Domingo, 6 de Setembro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 06/09/09 | comentar | 4 comentários

 

 

 

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Esta foi uma semana feliz para nós, adeptos do Benfica. Depois do grande jogo que fizemos frente ao Vitória de Setúbal, já aqui amplamente comentado pelo José Esteves de Aguiar, tivemos a meio da semana um jogo para a CNE Cup, no Canadá, contra o Celtic de Glasgow.

 

Neste jogo o Benfica começou com uma equipa de suplentes “enriquecida” com Shaffer, Javi Garcia e Di Maria. Entraram ainda, no decorrer da 2ª parte, David Luiz, Saviola e Rúben Amorim. Apesar disso, foi capaz de oferecer um espectáculo muito interessante.

 

O Benfica ganhou com toda a justiça, sendo justo destacar as exibições de Di Maria e de David Luiz. Gostei também muito de ver alguns juniores que não conhecia bem, especialmente Nelson Oliveira, Ruben Pinto e Roderick.

 

O que vi deste “miúdos” deve fazer-nos estar mais descansados pois há ali matéria prima de qualidade para qualquer eventualidade.

 

Hoje o Benfica venceu o Belenenses na final da Supertaça de futsal. O resultado final de 1-0 diz quase tudo sobre o equilíbrio existente nesta partida, mas o génio de Ricardinho desequilibrou a balança a nosso favor.

 

 

P.S. – A Selecção empatou ontem contra a Dinamarca em mais um jogo da fase de qualificação para a África do Sul 2010. Pelo que fizemos (sobretudo na primeira parte) merecíamos ter ganho o jogo, mas a sorte não esteve do nosso lado. Na única vez que remataram à baliza na primeira parte, os dinamarqueses (com a “colaboração” de Duda e Bruno Alves) marcaram o 1-0. Infelizmente há dias assim.

 

Apesar de tudo isso a imprensa mantém uma enorme cordialidade com Queiroz, incompreensível quando se recorda a sanha com que perseguia Scolari que, com essencialmente os mesmos jogadores (apenas Costinha Figo e Pauleta estão indisponíveis) nos levou ao 4º lugar no Mundial de 2006.

 

Pois, mas isso certamente deve-se a Scolari ter o anátema de ter perdido contra a Grécia, o que fez com que apenas fossemos vice-campeões Europeus em vez de juntarmos mais um título Europeu aos muitos de que dispomos.

 

No futebol português paga-se caro não ter certas bençãos.

 

 




Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Há poucos meses atrás, o presidente do Sporting introduziu um novo termo no “léxico” do futebol português – Militância.

 

Numa entrevista, Filipe Soares Franco disse dessasombradamente que faltava militância no Sporting, quando comparado com o Benfica.
Explicava ele que os adeptos e sócios leoninos perdiam em apoio, presença no estádio, dedicação, com os adeptos e sócios do Benfica.
Na sua análise muito racional, Soares Franco via-se a liderar um clube sem alma, sem mística, sem apoio no estádio. As fracas assistências, os assobios sistemáticos foram o pano de fundo para esta denúncia.
Pelo contrário, distante poucos quilómetros, o líder leonino via um clube pujante, onde os adeptos e sócios acorriam em massa ao estádio, apoiavam a equipa. Em suma, no Benfica havia alma e mística. Ou, no léxico muito próprio de Soares Franco, o Benfica tinha militância.
Deve dizer-se que, apesar de ter caído como uma bomba em Alvalade estas declarações, o certo é que a palavra pegou de estaca. E no Sporting há mais gente a pensar como Soares Franco.
Recentemente, Paulo Bento, o treinador, veio a público dizer que gostava que a equipa do Sporting tivesse o apoio que tem a equipa do Benfica. Mais uma vez, para Paulo Bento, o Sporting não tem militância, o Benfica sim.
As ondas de choque não se fizeram esperar e, nos últimos jogos, é vulgar verem-se faixas negras entre os adeptos do Sporting com frases tipo: “Se os líderes dizem que o Benfica é maior que o Sporting, o que hão-de dizer os empregados?”.
De uma coisa não podem acusar Soares Franco e Paulo Bento: de demagogia. Não me cabe a mim verificar da pouca ou nenhuma militância do Sporting, se são os próprios presidente e treinador a confirmá-la, tenho isso como dado adquirido.
Mas a militância não é algo que apareça por geração espontânea. Como a mística, é preciso cultivá-la, alimentá-la, protegê-la.
Fez história a “mística benfiquista”. Baseada em vitórias, claro, mas também em jogadores formados na Luz e onde se mantinham anos e anos. A mística foi-se perdendo, por vários aspectos, mas tem vindo paulatinamente a ser recuperada.
A militância está viva e bem viva. Ontem, o estádio da Naval registou a maior assistência de sempre para jogos do campeonato. Eis a militância em todo o seu esplendor.
No último jogo na Luz, contra o Leixões, e com a equipa a jogar com 10 e os de Matosinhos em crescendo, os milhares de benfiquista a puxar incansavelmente pela equipa foram decisivos para a vitória final. Eis a militância ao vivo e a cores.
Como disse, esta militância não nasceu de geração espontânea. Tem um principal responsável: Luís Filipe Vieira.
O Presidente do Benfica, paralelamente à recuperação financeira e credibilização da imagem do clube que encetou, não esqueceu a alma do Benfica: os seus milhares de sócios e milhões de adeptos. À razão somou a emoção. Ao rigor juntou a mística. A seriedade de princípios e valores foi misturada com uma euforia controlada.
Luís Filipe Vieira fez a simbiose entre o gestor e o sócio do terceiro anel; entre o líder e o mais humilde dos benfiquistas; entre o porta-voz da verdade desportiva em todo o futebol português e o defensor intransigente dos interesses do Sport Lisboa e Benfica.
Os números não mentem. Aliás, os números nunca mentem. Luís Filipe Vieira é um homem de números e, por isso, eles aqui vão: em 2003, primeiro ano como Presidente do Benfica, o clube tinha 90 mil sócios; hoje somos mais de 175 mil.
Nestes 5 anos, aquele que apelidei de “Presidente do Povo” já inaugurou 55 Casas do Benfica espalhadas pelo País e pelo Mundo. Aliás, o contacto com os benfiquistas em Portugal e no estrangeiro tem sido uma das bandeiras da actuação de Vieira enquanto líder do Benfica.
Também o estádio da Luz tem sido uma catedral de militância, com uma média de espectadores por jogo, entre 2003 e 2009, de cerca de 40 mil, o que faria saltar de felicidade qualquer clube cá dentro ou lá fora.
Se isto não é militância…



Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 22/02/09 | comentar | 34 comentários

José Mourinho é conhecido pelos seus “mind games”, os jogos psicológicos que costuma utilizar antes das partidas para perturbar o adversário. O treinador do Inter de Milão, considerado o melhor do Mundo, pese a subjectividade desta eleição, introduziu na fleumática Inglaterra, quando ao serviço do Chelsea, um factor extra-jogo que deixou os britânicos estupefactos. “Special One” lhe chamaram, não tanto pelo domínio da táctica, nem pela forte personalidade de líder, nem sequer pelo currículo, mas sim pelo domínio completo do “jogo das palavras”.

 

O discurso de Mourinho, nas célebres conferências de Imprensa antes dos jogos, era tão ao mais temível que a equipa de estrelas do Chelsea. Com esse discurso, o treinador português matava dois coelhos de uma cajadada: elevava os índices de motivação dos seus jogadores a níveis impensáveis e lançava para o outro lado efeitos de perturbação que não raras vezes colocava o adversário em evidentes dificuldades.

 

Nunca se saberá, mas estou certo que Mourinho ganhou muitos jogos mesmo antes deles se iniciarem. Este exemplo é paradigmático do papel decisivo que hoje tem no futebol de altíssima competição as mensagens emitidas pelo treinador antes e depois dos jogos.

Na atónita Inglaterra, Mourinho foi talvez o pioneiro da pressão sobre os árbitros, chegando mesmo a apontar-lhes o dedo acusador depois de ter sido, na sua opinião, prejudicado – o que lhe valeu alguns castigos muito mediatizados. A Premiership nunca tinha visto nada assim.

 

Quique Flores vem de um futebol mais evoluído do que o português. O treinador do Benfica colhe muitas simpatias junto dos sectores mais insuspeitos, nomeadamente de sportinguistas e portistas.

Não vem mal ao mundo que tal aconteça. Quique tem um discurso moderno, transparente, honesto e civilizado. É simpático e correcto para com todos os agentes do futebol. É bom que assim seja. “Mind games” não são com ele.

 

Admiro Quique. Orgulho-me de ter um treinador que se rege por filosofias bem diferentes das dos seus rivais em Portugal. No entanto, há algo que me perturba. Quique é lesto e não tem papas na língua para criticar os jogadores quando acha que eles merecem. Foi assim com Balboa, foi assim com Reyes, foi assim com Cardozo.

Já quando a sua equipa é claramente prejudicada pelas arbitragens, Quique ou diz que estava a olhar para o lado, ou diz que não fala das arbitragens ou diz que os árbitros têm de ser ajudados.

 

O problema é que já não é a primeira, nem a segunda vez, que as palavras de Quique têm de ser rectificadas por Rui Costa. Foi assim com Nuno Gomes (não defendendo o jogador quando o capitão do Benfica foi acusado de atitude imprópria no final do Benfica – Nacional, algo que ninguém viu), foi assim com Pedro Henriques (recusando apontar o dedo ao árbitro quando este teve uma decisão prejudicial ao anular golo limpo do Benfica no final do jogo), foi assim quando disse que o segundo lugar também era importante (quando sabe, ou devia saber, que importante para o Benfica é ser campeão).

 

Há 7 meses em Portugal, Quique Flores teve tempo suficiente para perceber que as regras aqui não são as mesmas de Espanha. Se o treinador do Sporting critica os árbitros desde a primeira jornada, com os benefícios que se veêm; se o treinador do FC Porto até se dá ao luxo de comentar as arbitragens de jogos do Benfica, com os resultados que se conhecem, isto era motivo bastante para que o treinador espanhol reflectisse. E muito.

 

A fragilidade dos órgãos do futebol português e a falta de personalidade dos seus responsáveis é altamente sensível aos “mind games”. Jesualdo sabe isso desde sempre; e Paulo Bento conhece bem a técnica, ele que é um produto desta “escola”.

Nas últimas jornadas, esta falta de pressão legítima do Benfica tem-nos custado pontos valiosos. Foi assim no Restelo, foi assim no Dragão, foi assim, sábado, em Alvalade (ai o penálti sobre Aimar, aos 9 minutos, se tem sido assinalado, como tudo podia ter sido diferente…).

 

Ninguém pede a Quique para esconder deficiências da equipa com as críticas aos árbitros. Mas, que diabo!, ignorar, em nome de uma postura civilizada (seja lá o que isso quer dizer), as constantes malfeitorias que os árbitros têm feito ao Benfica, é deixar à solta e impune quem assim se sente confortável para continuar com esta vergonhosa campanha.

Utilizar uma linguagem supostamente civilizada num mundo onde esse conceito é quase desconhecido, é querer ser pomba em terra de falcões. Para além de que Quique tem de defender o Benfica, não a sua imagem.

