Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 25/02/09 | comentar | 82 comentários

 O

O jogo com o Sporting, com todo o sabor triste e amargo que nos trouxe, teve a bondade de nos permitir ver com mais clareza e adivinhar com melhor acutilância os próximos episódios da vida interna do Benfica.

Ainda o “banho de bola” não nos deixou de doer e já começámos a ver os dedos de muitos apontados ao espanhol Quique Flores de quem, ainda há tão pouco tempo, se exageravam (?) os méritos, a juventude e a ambição.

Quique Flores era, com o Menino Rui a face visível e radiosa do novo Benfica – de um Benfica regressado, para ficar (muitos anos diziam), à Sua Glória e verdadeira Condição.

Como a Europa se foi, tristemente, aos “pés” de um conjunto de equipes sem estatura ou dimensão (ainda ontem sofri só de ver jogar); como a Taça de Portugal voou, ingloriamente, perante o aguerrido mas modesto Leixões, ficava-nos ou fica-nos de importante para esta época, vencer o Campeonato Nacional.

O jogo com o Sporting veio pôr-nos mais longe dessa legítima e última ambição. E apesar de nada estar ainda perdido – o Campeonato tem esta natureza de nos pôr a sonhar durante mais tempo, já começo a ver a propaganda do costume a adiantar desculpas e justificativos e agora, como convém, a adiantar o esboço de um suspeito ou, até já, de um provável culpado.

Porque tamanho insucesso precisa de ter um culpado. E o sistema (que existe) e a incompetência e iniquidade da arbitragem e do dirigismo do futebol (que também existem) não chegam já para sossegar as hostes. Não chegam já para explicar porque levamos um banho de bola do Sporting, (ou 5 a 1 do modesto Olympiacos)?

 Não foram eles que foram maus, fomos nós. E por isso precisamos, de entre nós, de apontar alguém que, por todos nós, venha a expiar a culpa de não sermos aquilo que nos prometeram (uma vez mais) que seríamos.

Nestas coisas é assim - a culpa inclina-se sempre para o lado mais fraco. E neste novo ciclo do Benfica (mais um..) o lado mais fraco é, sem nenhuma surpresa,  o espanhol Quique Flores.

Não foi assim também no ciclo anterior com outro espanhol também glorificado e elevado ao epíteto de salvador, antes de ser mortificado e pronunciado como o culpado de então?

Por isso, meus Caros benfiquistas, sinto com muita tristeza que estamos a ver uma filme antigo – uma cansada “reprise”.  

Que, com clareza, me parece que radica sempre no mesmo: temos um Presidente que não tem nada a ver com o Futebol. Tem com Estádios, Centros de Estágios, Fundações, Canais de Televisão e outras coisas assim.

 Mas com o Futebol não! Pois se ele não marca golos, nem defende penalties!!!

E apesar disso, nós somos um Clube de Futebol – o Maior dizemos nós com toda a propriedade.

Mas, apesar disso, damo-nos ao luxo de ter um Presidente que não percebe nada de futebol, nem se acha responsável por nada do que lá se passa. Arranja (pede emprestado, claro) com competência o dinheirinho que é o mais difícil. No resto, é como Poncio Pilatos..

Parece aquele Pai ausente que acha que para educar os Filhos chega e sobra passar o cheque…

Sejamos francos. Vemos isto nos nossos rivais mais directos ou em qualquer outro Clube de dimensão Mundial?

Por muito menos Soares Franco pediu a demissão. E nunca Pinto da Costa deixaria que a figura principal da glória ou da crise fossem assumidas por Reinaldo Teles ou, até, por Jesualdo Ferreira.

É nesta liderança parcial, digo-o com toda a frontalidade, que começa a cultura da desresponsabilização e do “empurra pró lado” que tem roubado a mística e a atitude de que o Benfica tanto precisa.

Nesta meia (e envergonhada) liderança que permite que o Presidente do Benfica esconda as derrotas do Clube nas costas menos experientes do Menino Rui ou de Quique Flores, afinal aqueles que Ele próprio escolheu para liderar aquela outra parte que não sabe ou não quer liderar.

Estou cansado de perder e de ouvir os mesmos cantos de sereia. Mas não é minha intenção ser divisionista ou alarmista. Julgo, até que é nestas horas que devemos estar unidos.

Porque é verdade que nada está ainda perdido. Porque temos, de facto, bons jogadores. Porque está ainda ao nosso alcance fazer um bom colectivo e construir uma organização eficaz e responsável.

Para que isso aconteça precisamos saber exigir um Presidente inteiro, na decisão e na responsabilidade.

Para que isso aconteça não devemos arranjar, a meio da época, os habituais e distractivos bodes expiatórios.

Porque as responsabilidades, como as contas, apuram-se sempre no fim.

Viva o Benfica!

António de Souza-Cardoso

 

 


sinto-me: bem
música: SLB. SLB, SLB


Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 22/02/09 | comentar | 34 comentários

José Mourinho é conhecido pelos seus “mind games”, os jogos psicológicos que costuma utilizar antes das partidas para perturbar o adversário. O treinador do Inter de Milão, considerado o melhor do Mundo, pese a subjectividade desta eleição, introduziu na fleumática Inglaterra, quando ao serviço do Chelsea, um factor extra-jogo que deixou os britânicos estupefactos. “Special One” lhe chamaram, não tanto pelo domínio da táctica, nem pela forte personalidade de líder, nem sequer pelo currículo, mas sim pelo domínio completo do “jogo das palavras”.

