Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

António de Souza-Cardoso em 07/05/09 | comentar | 55 comentários

Não gosto por mero pudor (que é meu e que não contém nenhuma critica para quem o não tem) de comentar posts ou opiniões dos meus companheiros de Blog.

Mas confesso que desta vez não resisto em “meter a colher” relativamente ao texto do meu Amigo Miguel Álvares Ribeiro e, principalmente, aos comentários que suscitou.

O Miguel, cuja isenção neste caso é maior que a minha, não quis abordar a questão juridico-regulamentar envolvida na “elegibilidade” da candidatura do Bruno Carvalho.

O Miguel, apesar de insigne Professor Universitário percebe apenas das Leis da Química e da Física.

O Miguel não tratou esse problema e, se calhar por isso, foi distratado ou, pior do que isso, mal e injustamente tratado.

O Miguel que é uma pessoa que admiro muito (há muitos anos) pelos princípios e pela coerência que nunca declina, quis tratar de um outro assunto:

Quis opinar se era ou não justo impedir um sócio de ser candidato por ser ou ter sido sócio correspondente.

Quis reflectir, por outro lado, se independentemente dos candidatos era bom ou mau para o Benfica que essa limitação existisse.

E quis, finalmente, perguntar se o actual momento do Benfica e a realização das próximas eleições, não justificariam uma alteração estatutária que permitisse uma maior mobilização associativa e com ela o aparecimento de novos projectos, ideias e protagonistas.

Eu, ao contrário do Miguel, vou directo à questão jurídica que ele não tratou e que muitos deram como adquirida.

Também, ao contrário do Miguel (ou pelo menos “diferentemente”), sou jurista, formado em Direito na Universidade Católica do Porto em 1987, e conheço por via das funções profissionais que desempenhei nos últimos vinte anos, as diferentes “construções jurídicas” das associações e organizações, qualquer que seja a sua natureza.

E com essa formação e experiência, afirmo sem nenhum rebuço, que o Bruno Carvalho pode candidatar-se à presidência do Benfica sem que seja necessária qualquer alteração estatutária.

O artigo 23ª dos estatutos merece uma leitura menos apressada do que a que tem sido feita e, principalmente, uma inevitável confrontação e conciliação com os nºs 1, 2 e 3 do artigo 12º que previamente regula os direitos e deveres dos associados.

O que o artigo 23º dos estatutos impõe aos associados que pretendam candidatar-se aos órgãos sociais é que, à data da eleição, respeitem duas condições distintas, sem as quais se não podem candidatar:

A primeira é que, à data da eleição, os candidatos perfaçam 5 anos ininterruptos de filiação associativa.

A segunda é que, à data da eleição, detenham a categoria de sócios efectivos.

E estas condições embora tenham que ser cumulativas, no sentido em que uma e outra têm que existir e ser verificáveis na esfera individual dos candidatos, não carecem de ser justapostas, no sentido de que a segunda condição (a da categoria de sócio) se alargue ou sobreponha à primeira.

Se a letra do estatuto não contraria esta minha interpretação, muito menos se compreenderia qualquer outra à luz do que terá sido o espírito do legislador.

Porque a verdade é que só esta interpretação parece não conflituar com as disposições prévias, previstas nas alíneas d) e e) do nº 1 e nos nºs 2 e 3 do art. 12º que regulam precisamente os direitos dos associados. Direitos inalienáveis que não podem ser depois condicionados ou diminuídos por outras disposições (ou pela apressada e abusiva interpretação das mesmas).

Como podem comprovar, o artigo 12º quando consagra o direito que o associado tem de se candidatar aos órgãos sociais, impõe apenas 5 anos consecutivos de “filiação associativa”. Não referindo, em parte alguma, que essa condição temporal tenha que ser feita na mesma especial categoria de sócio.

Não pode, por isso, este direito claramente expresso no art. 12º, ser afastado ou limitado por interpretações abusivas do art. 23º cuja leitura e compreensão deve, pelo contrário, ser feita á luz dos direitos dos associados que o estatuto previamente consagra.

Poderia explanar ainda mais profundamente estes argumentos mas, tal como o Miguel, também me não assiste essa motivação.

A minha motivação é a mesma da dele e rege-se por uma questão que não é jurídica mas de princípio: os Estatutos existem para servir o Benfica e não para que ninguém se sirva deles.

E quando deixarem de o servir bem, por exemplo porque condicionam a participação associativa e a procura de alternativas credíveis, então devem ser mudados.

Não em favor de Luis Filipe Vieira ou de Bruno Carvalho. Mas sim, e sempre, em favor do Benfica.

Infelizmente no nosso Clube, à míngua de resultados desportivos à altura da nossa história e da nossa grandeza, existe muita gente entretida a pensar em questões jurídicas. A começar pelos dirigentes que até vão recrutar “gente do adversário” para dirigir esse crucial departamento.

 Aos “Juristas de Bancada” que fizeram tanto alarido com o artigo do Miguel é caso para perguntar de que é que têm medo?

Só se for mesmo dos sócios do Benfica ….

 

António de Souza-Cardoso

  


sinto-me: justiceiro
música: Chamem a Policia


Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Há poucos meses atrás, o presidente do Sporting introduziu um novo termo no “léxico” do futebol português – Militância.

 