 

A indignação é um direito, como bem disse um ex-presidente da República. Calar é consentir, sem nenhuma vantagem, nem nenhuma glória. Quique pode ser um homem ordeiro, cordato, bom rapaz, mas não são esses os atributos que o farão campeão. Nem nunca alguém se lembrará dele por esses atributos, se não for campeão.

Imitar Mourinho não é menosprezo para ninguém, antes pelo contrário. E “gajo porreiro” não é seguramente característica do actual treinador do Inter de Milão, nem epíteto que fará de alguém campeão.

 

Post-Scriptum: Questões de ordem profissional impediram-me de responder aos comentários que muitos benfiquistas fizeram ao meu último post: “O BENFICA GLOBAL”. Aproveito agora para agradecer ao Fernando Lopes, ao LF, ao Pedro5, ao José Almeida, ao Forteifeio, ao Mafarrico, ao Viriato de Viseu, ao Vítor Pereira, ao Daniel, ao António, ao O Glorioso, ao Jorge Ventura, ao Alexandre, ao Dylan, ao Luís Miguel, ao LC, ao Miguel, ao Dom Duarte Benfiquista, a todos o meu muito obrigado pelas palavras e pelo apoio.

 

A todos, um abraço do tamanho do universo benfiquista.

 

Pedro Fonseca

 

 




Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 16/02/09 | comentar | 23 comentários

Podia chamar-lhe o Benfica Ecléctico, mas prefiro chamar-lhe o Benfica Global. Vou hoje abordar a questão das modalidades, centrando-me naquelas 5 que são consideradas as modalidades de alta competição: Basquetebol, o Andebol, o Hóquei Patins, o Voleibol e o Futsal. Mas podia falar de muitas outras, como, por exemplo, o paintball (é verdade... o paintball).

Ao longo da minha vivência benfiquista, tive várias referências, nomeadamente no futebol: Humberto, Chalana, Diamantino, Vítor Martins, Néné, Bento – seria estultícia da minha parte elencar todos os nomes que envergaram a camisola vermelha e que eu aprendi a glorificar.
Ao lado destes, não posso esquecer os nomes de Carlos Lisboa, Jean Jacques, Livramento, Ramalhete, Ricardinho, e os grandes do nosso atletismo, como António Leitão, José Carvalho, Anacleto Pinto ou agora os nossos Nélson Évora e Vanessa Fernandes.
Porque falo disto? Porque ao lado do eclipse das vitórias no futebol, na década de 90, também se verificou a mesma realidade nas modalidades. E se no futebol já se começam a ver fortes lampejos de luz, nas modalidades o sol também começou a raiar com intensidade.
Num caso como noutro, é só a partir da ascensão à liderança do Sport Lisboa e Benfica de Luís Filipe Vieira que se faz o regresso às vitórias. No futebol, a memória não nos trai – depois de 11 anos sem títulos, vencemos em 2003/04 a Taça de Portugal e em 2004/2005 o Campeonato e a Supertaça – todos sob a liderança de Vieira.
Nas modalidades, talvez que a memória esteja menos fresca. Por isso, aqui vai: no andebol, após 18 anos sem vencer o campeonato, regressamos ao título em 2007/08, e vencemos 2 taças da liga (2006/07 e 2008/09); a taça de Portugal não é ganha desde 1986/7 e a supertaça desde 1993/4.
Hoje, o andebol luta ombro a ombro por nova vitória no campeonato, e a recente vitória na taça da liga faz crer que o título máximo não irá fugir.
No basquetebol, os últimos títulos datam da década de 90, e não somos campeões desde 1994/5. Ainda revemos com um enorme prazer nostálgico as soberbas exibições daquele “cinco” mágico: Lisboa, Guimarães, Jean Jacques, Henrique Vieira e Mike Plowden. Gigantes que derrotaram os maiores da Europa, como o Real Madrid.
Hoje, comandados por essa glória que dá pelo nome de Henrique Vieira, vamos com 21 vitórias consecutivas e, tudo o indica, a caminho de vencer, de novo, o campeonato.
No hóquei, já vai longe o tempo das glórias do rinque, Livramento, Ramalhete ou Jorge Vicente. O campeonato não é ganho desde 1997/8, a taça de Portugal desde 2001/02 e a supertaça desde 2001/02. Este ano, com uma equipa jovem, estamos a poucos pontos do 1º lugar e face aos últimos resultados (nomeadamente a goleada infringida a FC Porto na Luz) com todas as condições para lutar pelo título no “play off”.
No voleibol, fomos campeões em 2004/05, quando não o éramos desde 1990/1, e ganhamos 3 taças de Portugal, em 2004/05, 2005/06 e 2006/07, o que não acontecia desde 1990/1. Este ano, as coisas não têm corrido na perfeição, mas a experiência de outra glória, que comanda a equipa há alguns anos, José Jardim, inspira todos os sonhos, até porque já vamos numa série de vitórias consecutivas.
Por fim, a nova modalidade, coqueluche das tv´s e dos pavilhões, o futsal. Pois aqui, o Benfica é rei e senhor, tendo sido 4 vezes campeão, 3 vezes vencedor da Taça e outras 3 da supertaça desde 2002/03. Neste período ainda foi finalista da UEFA Cup e da Taça das Taças. E temos um dos melhores jogadores do mundo, Ricardinho, muito assediado extra-muros mas que acabou por renovar com o Benfica.
E podíamos ainda falar das vitórias olímpicas de Nelson Évora e de Vanessa Fernandes, cujo ouro conquistado em Pequim, em Agosto passado, tornou o Benfica o clube português mais medalhado em Jogos Olímpicos.
Ainda recentemente, uma das nossas jóias da coroa, a Vanessa, assinou com o Benfica um contrato por mais 5 anos, num acto de gestão desportiva que merece todos os aplausos. Mas há mais. Falemos de infraestruturas…
Dois magníficos pavilhões, no complexo desportivo da Luz, são o sinal de que não é por falta de condições que os títulos vão falhar. Os nossos mais directos adversários ou não possuem qualquer equipamento, andando de casa às costas (Sporting) ou só agora estão a concluir um minimalista pavilhão, que não chegará para as encomendas (FC Porto).
Mas há mais. Enquanto o Benfica tem estas 5 modalidades de alta competição, o Sporting apenas possui 2 (futsal e andebol) e o FC Porto 3 (andebol, basquetebol e hóquei). Parece que já estou a ouvir: está tudo muito bem, mas o futebol?
Podem as vitórias nas modalidades substituir as do futebol? Não podem, claro. Nem o seu contrário é verdadeiro. Mas quando lemos Henrique Vieira, em recente entrevista a “A Bola”, dizer qualquer coisa como isto: “Todos os meses temos reuniões com o Presidente”. Sabemos que o Benfica Global não é hoje uma expressão nem um conceito sem sentido.
É uma ideia, um ideal, um espírito. Que já sofreu muitos tratos de polé (ai se Cosme Damião soubesse!), mas que tem vindo a reforçar-se, a fortalecer-se, numa lógica que passa por pensar uma instituição como um todo, no futebol e nas modalidades, e mesmo muito para além das paredes do estádio, dos pavilhões e das piscinas. E muito, mas mesmo muito, para além das próprias fronteiras pátrias. É este o Benfica Global que amamos.