 

O discurso de Mourinho, nas célebres conferências de Imprensa antes dos jogos, era tão ao mais temível que a equipa de estrelas do Chelsea. Com esse discurso, o treinador português matava dois coelhos de uma cajadada: elevava os índices de motivação dos seus jogadores a níveis impensáveis e lançava para o outro lado efeitos de perturbação que não raras vezes colocava o adversário em evidentes dificuldades.

 

Nunca se saberá, mas estou certo que Mourinho ganhou muitos jogos mesmo antes deles se iniciarem. Este exemplo é paradigmático do papel decisivo que hoje tem no futebol de altíssima competição as mensagens emitidas pelo treinador antes e depois dos jogos.

Na atónita Inglaterra, Mourinho foi talvez o pioneiro da pressão sobre os árbitros, chegando mesmo a apontar-lhes o dedo acusador depois de ter sido, na sua opinião, prejudicado – o que lhe valeu alguns castigos muito mediatizados. A Premiership nunca tinha visto nada assim.

 

Quique Flores vem de um futebol mais evoluído do que o português. O treinador do Benfica colhe muitas simpatias junto dos sectores mais insuspeitos, nomeadamente de sportinguistas e portistas.

Não vem mal ao mundo que tal aconteça. Quique tem um discurso moderno, transparente, honesto e civilizado. É simpático e correcto para com todos os agentes do futebol. É bom que assim seja. “Mind games” não são com ele.

 

Admiro Quique. Orgulho-me de ter um treinador que se rege por filosofias bem diferentes das dos seus rivais em Portugal. No entanto, há algo que me perturba. Quique é lesto e não tem papas na língua para criticar os jogadores quando acha que eles merecem. Foi assim com Balboa, foi assim com Reyes, foi assim com Cardozo.

Já quando a sua equipa é claramente prejudicada pelas arbitragens, Quique ou diz que estava a olhar para o lado, ou diz que não fala das arbitragens ou diz que os árbitros têm de ser ajudados.

 

O problema é que já não é a primeira, nem a segunda vez, que as palavras de Quique têm de ser rectificadas por Rui Costa. Foi assim com Nuno Gomes (não defendendo o jogador quando o capitão do Benfica foi acusado de atitude imprópria no final do Benfica – Nacional, algo que ninguém viu), foi assim com Pedro Henriques (recusando apontar o dedo ao árbitro quando este teve uma decisão prejudicial ao anular golo limpo do Benfica no final do jogo), foi assim quando disse que o segundo lugar também era importante (quando sabe, ou devia saber, que importante para o Benfica é ser campeão).

 

Há 7 meses em Portugal, Quique Flores teve tempo suficiente para perceber que as regras aqui não são as mesmas de Espanha. Se o treinador do Sporting critica os árbitros desde a primeira jornada, com os benefícios que se veêm; se o treinador do FC Porto até se dá ao luxo de comentar as arbitragens de jogos do Benfica, com os resultados que se conhecem, isto era motivo bastante para que o treinador espanhol reflectisse. E muito.

 

A fragilidade dos órgãos do futebol português e a falta de personalidade dos seus responsáveis é altamente sensível aos “mind games”. Jesualdo sabe isso desde sempre; e Paulo Bento conhece bem a técnica, ele que é um produto desta “escola”.

Nas últimas jornadas, esta falta de pressão legítima do Benfica tem-nos custado pontos valiosos. Foi assim no Restelo, foi assim no Dragão, foi assim, sábado, em Alvalade (ai o penálti sobre Aimar, aos 9 minutos, se tem sido assinalado, como tudo podia ter sido diferente…).

 

Ninguém pede a Quique para esconder deficiências da equipa com as críticas aos árbitros. Mas, que diabo!, ignorar, em nome de uma postura civilizada (seja lá o que isso quer dizer), as constantes malfeitorias que os árbitros têm feito ao Benfica, é deixar à solta e impune quem assim se sente confortável para continuar com esta vergonhosa campanha.

Utilizar uma linguagem supostamente civilizada num mundo onde esse conceito é quase desconhecido, é querer ser pomba em terra de falcões. Para além de que Quique tem de defender o Benfica, não a sua imagem.

 

A indignação é um direito, como bem disse um ex-presidente da República. Calar é consentir, sem nenhuma vantagem, nem nenhuma glória. Quique pode ser um homem ordeiro, cordato, bom rapaz, mas não são esses os atributos que o farão campeão. Nem nunca alguém se lembrará dele por esses atributos, se não for campeão.

Imitar Mourinho não é menosprezo para ninguém, antes pelo contrário. E “gajo porreiro” não é seguramente característica do actual treinador do Inter de Milão, nem epíteto que fará de alguém campeão.