Numa entrevista, Filipe Soares Franco disse dessasombradamente que faltava militância no Sporting, quando comparado com o Benfica.
Explicava ele que os adeptos e sócios leoninos perdiam em apoio, presença no estádio, dedicação, com os adeptos e sócios do Benfica.
Na sua análise muito racional, Soares Franco via-se a liderar um clube sem alma, sem mística, sem apoio no estádio. As fracas assistências, os assobios sistemáticos foram o pano de fundo para esta denúncia.
Pelo contrário, distante poucos quilómetros, o líder leonino via um clube pujante, onde os adeptos e sócios acorriam em massa ao estádio, apoiavam a equipa. Em suma, no Benfica havia alma e mística. Ou, no léxico muito próprio de Soares Franco, o Benfica tinha militância.
Deve dizer-se que, apesar de ter caído como uma bomba em Alvalade estas declarações, o certo é que a palavra pegou de estaca. E no Sporting há mais gente a pensar como Soares Franco.
Recentemente, Paulo Bento, o treinador, veio a público dizer que gostava que a equipa do Sporting tivesse o apoio que tem a equipa do Benfica. Mais uma vez, para Paulo Bento, o Sporting não tem militância, o Benfica sim.
As ondas de choque não se fizeram esperar e, nos últimos jogos, é vulgar verem-se faixas negras entre os adeptos do Sporting com frases tipo: “Se os líderes dizem que o Benfica é maior que o Sporting, o que hão-de dizer os empregados?”.
De uma coisa não podem acusar Soares Franco e Paulo Bento: de demagogia. Não me cabe a mim verificar da pouca ou nenhuma militância do Sporting, se são os próprios presidente e treinador a confirmá-la, tenho isso como dado adquirido.
Mas a militância não é algo que apareça por geração espontânea. Como a mística, é preciso cultivá-la, alimentá-la, protegê-la.
Fez história a “mística benfiquista”. Baseada em vitórias, claro, mas também em jogadores formados na Luz e onde se mantinham anos e anos. A mística foi-se perdendo, por vários aspectos, mas tem vindo paulatinamente a ser recuperada.
A militância está viva e bem viva. Ontem, o estádio da Naval registou a maior assistência de sempre para jogos do campeonato. Eis a militância em todo o seu esplendor.
No último jogo na Luz, contra o Leixões, e com a equipa a jogar com 10 e os de Matosinhos em crescendo, os milhares de benfiquista a puxar incansavelmente pela equipa foram decisivos para a vitória final. Eis a militância ao vivo e a cores.
Como disse, esta militância não nasceu de geração espontânea. Tem um principal responsável: Luís Filipe Vieira.
O Presidente do Benfica, paralelamente à recuperação financeira e credibilização da imagem do clube que encetou, não esqueceu a alma do Benfica: os seus milhares de sócios e milhões de adeptos. À razão somou a emoção. Ao rigor juntou a mística. A seriedade de princípios e valores foi misturada com uma euforia controlada.
Luís Filipe Vieira fez a simbiose entre o gestor e o sócio do terceiro anel; entre o líder e o mais humilde dos benfiquistas; entre o porta-voz da verdade desportiva em todo o futebol português e o defensor intransigente dos interesses do Sport Lisboa e Benfica.
Os números não mentem. Aliás, os números nunca mentem. Luís Filipe Vieira é um homem de números e, por isso, eles aqui vão: em 2003, primeiro ano como Presidente do Benfica, o clube tinha 90 mil sócios; hoje somos mais de 175 mil.
Nestes 5 anos, aquele que apelidei de “Presidente do Povo” já inaugurou 55 Casas do Benfica espalhadas pelo País e pelo Mundo. Aliás, o contacto com os benfiquistas em Portugal e no estrangeiro tem sido uma das bandeiras da actuação de Vieira enquanto líder do Benfica.
Também o estádio da Luz tem sido uma catedral de militância, com uma média de espectadores por jogo, entre 2003 e 2009, de cerca de 40 mil, o que faria saltar de felicidade qualquer clube cá dentro ou lá fora.
Se isto não é militância…



Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 16/02/09 | comentar | 23 comentários

Podia chamar-lhe o Benfica Ecléctico, mas prefiro chamar-lhe o Benfica Global. Vou hoje abordar a questão das modalidades, centrando-me naquelas 5 que são consideradas as modalidades de alta competição: Basquetebol, o Andebol, o Hóquei Patins, o Voleibol e o Futsal. Mas podia falar de muitas outras, como, por exemplo, o paintball (é verdade... o paintball).

Ao longo da minha vivência benfiquista, tive várias referências, nomeadamente no futebol: Humberto, Chalana, Diamantino, Vítor Martins, Néné, Bento – seria estultícia da minha parte elencar todos os nomes que envergaram a camisola vermelha e que eu aprendi a glorificar.
Ao lado destes, não posso esquecer os nomes de Carlos Lisboa, Jean Jacques, Livramento, Ramalhete, Ricardinho, e os grandes do nosso atletismo, como António Leitão, José Carvalho, Anacleto Pinto ou agora os nossos Nélson Évora e Vanessa Fernandes.
Porque falo disto? Porque ao lado do eclipse das vitórias no futebol, na década de 90, também se verificou a mesma realidade nas modalidades. E se no futebol já se começam a ver fortes lampejos de luz, nas modalidades o sol também começou a raiar com intensidade.
Num caso como noutro, é só a partir da ascensão à liderança do Sport Lisboa e Benfica de Luís Filipe Vieira que se faz o regresso às vitórias. No futebol, a memória não nos trai – depois de 11 anos sem títulos, vencemos em 2003/04 a Taça de Portugal e em 2004/2005 o Campeonato e a Supertaça – todos sob a liderança de Vieira.
Nas modalidades, talvez que a memória esteja menos fresca. Por isso, aqui vai: no andebol, após 18 anos sem vencer o campeonato, regressamos ao título em 2007/08, e vencemos 2 taças da liga (2006/07 e 2008/09); a taça de Portugal não é ganha desde 1986/7 e a supertaça desde 1993/4.
Hoje, o andebol luta ombro a ombro por nova vitória no campeonato, e a recente vitória na taça da liga faz crer que o título máximo não irá fugir.
No basquetebol, os últimos títulos datam da década de 90, e não somos campeões desde 1994/5. Ainda revemos com um enorme prazer nostálgico as soberbas exibições daquele “cinco” mágico: Lisboa, Guimarães, Jean Jacques, Henrique Vieira e Mike Plowden. Gigantes que derrotaram os maiores da Europa, como o Real Madrid.
Hoje, comandados por essa glória que dá pelo nome de Henrique Vieira, vamos com 21 vitórias consecutivas e, tudo o indica, a caminho de vencer, de novo, o campeonato.
No hóquei, já vai longe o tempo das glórias do rinque, Livramento, Ramalhete ou Jorge Vicente. O campeonato não é ganho desde 1997/8, a taça de Portugal desde 2001/02 e a supertaça desde 2001/02. Este ano, com uma equipa jovem, estamos a poucos pontos do 1º lugar e face aos últimos resultados (nomeadamente a goleada infringida a FC Porto na Luz) com todas as condições para lutar pelo título no “play off”.
No voleibol, fomos campeões em 2004/05, quando não o éramos desde 1990/1, e ganhamos 3 taças de Portugal, em 2004/05, 2005/06 e 2006/07, o que não acontecia desde 1990/1. Este ano, as coisas não têm corrido na perfeição, mas a experiência de outra glória, que comanda a equipa há alguns anos, José Jardim, inspira todos os sonhos, até porque já vamos numa série de vitórias consecutivas.
Por fim, a nova modalidade, coqueluche das tv´s e dos pavilhões, o futsal. Pois aqui, o Benfica é rei e senhor, tendo sido 4 vezes campeão, 3 vezes vencedor da Taça e outras 3 da supertaça desde 2002/03. Neste período ainda foi finalista da UEFA Cup e da Taça das Taças. E temos um dos melhores jogadores do mundo, Ricardinho, muito assediado extra-muros mas que acabou por renovar com o Benfica.
E podíamos ainda falar das vitórias olímpicas de Nelson Évora e de Vanessa Fernandes, cujo ouro conquistado em Pequim, em Agosto passado, tornou o Benfica o clube português mais medalhado em Jogos Olímpicos.
Ainda recentemente, uma das nossas jóias da coroa, a Vanessa, assinou com o Benfica um contrato por mais 5 anos, num acto de gestão desportiva que merece todos os aplausos. Mas há mais. Falemos de infraestruturas…
Dois magníficos pavilhões, no complexo desportivo da Luz, são o sinal de que não é por falta de condições que os títulos vão falhar. Os nossos mais directos adversários ou não possuem qualquer equipamento, andando de casa às costas (Sporting) ou só agora estão a concluir um minimalista pavilhão, que não chegará para as encomendas (FC Porto).
Mas há mais. Enquanto o Benfica tem estas 5 modalidades de alta competição, o Sporting apenas possui 2 (futsal e andebol) e o FC Porto 3 (andebol, basquetebol e hóquei). Parece que já estou a ouvir: está tudo muito bem, mas o futebol?
Podem as vitórias nas modalidades substituir as do futebol? Não podem, claro. Nem o seu contrário é verdadeiro. Mas quando lemos Henrique Vieira, em recente entrevista a “A Bola”, dizer qualquer coisa como isto: “Todos os meses temos reuniões com o Presidente”. Sabemos que o Benfica Global não é hoje uma expressão nem um conceito sem sentido.
É uma ideia, um ideal, um espírito. Que já sofreu muitos tratos de polé (ai se Cosme Damião soubesse!), mas que tem vindo a reforçar-se, a fortalecer-se, numa lógica que passa por pensar uma instituição como um todo, no futebol e nas modalidades, e mesmo muito para além das paredes do estádio, dos pavilhões e das piscinas. E muito, mas mesmo muito, para além das próprias fronteiras pátrias. É este o Benfica Global que amamos.

