes e árbitros. Como é possível manter uma novela durante meses para a actualização dos estatutos da Federação, mesmo com o cutelo de sanções graves por parte da UEFA e da FIFA para a selecção e as equipas portuguesas nas provas europeias?
Resposta: irresponsabilidade e impunidade. O Governo, através do secretário de Estado Laurentino Dias, assobiou para o ar, e só não houve consequências mais negativas porque depois de um enxovalhamento da imagem do futebol português no Mundo, foi possível, à última da hora, colocar bom senso nalgumas cabeças (e mesmo assim ainda há coisas por decidir).
Quanto aos árbitros, a reflexão é fácil e documentada: eles são mais responsáveis que vítimas. São muito responsáveis por travar o crescimento da liga portuguesa e também por as equipas portuguesas, às vezes, não irem tão seguras para os desafios europeus.
Os árbitros, a esmagadora maioria medíocre, sobrevive à custa da suspeição, da intriga, do bas-fond, instalado no futebol português. É preciso começar a mudar o futebol português. Para que as equipas portuguesas não apareçam nos quartos-de-final da Liga Europa, mas nos quartos-de-final da Liga dos Campeões – e com frequência.
Temos agora um momento único e decisivo: as eleições para a Federação Portuguesa de Futebol. É preciso remover Gilberto Madaíl. E o Benfica tem de apostar num nome acima de qualquer suspeita; um homem que adora futebol mas esteve sempre longe e fora do “sistema futeboleiro”, inquinado e trapaceiro.
Eu sei que Fernando Seara, competente e idóneo, já se disponibilizou, mas penso que António Bagão Félix é a personalidade melhor colocada para dar ao futebol português a imagem de credibilidade de que ele tanto necessita.



Terça-feira, 15 de Março de 2011

Pedro Fonseca em 15/03/11 | comentar | 1 comentários

Boa e má notícia

 

Uma boa notícia: Carole é defesa-esquerdo de qualidade. Com Jesus, o francês pode pegar de estaca na próxima época, dando por adquirido que Fábio Coentrão fará render algumas dezenas de milhões de euros. Uma má notícia: Nuno Gomes não fará parte do plantel da próxima época. O capitão tem sido pouco utilizado. Mesmo em jogos-treino, como o que ocorreu domingo com o Portimonense, Nuno Gomes não é primeira opção. Também não ficará na Luz em qualquer outra função. A notícia é má porque Nuno sempre exibiu dotes de liderança de balneário; uma liderança aceite e não imposta; é um jogador respeitado por todos e sabe-se como isso é importante num grupo de jogadores de futebol de alta competição.
O seu lugar será e bem ocupado por Luisão, que deverá acabar a sua carreira na Luz. Nos próximos textos vamos projectar a próxima época, com dispensas, saídas, reforços e os que se manterão. É tempo de começar a preparar o "assalto" de novo ao título. Roubados outra vez, não!



Quinta-feira, 10 de Março de 2011

Pedro Fonseca em 10/03/11 | comentar | 2 comentários

Carnaval e bruxarias

 