Post-Scriptum: Nas últimas semanas, Luís Filipe Vieira celebrou um acordo de grande envergadura com a Sagres (Centralcer), cujo valor é invulgar para o mercado português. A Sagres vai passar a patrocinar todas as modalidades do Sport Lisboa e Benfica. Mais um acto de gestão de relevante significado para o engrandecimento do Benfica Global.


sinto-me: Renascido
música: Ser Benfiquista


Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 02/02/09 | comentar | 43 comentários

Há semanas atrás escrevi neste mesmo espaço que “o Benfica é mais do que um clube de futebol”. A tese foi entendida por muitos como uma justificação para os anos amargos que vivemos em termos de desempenho desportivo. Nem mesmo depois de ter sublinhado que o Benfica existe para vencer, nasceu para as vitórias e ser campeão é o seu destino histórico, fez afastar essa “acusação” – eu, diziam, estava a tentar branquear anos de fracos resultados da equipa de futebol.

 

Na semana passada, o Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, lançou as fundações da Fundação Benfica. A ideia já lhe germinava na cabeça desde 2003, mas tarefas mais imediatas e urgentes como a recuperação financeira do clube, a construção do novo estádio, a reabilitação do “tecido” futebolístico que permitiu a conquista de um campeonato, uma taça de Portugal e de uma Supertaça, adiaram a sua concretização.
Não deixa de ser significativo que seja agora, em plena crise económico-financeira internacional, que este projecto de apoio social aos mais desfavorecidos é lançado. E é isso que é a Fundação Benfica, uma instituição que se propõe ajudar os mais pobres, desvalidos e marginalizados da sociedade.
Quando o futebol português se encontra mergulhado em guerras palacianas, troca de acusações espúrias, mentiras, falsidades e hipocrisias, do Benfica vem uma saudável e positiva mensagem de esperança num futuro melhor. Do Benfica vem uma lufada de ar fresco no poluído ambiente do futebol nacional.
Para o Presidente do Benfica, o clube-instituição não se esgota, nem se pode esgotar, naquilo que se passa dentro das quatro linhas – sendo que hoje, dentro e fora das quatro linhas se passam coisas que nada têm a ver com o jogo que todos amamos.
Vieira pensou e pensa um clube-instituição para além e acima do relvado ou dos pavilhões. Estou-lhe grato por isso. Os benfiquistas, estou certo, estão-lhe gratos por isso. A Fundação Benfica é mais um projecto em que o Benfica é pioneiro em Portugal. Como o foi a Benfica TV. Como o será o Museu do Benfica.
Todos estes projectos, que elevam o Benfica a um estatuto ímpar entre os maiores clubes do Mundo, têm o contributo e a dedicação de milhões de benfiquistas anónimos. Mas como tudo na vida, têm um rosto e uma liderança – Luís Filipe Vieira.
A Fundação Benfica, e até nisso é exemplar, não se fecha no universo dos sócios, adeptos e simpatizantes do Benfica, abre-se a todas as pessoas, a todos os portugueses, independentemente da sua cor clubística. Orgulhamo-nos desta nossa universalidade e deste nosso “ecumenismo”.
Com esta Fundação, o Benfica substitui-se ao Estado, assumindo um papel determinante no combate à pobreza, à exclusão, às desigualdades sociais. É muito mais que um mero gesto solidário, são muito mais que meras palavras de ocasião, mesmo que grandiloquentes. A Fundação Benfica ficará como um marco histórico na gloriosa História centenária do maior clube do Mundo.
E as crianças, como disse Luís Filipe Vieira, são a prioridade do trabalho da fundação. Ainda há dias, a RTP, em directo de Maputo, durante o programa Trio de Ataque, mostrava crianças moçambicanas vestidas com a camisola de Eusébio, jogando à bola descalças nos baldios do bairro de Mafalala. Pediram mais bolas e equipamentos. Também aqui pode chegar o braço solidário da Fundação Benfica.
Luís Filipe Vieira sabe bem o que é não ter nascido em berço de ouro. Não renega as origens. A vida ensinou-lhe que só a solidariedade pode construir sociedades mais justas, harmoniosas e desenvolvidas.
A fundação que agora nasce será também uma “ponte” que o Benfica estende aos países africanos de língua oficial portuguesa, onde principalmente às crianças ainda falta quase tudo. Não foi por acaso que o Presidente do Benfica esteve recentemente em Cabo Verde, em Angola e em Moçambique – três países impregnados de benfiquismo. Com a Fundação Benfica, esta paixão será alargada e reforçada.
Apelidei-o, também aqui, de “Presidente do Povo”. Pela presença dedicada e permanente junto do povo benfiquista, essa imensa maioria que, como ele, não nasceu em berço de ouro. Como Cosme Damião, que fundou e idealizou o Sport Lisboa e Benfica, como Joaquim Bogalho, que foi o “Presidente do Estádio” e lançou as raízes da “Mística” benfiquista, como Maurício Vieira de Brito, que liderou a epopeia da conquista da Europa, como Duarte Borges Coutinho, o supremo e inigualável “gentleman” do futebol – Luís Filipe Vieira arrisca-se a ficar nesta galeria dourada como o Presidente que resgatou o clube dos escombros financeiros e aquele que lhe deu a dimensão social e solidária, inscrita na sua matriz genética.