Post-Scriptum: Nas últimas semanas, Luís Filipe Vieira celebrou um acordo de grande envergadura com a Sagres (Centralcer), cujo valor é invulgar para o mercado português. A Sagres vai passar a patrocinar todas as modalidades do Sport Lisboa e Benfica. Mais um acto de gestão de relevante significado para o engrandecimento do Benfica Global.


sinto-me: Renascido
música: Ser Benfiquista


Sábado, 3 de Janeiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 03/01/09 | comentar | 28 comentários

Gosto muito do Jornal “A Bola”. Compro-o desde miúdo. Mas sei que a razão porque gosto dele é a mesma porque os Portistas escolhem o “Jogo” e os Sportinguistas preferem o “Record”.

 Não estou a pôr em causa a independência jornalística dos colaboradores da “Bola” mas há jornais de tendência e no desporto isso é muito nítido, talvez até por razões de mercado – três diários desportivos, três habituais candidatos ao título…

Gosto muito do Pedro Fonseca. Conhecia-o por razões mais institucionais que relacionam a minha vida profissional com a dele. Mas conhecia mal o Homem e ainda menos o apaixonado Benfiquista. E fico a dever ao “Novo Benfica” o ter-me dado a oportunidade de conhecer realmente o Pedro. Amigo leal, de trato dócil e envolvente e de coração franco e aberto. Não posso exagerar nos qualificativos porque já falei dos dois intrépidos abraços que demos nos inglórios golos contra o Nápoles e começo a ter verdadeiro receio de más interpretações.

Mas a verdade é que o Pedro quando fala do Benfica tem uma abordagem quase pueril, de quem se despoja de tudo e fica apenas, mimadamente, com a sua mais genuína e vincada devoção – o Benfica. É um puro, portanto, e um benfiquista primário, também.

O Pedro Fonseca está, em suma, para o universo dos associados e simpatizantes do Benfica na mesma exacta e excessiva proporção que “A Bola” está para o jornalismo desportivo.

São assim, portanto, um e o outro, refúgios de confiança de que gostamos muito.

Estes estimados “portos de abrigo”, por reconfortantes que sejam não devem no entanto diminuir o nosso espírito analítico e condicionar a nossa intervenção pedagógica sempre que achamos que as coisas não estão a correr bem.

 O amor clubístico é difícil de medir e não deve, principalmente, ser confundido com o apoio cego e incondicional a todas as acções perpetradas por quem, circunstancialmente, representa o Benfica.

Tal como com os nossos Filhos (de que todos nós tanto gostamos), é um erro achar que se gosta mais quando se enaltecem todas as qualidades ou quando se perdoam todos os defeitos.

Por isso, não faço nunca comparações entre os amores dos benfiquistas “primários” como julgo que é o Pedro e dos Benfiquistas secundários, onde julgo que me reconheço melhor.

Isto tudo a propósito não só do último balanço de 2008 feito neste Blog pelo Pedro, mas também do artigo que fez no excelente “O Inferno da Luz” sobre a entrevista de Luis Filipe Vieira ao jornal a “Bola”.

Num e noutro caso o Benfica parecia a Alice, com o regaço cheio das maravilhas alcançadas durante o Ano de 2008

A entrevista, pode dizer-se, foi a primeira (e boa) entrevista de campanha de Luis Filipe Vieira. Feita provavelmente ao jeito do que ele gostaria e, por isso, não inocentemente, conduzida e editada pela “Bola”.

Falou-se pouco sobre um verdadeiro balanço desportivo do ano de 2008 que, por mais voltas que se dê, não é tão “glorioso” quanto todos gostaríamos. Falou-se quase nada, de que alguns dos mais importantes objectivos de 2009, ficaram já, ingloriamente comprometidos em 2008. Falou também escassamente sobre a intermitência exibicional de um plantel longo e caro como o nosso. Falou-se ainda menos sobre a responsabilidade de retomar um Benfica Campeão.

