Sábado, 3 de Outubro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 03/10/09 | comentar | 11 comentários

 

 

 

Contra uma equipa desmoralizada e sem qualidade para fazer frente ao melhor Benfica desta época, fizemos uma das exibições mais pobres dos últimos tempos e o AEK aproveitou as facilidades para dar um pontapé na sua crise interna.

 

Pela segunda vez nesta época o Benfica jogou fora para a Liga Europa, perdeu e não mostrou o bom futebol a que nos vem habituando.

 

Não acho que o Benfica merecesse perder, mas também não fez o suficiente para ganhar o jogo, sobretudo na primeira parte, em que cometeu o erro de oferecer a iniciativa ao adversário, que se foi convencendo que podia fazer um bom resultado contra aquele Benfica que estava em campo.

 

Sem grandes mexidas na equipa base de Jesus, menos se compreende esta pálida imagem da equipa que temos visto a jogar esta época.

 

Júlio César teve outra oportunidade mas não ofereceu confiança e poderá ter perdido de vez o lugar para Quim, pelo menos nos tempos mais próximos. César Peixoto, que até tem sido opção frequente de Jesus, era aqui titular por doença de Shaffer e também não foi nada feliz.

 

Para além destes, alinharam os habituais jogadores da equipa base, mas não foram capazes de jogar com o entusiasmo e a qualidade que vêm mostrando; apenas di Maria e Ramires e, a espaços, Javi Garcia e David Luiz, me pareceram manter a atitude que vem caracterizando o Benfica vencedor.

 

No ataque, que vem sendo a imagem do Benfica 2009, estiveram as exibições mais desinspiradas; a falta de chama de Aimar (praticamente passou ao lado do jogo) terá sido a maior razão para a queda exibicional a que assistimos e desta vez não houve Weldon salvador.

 

É verdade que Sebastian Saja, o guarda-redes argentino ao serviço do AEK, fez meia 3 ou 4 defesas que evitaram outros tantos golos do Benfica. Se pelo menos uma destas ocasiões tivesse resultado em golo, poderia ter empolgado a equipa para outra exibição e pelo menos o resultado seria bem mais positivo.

 

O único lado positivo deste jogo terá sido o de não comprometer nenhum objectivo e afastar euforias excessivas. Para os jogadores terá ficado a lição de que têm que entrar em campo sempre com uma enorme determinação e capacidade de entrega ao jogo e que não se pode relaxar por o adversário ser, teoricamente, mais fraco.

 

2ª feira o Benfica joga em Paços de Ferreira sem 3 titulares indiscutíveis: Aimar, di Maria e Maxi Pereira. Será um teste difícil (jogar na Mata Real é-o geralmente), que nos irá permitir ver até que ponto a equipa consegue reagir bem a esta exibição menos conseguida e também se as soluções do banco (aposto em Ruben Amorim, Fábio Coentrão e Carlos Martins) dão a resposta que o Benfica precisa quando os titulares estão indisponíveis.

 

 

P. S. 1 – Pela grande diferença relativamente a alguns erros do passado, saúdo a forma organizada e sistemática como o Benfica tem vindo a rever a situação contratual dos seus principais jogadores.

 

P. S. 2 – A nossa equipa de futsal começou da melhor forma as competições europeias desta época, com duas goleadas (15-1 e 7-1) e o apuramento para a fase seguinte da UEFA futsal Cup. Tal como se previa Joel Queirós está a provar ser um grande reforço e Ricardinho continua a espalhar magia pelos pavilhões.

 


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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 26/09/09 | comentar | 6 comentários

 

 

O Benfica comunicou ontem que foi autorizado pela CMVM a constituir o Fundo “BENFICA STARS FUND - Fundo Especial de Investimento Mobiliário Fechado”, cujo  objecto  principal consistirá  no  direito  a participar em determinada percentagem nas receitas e potenciais mais valias decorrentes da eventual transferência de um conjunto de jogadores, vinculados desportivamente à Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD.

 

Esta parece-me ser uma medida de grande interesse, que mostra o empenho em encontrar formas alternativas de financiamento para a actividade do Benfica que envolvam os seus associados.

 

É evidente que, sem conhecer os pormenores do fundo, não se pode dizer exactamente o interesse que ele pode ter para os potenciais investidores interessados, mas é certo que:

 

§       para os associados é uma forma de aumentar o seu envolvimento com o Clube e o seu interesse nos resultados desportivos do Benfica e, consequentemente, do valor dos seus principais jogadores e do seu investimento.

 

§        para o Benfica é uma forma de aumentar receitas e de dividir os riscos. É evidente que o Clube partilhará uma parcela dos lucros com a venda de jogadores, mas simultaneamente diminui o investimento necessário e dilui o risco inerente.

 

Estou certo que o meu filho, por exemplo, estará ainda mais interessado nos resultados desportivos do Benfica se souber que as suas poupanças estão a crescer na medida do sucesso do Clube.

 

Espero que os resultados de hoje permitam já aumentar a valorização dos jogadores do nosso plantel.

 




Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Há poucos meses atrás, o presidente do Sporting introduziu um novo termo no “léxico” do futebol português – Militância.

