Sábado, 13 de Dezembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 13/12/08 | comentar | 57 comentários

 

Hoje é dia de Taça. De Festa, portanto, no sentido mais pictórico e mais popular, porque reúne na mesma competição, grandes e pequenos - a “Liga dos primeiros” e a “Liga dos últimos”, os eleitos e os enjeitados.

Não é este o caso, naquele jogo que reúne todas as atenções e reclama, por isso, todos os comentários.

E não é esse o caso porque, quando o campeonato já não é uma criança, são precisamente os dois primeiros que se defrontam.

E se o Benfica está felizmente habituado a estas “altitudes” o Leixões não está.

Mas a verdade é que todos reconhecerão que o lugar que ocupa não é já meramente circunstancial ou adventício. Porque ganhou no Dragão. Porque ganhou em Alvalade. Porque para usar as habituais mnemónicas, vingará o Natal na mesma posição de grande destaque e, provavelmente, com os objectivos de toda a época plenamente cumpridos.

Tenho um carinho especial pelo Leixões e a isto não deve ser estranho o facto de ter vivido mais de 25 anos na bonita “praia” de Leça da Palmeira, no Concelho de Matosinhos.

Fiquei por isso “entranhado” de Mar e partilhei muitas vezes com muito entusiasmo o fervor destes homens pela sua terra e pelo seu clube. Aprendi a admirar os “bebés” e a perceber que a um Clube de Futebol não basta ter a excelente formação (e predestinação) que o Leixões tinha. Falta algo mais, ligado á influência, ao poder e ao poder do dinheiro que não é e, infelizmente nunca será, próprio das terras pequenas.

A minha ligação natural ao Leixões, clube da terra onde mais tempo vivi, e ao Braga, clube da terra onde nasci, talvez tenham condicionado a minhas opções clubísticas.

Porque o Braga e o Leixões, ambos garbosamente vestidos de vermelho e branco, ambos oriundos de terras pequenas, viviam por oposição ao centralismo regional exercido (então e agora) pelo Futebol Clube do Porto.

Mas mais do que este sentimento de “oposição” ao poder hegemónico mais próximo, a verdade é que o que determinou que desde cedo me tornasse apaixonadamente Benfiquista foi a natural vontade que todos temos de vencer.

E na minha infância o Benfica ganhava tudo, ou quase tudo.

E eu não deixava de “vingar” o genuíno carinho que nutria e nutro pelos clubes das terras onde nasci e onde mais tempo vivi, por me identificar com o grande Clube de Portugal. O que ganhava tudo, mesmo ao poder “hegemónico” regional que o Futebol Clube do Porto representava e representa.

Eu e uma boa parte dos matosinhenses e dos bracarenses do meu tempo.

E não digo do meu tempo inocentemente. Porque este sentimento geral se foi desvanecendo á medida que o Benfica deixou de ser indiscutível. Á medida em que o Benfica foi deixando de ser o principal campeão.

E, talvez por isso, o maior sentido de urgência dos nortenhos benfiquistas em verem o seu clube vencer, em ter um clube de superioridade indiscutível em Portugal e no Mundo.

Entendam desta forma a nossa inquietação e a motivação principal que eu pessoalmente tive em entrar no projecto “Novo Benfica”. Não quero deixar de contribuir, da forma modesta que sei, a ajudar a recuperar este Benfica campeão que, na minha infância, “contaminou” Portugal.

Hoje eu, apesar de ainda estar entranhado de Mar, fico á espera outra vez que esse Mar Português se aquiete, com a força do Benfica que é também a força do Portugal antigo que, outrora venceu e glorificou o Mar.

Hoje recordarei a minha infância em Matosinhos quando vi, muito miúdo, o Rei Eusébio marcar no Estádio do Mar um livre impossível. E, já nessa altura, um árbitro impossível anulou o golo por não ter ainda apitado para a marcação. Eusébio, esse jogador impossível, fez novamente o impossível, marcando, da mesma forma impossível aquele golo impossível. Não foi a mão e Deus foi mesmo o pé de Eusébio que consumou, em festa, aquele milagre.

E o impossível aconteceu. O Estádio do Mar (ou boa parte dele) levantou-se de transbordante entusiasmo, vergado aos pés de tanta impossibilidade e de tão grande magia.

Hoje, tal como há uma semana nos Barreiros, vamos ganhar e vamos outra vez recuperar a infância de muitos nortenhos (de Braga, de Matosinhos, de tantas outras terras pequenas) que não têm que ser do Chelsea ou do Barcelona, porque vão ter outra vez em Portugal o melhor Clube do Mundo.

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: Saudoso
música: Mar Português


Sábado, 18 de Outubro de 2008

António de Souza-Cardoso em 18/10/08 | comentar | 28 comentários

                          

A desastrada entrada da selecção nacional no Mundial pôs muita gente a pensar no deve e no haver desta mudança de seleccionador que ocorreu no final do último campeonato da Europa.

Sem, como o humorista, querer dizer que Queiroz fez o que Murtosa nunca conseguiu fazer - que é convencer-nos que Scolari é bom treinador, digo já que não sou, nunca fui, um admirador nem de Scolari, nem de Carlos Queiroz.