Falou-se muito dos muitos anos em que não fomos, como agora, “campeões de Inverno (o novo titulo que arranjamos e que acho francamente que só nos diminui).

Falou-se do Apito Dourado e do Apito Final e, apesar do menor sucesso nos resultados jurídicos, da vontade que se aplaude de prosseguir na defesa da verdade desportiva, na luta sem quartel que deve ser dada às forças e aos rostos de um “sistema” que, todos sabemos, está longe de ser isento e volta a ganhar confiança pelas sucessivas dilações e declinações da justiça.

Falou-se muito na regeneração das “amadoras”, na credibilização do Benfica, no novo empréstimo obrigacionista – que parece já não ser (e ainda bem) para comprar novos jogadores, no Benfica TV que está ainda por cumprir), no futuro Museu, e em tantas outras coisas que contribuirão certamente para o engrandecimento do Benfica mas que eu espero não desviem ninguém do essencial – o compromisso adiado de sermos Campeões.

 A razão de ser essencial do Benfica que não é ser empresa, nem sociedade de advogados, nem é explorar televisões ou dedicar-se à museologia.

A razão de ser essencial do Benfica é ganhar. É ser campeão. E este deve ser, por isso mesmo, o primeiro e mais decisivo critério de avaliação do desempenho dos seus dirigentes, técnicos e jogadores.

Na vida há um tempo de semear e outro de colher. Mas há um tempo. Não há sempre semeadura sem colheita ou com colheita estragada, por causa da trovoada, do adubo ou de um bando de corvos….

Julgo que todos perceberam já o alcance das minhas palavras.

O Benfica que recuperou estabilidade e credibilidade muito pelo esforço da equipe liderada por Luis Filipe Vieira, não pode estar sem ganhar, nem vibrar com campeonatos de inverno, ou medalhas olímpicas ganhas pela … Argentina.

O Benfica de Suazo, de Reyes, de Aimar, de Luisão, de Sidnei, de Di Maria, de Cardozo, de Katsoranis, de Quim, de Carlos Martins, de Ruben Amorim, de Nuno Gomes, tem que ganhar.

Porque tem tudo para ganhar.

 Até estabilidade.

 E principalmente, como bem disse Luis Filipe Vieira, o melhor activo que qualquer Clube pode ter – Uma massa associativa que à razão média de 43 mil espectadores tem apoiado a equipa como nenhuma outra massa associativa.

Luis Filipe Vieira nesta interessante entrevista à Bola foi de resto, como eu, um Benfiquista secundário quando denunciou os tempos de João Vale e Azevedo e criticou todos “aqueles que nunca se atreveram a questionar o caminho que estava a ser seguido pelo Clube”. Porque isso é, para mim, obrigação de qualquer Benfiquista, quando o Benfica não ganha, ou se afunda, ou se descredibiliza.

Por isso, embora vá empurrando responsabilidades e autonomias para o menino Rui Costa, Luis Filipe Vieira mostrou, nesta primeira entrevista de campanha, que sabe bem que o anúncio de novos ciclos e refulgentes estrelas para o Benfica já acabou.

Luis Filipe Vieira sabe bem que não chega correr muito, fazer boas fintas e jogar sempre bonito. Há um tempo, em que é preciso marcar. E, ou tudo o resto está ao serviço deste desiderato final, ou infelizmente, de pouco vale.

Luis Filipe Vieira sabe bem que até Outubro tem que ser Campeão.

Até lá, com o Pedro e os outros 42.998 Benfiquistas, cumpre-me continuar a apoiar o nosso Benfica.

E a acreditar que quem deu estabilidade e credibilidade ao Clube é, seguramente, quem melhores condições ainda tem para cumprir o mais importante, que é fazer do Benfica o verdadeiro e único Campeão.

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: Secundário
música: We Are the Champions


Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Pedro Fonseca em 29/12/08 | comentar | 29 comentários

Este é o meu último post de 2008. Nestas alturas, a tradição obriga a que façamos um balanço do ano. Para mim, a tradição ainda é o que era. Por isso, elegi os momentos que marcaram, na minha opinião, 2008.