sinto-me: Solidário
música: Let it be


Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Pedro Fonseca em 26/01/09 | comentar | 61 comentários

Os já poucos vestígios de credibilidade do futebol português ficaram estilhaçados nos últimos dias. Depois da indignação concertada e hipócrita a propósito da arbitragem do Benfica – Braga, cujos erros se limitaram a um fora-de-jogo milimétrico no golo de David Luiz e a um eventual penálti de Luisão, eis que o que pretendiam com aquela feira de dislates foi conseguido em todo o seu esplendor.

 

São muitos anos de conivências, cumplicidades, cunhas, subornos, lealdades antigas, para que tudo rua como um castelo de cartas, por mais apitos dourados e finais que venham a lume. O país é o que é, e ponto final.
O mais dramático é perceber que as tentativas de credibilização da indústria do futebol sofreram um forte abalo na semana que passou, e dos escombros ainda não se sabe o que vai nascer. Convém, por isso, fazer uma retrospectiva rápida dos acontecimentos, após o que propomos algumas medidas para retirar o futebol desta chafurdice.
No final do Benfica – Braga, o treinador bracarense, Jorge Jesus, e o presidente do clube, António Salvador, (para além de alguns jogadores arsenalistas), atacaram a arbitragem de Paulo Batista em termos de uma violência que julgava já caída em desuso.
Mais a Norte, no estádio do Dragão, Jesualdo não escondia a azia pelo empate frente ao Trofense. E qual foi a desculpa que arranjou para desviar as atenções? “Passaram-se coisas estranhas num campo onde jogou outro candidato ao título”, disse. Bonito.
No dia seguinte, saltou para a ribalta esse “dinossauro” do poder local, Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga e, pasme-se, da Mesa da AG da Federação. Pediu a intervenção da Procuradoria e lançou diversas suspeições sem concretizar. O futebol português no seu melhor.
O “sistema” movimentava-se. A jornada que aí vinha podia ser decisiva e não convinha deixar nada ao acaso. Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem ajudou à missa com declarações anedóticas e infelizes. O caldo estava preparado.
Incapaz de aguentar a pressão, Vítor Pereira fez o que tinha sido meticulosamente preparado. O “sistema” não dorme. Para o Restelo, avançou Elmano Santos, 21º classificado na época passada. O árbitro madeirense não deixou os seus créditos por mãos alheias – 3 grandes penalidades por marcar contra o Belenenses (2 sobre Suazo, 1 sobre Yebda) e uma expulsão perdoada a jogador azul por entrada de pitões na perna de Di Maria.
Para Braga, Paulo Costa velho conhecido dos “papas”, cuja arbitragem vai figurar no top das mais vergonhosas que já ocorreram em Portugal. Mas, para o Sporting de Braga, tudo pareceu normal.
Face a 3 penáltis contra o FC Porto por assinalar, 1º golo portista em fora-de-jogo, e agressão de Hulk a jogador bracarense sem punição disciplinar, Jorge Jesus, talvez com medo de não dar o salto ambicionado, aos costumes disse nada. Onde estava o indignado treinador que na Luz disse que “nunca tinha visto nada igual em 20 anos”? E Mesquita Machado, cujas palavras timoratas revelam compromissos antigos? Faça-se justiça, porém, a António Salvador, presidente do SC Braga, que quase repetiu “ipsis verbis” o que tinha dito na Luz, embora contra o FC Porto a gravidade do prejuízo tenha sido muito maior.
O que fazer? O futebol português só pode ser salvo se o Governo (neste caso, o Estado) intervir, e rapidamente. A intervenção governamental deve centrar-se na nomeação dos presidentes da Federação, Liga e Comissão de Arbitragem destes dois organismos.
Admito que esta medida seja transitória e que a sua regulamentação possa remeter para sede parlamentar a escolha dos titulares destes órgãos, para o que bastaria maioria simples. Teríamos, assim, o presidente da Federação a ser escolhido pelo Governo e o presidente da Liga a ser escolhido em sede parlamentar. Os responsáveis da arbitragem seriam escolhidos pelo Governo.
Se o órgão executivo e o órgão legislativo intervêm na escolha de titulares de organismos públicos como a Presidência do Conselho Superior de Magistratura ou da Procuradoria-Geral da República, porque razão não o podiam fazer no mundo do futebol?
Acresce que tal resultaria numa dignificação do cargo e Governo e/ou Parlamento podiam a todo o momento proceder a substituições (como de um qualquer ministro) – de 4 em 4 anos, como é vulgar em democracia, essas escolhas seriam avaliadas.
Rompia-se assim esta tenebrosa rede de influências, de compadrios e de favores. O presidente da Federação deixava de estar preocupado em agradar às associações, de cujo voto depende a sua eleição, - elas próprias geridas com base em troca de lealdades e outros “arranjos” (lembram-se do célebre “chito” de Adriano Pinto, à época presidente da AF Porto?). E o presidente da Liga (ressalve-se a boa vontade e o esforço do actual, Hermínio Loureiro) deixava de depender dos equilíbrios de poder entre os clubes. Um futebol mais são, mais transparente e mais credível tem de passar por esta mutação interna. Tem a palavra o Governo.