Reconheço, no entanto, a um e a outro, qualidades indispensáveis para se conseguir ser um bom treinador de futebol.

Scolari tem uma enorme inteligência emocional, um poder de comunicação empático e envolvente e uma capacidade de liderança e de motivação fora do comum.

Scolari tem aquela espécie de carisma popular que posto num político meteria medo, tal é a capacidade de manipulação que está por detrás de um espírito tão envolvente e sedutor.

Nunca, como com Scolari, a Selecção despertou tantas paixões, foi tão eclética do ponto de vista social e de género. Scolari conquistou o rico e o pobre, o masculino e o feminino, com aquele ar meigo e empenhado na hora de fazer, dorido e contristado na hora de perder, sublime e magnânimo na hora de ganhar. Scolari conquistou a nação inteira que em vez de lenços brancos desfraldou bandeiras, de unidade e amor pátrio, nas sacadas das janelas.

 Scolari e a Sua D. Olga foram tão próximos tão mobilizadores dos portugueses que, nas fases finais de campeonatos, começava-se a temer pela harmonia das famílias, não tanto porque ele queria ver o futebol e ela a novela, mas porque nenhum dos dois cuidava de fazer o jantar.

Scolari não tinha, no entanto, uma abundante competência técnica, uma elaborada visão táctica, uma profunda sensibilidade e percepção do jogo no seu conjunto. Um conhecimento integral do futebol, enfim, que o projectasse para a galeria dos verdadeiramente especiais.

Sclari era esperto e ladino mas não era cerebral. Era brigão e sanguíneo, mas não era organizado, acutilante, racional. Era persistente mas não flexível. Tinha garbo mas não sentido crítico.

Mas, apesar disso, Scolari tinha a fortuna, tinha a Senhora de “Caravaggio”. Que não era nossa mas que logo adoptamos com fervor.

Com o carisma e a fortuna e, principalmente com um naipe de jogadores que nos seus clubes se habituaram a vencer, Scolari teve resultados como nenhum outro seleccionador nacional.

Depois veio Carlos Queiroz, aquele precisamente que em Riade, tinha construído a primeira equipe de jovens campeões para Portugal que mais tarde se afirmaram com grande relevância no futebol nacional e internacional.

Carlos Queiroz, curiosa e ironicamente, foi a semente do fruto com que Scolari havia de saciar (quase viciar) os portugueses.

Sem o carisma de Scolari, Carlos Queiroz assume a postura professoral de quem valoriza os aspectos técnicos e tácticos do jogo. Mas que infelizmente não domina as valências humanas e comportamentais. Não é um líder, é só um professor.

Talvez, por isso, tenha vingado, nos escalões mais jovens, onde os comportamentos são mais simples de enquadrar e dominar. Talvez por isso, tenha sucumbido estrondosamente ao molho de galácticos que foi encontrar no Real Madrid. Talvez por isso, tenha sido sempre um competentíssimo nº 2. Aquele que percebe muito do jogo mas a quem é retirado o palco e a liderança. O Murtosa de Sir Alex Fergunson!

Depois, Carlos Queiroz não tem a sua Senhora de Caravaggio. Não tem a fortuna de Scolari e da maioria dos atrevidos. O jogo com a Dinamarca e a última meia hora com a Albânia mostraram que Queiroz não pode ficar entregue ao sabor da sorte. Se jogar roleta russa morre á primeira tentativa. Parece um daqueles personagens tristes que apesar de terem sido sempre esforçados e sabedores, nunca tiveram a sorte e o golpe de asa para, verdadeiramente, se cumprirem.

Por isso, caros leitores do “Novo Benfica”. Aqui fica o desafio. Qual o melhor? O mais indicado para Portugal (ou talvez, quem sabe, para o Benfica)?

O condutor de homens que tem a personalidade mas não tem o conhecimento. Ou o Professor que tem o conhecimento mas não tem a personalidade.

Por mim, digo já que se estivesse no casaco de Madail (cruzes!) nunca escolheria nem um nem o outro, porque são os dois apenas parte do que falta para realmente vencer.

Quem eu escolheria era um treinador tão especial, tão especial que tivesse o melhor destes dois mundos.

A têmpera do condutor de homens e a sabedoria do Professor. Eu conheço um. Espero que, como ele já disse (e é dos tais que nunca diz nada ao acaso), não tarde o dia em que se venha a cruzar com Portugal (o com o Benfica).

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: indeciso
música: eu (não) tenho dois amores


Sábado, 7 de Junho de 2008

Miguel Álvares Ribeiro em 07/06/08 | comentar | 9 comentários

 

 

Notícia infeliz, ainda antes do início do primeiro jogo, a lesão de Quim que o vai impedir de jogar no Euro 2008. Felizmente não é nada grave e estará recuperado a tempo do início da preparação da época no Benfica.

 

 

 

Equipa mais que provável de Portugal para o jogo que começa daqui a pouco mais de 2 horas:

 

 

 

 

Ricardo na baliza

 

Defesa com Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira

 

 

Meio campo com Petit, João Moutinho e Deco

 

 

Ataque com Cristiano Ronaldo, Nuno Gomes e Simão Sabrosa

 

 

Vamos Portugal! Uma vitória clara no jogo inaugural para alegrar as hostes!

 

Força Portugal!





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