Mas primeiro, quero eleger o homem do ano – Nélson Évora, português e benfiquista, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Quem senão um atleta benfiquista poderia dar a Portugal a maior alegria e o maior feito desportivo de 2008?
Vamos agora aos momentos mais marcantes. Sendo a ordem arbitrária, começo por um que teve o paradoxo de ser simultaneamente triste e feliz para os benfiquistas: a despedida de Rui Costa dos relvados.
O “maestro” disse adeus a uma carreira fantástica, não com os êxitos desportivos que desejaria, mas envergando a camisola que sempre amou e dignificou. Quando regressou ao Benfica vindo de Milão, pela mão de Luís Filipe Vieira, Rui Costa trazia dois objectivos na cabeça: ser campeão com a camisola do Benfica e acabar assim a carreira de jogador.
As lesões impediram que isso acontecesse, condicionando o desempenho desportivo de uma equipa que estava dependente da sua presença em campo. Acabou a última época já em sofrimento físico e psicológico. Disse adeus aos relvados em noite de emoções na Luz, numa das mais belas despedidas que o futebol já viu. Perdeu o Benfica um génio da bola, ganhou um excepcional director desportivo.
2008 foi um ano mau para o futebol profissional do Benfica. O 4º lugar na Liga foi resultado de dois factores conjugados: as lesões de Rui Costa, que o impediram de dar o seu contributo por vários jogos, e o abandono do treinador Camacho, com muitas jornadas ainda por disputar. No meio destas imprevisibilidades, era difícil fazer melhor.
Transformado em Apito Final, o processo de investigação à corrupção no futebol português, denominado Apito Dourado, viu o seu epílogo este ano, com a condenação de dois clubes importantes, o Boavista FC e o FC Porto, e respectivos dirigentes máximos.
Não me cabe aqui fazer a abordagem deste processo, nem dos seus soluços jurídicos. Apenas registo que no caso do Boavista, ele conduziu o popular clube do Bessa à descida de escalão e ao previsível desaparecimento; no caso do FC Porto, a situação, a meu ver, é mais grave porque irreversível.
O Apito Final, aparentemente, não produziu sequelas desportivas na colectividade das Antas. Aparentemente. Contudo, os prejuízos na imagem internacional do clube (internamente a imagem nunca foi muito famosa) foram gigantescos e, repito, irreversíveis.
Digo-o com conhecimento de causa. Em Genebra e em Basileia, onde assisti a jogos de Portugal no Euro 2008, quando me identificava junto de adeptos de outras selecções dizendo que era da “região do Porto”, tinha como resposta: “Ah, do clube que compra os árbitros!!!”. Talvez os portistas não tenham ainda essa nítida percepção, mas que essa nódoa é algo que manchará para sempre o clube, mais vitória menos vitória, isso é inequívoco.
Agosto foi mês de Jogos Olímpicos. Lá longe, em Pequim, o nome do Benfica foi gritado e dignificado. Nélson Évora (repito, o Homem do Ano), Vanessa Fernandes e Angel di Maria tornaram o Benfica no clube português mais medalhado em Jogos Olímpicos (não esquecer também a medalha de bronze de António Leitão, em Los Angeles/84).
Algumas semanas antes, o Euro 2008, na Suiça e na Áustria, fez parar Portugal. Uma semi-desilusão, com a eliminação nos quartos-final aos pés da finalista Alemanha. Os benfiquistas presentes no torneio, Nuno Gomes e Petit (Quim, infeliz, veio para casa devido a lesão) cotaram-se como dos melhores.
Outro dos pontos marcantes do ano foi a criação da Benfica TV. O arranque deste projecto, algo negligenciado por alguma imprensa (por motivos óbvios), está muito para lá do mero facto de colocar o Benfica na vanguarda dos clubes portugueses e ao lado dos maiores do mundo.
Contam-se pelos dedos das mãos os clubes de expressão mundial que deram o passo para montar um projecto audiovisual próprio. Mas a Benfica TV vai também ser um instrumento decisivo na “revolução” dos direitos televisivos em Portugal. Liderando as audiências, o Benfica exige as contrapartidas monetárias que a sua dimensão reivindica. Com a Benfica TV, Luís Filipe Vieira passa a deter a “arma” decisiva para a batalha que se avizinha.
2008 não terminou sem que o Benfica ascendesse ao lugar que deve ser sempre o seu: o 1º. Esta posição, que está já a incomodar muita gente (vidé arbitragem de Pedro Henriques no Benfica – Nacional), tem muitos responsáveis, mas deve-se sobretudo a uma estrutura de futebol profissional, blindada, eficaz e solidária (como se viu na resposta ao escândalo da anulação do golo de Cardozo no já referido Benfica – Nacional), pronta para dar resposta positiva a todos os desafios – e vão ser muitos e duros – que 2009 vai trazer. Estamos preparados! Um Bom Ano para todos!
 
PS: O Bruno Carvalho, cujos textos muito aprecio pela sua pertinência e arguta inteligência, deu, num dos seus últimos posts, uma notícia bombástica (os blogues também servem para dar notícias e não só para publicar opiniões), que, não fosse a nossa comunicação social andar distraída, seria manchete em qualquer jornal: José Veiga é benfiquista.
Ao revelar que o ex-presidente da Casa do FC Porto do Luxemburgo e antigo conselheiro predilecto de Pinto da Costa sempre foi, afinal, adepto (sócio?) do Benfica, destrói também um dos maiores mitos do clube azul-e-branco: só ter na sua estrutura portistas “bacteriologicamente” puros. Luís Filipe Vieira está perdoado.

sinto-me: Alegre
música: Happy New Year


Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Pedro Fonseca em 22/12/08 | comentar | 27 comentários

Depois da tempestade vem a bonança. As eliminações da Taça de Portugal e da Taça UEFA, que marcaram a semana, podem culminar hoje à noite, na Luz, contra o Nacional, com uma vitória que nos deixe mais isolados no primeiro lugar da Liga.

 

Mas a semana também ficou marcada pelas intervenções do Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, do Director Desportivo, Rui Costa, e do treinador, Quique Flores. As palavras de ordem foram bem audíveis, interna e externamente: empenho, trabalho, ambição.
Não houve puxões de orelhas, nem processos disciplinares, nem jogadores castigados, mas sim um alerta geral, dirigido de cima para baixo, e que foi assimilado por todos. O investimento feito na equipa de futebol profissional obriga a uma total concentração de esforços na conquista da Liga – principal objectivo da época.
Luís Filipe Vieira apelou a uma “cultura da exigência”; Rui Costa tranquilizou todos e disse que em Janeiro não haveria nenhuma “revolução” e Quique Flores garantiu que o que se viu contra o Metalist “não voltaria a suceder”.
O que resulta destas declarações é que o Benfica está unido e imbuído do mesmo espírito: vencer a Liga. O clube está blindado contra todos os ataques destabilizadores que os nossos adversários queriam encetar.
É de notar que apesar de uma semana negativo em termos de resultados desportivos, não se assistiu a nenhuma turbulência interna, os arautos da desgraçada ficaram no seu canto, ignorados e desprezados, a estabilidade não foi abalada.
Os principais rostos do clube: Luís Filipe Vieira, Rui Costa e Quique Flores, deram a cara perante os sócios e os adeptos, quando era fácil e mais cómodo esconderem-se, como outros fazem noutros lados.
Assumiram as responsabilidades e exigiram que rapidamente foi ultrapassada esta fase menos boa. A resposta terão de dá-la os jogadores hoje à noite na Luz. Mas os sócios e os adeptos também têm de contribuir com o seu apoio e entusiasmo, de princípio a fim.
O clube está bem e recomenda-se. Reyes quer continuar; Suazo quer continuar; Aimar quer continuar. Os três ases de um baralho de luxo não esmoreceram o seu entusiasmo com os fracassos na Taça de Portugal e na Taça UEFA. Porque sabem que o projecto que o Benfica está a construir e a desenvolver visa devolver o clube às grandes vitórias internacionais.
Nada nem ninguém nos desviará deste caminho que trilhamos e que nos levará ao sucesso. As palavras que foram ouvidas da boca de Vieira, de Rui Costa, de Quique Flores são o espelho da realidade do Benfica: unidos, empenhados e atentos.
É isso que os benfiquistas precisam de estar, mais que nunca: unidos, empenhados e atentos. A grande nau vai enfrentar algumas vagas, mais agitadas e perigosas, mas o timoneiro tem o comando bem firme nas mãos e a tripulação sabe que a rota é a mais segura para chegar à Terra Prometida: o Título.

sinto-me: Ansioso
música: Feelings


Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Pedro Fonseca em 15/12/08 | comentar | 26 comentários

Luís Filipe Vieira deu uma grande entrevista à Benfica TV. Repisando algumas das ideias e projectos que tem vindo a anunciar, o Presidente do Benfica evitou pronunciar-se sobre uma possível recandidatura.

