Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 17/02/09 | comentar | 37 comentários

  

 

 

No último jogo que fez para a Liga, contra o Paços de Ferreira, o Benfica foi capaz de mostrar o melhor e o pior da equipa.

 

O Benfica entrou bem na primeira parte, criando uma flagrante oportunidade em que Luisão e depois Aimar podiam ter começado a resolver o encontro; depois fez uma exibição muito contida, sem grandes oportunidades mas também sem sobressaltos defensivos.

 

Na segunda parte, depois da substituição de Carlos Martins por Di Maria, o Benfica mudou muito. Passou a dispor de dois extremos para abrir mais o jogo nas laterais e, pela primeira vez, vimos Rúben Amorim a jogar no seu lugar natural.

 

Depois de algumas jogadas de ataque bem delineadas o Benfica chega ao golo por Cardozo, numa fífia monumental do guarda redes do Paços, e a equipa passou a jogar ainda mais distendida, voltando a marcar por Rúben Amorim passados uns minutos.

 

Mas tão distendida ficou a equipa que demonstrou uma passividade defensiva a que já não estamos habituados e permitiu o golo do Paços numa jogada aparentemente inofensiva.

 

A partir daí só deu Benfica até que aos 87 minutos se deu o momento da noite com um golo de levantar o estádio de Di Maria, a justificar finalmente o estatuto que lhe vem sendo atribuído.

 

Quando já se gritavam olés (nunca gostei desta atitude do público, que além de ser de pouco desportiva e mostrar mesmo alguma desconsideração pelo adversário, muitas vezes acaba por perturbar os próprios jogadores) e não se esperava senão a possibilidade de o Benfica ampliar a vantagem, eis que em dois contra-ataques o Paços faz o segundo golo e por muito pouco não faz o empate em cima do apito final.

 

Resultado justíssimo para o jogo, a reflectir a maior atitude atacante do Benfica e a displicência que mostrou na defesa em certos momentos do jogo perante uma equipa adversária que nunca se rendeu mas que claramente não tem argumentos perante o Benfica.

 

Grande destaque para o enorme golo de Di Maria bem como para o grande golo e a grande exibição de Rúben Amorim. Muito bem também esteve Cardozo, bastante mais interventivo do que é habitual, a quebrar um longo jejum de golos. Destaque final para a equipa, pela solidariedade e espírito de entreajuda, como muito bem ressaltou Quique, apesar das inexplicáveis quebras de concentração quando tinha o jogo controlado com dois golos de vantagem.

 

A experiência de jogar com dois extremos puros e Rúben Amorim no meio mostrou claramente que o Benfica sobe de rendimento em termos ofensivos com este esquema, e não terá sido por ela que as desconcentrações defensivas ocorreram, embora Rúben Amorim seja de uma extrema eficiência a “fechar” o seu corredor em termos defensivos, o que já não é o caso de Di Maria.

 

 

Para terminar vou plagiar-me a mim próprio, copiando o que escrevi aqui há 15 dias, apenas alterando o nome do nosso adversário:

 

Espero realmente que o Sporting-Benfica seja um grande jogo, comentado ao longo de toda a semana pela qualidade e beleza do futebol jogado (sobretudo o do Benfica, espero eu!) e não pelos casos de arbitragem. (Infelizmente Paulo Bento já começou a “chorar-se” e o Porto tem interesse na nossa derrota, o que é uma má combinação de elementos para uma arbitragem de qualidade e isenta).

 

A vitória do Benfica irá dar novo alento à nossa equipa e fazê-la arrancar para uma 2ª volta muito mais positiva, a culminar com mais um título de campeão. Para isso é fundamental que toda a equipa se empenhe fortemente no jogo e que Quique consiga mais uma vez retirar todo o rendimento que aquele conjunto de jogadores já demonstrou ser capaz de proporcionar.

 

 

 

PS – As recentes “pérolas” de Jesualdo

 

Os jogadores do Porto são dos mais agredidos – com esta Jesualdo começou a desvendar os seus métodos de trabalho disciplinadores.

 

Dentro de campo os árbitros encarregam-se de que nenhum jogador se aproxime de um raio de 1-2 m de qualquer jogador do Porto sem que seja marcada falta/penalty e sanção disciplinar (veja-se os casos de Gaspar e Yebda e de nos dois últimos jogos no dragão).

 

As agressões a que Jesualdo se refere só podem, portanto, passar-se ao intervalo, nos balneários ou nos treinos, ou quando ainda assim não chega, no contacto com os adeptos mais entusiastas.

 

Agora é mais fácil perceber a fúria incontrolada de Bruno Alves, que, no fundo, apenas põe em prática aquilo que lhe ministram nos treinos e nas palestras.