 

Numa entrevista, Filipe Soares Franco disse dessasombradamente que faltava militância no Sporting, quando comparado com o Benfica.
Explicava ele que os adeptos e sócios leoninos perdiam em apoio, presença no estádio, dedicação, com os adeptos e sócios do Benfica.
Na sua análise muito racional, Soares Franco via-se a liderar um clube sem alma, sem mística, sem apoio no estádio. As fracas assistências, os assobios sistemáticos foram o pano de fundo para esta denúncia.
Pelo contrário, distante poucos quilómetros, o líder leonino via um clube pujante, onde os adeptos e sócios acorriam em massa ao estádio, apoiavam a equipa. Em suma, no Benfica havia alma e mística. Ou, no léxico muito próprio de Soares Franco, o Benfica tinha militância.
Deve dizer-se que, apesar de ter caído como uma bomba em Alvalade estas declarações, o certo é que a palavra pegou de estaca. E no Sporting há mais gente a pensar como Soares Franco.
Recentemente, Paulo Bento, o treinador, veio a público dizer que gostava que a equipa do Sporting tivesse o apoio que tem a equipa do Benfica. Mais uma vez, para Paulo Bento, o Sporting não tem militância, o Benfica sim.
As ondas de choque não se fizeram esperar e, nos últimos jogos, é vulgar verem-se faixas negras entre os adeptos do Sporting com frases tipo: “Se os líderes dizem que o Benfica é maior que o Sporting, o que hão-de dizer os empregados?”.
De uma coisa não podem acusar Soares Franco e Paulo Bento: de demagogia. Não me cabe a mim verificar da pouca ou nenhuma militância do Sporting, se são os próprios presidente e treinador a confirmá-la, tenho isso como dado adquirido.
Mas a militância não é algo que apareça por geração espontânea. Como a mística, é preciso cultivá-la, alimentá-la, protegê-la.
Fez história a “mística benfiquista”. Baseada em vitórias, claro, mas também em jogadores formados na Luz e onde se mantinham anos e anos. A mística foi-se perdendo, por vários aspectos, mas tem vindo paulatinamente a ser recuperada.
A militância está viva e bem viva. Ontem, o estádio da Naval registou a maior assistência de sempre para jogos do campeonato. Eis a militância em todo o seu esplendor.
No último jogo na Luz, contra o Leixões, e com a equipa a jogar com 10 e os de Matosinhos em crescendo, os milhares de benfiquista a puxar incansavelmente pela equipa foram decisivos para a vitória final. Eis a militância ao vivo e a cores.
Como disse, esta militância não nasceu de geração espontânea. Tem um principal responsável: Luís Filipe Vieira.
O Presidente do Benfica, paralelamente à recuperação financeira e credibilização da imagem do clube que encetou, não esqueceu a alma do Benfica: os seus milhares de sócios e milhões de adeptos. À razão somou a emoção. Ao rigor juntou a mística. A seriedade de princípios e valores foi misturada com uma euforia controlada.
Luís Filipe Vieira fez a simbiose entre o gestor e o sócio do terceiro anel; entre o líder e o mais humilde dos benfiquistas; entre o porta-voz da verdade desportiva em todo o futebol português e o defensor intransigente dos interesses do Sport Lisboa e Benfica.
Os números não mentem. Aliás, os números nunca mentem. Luís Filipe Vieira é um homem de números e, por isso, eles aqui vão: em 2003, primeiro ano como Presidente do Benfica, o clube tinha 90 mil sócios; hoje somos mais de 175 mil.
Nestes 5 anos, aquele que apelidei de “Presidente do Povo” já inaugurou 55 Casas do Benfica espalhadas pelo País e pelo Mundo. Aliás, o contacto com os benfiquistas em Portugal e no estrangeiro tem sido uma das bandeiras da actuação de Vieira enquanto líder do Benfica.
Também o estádio da Luz tem sido uma catedral de militância, com uma média de espectadores por jogo, entre 2003 e 2009, de cerca de 40 mil, o que faria saltar de felicidade qualquer clube cá dentro ou lá fora.
Se isto não é militância…



Terça-feira, 3 de Março de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 03/03/09 | comentar | 36 comentários

 

O mês de Março é um mês decisivo em todos os principais campeonatos desportivos em que o Benfica se encontra empenhado.

 

No futebol, é já no próximo dia 21 que se decide a final da Taça da Liga, contra o Sporting.

 

No que diz respeito à Liga, depois da vitória frente ao Leixões e do empate no Porto-Sporting, o Benfica passou a ver o Porto 2 pontos à frente (que podem valer 3 por ter melhor diferença entre golos marcados e sofridos) e o Sporting 2 pontos atrás (que só não valem por 3 se houver um empate entre os 3 no final da Liga).

 

Em termos dos compromissos restantes, o Benfica joga com as mesmas equipas que o Porto, com a única diferença que o Porto tem que ir a Matosinhos jogar contra o Leixões na próxima jornada e o Benfica recebe o Belenenses na última jornada.

 

Já o Sporting recebe Paços de Ferreira e Rio Ave e vai a Matosinhos jogar contra o Leixões, em vez de jogar contra Trofense, Sp. Braga e Belenenses.

 

As restantes diferenças de calendário devem-se ao facto de receber as equipas em casa ou efectuar algumas deslocações a campos tradicionalmente mais difíceis. Mas esta não parece ser uma diferença muito significativa, numa época em que os 3 têm perdido muitos pontos em casa.  

 

Vai ser um final de Liga muito disputado, em que o apoio indefectível da massa associativa do Benfica vai ser imprescindível para o nosso sucesso. A minha previsão é que vamos sofrer até ao último minuto e só mesmo a 24 de Maio, no final do jogo contra o Belenenses, no Estádio da Luz, faremos a grande festa do título.

 

 

No que diz respeito às restantes modalidades desportivas, entra-se também agora na fase decisiva dos respectivos campeonatos.

 

No andebol o Benfica venceu na difícil deslocação ao Restelo, pelo que terminará a 1ª fase no 2º lugar atrás do Porto.