 

A pouco menos de um ano das eleições no Benfica, é normal que se comece a questionar quem serão os candidatos. Mas também é importante que os benfiquistas percebam que os “timings” dos órgãos de comunicação social não são os “timings” de Luís Filipe Vieira nem do Benfica. A maior parte das vezes são até “timings” muito diferentes e opostos.
Vieira faz bem em não ceder à pressão mediática. Não para alimentar qualquer tabu, mas porque, se calhar, há quem queira provocar manobras de diversão para desviar o Presidente do Benfica e os benfiquistas daquilo que é, para já, prioritário: consolidar a liderança, consolidar o projecto da Benfica TV, preparar o Benfica para os novos desafios, internos e externos.
Por outro lado, ninguém melhor do que Luís Filipe Vieira sabe qual é o momento ideal para se pronunciar sobre as próximas eleições. Dir-me-ão que nenhum benfiquista espera outra coisa que não seja a continuidade do actual líder. É bom, porém, que se saiba que se hoje é apetecível ser líder do Benfica isso deve-se ao trabalho hérculeo de recuperação financeira e da imagem do clube, e essa recuperação deve-se em grande parte a Luís Filipe Vieira.
Com o que foi conseguido e alcançado nestes últimos anos, é normal pensar-se que Luís Filipe Vieira tem uma passadeira vermelha estendida até ao cadeirão da Luz. Contudo, o sentido de responsabilidade do Presidente do Benfica não se distrai com as coisas fáceis e adquiridas.
Arrumada a casa ao nível do Departamento de Futebol profissional, com Rui Costa ao leme, Vieira tem sobre os ombros responsabilidades imensas. Não se trata agora de levantar do chão um clube depauperado, arrasado, descredibilizado por gestões danosas e irresponsáveis; trata-se de projectar o Benfica do futuro, alicerçado em projectos de vanguarda, primeiro entre os maiores clubes do Mundo.
A Benfica TV, que dá os primeiros passos, o projecto da Fundação Benfica, em prol dos mais carenciados, o Museu do Benfica, depositário de uma história gloriosa, as novas correlações de forças no âmbito das transmissões e direitos televisivos, obriga o Presidente do Benfica a um novo e redobrado esforço, dedicação e empenho.
Estes desafios não podem, por isso, ser abraçados por um homem só. Os benfiquistas têm de estar unidos e decididos a apoiar estes projectos e esta estratégia. Só com a nossa união, só com todos a remar para o mesmo lado, é que esta tarefa gigantesca será coroada de êxito.
Vieira sabe que pode contar com os benfiquistas, como contou no passado. Mas este apoio tem de ser dado com provas concretas, com acções determinadas e claras. Querem prova mais concreta e objectiva de que o Benfica está no bom caminho? Pois aqui vai: “No desempenho dos presidentes dos “grandes” no último mês, todos receberam apreciações positivas, mas a novidade é dada pelo facto de, a nível absoluto, Pinto da Costa ficar abaixo do seu homólogo do Benfica, Luís Filipe Vieira. É a primeira vez que tal sucede na vigência do Termómetro (sondagem mensal publicada no jornal “O Jogo”, na passada sexta-feira,  sobre o desempenho dos presidentes dos 3 “grandes”)”.
Este dado é tanto ou mais significativo quando se sabe que foi no último mês que o Benfica sofreu uma das suas maiores goleadas na Europa (5-0 frente ao Olympiacos, na Grécia, para a Taça UEFA), deitando quase por terra um dos principais objectivos da temporada.
A extraordinária receptividade dos benfiquistas a Luís Filipe Vieira resulta da conjugação de vários factores: 1 – O reconhecimento pela recuperação da credibilidade do clube; 2 – O reconhecimento pelo trabalho de equilibro económico-financeiro; 3 – O reconhecimento pelo trabalho de modernização das infra-estruturas desportivas; 4 – O reconhecimento pelo trabalho de recuperação do ecletismo do Benfica; 5 – O reconhecimento pela disponibilidade e energia demonstradas no reforço da militância e na expansão do benfiquismo, assim como na criação de novos projectos e lançamento de novos desafios: a Benfica TV e a Fundação Benfica, entre outros.
Os tempos difíceis que atravessamos obrigam-nos a uma responsabilidade acrescida. O Benfica é grande e importante demais para voltar a  cair em situações de aventureirismo, como as de um passado mais ou menos recente. O futuro obriga todos os benfiquistas a darem as mãos em prol de um projecto de Campeões.
 Ps1O meu texto anterior, intitulado “Mais que um clube” deu azo a alguns comentários a que pretendo responder. Uns “historiadores” chamavam a atenção para o facto da escravatura nos EUA ter sido erradicada muito antes dos anos 60. Se isso é verdade, de direito, não o é, de facto. Basta ler o que se passava em estados como o Alabama ou o Texas. Mas o que não foi erradicado foi a “escravatura moral”, que teve como ícone, Rosa Parks.
Ps2 - Nesse texto, referi alguns dos grandes jogadores que vestiram a camisola do Barcelona. Por lapso, referi Puskas, um grande jogador, sim, mas do Real Madrid. No texto, fazia a comparação entre o Barça e o Real, e isso levou ao lapso, pelo que onde se leu Puskas devia ler-se, Kocsis.

sinto-me: Desolado


Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Pedro Fonseca em 17/11/08 | comentar | 40 comentários

Cada clube tem a sua matriz genética, cada presidente o seu estilo. O ideal será uma comunhão entre as características mais marcantes da massa associativa e o perfil pessoal do líder.