 

Post-Scriptum: Questões de ordem profissional impediram-me de responder aos comentários que muitos benfiquistas fizeram ao meu último post: “O BENFICA GLOBAL”. Aproveito agora para agradecer ao Fernando Lopes, ao LF, ao Pedro5, ao José Almeida, ao Forteifeio, ao Mafarrico, ao Viriato de Viseu, ao Vítor Pereira, ao Daniel, ao António, ao O Glorioso, ao Jorge Ventura, ao Alexandre, ao Dylan, ao Luís Miguel, ao LC, ao Miguel, ao Dom Duarte Benfiquista, a todos o meu muito obrigado pelas palavras e pelo apoio.

 

A todos, um abraço do tamanho do universo benfiquista.

 

Pedro Fonseca

 

 




Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 27/01/09 | comentar | 29 comentários

 

 

Desde que veio para o Benfica que sou um admirador de Quique Flores, sobretudo pelo seu carisma e pela postura diferente que assumiu, em termos de correcção, frontalidade, honestidade e simpatia.

 

Após um início de época muito prometedor, com bons resultados e exibições, começaram a surgir exibições e resultados menos positivos e logo se começaram a ouvir as vozes críticas. Embora reconhecendo alguma razão no que diz respeito à pobreza exibicional em alguns jogos e à rigidez táctica que não permite a existência de soluções alternativas ao “seu” sistema de jogo, sempre continuei a manter a confiança em Quique.

 

 

Apesar disso, as recentes decisões e intervenções públicas de Quique têm-me desiludido. Começou com os “castigos” impostos aos jogadores que tiveram uma exibição menos conseguida ou mesmo com erros graves. Foi o caso dos guarda-redes, com o afastamento de Quim (nem para o banco foi) e depois de Moreira, após falhas graves. Não penso que esta seja a melhor forma de resolver estas falhas e certamente mina a confiança dos jogadores. Depois de todas estas experiências penso que concordaremos, quase unanimemente, que Quim tem que ser titular e Moreira o suplente. Não consigo compreender o continuado afastamento de Quim dos relvados.

 

Não sabemos (eu, pelo menos, não sei) o que se passa no interior do balneário do Benfica, mas não é novidade para ninguém que a força de uma equipa depende muito do espírito de grupo que consiga estabelecer-se entre todos os seus elementos, pelo que e a qualidade do ambiente no balneário e a união no esforço colectivo e nos objectivos do grupo são fundamentais. Nenhum indivíduo se pode, portanto, sobrepor ao colectivo, mas é importante saber integrar todos nesse espírito de grupo e nos objectivos comuns. Essa é uma das tarefas fundamentais da dupla Rui Costa/Quique Flores.

 

Também nesse aspecto as recentes intervenções de Quique não têm sido felizes; não duvido que Balboa e Reyes, para citar os exemplos mais recentes, precisam de ser responsabilizados e espicaçados, para mostrarem níveis exibicionais mais elevados e consistentes, mas não me parece que a gestão do balneário em conferência de imprensa seja a solução para tal.

 

 É evidente que, não conhecendo, como já admiti, o que se passa no balneário, não posso fazer um juízo definitivo sobre estes incidentes mas, apesar da posição especial que ocupa, Quique (juntamente com Rui Costa) é também um dos elementos do grupo e o principal responsável por conseguir que este apresente bons resultados. Daí que não me pareça positiva a atitude de se pôr de fora a criticar publicamente alguns elementos do grupo. A bem da união do grupo é importante que todos assumam as suas falhas e que as consigam ultrapassar em espírito de cooperação e não de acusação/crítica pública.

 

Naturalmente que é inevitável, num grupo altamente competitivo, a existência de rivalidades entre os seus elementos, até porque as suas carreiras dependem em grande medida das oportunidades que têm de mostrar o seu valor em campo (aqui convém também explicar-lhes que depende primeiro da qualidade do colectivo pois sozinhos não vão derrotar os adversários). É, no entanto, tarefa do treinador e dos dirigentes resolver esses conflitos no interior do grupo, evitando o desgaste mediático, sempre prejudicial. Também aqui me parece que o caso de Cardozo não tem sido bem enquadrado. Apesar de não querer entrar por questões técnicas, porque não serão eventualmente neste caso as mais relevantes e porque para elas não tenho qualquer competência, não consigo perceber que quando se precisa de reforçar o ímpeto atacante da equipa, a dupla Cardozo/Suazo, servida por Aimar não seja uma opção mais frequente.

 

 

Como já vimos, temos que ser muito superiores para conseguir impor-nos pois, se o jogo for equilibrado ou se formos apenas ligeiramente superiores ao adversário, o sistema arranja sempre maneira de nos prejudicar. Convém, portanto, não dar ainda mais armas aos adversários; a estabilidade é essencial, evitar situações públicas de divisão interna é imperioso.

 

 

Continuo firmemente convencido que a dupla Rui Costa/Quique Flores é a indicada para conduzir o Benfica neste processo de renovação e que nos trará ainda muitas alegrias, mas algumas das atitudes mais recentes devem merecer uma seria reflexão e, se não existem outros factores que desconheço, uma inflexão na política de gestão do grupo.




Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Pedro Fonseca em 05/01/09 | comentar | 80 comentários

Eu, benfiquista primário, me confesso: estou envergonhado! O que vi, ontem à noite, na Trofa foi mais que uma derrota. É difícil explicar, mas Rui Costa e Quique resolveram-me o problema: falta de carácter.