 

No basquetebol o Benfica prossegue a sua campanha 100% vitoriosa, com uma vitória perante o Atlético por esclarecedores 127-70, pelo que é com naturalidade que esperamos obter o título.

 

No futsal, depois de uma exibição algo preocupante no Freixieiro, o Benfica regressou às vitórias com uma goleada (9-1) perante o Instituto D. João V. Estamos em 3º a 3 pontos da Fundação J. Antunes, quando faltam 6 jornadas para o final da 1ª fase.

 

No hóquei em patins, a derrota por 3-1 perante a Juventude de Viana na última jornada da 1ª fase fez com que passássemos do 2º para o 4º lugar, o que, em termos práticos, significa que nas meias finais dos Play-off’s, em vez de defrontarmos a Oliveirense ou a Juventude de Viana, termos que jogar contra o Porto. Além disso podemos ter perdido Tó Silva para o resto do campeonato por ter fracturado o maxilar.  

 

No voleibol o Benfica venceu, embora na “negra” e de forma muito sofrida, o primeiro encontro do Play-off, perante o Fonte Bastardo e joga a meia-final da Taça contra o V. Guimarães. No entanto, nesta modalidade a equipa do Sp. Espinho é a clara favorita para ambos os títulos.

 

p.s. 1 – Tal como muitos dos nossos frequentadores do blog, também eu saúdo com muito entusiasmo o regresso de Júlio Machado Vaz, sobretudo pela paixão que põe nos seus comentários.

 

p.s. 2 – Não vou comentar os posts dos outros bloggers, já que tal me foi expressamente pedido, mas não posso deixar de considerar extremamente infeliz o título da última crónica do Bruno Carvalho. Um verdadeiro benfiquista não associa, muito menos num escrito público, o adjectivo medíocre ao glorioso.

 

 

 




Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 22/02/09 | comentar | 34 comentários

José Mourinho é conhecido pelos seus “mind games”, os jogos psicológicos que costuma utilizar antes das partidas para perturbar o adversário. O treinador do Inter de Milão, considerado o melhor do Mundo, pese a subjectividade desta eleição, introduziu na fleumática Inglaterra, quando ao serviço do Chelsea, um factor extra-jogo que deixou os britânicos estupefactos. “Special One” lhe chamaram, não tanto pelo domínio da táctica, nem pela forte personalidade de líder, nem sequer pelo currículo, mas sim pelo domínio completo do “jogo das palavras”.

 

O discurso de Mourinho, nas célebres conferências de Imprensa antes dos jogos, era tão ao mais temível que a equipa de estrelas do Chelsea. Com esse discurso, o treinador português matava dois coelhos de uma cajadada: elevava os índices de motivação dos seus jogadores a níveis impensáveis e lançava para o outro lado efeitos de perturbação que não raras vezes colocava o adversário em evidentes dificuldades.

 

Nunca se saberá, mas estou certo que Mourinho ganhou muitos jogos mesmo antes deles se iniciarem. Este exemplo é paradigmático do papel decisivo que hoje tem no futebol de altíssima competição as mensagens emitidas pelo treinador antes e depois dos jogos.

Na atónita Inglaterra, Mourinho foi talvez o pioneiro da pressão sobre os árbitros, chegando mesmo a apontar-lhes o dedo acusador depois de ter sido, na sua opinião, prejudicado – o que lhe valeu alguns castigos muito mediatizados. A Premiership nunca tinha visto nada assim.

 

Quique Flores vem de um futebol mais evoluído do que o português. O treinador do Benfica colhe muitas simpatias junto dos sectores mais insuspeitos, nomeadamente de sportinguistas e portistas.

Não vem mal ao mundo que tal aconteça. Quique tem um discurso moderno, transparente, honesto e civilizado. É simpático e correcto para com todos os agentes do futebol. É bom que assim seja. “Mind games” não são com ele.

 

Admiro Quique. Orgulho-me de ter um treinador que se rege por filosofias bem diferentes das dos seus rivais em Portugal. No entanto, há algo que me perturba. Quique é lesto e não tem papas na língua para criticar os jogadores quando acha que eles merecem. Foi assim com Balboa, foi assim com Reyes, foi assim com Cardozo.

Já quando a sua equipa é claramente prejudicada pelas arbitragens, Quique ou diz que estava a olhar para o lado, ou diz que não fala das arbitragens ou diz que os árbitros têm de ser ajudados.

 

O problema é que já não é a primeira, nem a segunda vez, que as palavras de Quique têm de ser rectificadas por Rui Costa. Foi assim com Nuno Gomes (não defendendo o jogador quando o capitão do Benfica foi acusado de atitude imprópria no final do Benfica – Nacional, algo que ninguém viu), foi assim com Pedro Henriques (recusando apontar o dedo ao árbitro quando este teve uma decisão prejudicial ao anular golo limpo do Benfica no final do jogo), foi assim quando disse que o segundo lugar também era importante (quando sabe, ou devia saber, que importante para o Benfica é ser campeão).

 

Há 7 meses em Portugal, Quique Flores teve tempo suficiente para perceber que as regras aqui não são as mesmas de Espanha. Se o treinador do Sporting critica os árbitros desde a primeira jornada, com os benefícios que se veêm; se o treinador do FC Porto até se dá ao luxo de comentar as arbitragens de jogos do Benfica, com os resultados que se conhecem, isto era motivo bastante para que o treinador espanhol reflectisse. E muito.