O Benfica atingiu esse ponto de convergência entre aquilo que é a essência do clube e a forma de estar, a filosofia de vida, do actual Presidente do Glorioso. Passemos a explicar.
Clube do povo, o Benfica não nasceu em berço de ouro, como os seus dois mais directos rivais. Escolheu a cor vermelha, como forma de melhor expressar essa ligação indelével às camadas mais pobres e de estratos sociais mais baixos.
O contraponto com o Sporting, clube da aristocracia e do regime, e com o FC Porto, da alta burguesia portuense, foi evidente e notório. As vitórias no campeonato, a conquista da Taça Latina, em 1950, e, principalmente, a epopeia dos anos 60, com as duas vitórias na Taça dos Campeões Europeus, fizeram do Benfica um fenómeno de aceitação em Portugal e nas antigas colónias.
Se a base, onde estava a esmagadora maioria dos adeptos, sócios e simpatizantes, era preenchida com a gente pobre e assalariada, os golos de Julinho e de Eusébio, mas também as vitórias de José Maria Nicolau, na Volta a Portugal em bicicleta, garantiram um apoio transversal em todas as camadas da população.
Mas o Benfica nasceu povo, é povo e será sempre povo. Nem sempre os líderes do clube souberam perceber esse toque divino à nascença. Uns por distinção social, outros por estilo.
Não é o caso de Luís Filipe Vieira. O actual presidente do Benfica pode vir, no futuro, a ser identificado como o “Presidente do Estádio”, ou o “Presidente da Credibilidade”, ou, ainda, o “Presidente da Recuperação Económico-Financeira”, ou, mais ainda, o “Presidente do Regresso aos Títulos”.
Mas, verdadeiramente, o que lhe vai garantir um lugar ao lado de Joaquim Ferreira Bogalho, Maurício Vieira de Brito e de Duarte Borges Coutinho, é o facto de ser (ter sido) o “Presidente do Povo”.
Por debaixo da capa de negociador implacável, de empresário de mérito e de gestor de sucesso, está a alma de um adepto comum, igual à de milhões e milhões de adeptos do Benfica espalhados pelo Mundo.
O homem que não troca o bom nome e a credibilidade do Benfica pelas vitórias (mesmo que isso não seja totalmente entendido); o homem que prefere manter os pés na terra, cumprindo os contratos que celebra (mesmo que isso lhe acarrete algumas incompreensões); o homem que não hipoteca o futuro do Benfica mesmo que lhe agitem ilusórias e efémeras vitórias – esse homem é o mesmo que vibra com os êxitos e com os títulos, sejam os do futsal ou os do futebol; é o mesmo que desde que há cinco anos assumiu a liderança do Benfica, não se cansa de percorrer as Casas do Benfica, de Norte a Sul, para estar junto do “povo benfiquista”.
Em 2004/2005, no Bessa, na última jornada do campeonato, com o Benfica a conquistar o título depois de 11 anos de jejum, Vieira foi o adepto comum, que entrou no relvado para abraçar um a um todos os jogadores que tinham acabado de cumprir um sonho.
Aliás, escrevo-o com conhecimento de causa, às vezes essa paixão irracional de adepto transfere para segundo plano o rigor do gestor de créditos firmados. Por um momento, Luís Filipe Vieira também deixou que o seu “coração vermelho” se aventurasse e fugisse para fora do controlo do frio e imprescutável guardião do rigor e do equilíbrio das contas do maior clube do Mundo.
No ano do título (2004/2005), após a inesperada e quase catastrófica derrota em Penafiel, o Benfica precisava de vencer o Sporting (fulgurante com Peseiro) na Luz para unicamente depender de si para chegar ao título.
Logo nessa fatídica noite, Vieira fez saber junto da Direcção do Boavista que estava na disposição de comprar toda a bilheteira do estádio do Bessa, onde o Benfica disputava o último jogo do campeonato.
O arrojo e a coragem teve um preço. Alto. Quase um milhão de euros. Em Óbidos, no primeiro dia de estágio com vista ao jogo com o Sporting, o Presidente do Benfica reuniu todo o plantel e colocou em cima da mesa os caixotes com os bilhetes adquiridos. Disse apenas que o que estava ali dentro era o sonho de milhões de benfiquistas e que esse sonho não podia ser desfeito.
Luisão avançou e batendo com a mão no peito garantiu: “Presidente, vamos ganhar e vamos ser campeões”. Na Luz e no Bessa, a história é conhecida. Onze anos depois, o Benfica era, de novo, Campeão. E Luís Filipe Vieira, o “Presidente do Povo”.

 

Post-Scriptum: O "post" do António Souza-Cardozo sobre o Bruno Carvalho tem toda a minha solidariedade e o meu apoio. Sem me querer alongar, apenas digo isto: o Bruno é um verdadeiro benfiquista, de corpo e alma - com a coragem que eu gostaria de ter e com um coração do tamanho do Mundo. Voltarei a este assunto no "O INFERNO DA LUZ".


música: Ser benfiquista


Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Pedro Fonseca em 10/11/08 | comentar | 21 comentários

Foto Jantar

O António Souza-Cardozo escreveu um texto admirável sobre o memorável jantar de sexta-feira à noite, no Estádio da Luz, organizado por este blogue. Sem Benfica no fim-de-semana, vejo-me compelido a abordar, de novo, esta iniciativa, que contou com a presença do Presidente, Luís Filipe Vieira, e do Director Desportivo, Rui Costa.