Apesar dos dois responsáveis máximos pelo futebol terem dado a cara (bom sinal) no final da partida e terem assumido as responsabilidade (outro bom sinal), deduzi que a acusação de falta de carácter referida se destinava aos jogadores.
De entre os vários significados que o Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora (8ª edição) dá à palavra carácter, retiro os seguintes: génio, energia, firmeza, força de ânimo. Ora bem, Rui Costa e Quique têm razão – faltou carácter.
O que me pergunto, e coloco à reflexão dos leitores, é que Benfica vamos ter daqui para a frente? Esta não é uma questão meramente retórica. A bem do Benfica, clube e equipa de futebol, esta época tem de ser dividida num a.t. (antes da Trofa) e num d.t. (depois da Trofa).
Digamos que o jogo de ontem foi um “buraco negro”, como se diz na astrologia. Para retomarmos o trilho anterior de vitórias, que sempre foi o “sinal distintivo” (outro significado de carácter) do Benfica, é preciso duas coisas: mão dura e cabeça fria. É isso que peço a Rui Costa e a Quique Flores – mão dura e cabeça fria.
Sobra a questão do carácter. Isso é algo que se tem ou não se tem. Não se compra, não se aluga, não se injecta. Quem lida diariamente com os jogadores do Benfica saberá bem porque falou em falta de carácter ontem à noite.
Eu poderia colocar-me aqui a fazer perguntas de algibeira: porquê isto? porquê aquilo? (porque foi o Benfica o último dos “grandes” a regressar ao trabalho? – por exemplo). Mas prefiro continuar a falar de carácter – ou da sua falta.
Ora, se bem se recordam, carácter quer dizer, entre outras coisas, energia e força de ânimo. Mais de duas horas antes do jogo, resolvi percorrer as ruas da Trofa, próximas do estádio. Vi os passeios pejados de milhares de pessoas, com cachecóis, bandeiras, camisolas, à espera do autocarro que transportava os jogadores do Benfica. Gente de perto e de longe. Homens, mulheres e crianças. Gente, na sua esmagadora maioria, humilde. Gente com energia e força de ânimo. Gente de carácter. Gente à Benfica.
Os jogadores do Benfica viram bem as caras, as mãos, de toda essa gente que os recebeu em delírio, em euforia, em deslumbramento. Pessoas que fizeram centenas e centenas de quilómetros. Pessoas que pagaram um preço elevado de bilhete para ver o Benfica.
Será que os jogadores do Benfica não têm sentimentos? Será que lhes é completamente indiferente esse ambiente de loucura à sua volta?
Fazer feliz toda essa mole humana fantástica custa tão pouco. Custa apenas ter um pingo de vergonha e de personalidade. E ter sentimentos por quem de quase tudo se despoja para os ir ver jogar. “Sentir o Benfica” é outro dos significados da palavra carácter.
Post-Scriptum: Bastava que os jogadores do Benfica bebessem um pouco da energia e força de ânimo dos seus adeptos para tudo ser diferente. Quero homenagear todos os adeptos do Benfica que ontem estiveram na Trofa na pessoa de um amigo especial e ilustre benfiquista chamado António Souza-Cardoso, a quem não falta carácter, nem energia, nem força de ânimo. 

sinto-me: Envergonhado
música: Help!


Sábado, 20 de Dezembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 20/12/08 | comentar | 36 comentários

A frase que eu repeti neste Blog vezes perdidas não é, desta repetida vez, de minha autoria.

Quem a afirmou foi o Senhor Quique Flores na hora da despedida do Benfica da Taça UEFA.

E não teve razão para menos, não tanto porque precisava de emendar a mão de ambições segundas e menores que transmitiu em momentos recentes mas, principalmente, porque o tal Benfica Europeu, o tal grande projecto galvanizador de um Clube á altura do seu prestigio mundial, acaba sem brio nem glória na porta pequena da mais pequena competição Europeia.

E não acaba de qualquer maneira: acaba em último lugar, sem qualquer vitória, com um único ponto, nove golos sofridos e apenas um golo marcado. E isto, veja-se bem, às mãos (ou aos pés) de 4 equipes pouco destacadas, de outros tantos campeonatos pouco competitivos.

Até o Sporting de Braga, num grupo, com clubes mais destacados de campeonatos mais competitivos, cumpriu com grande dignidade (e pouca fortuna, diga-se) o que está ao alcance de uma equipe de média estatura, que é passar a fase de grupos desta segunda Liga europeia.

Disse há “uns posts atrás” que tive vergonha do Benfica na derrota com o Olympiakos. E andamos aqui no Blog a discutir sentimentos entre todos. Digo agora, mais alto que, independentemente de sentimentos e daquilo que é (e significa) “ter vergonha na cara”, o desempenho do Benfica na Europa, foi uma verdadeira vergonha e merece a nossa reflexão e preocupação.

Tínhamos acabado de ser eliminados da Taça pelo Leixões(!!!) e bem sei que só um milagre nos manteria aberta a porta da Europa.

Mas perder outra vez???