Não é dos mais famosos mas está a conseguir-se impor. O Carnaval de Braga quer competir com Loulé e a Mealhada. O ano passado foi o que se viu, com Jorge Sousa disfarçado de árbitro. Este ano, a máscara mais vistosa foi a de Carlos Xistra.
Sabia-se há muito que estes dois eram entusiastas do corso. Gostam de se disfarçar, de regressar por momentos à infância e às infantilidades. São dois cromos, mas perigosos. E, neste caso, não serve dizer que “é Carnaval, ninguém leva a mal”.
Ontem como hoje, o Carnaval tem assentado arraiais no futebol português. A muitos servem a máscara dos Irmãos Metralha. A estes dois, Jorge Sousa e Carlos Xistra, serve na perfeição.
Os erros graves e clamorosos já foram mais que dissecados. Tudo, mas tudo, premeditado. Carlos Xistra foi a Braga para prejudicar o Benfica. Fê-lo sem tibiezas, como quem tem as costas quentes.
O Benfica não pode deixar impunes arbitragens deste jaez. Mas tem de começar a cravar bem fundo a sua “faca de indignação”. Jorge Jesus bem avisou a navegação, ao dizer que Xistra era muito querido em Braga. Mas ficou a meio caminho. Nem condicionou, nem assustou.
O que devia ter dito, ou alguém por ele, é que o historial de Carlos Xistra não augurava nada de bom e o Benfica tinha razões suficientes para duvidar de uma arbitragem de um senhor que há muito devia estar impedido de arbitrar. E ponto final.
Lamentos depois do jogo pouco servem e só desgastam. Esta era uma altura cirúrgica para parar o Benfica. O “sistema” tem o calendário bem estudado. “Matar” a cavalgada imparável do Glorioso em Braga era essencial para deixar o fcporto ir descansado a Moscovo e criar uma pressão acrescida no Benfica para o jogo com o PSG.
Até o sempre sóbrio, competente e idóneo Vítor Serpa, director de "A Bola", saiu do seu registo moderado mas incisivo, para escrever em editorial. "Ponto essencial: Xistra - o árbitro - foi infelizmente decisivo num jogo decisivo". (...o erro decisivo que cometeu foi demasiado óbvio e demasiado grosseiro).
Daqui a 3 jornadas há o Benfica – fcporto na Luz, se como tudo indicava o Benfica ficasse a 5 pontos, as últimas 5 jornadas iam ser de cortar à faca, com o porto a ter de receber o Sporting e a deslocar-se a Setúbal e à Madeira.
Xistra entregou o campeonato ao porto – não há que ter medo das palavras. E tem de pagar por isso. O Benfica tem de começar a estar mais atento e a ser mais ladino – vocês sabem do que é que eu estou a falar, como diria o Octávio Machado.
 
Post-Scriptum: Pinto da Costa diz que não é especialista em bruxarias. Confirma-se: PC está a perder qualidades, pelo menos a memória. Ajudemo-lo: foi PC quem contratou Delane Vieira, o bruxo brasileiro, para o fcporto, com funções de acompanhar de perto a equipa, não fosse dar-se alguma quebra mística.
E depois, quem não se lembra dos célebres banhos de mar, em plena madrugada, junto à capela do Senhor da Pedra, para afugentar os maus espíritos? PC pode não ser um especialista em bruxarias, mas pelo menos as noções básicas não deve ter esquecido…



Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Pedro Fonseca em 28/02/11 | comentar | 8 comentários

Definitivamente, vão ter de esperar mais algum tempo. Pelo menos, até ser matematicamente confirmado. Eu sei que para os lados do dragão estão todos apreensivos. E nem sequer disfarçam.

Mas, levar a coisa ao extremo do ridículo também me parece exagerado. Convocar adversários de circunstância para fazer o trabalho sujo, já é algo que diz muito do desconforto que grassa no dragão.

Ontem, na Luz, o Marítimo fez tudo e fez de tudo para compensar o encaixe financeiro pelo compra de Djalma pelo dragão. Meter 11 dentro do meio campo quase durante todo o tempo de jogo, não abona muito a futura carreira de treinador de Pedro Martins.

Menos abona o facto de ter sido cúmplice e/ou complacente com as súbitas incapacidades dos jogadores maritimistas para se manterem de pé. A coisa atingiu, aliás, momentos épicos de palhaçada.

Os verde-rubros caíam por dá cá aquela palha. Um aqui, outro ali, mais outro acolá. O relvado da Luz estava semeado de jogadores do Marítimo. Deitados, claro. Que a relva é bem tratada, já sabe, e com o fim de tarde apetecível mais puxava à sorna.

