Sábado, 13 de Setembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 13/09/08 | comentar | 10 comentários

 

Nápoles, a conhecida comuna italiana da Campania, não é só famosa pela sua esplêndida Baia, que repousa azulada e tranquilamente no Mar Tirreno, nem apenas pela sofisticada ilha de Capri, o adormecido Vesúsio, as medonhas  histórias  da Gomorra, ou as mais beatificas memórias desse querido “San Gennaro”, cujo sangue se liquefaz á razão de duas vezes por ano.

Nápoles, para além de ser o terceiro centro metropolitano de Itália (depois de Roma e Milão), foi uma importante praça do Império romano e bizantino e a partir do século XIII um Reino associado ao Reino de Aragão, que se torna Estado independente no século XVIII até ao processo de anexação pela Sardenha e, mais tarde, de reunificação da Itália.

Nápoles tem, em suma, uma história e uma memória que estão para além da relevância e da representação que dela hoje fazemos. Mas que justificam a paixão identitária dos seus concidadãos e o fervor que devotam aos seus principais ícones, só intelegível á luz desta altivez histórica e memorial.

Antes que o leitor, como a ovelhinha tosquiada da anedota, me pergunte se viemos para aqui fazer aquilo que interessa ou viemos fazer tricot (?), passo já ao futebol e ao jogo que inicia a campanha europeia do Benfica.

Não foi só a deslocação a Nápoles que sugeriu este “regresso ao passado”. Foi o facto de, tal como a cidade, o clube já ter vivido um tempo de enorme esplendor, onde não faltou o génio e a diatribe de Diego Maradona, tão adaptado ao temperamento dos “sanguíneos” napolitanos.

O Clube esteve à beira da falência em 2004, altura em que foi salvo pelo cineasta Aurélio De Laurentilis, não evitando a descida á Serie C , de onde só regressa em 2006 para, no ano seguinte, se habilitar de novo à ribalta europeia.

O clube e a cidade estão hoje muito longe do esplendor de outros tempos, mas têm nos seus “tiffosi”  uma vontade, uma paixão e uma atitude revivalista que não são de menorizar.

Ao Benfica resta apenas ganhar. Porque é na Europa que se joga principalmente o valor de um Clube com o renome e a ambição do Benfica.

O valor da marca, dos jogadores e dos meios financeiros directos e indirectos que a “fortuna europeia” propicia.

Ganhar em Portugal, para além de nos afagar o ego, tem a única virtude, num mundo crescentemente globalizado, de nos permitir, ab initio, estar no principal palco europeu.

Se perdermos a Europa, perdemos, antes do tempo, mais de meia época. Perdemos também o capital de esperança que este novo ciclo legitimamente nos proporcionou.

Num Benfica que, como a “Bella Napoli”, quer fazer presente o enorme passado que teve, perder a Europa antes do tempo tem que ter inevitavelmente consequências.

E não venham os do costume, por causa desta afirmação, duvidar do meu benfiquismo.

Eu é que começo a duvidar se fazem falta ao Benfica, todos aqueles que já se habituaram a perder.

Vamos lá ganhar a Nápoles e ficamos todos amigos outra vez.

Arriverdeci!

 

António de Souza-Cardoso

 

 


sinto-me: conquistador
música: La Traviatta



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