Com miúdos, sem miúdos, com sorte ou azar, com corrupção ou lisura, foi perder outra vez no “santuário” da Luz, contra uma equipe de que seguramente poucos ouviram falar.

E, por isso, o Benfica deste novo ciclo, o Benfica de todas as promessas, do nosso menino Rui Costa, do jovem e ambicioso Quique Flores, fica reduzido a poder ganhar o campeonato (coisa que matematicamente pode ocorrer a qualquer dos clubes da chamada Liga Sagres).

Mas não vamos em primeiro? Vamos, é verdade. Sim, com muito orgulho – já aqui falei do truculento sabor de não “vermos ninguém à nossa frente”.

Mas depois de tudo isto, começo a pensar se este primeiro lugar não será mais por demérito, nomeadamente do FC Porto que renovou mais profundamente a equipe e que tardou mais do que é habitual a ganhar rotinas e procedimentos.

E agora que as tem vindo a ganhar, ao contrário desta confrangedora intermitência exibicional do Benfica, começo a pensar naquele dramático “até quando?”.

E começo outra vez a duvidar, se para além do nosso menino Rui e do jovem e ambicioso Quique, algo mudou de verdadeiramente estrutural na Organização e na Gestão desportiva do Clube?

Digam o que Vos apetecer, mas não posso calar o que me vai na alma: que começo a estar cansado de perder, de acreditar em novos ciclos, de aprovar papel comercial para comprar ainda mais jogadores, num faz de conta que somos ricos e de que é só dar um tempinho que seremos seguramente o Clube Maior que já fomos.

Estou farto de ser gozado cá dentro pelo nosso cheiro a reposteiro e a passado.Estou farto de ser gozado lá fora, até por treinadores obscuros de equipes mediocres.

Já sei que batemos no fundo e que foi preciso tirar o Benfica do pântano onde se atolou. Serão certamente poucas, todas homenagens e felicitações feitas e a fazer a esta Direcção pelo papel que teve nesse capitulo importante da vida do Clube.

Mas o que me preocupa, porque a memória é fraca, é que também muitos de nós diziam do Benfica dessa altura pantanosa o mesmo “ amanhã é que vai ser” e” é preciso dar tempo ao tempo” que hoje insistentemente dizem quando alguém se atreve a duvidar.

E não vou repetir mais vezes que esta dúvida, esta revolta e esta vergonha são, claro está, pelo Amor ao Benfica que nada nem ninguém fará diminuir! 

Como Quique Flores, também eu “não estou aqui para fazer parte da história recente do Benfica”.

Como Quique Flores também eu “não me conformo com o se não for hoje é amanhã!”.

Quero ser Campeão, Já!

Viva o Benfica!

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: inconformado
música: SLB. SLB, SLB


Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

Pedro Fonseca em 29/09/08 | comentar | 39 comentários

Na euforia da vitória sobre o Sporting, no passado sábado, na Luz, alguns detalhes passaram para segundo plano. Depois das análises feitas, quero regressar a esses detalhes, porque, como gostam de dizer os “experts”, é nos detalhes que se ganham os jogos.

O primeiro detalhe que quero realçar tem a ver com a postura do senhor Enrique Sanchez Flores, mais conhecido por Quique Flores. Os analistas apontam a substituição de Ruben Amorim por Katsouranis como o “momento do jogo”, aquele que fez com o que o Benfica tomasse o controlo total da partida e ganhasse o dérbi.
Eu quero recuar um pouco no tempo e dizer que Quique Flores começou bem antes a ganhar o jogo. Foi quando, em resposta a uma pífia fanfarronice de Paulo Bento, afirmou que preferia ser humilde a andar de peito feito.
Nesta troca de palavras entre os dois treinadores, o espanhol goleou o português e o Benfica entrou, assim, em vantagem no dérbi. Não deixa, aliás, de ser caricato que seja Paulo Bento, um treinador aparentemente cordato, a tentar abrir uma “guerra” de palavras, num despropósito que costumava ser exclusivo de alguns dirigentes. Saiu-lhe o tiro pela culatra.
O segundo detalhe tem a ver com a coragem de Quique Flores. Indiferente ao facto de se tratar do clássico dos clássicos, onde uma derrota podia trazer consequências devastadoras para a estrutura anímica da equipa e para o seu futuro desportivo, o treinador espanhol não se refugiou atrás das soluções óbvias, que passariam pela colocação de Katsouranis a central, em vez de Miguel Vítor, e de Léo na esquerda, no lugar de Jorge Ribeiro. Ao apostar na mesma dupla de Paços de Ferreira, Sinei e Miguel Vítor, ambos com 19 anos, deu um importante e decisivo gesto de confiança para o resto da temporada.
O terceiro detalhe tem a ver com a atitude de Quique. O espanhol, ao contrário do habitual, passou todo o jogo de pé, junto à lateral, sem o espalhafato de Camacho, mas com indicações concretas e precisas aos jogadores.
Não esbracejou mas também não foi passivo, os seus gestos parecem “científicos”, sabe o que quer transmitir e foi nesta poupança gestual que (re)organizou a equipa no relvado. Importa reter este comportamento do espanhol. Ele dá à equipa uma segurança psicológica que não é despicienda. Os jogadores veêm ali um comandante que domina tudo o que se passa no relvado, numa pose científica mas não artificial, numa atitude contida mas não alheada.
O quarto detalhe também tem a ver com Quique. O treinador científico, às vezes frio e distante, à maneira de Mourinho, afinal também vibra, e como vibra!!!! A maneira efusiva e empolgante como festejou os golos do Benfica é algo que merece ser visto e revisto. Está ali um homem que ama o clube onde trabalha, que se envolve emocionalmente com o jogo e com o ambiente que o rodeia, que coloca de parte alguma altivez para descer até ao coração dos adeptos e viver com eles uma alegria imensa.
No coração de Quique vive uma “chama imensa”, na sua cabeça estão armazenados os conhecimentos técnicos e tácticos que vão colocar, de novo, o Benfica no topo do futebol português e europeu.
Quinto e último detalhe. Sempre Quique. A sua conferência de imprensa devia ser um exemplo para todos os treinadores portugueses. Não deixou por responder nenhuma pergunta e fê-lo com aquela abertura e elegância dos homens inteligentes e preparados para a sua função. Falou de futebol, das tácticas do jogo, dos jogadores. Outros, no seu lugar, já insultaram os jornalistas, já assumiram a postura do “quem sabe sou eu”, já se levantaram e abandonaram a sala de imprensa. Quique não.
Depois de Sven-Goran Eriksson e de José Mourinho, Enrique Sanchez Flores, Quique para os adeptos do futebol, pode ser o terceiro homem a revolucionar o futebol português e o futebol do Benfica.