 

A fragilidade dos órgãos do futebol português e a falta de personalidade dos seus responsáveis é altamente sensível aos “mind games”. Jesualdo sabe isso desde sempre; e Paulo Bento conhece bem a técnica, ele que é um produto desta “escola”.

Nas últimas jornadas, esta falta de pressão legítima do Benfica tem-nos custado pontos valiosos. Foi assim no Restelo, foi assim no Dragão, foi assim, sábado, em Alvalade (ai o penálti sobre Aimar, aos 9 minutos, se tem sido assinalado, como tudo podia ter sido diferente…).

 

Ninguém pede a Quique para esconder deficiências da equipa com as críticas aos árbitros. Mas, que diabo!, ignorar, em nome de uma postura civilizada (seja lá o que isso quer dizer), as constantes malfeitorias que os árbitros têm feito ao Benfica, é deixar à solta e impune quem assim se sente confortável para continuar com esta vergonhosa campanha.

Utilizar uma linguagem supostamente civilizada num mundo onde esse conceito é quase desconhecido, é querer ser pomba em terra de falcões. Para além de que Quique tem de defender o Benfica, não a sua imagem.

 

A indignação é um direito, como bem disse um ex-presidente da República. Calar é consentir, sem nenhuma vantagem, nem nenhuma glória. Quique pode ser um homem ordeiro, cordato, bom rapaz, mas não são esses os atributos que o farão campeão. Nem nunca alguém se lembrará dele por esses atributos, se não for campeão.

Imitar Mourinho não é menosprezo para ninguém, antes pelo contrário. E “gajo porreiro” não é seguramente característica do actual treinador do Inter de Milão, nem epíteto que fará de alguém campeão.

 

Post-Scriptum: Questões de ordem profissional impediram-me de responder aos comentários que muitos benfiquistas fizeram ao meu último post: “O BENFICA GLOBAL”. Aproveito agora para agradecer ao Fernando Lopes, ao LF, ao Pedro5, ao José Almeida, ao Forteifeio, ao Mafarrico, ao Viriato de Viseu, ao Vítor Pereira, ao Daniel, ao António, ao O Glorioso, ao Jorge Ventura, ao Alexandre, ao Dylan, ao Luís Miguel, ao LC, ao Miguel, ao Dom Duarte Benfiquista, a todos o meu muito obrigado pelas palavras e pelo apoio.

 

A todos, um abraço do tamanho do universo benfiquista.

 

Pedro Fonseca

 

 




Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 17/02/09 | comentar | 37 comentários

  

 

 

No último jogo que fez para a Liga, contra o Paços de Ferreira, o Benfica foi capaz de mostrar o melhor e o pior da equipa.

 

O Benfica entrou bem na primeira parte, criando uma flagrante oportunidade em que Luisão e depois Aimar podiam ter começado a resolver o encontro; depois fez uma exibição muito contida, sem grandes oportunidades mas também sem sobressaltos defensivos.

 

Na segunda parte, depois da substituição de Carlos Martins por Di Maria, o Benfica mudou muito. Passou a dispor de dois extremos para abrir mais o jogo nas laterais e, pela primeira vez, vimos Rúben Amorim a jogar no seu lugar natural.

 

Depois de algumas jogadas de ataque bem delineadas o Benfica chega ao golo por Cardozo, numa fífia monumental do guarda redes do Paços, e a equipa passou a jogar ainda mais distendida, voltando a marcar por Rúben Amorim passados uns minutos.

 

Mas tão distendida ficou a equipa que demonstrou uma passividade defensiva a que já não estamos habituados e permitiu o golo do Paços numa jogada aparentemente inofensiva.

 

A partir daí só deu Benfica até que aos 87 minutos se deu o momento da noite com um golo de levantar o estádio de Di Maria, a justificar finalmente o estatuto que lhe vem sendo atribuído.

 

Quando já se gritavam olés (nunca gostei desta atitude do público, que além de ser de pouco desportiva e mostrar mesmo alguma desconsideração pelo adversário, muitas vezes acaba por perturbar os próprios jogadores) e não se esperava senão a possibilidade de o Benfica ampliar a vantagem, eis que em dois contra-ataques o Paços faz o segundo golo e por muito pouco não faz o empate em cima do apito final.

 

Resultado justíssimo para o jogo, a reflectir a maior atitude atacante do Benfica e a displicência que mostrou na defesa em certos momentos do jogo perante uma equipa adversária que nunca se rendeu mas que claramente não tem argumentos perante o Benfica.

 

Grande destaque para o enorme golo de Di Maria bem como para o grande golo e a grande exibição de Rúben Amorim. Muito bem também esteve Cardozo, bastante mais interventivo do que é habitual, a quebrar um longo jejum de golos. Destaque final para a equipa, pela solidariedade e espírito de entreajuda, como muito bem ressaltou Quique, apesar das inexplicáveis quebras de concentração quando tinha o jogo controlado com dois golos de vantagem.

 

A experiência de jogar com dois extremos puros e Rúben Amorim no meio mostrou claramente que o Benfica sobe de rendimento em termos ofensivos com este esquema, e não terá sido por ela que as desconcentrações defensivas ocorreram, embora Rúben Amorim seja de uma extrema eficiência a “fechar” o seu corredor em termos defensivos, o que já não é o caso de Di Maria.

 

 

Para terminar vou plagiar-me a mim próprio, copiando o que escrevi aqui há 15 dias, apenas alterando o nome do nosso adversário:

 

Espero realmente que o Sporting-Benfica seja um grande jogo, comentado ao longo de toda a semana pela qualidade e beleza do futebol jogado (sobretudo o do Benfica, espero eu!) e não pelos casos de arbitragem. (Infelizmente Paulo Bento já começou a “chorar-se” e o Porto tem interesse na nossa derrota, o que é uma má combinação de elementos para uma arbitragem de qualidade e isenta).