 

A minha actuação como árbitro terminou no domingo – Mais uma “pérola” de Jesualdo, mas esta com melhores resultados para todos os desportistas. A acreditar no que Jesualdo disse (não aconselho pois o homem não é de fiar), não haverá mais patacoadas sobre a actuação dos árbitros da sua parte. Que alívio! É que ele não acertava uma única para amostra!




Sábado, 27 de Setembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 27/09/08 | comentar | 20 comentários

Escrevo algumas horas depois de ver o Porto ganhar aos Paços de Ferreira e somar a segunda vitória na Liga.

Acho sinceramente que o Paços é uma equipe de “trazer por casa”. Quero dizer, uma equipe que, como se viu com o Benfica, será muito difícil de bater no seu reduto. Mas, ao mesmo tempo, uma equipe que fora da Mata Real dificilmente conseguirá surpreender os seus adversários.

Sem estar em causa a justiça da vitória (o Paços não deu um único passo para a contrariar), confirmei neste jogo que esta equipe do Porto não tem nem a estatura, nem a categoria de épocas anteriores. Depois de dispensar os seus principais artistas, o que obrigou a uma renovação de banda mais larga que o quem sido habitual, o Porto não conseguiu reequilibrar a equipe porque apesar das muitas contratações, não assegurou nenhum valor indiscutível – nem “Cebola” que na equipe do Porto joga até chorar, mas sem qualquer consequência ou eficácia colectiva.

Depois, Lisandro perdeu (ou ainda não ganhou) o codícia e a fortuna da época anterior e Lucho parece o solitário “Comandante” de uma “Armada” que está longe de ser “Invencível”.

Tivemos, assim, no jogo de ontem (e julgo que teremos para o resto do campeonato) um Porto corrente que se bebe mas não deslumbra que até pode cumprir, se não for chamado a desígnios maiores.

Não é por acaso que os sócios se inquietam e assobiam. Não é por acaso que Jesualdo evoca, em desespero, as sequelas do apito final.

O Benfica, por seu lado, decide boa parte da época nos próximos 6 dias.

Com o Nápoles joga a continuidade europeia. Imprescindível numa equipe nova que se quer cumprir. Difícil, claro, mas obviamente à altura de que tem a ambição de voltar a ser grande.

Com o Sporting,  joga a credibilidade interna. Não só porque se perder fica a 7 pontos do Sporting e a 3 do Porto logo à 4ª jornada. Mas também porque estas derrotas importam prejuízos anímicos (e matemáticos) sempre mais explícitos nos confrontos com os opositores directos, com quem ainda por cima jogamos em casa.

Para estes dois jogos o Benfica tem que entrar com determinação e vontade de ganhar, mas também com níveis de concentração que possam dar tranquilidade à equipe (pareço o Paulo Bento..).

Disse aqui (e fui contrariado por muitos) que o melhor ataque é a defesa, por constatar que uma equipe se faz de trás para a frente e que as equipes que nas últimas décadas têm dominado o futebol português são aquelas que apresentam, em determinado período, as melhores defesas.

Não gosto do futebol defensivo e demasiado taticista, mas compreendo o valor que tem estar seguro a trás para poder accionar com despreocupação a “tracção à frente”.

 Infelizmente o Benfica atropelou-se em reforços do meio campo para a frente e não se reforçou como devia na defesa.Com o Paços de Ferreira viu-se a fragilidade da nossa defesa (bem sei que não é a habitual) que inspira tal segurança que o próprio Quim parece contaminado por uma preocupante crise de confiança (ou será Macumba do Sr Scolari?).

Também me pareceu que Quique fez demasiadas flores nas substituições do jogo com o Paços e insiste em colocar Aimar numa posição em que ele não rende (ainda nos vai convencer que o jogador pouco acrescenta a esta equipe).

Boas surpresas (ou talvez não..) São Yebda, Martins e principalmente Ruben Amorim. Para mim o mais esclarecido e promissor dos jogadores que contratamos esta época. Como uma inteligência e uma leitura global do jogo muito raras no futebol português. Pena que esteja sempre num periclitante “entra e sai” e que o desperdicem colado ao lado direito para compensar um pretenso defesa direito que não temos.

Reyes também me parece ter um potencial enorme e uma imensa capacidade de explosão. Ao contrário, Di Maria veio demasiado deslumbrado dos Olímpicos e precisa de se reencontrar com esta equipe.

Bem, chega de especulações. Venha lá o leãozinho e depois o Nápoles.

Venham Eles para o começo do caminho, outra vez glorioso, deste Novo Benfica.