sinto-me: Vibrante
música: Hino da alegria


Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Sem futebol, a semana que ontem acabou manteve o Benfica nas bocas do Mundo. Inevitabilidades de um clube que tem uma dimensão que ultrapassa as fronteiras pátrias e de ser o maior clube do Mundo.

Uma notícia boa e outra má dominaram os últimos dias e fizeram as manchetes: o Canal Benfica vai transmitir em exclusivo o jogo com o Nápoles, na Luz, para a segunda-mão da Taça UEFA, e Óscar Cardozo foi impedido de treinar por ordem de Quique Flores, por falta de empenho no treino, segundo uma versão, ou por não acatar ordens do treinador-adjunto, segundo outra versão.
Comecemos pela notícia positiva. O Canal Benfica é uma lufada de ar fresco na realidade do futebol em Portugal. É uma autêntica revolução no audiovisual futebolístico e, mais uma vez, o Benfica é pioneiro, está na vanguarda, colocando-se, assim, ao lado de grandes colossos do futebol mundial que também têm o seu próprio canal, como o Real Madrid e o Barcelona.
Luís Filipe Vieira é o artífice deste projecto, que idealizou, construiu e fez agora arrancar. O que me surpreende é que aqueles que passaram anos a criticar a dependência dos clubes da Olivedesportos, clubes que venderam por tuta e meia os direitos de transmissão televisiva e que tudo permitiram, como marcar dia, local e horário de jogos, ao arrepio da Liga e da Federação, fiquem agora calados ao ver o Benfica libertar-se desse autêntico colete de forças.
Mas, provavelmente, só o Benfica seria capaz de dar este passo, que significa uma emancipação corajosa com grande impacto no futuro do clube. A “marca” Benfica, que nos últimos anos, com a gestão de Luís Filipe Vieira, reforçou a sua credibilidade, e o sucesso do “kit novo sócio”, possibilitando um aumento exponencial do número de sócios, colocando o Benfica na liderança mundial, são os dois pilares fundamentais para o sucesso do Canal. Ou seja, primeiro arrumou-se a casa, construiu-se os alicerces e agora sim há que arrancar com o projecto. É assim com o canal de televisão, é assim também com a equipa de futebol, em busca do título.
Esta caminhada para o título dispensava bem o “caso” que se passou no fim de semana com Óscar Cardozo. O paraguaio foi suspenso dos treinos por Quique Flores: falta de empenhamento ou desrespeito a uma ordem do treinador-adjunto? As versões divergem. Seja como for, se é bom saber que a disciplina é uma realidade no Benfica, por outro lado, é mau saber que um dos mais importantes activos desportivos e financeiros do clube está sob a alçada disciplinar.
Agora há que tudo fazer para não “perder” Cardozo, e Rui Costa terá um papel fundamental a desempenhar. Lembremo-nos de Katsouranis e do despique com Luisão, na época passada, cujas sequelas, se calhar, ainda não foram sanadas e estão na origem da vontade de sair do grego.
Rui Costa tem de ser muito hábil: não pode retirar a autoridade a Quique, o que seria trágico, mas tem de fazer com que Cardozo não se passe a sentir desconfortável no seio do grupo de trabalho.
Podia Quique ter actuado de outra maneira? Podia, até porque Cardozo tem atenuantes: fez longas viagens ao serviço da selecção do Paraguai e acusa algum desgaste psicológico devido ao fraco desempenho nos últimos jogos com a camisola do seu país. Uma conversa dura, como Quique teve com Katsouranis, depois do jogo Benfica – FC Porto; uma sessão de “trabalhos forçados”, obrigando o jogador a treinar para além do tempo normal da sessão; ou colocá-lo a treinar à parte do grupo de trabalho – três outras opções que seriam, na minha opinião, mais eficazes. Disciplina é uma coisa, chicote é outra. Mas o futuro o dirá.

sinto-me: Estupefacto
música: Feelings


Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Pedro Fonseca em 08/09/08 | comentar | 31 comentários

Dentro de 10 dias, o Benfica sobe ao relvado do mítico estádio São Paolo, em Nápoles, para disputar a primeira mão da primeira eliminatória da Taça UEFA, contra a equipa que já foi de Maradona.