 

A vitória do Benfica irá dar novo alento à nossa equipa e fazê-la arrancar para uma 2ª volta muito mais positiva, a culminar com mais um título de campeão. Para isso é fundamental que toda a equipa se empenhe fortemente no jogo e que Quique consiga mais uma vez retirar todo o rendimento que aquele conjunto de jogadores já demonstrou ser capaz de proporcionar.

 

 

 

PS – As recentes “pérolas” de Jesualdo

 

Os jogadores do Porto são dos mais agredidos – com esta Jesualdo começou a desvendar os seus métodos de trabalho disciplinadores.

 

Dentro de campo os árbitros encarregam-se de que nenhum jogador se aproxime de um raio de 1-2 m de qualquer jogador do Porto sem que seja marcada falta/penalty e sanção disciplinar (veja-se os casos de Gaspar e Yebda e de nos dois últimos jogos no dragão).

 

As agressões a que Jesualdo se refere só podem, portanto, passar-se ao intervalo, nos balneários ou nos treinos, ou quando ainda assim não chega, no contacto com os adeptos mais entusiastas.

 

Agora é mais fácil perceber a fúria incontrolada de Bruno Alves, que, no fundo, apenas põe em prática aquilo que lhe ministram nos treinos e nas palestras.

 

A minha actuação como árbitro terminou no domingo – Mais uma “pérola” de Jesualdo, mas esta com melhores resultados para todos os desportistas. A acreditar no que Jesualdo disse (não aconselho pois o homem não é de fiar), não haverá mais patacoadas sobre a actuação dos árbitros da sua parte. Que alívio! É que ele não acertava uma única para amostra!




Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 16/02/09 | comentar | 23 comentários

Podia chamar-lhe o Benfica Ecléctico, mas prefiro chamar-lhe o Benfica Global. Vou hoje abordar a questão das modalidades, centrando-me naquelas 5 que são consideradas as modalidades de alta competição: Basquetebol, o Andebol, o Hóquei Patins, o Voleibol e o Futsal. Mas podia falar de muitas outras, como, por exemplo, o paintball (é verdade... o paintball).

Ao longo da minha vivência benfiquista, tive várias referências, nomeadamente no futebol: Humberto, Chalana, Diamantino, Vítor Martins, Néné, Bento – seria estultícia da minha parte elencar todos os nomes que envergaram a camisola vermelha e que eu aprendi a glorificar.
Ao lado destes, não posso esquecer os nomes de Carlos Lisboa, Jean Jacques, Livramento, Ramalhete, Ricardinho, e os grandes do nosso atletismo, como António Leitão, José Carvalho, Anacleto Pinto ou agora os nossos Nélson Évora e Vanessa Fernandes.
Porque falo disto? Porque ao lado do eclipse das vitórias no futebol, na década de 90, também se verificou a mesma realidade nas modalidades. E se no futebol já se começam a ver fortes lampejos de luz, nas modalidades o sol também começou a raiar com intensidade.
Num caso como noutro, é só a partir da ascensão à liderança do Sport Lisboa e Benfica de Luís Filipe Vieira que se faz o regresso às vitórias. No futebol, a memória não nos trai – depois de 11 anos sem títulos, vencemos em 2003/04 a Taça de Portugal e em 2004/2005 o Campeonato e a Supertaça – todos sob a liderança de Vieira.
Nas modalidades, talvez que a memória esteja menos fresca. Por isso, aqui vai: no andebol, após 18 anos sem vencer o campeonato, regressamos ao título em 2007/08, e vencemos 2 taças da liga (2006/07 e 2008/09); a taça de Portugal não é ganha desde 1986/7 e a supertaça desde 1993/4.
Hoje, o andebol luta ombro a ombro por nova vitória no campeonato, e a recente vitória na taça da liga faz crer que o título máximo não irá fugir.
No basquetebol, os últimos títulos datam da década de 90, e não somos campeões desde 1994/5. Ainda revemos com um enorme prazer nostálgico as soberbas exibições daquele “cinco” mágico: Lisboa, Guimarães, Jean Jacques, Henrique Vieira e Mike Plowden. Gigantes que derrotaram os maiores da Europa, como o Real Madrid.
Hoje, comandados por essa glória que dá pelo nome de Henrique Vieira, vamos com 21 vitórias consecutivas e, tudo o indica, a caminho de vencer, de novo, o campeonato.
No hóquei, já vai longe o tempo das glórias do rinque, Livramento, Ramalhete ou Jorge Vicente. O campeonato não é ganho desde 1997/8, a taça de Portugal desde 2001/02 e a supertaça desde 2001/02. Este ano, com uma equipa jovem, estamos a poucos pontos do 1º lugar e face aos últimos resultados (nomeadamente a goleada infringida a FC Porto na Luz) com todas as condições para lutar pelo título no “play off”.
No voleibol, fomos campeões em 2004/05, quando não o éramos desde 1990/1, e ganhamos 3 taças de Portugal, em 2004/05, 2005/06 e 2006/07, o que não acontecia desde 1990/1. Este ano, as coisas não têm corrido na perfeição, mas a experiência de outra glória, que comanda a equipa há alguns anos, José Jardim, inspira todos os sonhos, até porque já vamos numa série de vitórias consecutivas.
Por fim, a nova modalidade, coqueluche das tv´s e dos pavilhões, o futsal. Pois aqui, o Benfica é rei e senhor, tendo sido 4 vezes campeão, 3 vezes vencedor da Taça e outras 3 da supertaça desde 2002/03. Neste período ainda foi finalista da UEFA Cup e da Taça das Taças. E temos um dos melhores jogadores do mundo, Ricardinho, muito assediado extra-muros mas que acabou por renovar com o Benfica.
E podíamos ainda falar das vitórias olímpicas de Nelson Évora e de Vanessa Fernandes, cujo ouro conquistado em Pequim, em Agosto passado, tornou o Benfica o clube português mais medalhado em Jogos Olímpicos.
Ainda recentemente, uma das nossas jóias da coroa, a Vanessa, assinou com o Benfica um contrato por mais 5 anos, num acto de gestão desportiva que merece todos os aplausos. Mas há mais. Falemos de infraestruturas…
Dois magníficos pavilhões, no complexo desportivo da Luz, são o sinal de que não é por falta de condições que os títulos vão falhar. Os nossos mais directos adversários ou não possuem qualquer equipamento, andando de casa às costas (Sporting) ou só agora estão a concluir um minimalista pavilhão, que não chegará para as encomendas (FC Porto).
Mas há mais. Enquanto o Benfica tem estas 5 modalidades de alta competição, o Sporting apenas possui 2 (futsal e andebol) e o FC Porto 3 (andebol, basquetebol e hóquei). Parece que já estou a ouvir: está tudo muito bem, mas o futebol?
Podem as vitórias nas modalidades substituir as do futebol? Não podem, claro. Nem o seu contrário é verdadeiro. Mas quando lemos Henrique Vieira, em recente entrevista a “A Bola”, dizer qualquer coisa como isto: “Todos os meses temos reuniões com o Presidente”. Sabemos que o Benfica Global não é hoje uma expressão nem um conceito sem sentido.
É uma ideia, um ideal, um espírito. Que já sofreu muitos tratos de polé (ai se Cosme Damião soubesse!), mas que tem vindo a reforçar-se, a fortalecer-se, numa lógica que passa por pensar uma instituição como um todo, no futebol e nas modalidades, e mesmo muito para além das paredes do estádio, dos pavilhões e das piscinas. E muito, mas mesmo muito, para além das próprias fronteiras pátrias. É este o Benfica Global que amamos.