Já nem vale a pena falar do árbitro. Nem dos fiscais de linha. Fizeram o que puderam. Qual penálti qual quê; golo anulado, sim senhor, que não queremos estragar a festa ao dragão; expulsão dos do Marítimo, nem pensar, isso só para quem usa camisola vermelha. Assim, se faz a arbitragem em Portugal. Desde a primeira hora deste campeonato, sabemos que temos de lutar contra ela, a arbitragem.

O Benfica sabe que vai deparar-se com cenários idênticos até final do campeonato. Mas enquanto tiver a alma que demonstrou ontem na Luz e o público a apoiar de princípio a fim com o fervor que se viu, sentiu e ouviu, vai haver campeonato até ao fim.

Ó dragão, tens de te esforçar mais, dentro e fora das quatro linhas!!!

 




Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

Pedro Fonseca em 21/02/11 | comentar

 

Há os heróis-heróis e os heróis-mártires. Pedro Mantorras, cuja carreira terminou pela voz do Presidente do Benfica, foi um herói-mártir, e talvez que essa seja a característica principal porque o angolano continuará a ser um ícone, um mito, para os benfiquistas.
Não me lembro, aliás, de uma tão dramática carreira no futebol mundial. Estava certo Luís Filipe Vieira quando, numa célebre entrevista televisiva, há cerca de 10 anos, mais coisa menos coisa, prognosticava que Pedro Mantorras seria mais tarde ou mais cedo um jogador de dimensão mundial, para valer qualquer coisa como 18 milhões de contas - 90 milhões de euros.
É curioso verificar agora que esta verba astronómica foi a que, no ano transacto, o Real Madrid deu por Cristiano Ronaldo, para o resgatar ao Manchester United. Vieira, tão criticado na altura, estava certo. O líder encarnado, que muitos gostam de dizer que "não percebe de futebol", foi certeiro na avaliação do valor futebolístico de Pedro Mantorras, então a dar os primeiros passos ao mais alto nível.
Mas Pedro Mantorras foi, também, o paradigma do que é o nosso país - e foi com isso que Vieira não contou. O futebolista angolano foi vítima do pior que há em Portugal: foi vítima de um "sistema" bem português que tenta, e muitas vezes consegue, destruir tudo aquilo que mostre qualidade acima da média, seja no futebol, seja em qualquer outra actividade.
Para além disso, Mantorras foi vítima da incúria, da incompetência, do desleixo, da inveja, da intriga, de uma certa maneira de "ser português", que é incapaz de suportar o sucesso dos outros. Aliás, para quem acredita nesta coisa do destino, parece que, "estava escrito nas estrelas" que Pedro Mantorras iria passar por um calvário.
Lembro-me bem, até porque estava lá, vi "in loco", a caça ao homem que foi protagonizada no Varzim - Benfica, 1ª jornada de 2000 - 2001, sobre Pedro Mantorras, na sua primeira aparição com a camisola do Benfica.
Eu vi a cumplicidade, a complacência de um árbitro chamado Isidoro Rodrigues, que deixou passar em claro todas as agressões, empurrões, agarrões, durante 90 minutos - devo dizer que, em quase quarenta anos a ver futebol ao vivo, nunca tinha visto coisa igual.
Seria essa a sina de Mantorras, como foi a de Eusébio, ser travado, golpeado, agredido pelos medíocres. Seria, se não se desse o caso de Pedro Mantorras ter sido traído por aqueles que deviam cuidar dele em primeira instância.
Isidoro Rodrigues foi, apenas, um pequeno símbolo da nossa pequenez e da nossa mediocridade. Pedro Mantorras será sempre um símbolo grande da nossa gloriosa Hstória, de país pequeno mas com um clube maior do que os maiores do Mundo.
E Pedro Mantorras é também um símbolo do Benfica que é farol da Lusofonia, com Eusébio e Coluna, Cavém e Águas, Costa Pereira e Santana. E Mantorras...

 

 





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