É um começo em grande nesta competição europeia, a colocar à prova os comandados de Quique Flores. É também um teste duro antes do regresso da Liga, com a ida a Paços de Ferreira e a recepção ao Sporting.
O futuro do Benfica joga-se muito até ao fim do mês. Com a equipa a solidificar-se, depois de uma entrada periclitante, com os empates nos dois primeiros desafios da Liga, estes três jogos de alto risco que se seguem podem injectar esperança ou podem colocar o grupo de trabalho sob uma pressão quase insustentável.
Acredito que o planeamento da época tenha sido elaborado a pensar neste infernal começo. As mazelas físicas que se detectaram no jogo com o FC Porto podem ter residido na necessidade de impor uma carga de trabalho com vista a abordar na plenitude das capacidades esta sequência de jogos de alta intensidade.
É verdade que o jogo com o FC Porto chegou a ser assustador, mas a equipa conseguiu encontrar forças nas fraquezas e sair incólume. Agora, com 15 dias de interregno, só pode melhorar.
Por isso, o jogo de Nápoles é decisivo para nos apercebermos da saúde física e mental da equipa. Estou certo que vamos dar uma resposta à altura. Aliás, é bom verificar que num fim de semana de jogos de apuramento para o Mundial de 2010, na África do Sul, o Benfica esteve representado por vários jogadores em diversas selecções. Quase uma equipa.
Quim, Carlos Martins e Nuno Gomes, por Portugal; Di Maria, pela Argentina; Maxi Pereira, pelo Uruguai; Cardozo, pelo Paraguai; Katsouranis, pela Grécia; Binya, pelos Camarões; Luisão, pelo Brasil; e Suazo, pelas Honduras.
Nenhum deles perdeu, todos foram titulares (com excepção de Nuno Gomes), pelo que a moral está alta, para satisfação de Quique. E também não houve casos de quebra física. Vamos a ver agora a segunda ronda de jogos de apuramento para o Mundial, entre amanhã e quarta, antes do regresso aos trabalhos na Luz.
O que é de realçar é que Quique Flores tem quantidade em qualidade neste plantel à sua disposição. Matéria-prima não falta: 10 jogadores com lugar marcado nas principais selecções do Mundo – Brasil, Argentina, Portugal, Grécia (ex-campeã da Europa), Camarões (finalista na última CAN) – não é vulgar. Admito mesmo que seja quase caso único na Euopa do futebol. Assim, só posso esperar a vitória em Napóles e, depois, mais duas, em Paços de Ferreira, e na Luz, contra o Sporting. Pedir o céu não é pedir muito, pois não Quique Flores?

sinto-me: Entusiasmado
música: Mamma Mia


Segunda-feira, 1 de Setembro de 2008

O Benfica tem de ir à bruxa. O jogo de sábado à noite contra o FC Porto foi um exemplo claro de que há forças malignas que nos lançaram algum mau-olhado. Será que Quique, tido como um homem supersticioso, fez algo que não devia? O que é certo é que tudo o que podia correr mal correu mal.

Começou na nomeação do árbitro, passou pela semana turbulenta do Benfica – jogadores que saem, jogadores que entram, jogadores que, talvez, sejam transferidos, etc. -, continuou com a divulgação, antes de tempo, que íamos jogar com Reyes e Di Maria (o que ajudou o FC Porto a montar uma estratégia com base nessa informação).
Depois, dentro do relvado, aos 11 minutos, uma grande penalidade tão estúpida como escusada. Antes ainda do intervalo, diversas oportunidades clamorosamente falhadas. Três minutos depois do golo do empate, expulsão estúpida e escusada de Katsouranis – mais de meia-hora a jogar com 10. Nos últimos 15 minutos, uma sequência terrível e quase patética de jogadores do Benfica com queixas físicas – mal comparado, quase parecia a célebre final da Taça dos Campeões Europeus, em 1988 contra o PSV, em que os jogadores encarnados não podiam fazer uma corrida que lhe saltavam as chuteiras. No sábado à noite,  em vez das chuteiras foram os músculos.
Olhando agora para o futuro. Com 15 dias pela frente até ao próximo compromisso oficial, contra o Paços de Ferreira, na Mata Real, Quique precisa de clarificar duas questões para mim prioritárias. A primeira diz respeito a uma questão táctica essencial: assentar definitivamente o lugar a ser ocupado por Katsouranis – no centro da defesa ou no meio-campo. A minha opinião (há meses que escrevi que esta era uma questão nuclear) é que Katsouranis tem de jogar no meio-campo. Não se percebe a insistência no grego como companheiro de Luisão, quando se contratou Sidney e quando David Luiz está apto (se estava apto para jogar com o Inter, tinha de estar para jogar com o FC Porto). A segunda diz respeito ao grau de intervenção de Diamantino e de Chalana junto de Quique Flores. Ao que parece (e parece ser verdade) Quique não dialoga muito com as antigas glórias do Benfica. Quanto a mim este é um grave erro do treinador espanhol. O desconhecimento que Quique revelou do Rio Ave (apesar de Chalana ter feito várias observações da equipa vilacondense) foi uma das razões para a perda de dois pontos. Espero que não cometa o mesmo erro contra o Paços de Ferreira e se informe detalhadamente junto dos seus adjuntos portugueses (Rui Costa tinha razão em querer Diamantino e Chalana muito perto do grupo de trabalho).
Quanto à parte física, não possuo informação técnica que me habilite a pronunciar-me. Acredito que Pako Ayesteran, considerado um dos maiores especialistas europeus na matéria, sabe o que está a fazer. Como acredito que Quique Flores sabe o que está a fazer. Dois empates nos primeiros dois jogos não é bom mas não é o fim do mundo. Continuo a acreditar no título. Força rapazes! Força Benfica!
 