sinto-me: indignado
música: Desolation Row


Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Preparem-se os benfiquistas para a “guerra” que aí vem. Este ano, bem podemos dizê-lo, seremos campeões contra tudo e contra todos. O que se passou ontem à noite, após os jogos Benfica – 1; Braga – 0 e FC Porto – 0; Trofense – 0, devia entrar para o compêndio das estratégias manhosas do futebol português.

 

O problema é que é tudo tão claro e tão límpido que dá para rir. Atiram-se agora os bracarenses, o treinador Jorge Jesus e o presidente António Salvador, ao árbitro do encontro. Porque será que julgo que estes respeitáveis senhores estão a falar por interposta pessoa e a defender causas alheias?
 
Será porque Jorge Jesus é tido como o próximo treinador do FC Porto? Será porque o Sporting de Braga se transformou em clube-satélite (apetecia-me dizer “clube idiota útil”, mas os arsenalistas são gente de bem e um dos maiores clubes portugueses para se verem assim tão subservientes), dos azuis-e-brancos?
 
Quem quiser que responda. Mas não deixa de ser engraçado que noutros locais e com outros protagonistas o silêncio dos que se consideram agora espoliados foi a nota dominante. Não vi nem ouvi Jesualdo Ferreira falar do golo anulado por Pedro Henriques ao Benfica, contra o Nacional: “Meus senhores, quero expressar a minha indignação pelo que se passou noutro estádio onde jogou um nosso adversário directo. Não me conformo com o facto de nos quererem levar ao colo”, podia ter dito Jesualdo.
Ontem, o treinador do Porto, numa apreciação a um outro jogo que, se não é inédita, anda lá perto, falou em critérios diferentes. O treinador do Porto tem uma memória e uma visão selectiva. E, pelos vistos, também critérios diferentes – aquilo que acusa a outros. Falou de penáltis e de autocarros, mas também podia ter falado das agressões (mais do mesmo) de Bruno Alves a Mércio e a Reguila, que obrigou este a jogar com a cabeça ligada. Para quem afirmou que nunca se pronunciava sobre árbitros, não está mal, não senhor…
Preparem-se pois, benfiquistas. Agora já não temos só que ouvir as aleivosias de quem joga contra nós – também mais a Norte os nossos jogos serão monitorizados. Querem saber o que acho? É o desespero deles a falar mais alto.
O que não podemos é ficar intimidados. E, portanto, a cartilha que deve imperar na Luz é simples: nenhum ataque deve ficar sem resposta. Quem cala consente; quem aceita pacificamente atoardas de quem não tem autoridade moral para as proferir, acaba por assumir culpas.
Como benfiquista não aceito lições de moral de quem tem um historial rico em benefícios de arbitragem que corresponderam a muitos campeonatos, muitas vitórias. Um historial de fraude desportiva que já foi provado e assumido pelos seus responsáveis.
Estamos em Primeiro. Podíamos estar bem mais distanciados. Quem se não lembra do penálti por marcar sobre Aimar, em Vila do Conde, contra o Rio Ave, em jogo que empatamos? E a mão dentro da área de um jogador do Leixões, no Estádio do Mar, em jogo que também empatamos? E o golo mal anulado (e expulsão perdoada a jogador do Setúbal) contra o Setúbal na Luz, que também empatamos? E o célebre golo contra o Nacional, que só Pedro Henriques achou que não foi, e que nos impediu de ganhar?
O alegre coro dos “inocentes” faz-me lembrar aquelas histórias de miúdos. Um deles, mais manhoso e mais sabichão nestas coisas das jogadas rasteiras, atira a pedra, parte o vidro, esconde a mão e diz, em alta voz: “Não fui eu, foi aquele menino”. O futebol português, coitado, está cheio de telhados de vidro, partidos e sempre pelos mesmos. Ai agora não gostam!!?? Como dizia um conhecido responsável político: Habituem-se!

sinto-me: FELIZ
música: Hino da alegria


Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Pedro Fonseca em 05/01/09 | comentar | 80 comentários

Eu, benfiquista primário, me confesso: estou envergonhado! O que vi, ontem à noite, na Trofa foi mais que uma derrota. É difícil explicar, mas Rui Costa e Quique resolveram-me o problema: falta de carácter.