Receio, porém, não estar suficientemente à altura de tal tarefa, depois do que escreveu o Souza-Cardoso. Assumo, no entanto, o desafio.
Antes de mais, uma palavra de agradecimento para os benfiquistas que marcaram presença no encontro. Depois, o agradecimento que se exige ao Presidente Luís Filipe Vieira e ao Director Desportivo, Rui Costa. Não só pela participação mas pelas intervenções realizadas.
Luís Filipe Vieira falou da obra erguida em 5 anos, a sua “menina dos olhos”, da recuperação financeira, da devolução da credibilidade ao clube, da revolução encetada ao nível administrativo, com a modernização interna do clube – cuja “cereja em cima do bolo” é a ligação “online” a todas as Casas do Benfica -, o novo estádio e centro de estágio, a recuperação das modalidades, hoje com performances ganhadoras, do reforço da equipa de futebol, etc.
José Nuno Martins, director do Jornal do Benfica, escreveu em recente editorial que a obra de Vieira é fruto de uma extraordinária perspectiva “visionária” do que deve ser o Benfica do futuro.
O Presidente do Benfica realçou, ainda, os novos projectos que o animam para o futuro: o Museu, a Fundação, e, principalmente, a revolução que pretende fazer ao nível audiovisual, através da Benfica TV, sabendo que o Benfica é o líder em termos de audiências televisivas. A recente polémica com a ZON TV Cabo é a prova de que Vieira não recua, nem verga, na defesa dos interesses do Benfica.
“Se tenho alguma responsabilidade neste processo de recuperação e regeneração do Benfica é ter tido sempre a preocupação de não olhar para a árvore, mas sim para a floresta”, disse, durante uma intervenção clarividente e esclarecedora.
O Benfica do futuro exige que não se abalem os alicerces construídos nestes últimos anos. E, por isso, é imperioso que se recusem quaisquer aventureirismos, que levariam o Benfica, outra vez, até perto do abismo.
Rui Costa é o garante que aos 3 títulos conquistados nos últimos anos (Campeonato, Taça e Supertaça), muitos mais se vão somar. De uma forma consistente e permanente. Ao comando do futebol, Rui Costa sabe como ninguém do seu ofício. Respira futebol e benfiquismo por todos os poros e sente-se como peixe na água a falar do jogo que o elegeu como um dos seus maiores intérpretes de sempre.
Guardo ainda na memória uma frase do Rui, que me há-de acompanhar até Maio/Junho, quando o campeonato estiver no fim. “Vamos ser campeões”, disse o Maestro. Foram como acordes de música celestial estas palavras. Despedimo-nos com a “chama imensa” bem acesa dentro da nossa alma. O Benfica do futuro está lançado a grande velocidade.
 
Post-Scriptum 1: Uma das maiores conquistas de Luís Filipe Vieira foi a mobilização dos benfiquistas em torno do clube. Agora que tanto se fala em “militância” clubística, Vieira bem pode dizer: “uns têm-na, outros não”. E para provar esta realidade, basta ver que o Sporting, em dois jogos importantíssimos (Shaktar e FC Porto) não reuniu mais de 45 mil pessoas em Alvalade. O Benfica, na Luz, num só jogo (Galatasaray), ultrapassou essa fasquia;
 
Post-Scriptum 2: Perdoem-me esta “boleia”, mas, sobre o jantar de sexat-feira, podem ainda consultar o que escrevi n´”O Inferno da Luz”.

sinto-me: Campeão
música: Ser benfiquista


Domingo, 9 de Novembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 09/11/08 | comentar | 46 comentários

Benfica.jpg

Escrevo depois de uma jornada de caça madrugadora, feita junta a Mértola, num montado dobrado, imponente e custoso, prenhe de perdizes ásperas a exigir assomos rijos do corpo.

Quando tocou a vespertina tinha dormido 3 horas velozes, minguadas e senti o corpo lerdo e dorminhoco a pedir mais descanso para as despesas do dia.

Pensei no que acontecera na véspera. Pensa-se sempre na véspera com arrependimento. Aquele último wisky…, aquela última hora de escusada folia.

Mas quando rememorei, sorri, ainda com o doce sabor do Benfica.

 Foi uma “Ganda Noite”.

 Acabada, é certo, com 3 horas de condução até Mértola sob o castigo de um nevoeiro denso. Mas valeu a pena.

Lá estava o “Terra Limpa” com um texto magnífico que explicava que o Xistra é um instrumento de limpeza equídea (com amostra e tudo);

 Lá estava a querida Vitória que tem um sorriso tão amigo e suave como os comentários que escreve.

 Lá estava o João e o Pai do João que o educou com esmero e paixão benfiquista.

 Lá estava o meu Amigo Raúl Lopes e o nosso amigo Luis Miguel que não via há anos “gordos” (os anos, não ele).

 Lá estava a tertúlia, feita de gente fogosa e cheia de graça.

Lá estava o Presidente, bem-humorado e chistoso, dando ao evento o cariz familiar que merecia.

Lá estava o Rui Costa, rigorosamente á minha frente (juro, não estou a regar) com aquele ar de “menino” (como ele diz) que nos cativa a todos.

Lá estávamos nós:

 Eu, o Bruno Carvalho (feliz, tal como eu), o Pedro Fonseca (que finalmente conseguiu dar cabo de mais um carro), o Armindo (a quem falta o tempo para a “palavra” mas não para “comunhão”), o Pedro Ribeiro (que joga com a mesma destreza connosco e com a Tertúlia).

 A noite teve, para mim que lá regressava depois da arrepiante vitória com o Nápoles, muitos momentos inesquecíveis, coroados com uma intervenção serena, construtiva e ambiciosa do Presidente Luis Filipe Vieira que correspondeu à transbordante vontade, tão bem defendida pelo Bruno Carvalho, de sermos (sempre) “Campeões para Sempre”.

Mas os dois momentos que me tocaram mais fundo, os grandes golos que este novo Benfica fez na noite de ontem da Luz, foram os daquele texto apaixonado do Carlos que, sem estar presente, nos projectou a todos para este intrépido romantismo que é “sermos Benfica”, na mesma imensa paixão: projectados no ar naquela indelével mas majestática linha da esperança ou, como com o Galatasaray, arrostados no chão a sacudir o pó, só no tempo preciso que nos leva a subir outra vez.

E a intervenção (toda) de Rui Costa, que nos contou a sua vida (toda) de Benfiquista inteiro, mesmo nos tempos em que a geografia e a grandeza o afastaram de nós.

Durante uns vinte mágicos minutos, ali ficou, com aquele ar de “Menino” ainda apaixonado, a falar da Sua amada com elegante desvelo e inebriante paixão.

Quando o Rui terminou pedindo para o Balneário o texto do Carlos, juntou num rosto que é o dele e num gesto que nos abraçou a todos, a grande Declaração de Amor que acompanhará a memória desta Ganda Noite de paixão e fervor Benfiquista.

 

António de Souza-Cardoso

 

PS1: Seria injusto não destacar o papel do Pedro Fonseca na organização do Jantar. Também Ele um exemplo maior de Amor e dedicação ao Clube. Manuel Alegre diria: – “que este Amor é de Pedro por … Benfica”. Eu digo, com mais simplicidade: - Obrigado Pedro!

PS2: Outra vez por razões que me ultrapassam - o Alentejo profundo está ainda mal “conectado”, não conseguir pôr o post no momento que seria oportuno. As minhas desculpas por isso.

 


sinto-me: Apaixonado, sempre
música: Love For Ever



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