Post-Scriptum: O mais bonito e emocionante da noite de sábado na Luz foi a homenagem que o Benfica prestou a todos os seus atletas olímpicos, com especial destaque para os medalhados com o Ouro (Nélson Évora) e com a Prata (Vanessa Fernandes), e onde também marcou presença o nosso outro medalhado olímpico, com o Bronze, em 1984, António Leitão. A volta ao estádio, então, foi um momento sublime! Obrigado Nélson! Obrigado Vanessa!

sinto-me: A reagir
música: Forever Young


Sábado, 16 de Agosto de 2008

António de Souza-Cardoso em 16/08/08 | comentar | 14 comentários

Desde o jogo oficial de apresentação que a Família Benfiquista, na qual orgulhosamente me incluo, anda mais “animadota”, na expectativa de que agora sim, temos equipa para ombrear com os putativos concorrentes nacionais e europeus.

O jogo de ontem não deixou de confirmar essa subida de forma, com um Benfica a jogar como não fez na quase totalidade da época passada – em colectivo e com elevados índices de motivação. Mas não deixou de representar também aquilo que o Benfica deve evitar a todo o custo: perder, mesmo que seja por falta de sorte…

Ousando, uma vez mais, vestir a pele do tal treinador de bancada que floresce em cada alma benfiquista, julgo que ainda se nota trabalho por fazer e um melhor desenho do modelo de jogo e da distribuição dos jogadores em campo (lá irei…).

Gostei mais da primeira parte do que da segunda. Gostei mais, desde logo, dos dois alas iniciais. Para além do surpreendente e talentoso Urreta sou um admirador confesso de Ruben Amorim. Que pela enorme capacidade de ler o jogo e de abrir as defesas contrárias me parece demasiado limitado a jogar á direita.

Acho que na primeira parte o Benfica teve mesmo falta de sorte, bem simbolizada naquele estrondoso remate ao ferro de Óscar Cardozo (a estatística dos grandes nºs favorece Cardozo para um época com menos bolas ao ferro…)

Gostei muito da reentrada de David Luis. Um jovem imponente e tranquilo que julgo ter condições para devolver ao eixo da defesa o capital de segurança e de consistência de que a equipe e Luisão tanto precisam.

Para além da dúvida referida de Rúben Amorim (e provavelmente de achar mais útil Bynia do que Yebda na recuperação e retenção de bola) julgo que o momento do jogo foi o da entrada de Nelson, Nuno Gomes e David Luiz.

Este vosso Amigo andava a congeminar aquelas 3 precisas entradas, confessadas aos seus companheiros de sofá, e rejubilou julgando (parvamente, como verão) que o mesmo passou pela cabeça de Quique Flores.

De facto as entradas estavam certas. As saídas é que não. Julgava eu (mais ainda quando vi que ia sair Carlos Martins..) que Nuno Gomes faria de segundo ponta de lança, libertando Aimar para o lugar de Carlos Martins e David Luis substituiria Yebda, libertando Katso para o seu lugar. Nelson, por seu turno, daria a velocidade e profundidade que faltava ao lado direito.

Quique jogaria finalmente no sistema que eu julgava ser o que ele próprio defendia para o Benfica. Enganei-me. E o único pobre consolo que tenho é que vi a equipe cair a partir desse preciso momento.

Depois vieram os penalties onde valeu a maior experiência do Inter (será que não havia ninguém em campo mais experiente e rotinado do que Filipe Bastos e Nelson?).

No balanço final ficou esta dúvida na mistura com a tristeza de não termos conseguido satisfazer o pedido do grande Pantera Negra – “Deixem cá a Taça!”:

Será que num grande jogo como este faltou sorte ou ainda falta Eusébio isto é, ainda falta equipe, ainda falta Benfica? Ou dito de outro modo: toda a atenção é pouca no reforço ou desenho da equipe para que, como ontem, o Benfica não fique à mercê da sorte.

 

António de Souza-Cardoso

 

 


sinto-me: Lucky Luke
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