 

António de Souza-Cardoso

 


 

 

 

 

 

  


sinto-me: esperançado
música: slb


Sábado, 20 de Setembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 20/09/08 | comentar | 28 comentários

Um dos grandes aliciantes do futebol reside na incerteza do resultado, tantas vezes dependente de um conjunto de pequenas variáveis aleatórias que não temos o poder de dominar. Desde o pequeno detalhe do penalty que o árbitro não viu (ou viu a mais), até ao pequeno espaço que distingue uma bola no ferro de uma bola dentro da baliza.

Claro que me poderão invocar a teoria dos grandes números para dizer que não se tem sempre sorte ou azar, ou que não se é prejudicado ou beneficiado toda a vida. Num universo perfeito esta teoria estatística parece inatacável. Mas o problema é que o futebol é, como todos temos confirmado, feito de sistemas e de pessoas que se transfiguram e diminuem, no turbilhão de emoções que o “desporto-Rei” proporciona.

 Não queria ir por aí. A minha formação jurídica tem sido severamente abalada pelas aberrantes interpretações de analistas diversos sobre as recentes evoluções nos processos do apito final e prefiro por essa cómoda razão, guardar-me para a altura certa em que a justiça e a verdade (a dos tribunais e não a dos jornais) se vierem a conciliar e consumar.

 A justiça publicada é normalmente, para quem trabalha nestas lides, uma justiça diminuída e vulnerável, feita de pequenas delações ao segredo de justiça e pequenos excertos e interpretações parciais de processos amplos, complexos e profundos. Esperemos tranquilamente, portanto.

Voltemos ao futebol. Nesta jornada europeia as equipes portuguesas tiveram sortes diferentes. A primeira delas reside seguramente no adversário ou adversários (na Liga dos Campeões) que lhes caíram em sorte. Temos que dizer que o Porto e o Sporting foram, uma vez mais, agraciados pela fortuna com as equipes que lhes saíram nos potes 3 e 4, aquelas que em teoria podem condicionar a passagem á fase seguinte. O campeão turco é uma equipe arrumada de um País com poucas tradições no futebol (talvez, por isso, os assobios dos portistas à sua equipe) e o Basileia (ou mesmo o Shaktar) não têm qualquer dimensão europeia.

Basta vermos que o Guimarães só por clamorosos erros de arbitragem nas duas mãos (azar?) não eliminou o Basileia que está no grupo do Sporting e, ao contrário, numa competição teoricamente inferior, esteve muito longe de poder fazer frente ao futebol envolvente do Portmouth que lhe caiu em sorte.

Também o Benfica não teve sorte. Estou convencido que o Porto e o Sporting teriam igual dificuldade em deixar para trás o Nápoles. Não falo só do facto de nenhuma equipe portuguesa ter alguma vez eliminado o Nápoles numa competição europeia (julgo que o Porto perdeu todos os jogos oficiais que fez com o Nápoles). Falo do ambiente e da equipe que vi em S. Paolo, só possivel nos clubes de verdadeira grandeza e dimensão.

 

O Benfica pode e deve passar, mas a verdade é que não teve sorte.

No jogo jogado, acho que o Porto apesar das intermitências da exibição mereceu ganhar, mas e se o árbitro marcasse o penalty que realmente existiu a favor dos Turcos perto do final quando ainda estava 2 a 1? Não marcou e condicionou em definitivo a sorte do jogo.

O Sporting mereceu perder. Mas pareceu-me sinceramente exagerado o penalty que origina o segundo golo do Barcelona e que mata um jogo que Sporting (como já é habitual contra as grandes Equipas) não soube, sequer, disputar.

 O Setúbal sofreu um golo no último minuto que castiga injustamente uma exibição de excelente nível desta equipe de raça sobrevivente. Outra vez a sorte….

Em suma, existem equipes melhores do que outras e estou seguro que o Benfica não tem tido nas últimas duas décadas uma equipe e uma organização que estejam para além da sorte. Mas a verdade é que engrandecemos muitas vezes equipes que, em relação a outras que diminuímos, têm por vezes, apenas, essa indelével diferença da fortuna, ou da falta dela.

Estou seguro que o Benfica (se o universo se mantiver perfeito) se há-de reconciliar com a sorte e eliminar, pela primeira vez na história do futebol português, essa magnifica equipe de Napoli tão sedenta e determinada de voltar às luzes da ribalta do futebol europeu.

Para já, boa sorte para que Benfica possa já na Mata Real dar os “Passos” necessários para a conquista do titulo.

Lá Vos espero!

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: Afortunado
música: Luck for me



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