Post-Scriptum: Nas últimas semanas, Luís Filipe Vieira celebrou um acordo de grande envergadura com a Sagres (Centralcer), cujo valor é invulgar para o mercado português. A Sagres vai passar a patrocinar todas as modalidades do Sport Lisboa e Benfica. Mais um acto de gestão de relevante significado para o engrandecimento do Benfica Global.


sinto-me: Renascido
música: Ser Benfiquista


Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 09/02/09 | comentar | 110 comentários

Ontem, o Benfica foi ao Dragão ganhar ao FC Porto, por 0-1, regressar à liderança do campeonato e colocar um ponto final em 4 anos consecutivos sem vitórias no recinto dos azuis e brancos.
Todos estarão lembrados da vergonhosa história do ano passado, onde um senhor árbitro chamado P. “Garoto” Proença inventou um penálti contra o Benfica, que permitiu ao FC Porto chegar ao empate.
Este foi um mal que, no entanto, veio por bem. O que se passou a seguir ao escandaloso roubo de 8 de Fevereiro de 2009, determinou uma viragem histórica no futebol português.
A investigação a cargo de diversas polícias internacionais, como a Interpol, o FBI, e a Scotland Yard (que nisto os investigadores portugueses não são de fiar), conseguiu descobrir o rasto do dinheiro, dissimulado em férias pagas nas Caraíbas e em off-shores nas Ilhas Caimão.
P. “Garoto” Proença teve o mesmo fim de Jacinto Paixão, Carlos Calheiros, José Guímaro e Francisco Silva. Mas a limpeza não se ficou por aqui. Face à situação catastrófica do futebol nacional, o Governo teve de intervir para decretar o estado de calamidade.
Foi pedido à FIFA e à UEFA que autorizassem a nomeação de árbitros estrangeiros e a introdução das novas tecnologias nos jogos do nosso campeonato. A verdade desportiva regressou aos relvados nacionais, depois de 20 anos de suspeições e atentados à credibilidade do futebol.
 O Benfica conseguiu chegar ao título e, este ano, na liderança do campeonato, é o mais sério candidato à revalidação do ceptro. Mas nem tudo é perfeito. O “sistema” tenta a todo o custo um regresso ao passado. Um regresso à vergonha e à ignomínia - que se passearam impunes anos e anos a fio.
Nos tribunais portugueses, os processos de corrupção desportiva ou marcam passo ou são torpedeados por questões jurídico-formais que adiam e protelam uma decisão final. Os apitos continuam a silvar por aí.
Talvez seja necessário também pedir a intervenção de juízes estrangeiros para obter uma maior celeridade nos processos em curso, e decisões rigorosas e transparentes. Enquanto tal não acontece, vamos esperar que o leve sotaque siciliano que tem infestado os bastidores do nosso futebol tenha sido amordaçado de vez.
Todos temos de estar alerta. No passado, as operações de limpeza de Calheiros e J. Paixão e outros “apóstolos”, davam a ideia de que finalmente podíamos ter a certeza de que a fraude desportiva tinha os dias contados. Puro engano.
O “sistema” é esperto e não dorme. Com Olegário queimado, Sousa suspeito, Xistra desgastado e Costa excessivo, foi buscar o impoluto “Garoto” Proença. Aquele a quem ninguém apontaria nada.
O rapaz, lavadinho e de brilhantina nos cabelos, cometeu, porém, o pecado da gula. Chegou ao estádio de gravatinha azul bebé e pôs-se à conversa com os funcionários do clube da casa. Enlevado com tanta simpatia, “Garoto” Proença esqueceu-se que naquele local as câmeras captam tudo, para mais tarde recordar.
Depois, “Garoto” não se conteve. Penálti mal assinalado contra o Benfica; expulsões perdoadas a B. Alves por patada em Suazo, e a Lisandro por calcadela em Katsouranis. Foi um fartar vilanagem. Era demais e era preciso intervir. Até o ajudante de campo de P. “Garoto”, vendo tanta impunidade e libertinagem, já cumprimentava efusivo os jogadores de azul, na altura da substituição. Um fartote!
E foi assim que o Governo, como dissemos, apelou à Interpol, ao FBI e à Scotland Yard. De sobreaviso ficaram a CIA, a Stassi e a Mossad. Protocolos com penitenciárias de alta segurança, como Sing Sing e Alcatraz, foram firmados, que as cadeias portuguesas não são de confiança.
O mundo olhava com espanto e com incredulidade, mas a justiça e a verdade acabaram por vencer. Como tudo na vida, nada se pode dar por adquirido. É preciso, cada vez mais, cerrar fileiras em torno de quem não pactua com as malfeitorias de um passado negro. Depois de 8 de Fevereiro de 2009, nada ficou como dantes no futebol português. Para bem da verdade e da credibilidade desportiva.
Post-ScriptumO que acabei de escrever é ficção ou realidade? Nem eu próprio o sei bem. Acredito – quero acreditar – que como disse, a verdade desportiva será uma certeza no nosso futebol. Espero que esse dia esteja para breve. Este texto é um texto de revolta e de raiva. E de protesto.