Apesar dos dois responsáveis máximos pelo futebol terem dado a cara (bom sinal) no final da partida e terem assumido as responsabilidade (outro bom sinal), deduzi que a acusação de falta de carácter referida se destinava aos jogadores.
De entre os vários significados que o Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora (8ª edição) dá à palavra carácter, retiro os seguintes: génio, energia, firmeza, força de ânimo. Ora bem, Rui Costa e Quique têm razão – faltou carácter.
O que me pergunto, e coloco à reflexão dos leitores, é que Benfica vamos ter daqui para a frente? Esta não é uma questão meramente retórica. A bem do Benfica, clube e equipa de futebol, esta época tem de ser dividida num a.t. (antes da Trofa) e num d.t. (depois da Trofa).
Digamos que o jogo de ontem foi um “buraco negro”, como se diz na astrologia. Para retomarmos o trilho anterior de vitórias, que sempre foi o “sinal distintivo” (outro significado de carácter) do Benfica, é preciso duas coisas: mão dura e cabeça fria. É isso que peço a Rui Costa e a Quique Flores – mão dura e cabeça fria.
Sobra a questão do carácter. Isso é algo que se tem ou não se tem. Não se compra, não se aluga, não se injecta. Quem lida diariamente com os jogadores do Benfica saberá bem porque falou em falta de carácter ontem à noite.
Eu poderia colocar-me aqui a fazer perguntas de algibeira: porquê isto? porquê aquilo? (porque foi o Benfica o último dos “grandes” a regressar ao trabalho? – por exemplo). Mas prefiro continuar a falar de carácter – ou da sua falta.
Ora, se bem se recordam, carácter quer dizer, entre outras coisas, energia e força de ânimo. Mais de duas horas antes do jogo, resolvi percorrer as ruas da Trofa, próximas do estádio. Vi os passeios pejados de milhares de pessoas, com cachecóis, bandeiras, camisolas, à espera do autocarro que transportava os jogadores do Benfica. Gente de perto e de longe. Homens, mulheres e crianças. Gente, na sua esmagadora maioria, humilde. Gente com energia e força de ânimo. Gente de carácter. Gente à Benfica.
Os jogadores do Benfica viram bem as caras, as mãos, de toda essa gente que os recebeu em delírio, em euforia, em deslumbramento. Pessoas que fizeram centenas e centenas de quilómetros. Pessoas que pagaram um preço elevado de bilhete para ver o Benfica.
Será que os jogadores do Benfica não têm sentimentos? Será que lhes é completamente indiferente esse ambiente de loucura à sua volta?
Fazer feliz toda essa mole humana fantástica custa tão pouco. Custa apenas ter um pingo de vergonha e de personalidade. E ter sentimentos por quem de quase tudo se despoja para os ir ver jogar. “Sentir o Benfica” é outro dos significados da palavra carácter.
Post-Scriptum: Bastava que os jogadores do Benfica bebessem um pouco da energia e força de ânimo dos seus adeptos para tudo ser diferente. Quero homenagear todos os adeptos do Benfica que ontem estiveram na Trofa na pessoa de um amigo especial e ilustre benfiquista chamado António Souza-Cardoso, a quem não falta carácter, nem energia, nem força de ânimo. 

sinto-me: Envergonhado
música: Help!


Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Pedro Fonseca em 29/12/08 | comentar | 29 comentários

Este é o meu último post de 2008. Nestas alturas, a tradição obriga a que façamos um balanço do ano. Para mim, a tradição ainda é o que era. Por isso, elegi os momentos que marcaram, na minha opinião, 2008.

Mas primeiro, quero eleger o homem do ano – Nélson Évora, português e benfiquista, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Quem senão um atleta benfiquista poderia dar a Portugal a maior alegria e o maior feito desportivo de 2008?
Vamos agora aos momentos mais marcantes. Sendo a ordem arbitrária, começo por um que teve o paradoxo de ser simultaneamente triste e feliz para os benfiquistas: a despedida de Rui Costa dos relvados.
O “maestro” disse adeus a uma carreira fantástica, não com os êxitos desportivos que desejaria, mas envergando a camisola que sempre amou e dignificou. Quando regressou ao Benfica vindo de Milão, pela mão de Luís Filipe Vieira, Rui Costa trazia dois objectivos na cabeça: ser campeão com a camisola do Benfica e acabar assim a carreira de jogador.
As lesões impediram que isso acontecesse, condicionando o desempenho desportivo de uma equipa que estava dependente da sua presença em campo. Acabou a última época já em sofrimento físico e psicológico. Disse adeus aos relvados em noite de emoções na Luz, numa das mais belas despedidas que o futebol já viu. Perdeu o Benfica um génio da bola, ganhou um excepcional director desportivo.
2008 foi um ano mau para o futebol profissional do Benfica. O 4º lugar na Liga foi resultado de dois factores conjugados: as lesões de Rui Costa, que o impediram de dar o seu contributo por vários jogos, e o abandono do treinador Camacho, com muitas jornadas ainda por disputar. No meio destas imprevisibilidades, era difícil fazer melhor.
Transformado em Apito Final, o processo de investigação à corrupção no futebol português, denominado Apito Dourado, viu o seu epílogo este ano, com a condenação de dois clubes importantes, o Boavista FC e o FC Porto, e respectivos dirigentes máximos.
Não me cabe aqui fazer a abordagem deste processo, nem dos seus soluços jurídicos. Apenas registo que no caso do Boavista, ele conduziu o popular clube do Bessa à descida de escalão e ao previsível desaparecimento; no caso do FC Porto, a situação, a meu ver, é mais grave porque irreversível.
O Apito Final, aparentemente, não produziu sequelas desportivas na colectividade das Antas. Aparentemente. Contudo, os prejuízos na imagem internacional do clube (internamente a imagem nunca foi muito famosa) foram gigantescos e, repito, irreversíveis.
Digo-o com conhecimento de causa. Em Genebra e em Basileia, onde assisti a jogos de Portugal no Euro 2008, quando me identificava junto de adeptos de outras selecções dizendo que era da “região do Porto”, tinha como resposta: “Ah, do clube que compra os árbitros!!!”. Talvez os portistas não tenham ainda essa nítida percepção, mas que essa nódoa é algo que manchará para sempre o clube, mais vitória menos vitória, isso é inequívoco.
Agosto foi mês de Jogos Olímpicos. Lá longe, em Pequim, o nome do Benfica foi gritado e dignificado. Nélson Évora (repito, o Homem do Ano), Vanessa Fernandes e Angel di Maria tornaram o Benfica no clube português mais medalhado em Jogos Olímpicos (não esquecer também a medalha de bronze de António Leitão, em Los Angeles/84).
Algumas semanas antes, o Euro 2008, na Suiça e na Áustria, fez parar Portugal. Uma semi-desilusão, com a eliminação nos quartos-final aos pés da finalista Alemanha. Os benfiquistas presentes no torneio, Nuno Gomes e Petit (Quim, infeliz, veio para casa devido a lesão) cotaram-se como dos melhores.
Outro dos pontos marcantes do ano foi a criação da Benfica TV. O arranque deste projecto, algo negligenciado por alguma imprensa (por motivos óbvios), está muito para lá do mero facto de colocar o Benfica na vanguarda dos clubes portugueses e ao lado dos maiores do mundo.
Contam-se pelos dedos das mãos os clubes de expressão mundial que deram o passo para montar um projecto audiovisual próprio. Mas a Benfica TV vai também ser um instrumento decisivo na “revolução” dos direitos televisivos em Portugal. Liderando as audiências, o Benfica exige as contrapartidas monetárias que a sua dimensão reivindica. Com a Benfica TV, Luís Filipe Vieira passa a deter a “arma” decisiva para a batalha que se avizinha.
2008 não terminou sem que o Benfica ascendesse ao lugar que deve ser sempre o seu: o 1º. Esta posição, que está já a incomodar muita gente (vidé arbitragem de Pedro Henriques no Benfica – Nacional), tem muitos responsáveis, mas deve-se sobretudo a uma estrutura de futebol profissional, blindada, eficaz e solidária (como se viu na resposta ao escândalo da anulação do golo de Cardozo no já referido Benfica – Nacional), pronta para dar resposta positiva a todos os desafios – e vão ser muitos e duros – que 2009 vai trazer. Estamos preparados! Um Bom Ano para todos!
 