sinto-me: Revoltado
música: Chamem a Polícia
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 02/02/09 | comentar | 43 comentários

Há semanas atrás escrevi neste mesmo espaço que “o Benfica é mais do que um clube de futebol”. A tese foi entendida por muitos como uma justificação para os anos amargos que vivemos em termos de desempenho desportivo. Nem mesmo depois de ter sublinhado que o Benfica existe para vencer, nasceu para as vitórias e ser campeão é o seu destino histórico, fez afastar essa “acusação” – eu, diziam, estava a tentar branquear anos de fracos resultados da equipa de futebol.

 

Na semana passada, o Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, lançou as fundações da Fundação Benfica. A ideia já lhe germinava na cabeça desde 2003, mas tarefas mais imediatas e urgentes como a recuperação financeira do clube, a construção do novo estádio, a reabilitação do “tecido” futebolístico que permitiu a conquista de um campeonato, uma taça de Portugal e de uma Supertaça, adiaram a sua concretização.
Não deixa de ser significativo que seja agora, em plena crise económico-financeira internacional, que este projecto de apoio social aos mais desfavorecidos é lançado. E é isso que é a Fundação Benfica, uma instituição que se propõe ajudar os mais pobres, desvalidos e marginalizados da sociedade.
Quando o futebol português se encontra mergulhado em guerras palacianas, troca de acusações espúrias, mentiras, falsidades e hipocrisias, do Benfica vem uma saudável e positiva mensagem de esperança num futuro melhor. Do Benfica vem uma lufada de ar fresco no poluído ambiente do futebol nacional.
Para o Presidente do Benfica, o clube-instituição não se esgota, nem se pode esgotar, naquilo que se passa dentro das quatro linhas – sendo que hoje, dentro e fora das quatro linhas se passam coisas que nada têm a ver com o jogo que todos amamos.
Vieira pensou e pensa um clube-instituição para além e acima do relvado ou dos pavilhões. Estou-lhe grato por isso. Os benfiquistas, estou certo, estão-lhe gratos por isso. A Fundação Benfica é mais um projecto em que o Benfica é pioneiro em Portugal. Como o foi a Benfica TV. Como o será o Museu do Benfica.
Todos estes projectos, que elevam o Benfica a um estatuto ímpar entre os maiores clubes do Mundo, têm o contributo e a dedicação de milhões de benfiquistas anónimos. Mas como tudo na vida, têm um rosto e uma liderança – Luís Filipe Vieira.
A Fundação Benfica, e até nisso é exemplar, não se fecha no universo dos sócios, adeptos e simpatizantes do Benfica, abre-se a todas as pessoas, a todos os portugueses, independentemente da sua cor clubística. Orgulhamo-nos desta nossa universalidade e deste nosso “ecumenismo”.
Com esta Fundação, o Benfica substitui-se ao Estado, assumindo um papel determinante no combate à pobreza, à exclusão, às desigualdades sociais. É muito mais que um mero gesto solidário, são muito mais que meras palavras de ocasião, mesmo que grandiloquentes. A Fundação Benfica ficará como um marco histórico na gloriosa História centenária do maior clube do Mundo.
E as crianças, como disse Luís Filipe Vieira, são a prioridade do trabalho da fundação. Ainda há dias, a RTP, em directo de Maputo, durante o programa Trio de Ataque, mostrava crianças moçambicanas vestidas com a camisola de Eusébio, jogando à bola descalças nos baldios do bairro de Mafalala. Pediram mais bolas e equipamentos. Também aqui pode chegar o braço solidário da Fundação Benfica.
Luís Filipe Vieira sabe bem o que é não ter nascido em berço de ouro. Não renega as origens. A vida ensinou-lhe que só a solidariedade pode construir sociedades mais justas, harmoniosas e desenvolvidas.
A fundação que agora nasce será também uma “ponte” que o Benfica estende aos países africanos de língua oficial portuguesa, onde principalmente às crianças ainda falta quase tudo. Não foi por acaso que o Presidente do Benfica esteve recentemente em Cabo Verde, em Angola e em Moçambique – três países impregnados de benfiquismo. Com a Fundação Benfica, esta paixão será alargada e reforçada.
Apelidei-o, também aqui, de “Presidente do Povo”. Pela presença dedicada e permanente junto do povo benfiquista, essa imensa maioria que, como ele, não nasceu em berço de ouro. Como Cosme Damião, que fundou e idealizou o Sport Lisboa e Benfica, como Joaquim Bogalho, que foi o “Presidente do Estádio” e lançou as raízes da “Mística” benfiquista, como Maurício Vieira de Brito, que liderou a epopeia da conquista da Europa, como Duarte Borges Coutinho, o supremo e inigualável “gentleman” do futebol – Luís Filipe Vieira arrisca-se a ficar nesta galeria dourada como o Presidente que resgatou o clube dos escombros financeiros e aquele que lhe deu a dimensão social e solidária, inscrita na sua matriz genética.