PS: O Bruno Carvalho, cujos textos muito aprecio pela sua pertinência e arguta inteligência, deu, num dos seus últimos posts, uma notícia bombástica (os blogues também servem para dar notícias e não só para publicar opiniões), que, não fosse a nossa comunicação social andar distraída, seria manchete em qualquer jornal: José Veiga é benfiquista.
Ao revelar que o ex-presidente da Casa do FC Porto do Luxemburgo e antigo conselheiro predilecto de Pinto da Costa sempre foi, afinal, adepto (sócio?) do Benfica, destrói também um dos maiores mitos do clube azul-e-branco: só ter na sua estrutura portistas “bacteriologicamente” puros. Luís Filipe Vieira está perdoado.

sinto-me: Alegre
música: Happy New Year


Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Pedro Fonseca em 22/12/08 | comentar | 27 comentários

Depois da tempestade vem a bonança. As eliminações da Taça de Portugal e da Taça UEFA, que marcaram a semana, podem culminar hoje à noite, na Luz, contra o Nacional, com uma vitória que nos deixe mais isolados no primeiro lugar da Liga.

 

Mas a semana também ficou marcada pelas intervenções do Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, do Director Desportivo, Rui Costa, e do treinador, Quique Flores. As palavras de ordem foram bem audíveis, interna e externamente: empenho, trabalho, ambição.
Não houve puxões de orelhas, nem processos disciplinares, nem jogadores castigados, mas sim um alerta geral, dirigido de cima para baixo, e que foi assimilado por todos. O investimento feito na equipa de futebol profissional obriga a uma total concentração de esforços na conquista da Liga – principal objectivo da época.
Luís Filipe Vieira apelou a uma “cultura da exigência”; Rui Costa tranquilizou todos e disse que em Janeiro não haveria nenhuma “revolução” e Quique Flores garantiu que o que se viu contra o Metalist “não voltaria a suceder”.
O que resulta destas declarações é que o Benfica está unido e imbuído do mesmo espírito: vencer a Liga. O clube está blindado contra todos os ataques destabilizadores que os nossos adversários queriam encetar.
É de notar que apesar de uma semana negativo em termos de resultados desportivos, não se assistiu a nenhuma turbulência interna, os arautos da desgraçada ficaram no seu canto, ignorados e desprezados, a estabilidade não foi abalada.
Os principais rostos do clube: Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Quique Flores, deram a cara perante os sócios e os adeptos, quando era fácil e mais cómodo esconderem-se, como outros fazem noutros lados.
Assumiram as responsabilidades e exigiram que rapidamente foi ultrapassada esta fase menos boa. A resposta terão de dá-la os jogadores hoje à noite na Luz. Mas os sócios e os adeptos também têm de contribuir com o seu apoio e entusiasmo, de princípio a fim.
O clube está bem e recomenda-se. Reyes quer continuar; Suazo quer continuar; Aimar quer continuar. Os três ases de um baralho de luxo não esmoreceram o seu entusiasmo com os fracassos na Taça de Portugal e na Taça UEFA. Porque sabem que o projecto que o Benfica está a construir e a desenvolver visa devolver o clube às grandes vitórias internacionais.
Nada nem ninguém nos desviará deste caminho que trilhamos e que nos levará ao sucesso. As palavras que foram ouvidas da boca de Vieira, de Rui Costa, de Quique Flores são o espelho da realidade do Benfica: unidos, empenhados e atentos.
É isso que os benfiquistas precisam de estar, mais que nunca: unidos, empenhados e atentos. A grande nau vai enfrentar algumas vagas, mais agitadas e perigosas, mas o timoneiro tem o comando bem firme nas mãos e a tripulação sabe que a rota é a mais segura para chegar à Terra Prometida: o Título.

sinto-me: Ansioso
música: Feelings



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