sinto-me: Solidário
música: Let it be


Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 27/01/09 | comentar | 29 comentários

 

 

Desde que veio para o Benfica que sou um admirador de Quique Flores, sobretudo pelo seu carisma e pela postura diferente que assumiu, em termos de correcção, frontalidade, honestidade e simpatia.

 

Após um início de época muito prometedor, com bons resultados e exibições, começaram a surgir exibições e resultados menos positivos e logo se começaram a ouvir as vozes críticas. Embora reconhecendo alguma razão no que diz respeito à pobreza exibicional em alguns jogos e à rigidez táctica que não permite a existência de soluções alternativas ao “seu” sistema de jogo, sempre continuei a manter a confiança em Quique.

 

 

Apesar disso, as recentes decisões e intervenções públicas de Quique têm-me desiludido. Começou com os “castigos” impostos aos jogadores que tiveram uma exibição menos conseguida ou mesmo com erros graves. Foi o caso dos guarda-redes, com o afastamento de Quim (nem para o banco foi) e depois de Moreira, após falhas graves. Não penso que esta seja a melhor forma de resolver estas falhas e certamente mina a confiança dos jogadores. Depois de todas estas experiências penso que concordaremos, quase unanimemente, que Quim tem que ser titular e Moreira o suplente. Não consigo compreender o continuado afastamento de Quim dos relvados.

 

Não sabemos (eu, pelo menos, não sei) o que se passa no interior do balneário do Benfica, mas não é novidade para ninguém que a força de uma equipa depende muito do espírito de grupo que consiga estabelecer-se entre todos os seus elementos, pelo que e a qualidade do ambiente no balneário e a união no esforço colectivo e nos objectivos do grupo são fundamentais. Nenhum indivíduo se pode, portanto, sobrepor ao colectivo, mas é importante saber integrar todos nesse espírito de grupo e nos objectivos comuns. Essa é uma das tarefas fundamentais da dupla Rui Costa/Quique Flores.

 

Também nesse aspecto as recentes intervenções de Quique não têm sido felizes; não duvido que Balboa e Reyes, para citar os exemplos mais recentes, precisam de ser responsabilizados e espicaçados, para mostrarem níveis exibicionais mais elevados e consistentes, mas não me parece que a gestão do balneário em conferência de imprensa seja a solução para tal.

 

 É evidente que, não conhecendo, como já admiti, o que se passa no balneário, não posso fazer um juízo definitivo sobre estes incidentes mas, apesar da posição especial que ocupa, Quique (juntamente com Rui Costa) é também um dos elementos do grupo e o principal responsável por conseguir que este apresente bons resultados. Daí que não me pareça positiva a atitude de se pôr de fora a criticar publicamente alguns elementos do grupo. A bem da união do grupo é importante que todos assumam as suas falhas e que as consigam ultrapassar em espírito de cooperação e não de acusação/crítica pública.

 

Naturalmente que é inevitável, num grupo altamente competitivo, a existência de rivalidades entre os seus elementos, até porque as suas carreiras dependem em grande medida das oportunidades que têm de mostrar o seu valor em campo (aqui convém também explicar-lhes que depende primeiro da qualidade do colectivo pois sozinhos não vão derrotar os adversários). É, no entanto, tarefa do treinador e dos dirigentes resolver esses conflitos no interior do grupo, evitando o desgaste mediático, sempre prejudicial. Também aqui me parece que o caso de Cardozo não tem sido bem enquadrado. Apesar de não querer entrar por questões técnicas, porque não serão eventualmente neste caso as mais relevantes e porque para elas não tenho qualquer competência, não consigo perceber que quando se precisa de reforçar o ímpeto atacante da equipa, a dupla Cardozo/Suazo, servida por Aimar não seja uma opção mais frequente.

 

 

Como já vimos, temos que ser muito superiores para conseguir impor-nos pois, se o jogo for equilibrado ou se formos apenas ligeiramente superiores ao adversário, o sistema arranja sempre maneira de nos prejudicar. Convém, portanto, não dar ainda mais armas aos adversários; a estabilidade é essencial, evitar situações públicas de divisão interna é imperioso.

 

 

Continuo firmemente convencido que a dupla Rui Costa/Quique Flores é a indicada para conduzir o Benfica neste processo de renovação e que nos trará ainda muitas alegrias, mas algumas das atitudes mais recentes devem merecer uma seria reflexão e, se não existem outros factores que desconheço, uma inflexão na política de gestão do grupo.





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