Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Pedro Fonseca em 19/01/09 | comentar | 62 comentários

Uma mentira dita mil vezes não passa a ser verdade. Nos últimos dias, a tentação de ir ao baú da História para tentar explicar o presente, fez ressuscitar um nome: Inocêncio Calabote. Quem o fez não conhece a história, nem tem tempo para essas minudências do estudo e da investigação séria e rigorosa.

 

Tocou de ouvido e, como é natural, espalhou-se ao comprido. O presidente do SC Braga, é dele que falamos, arrisca-se a entrar no anedotário nacional ao desajeitadamente nem o nome do antigo árbitro ter conseguido proferir com exactidão. Quem lhe terá encomendado tal tarefa?

 

As gerações mais novas nunca ouviram falar de Inocêncio Calabote. Não será por isso António Salvador a fazer o papel de “historiador”, que, como o próprio denuncia sempre que abre a boca, não lhe encaixa no perfil.
A bem da seriedade de procedimentos e da honestidade intelectual, solicito a todos que embarquemos numa rápida mas elucidativa, esclarecedora e pedagógica viagem na máquina do tempo.
Recuemos a 1958/59. O campeonato estava ao rubro e o Benfica e o FC Porto chegavam à última jornada empatados em pontos. Os adversários eram a Cuf, no Estádio da Luz, e o Torreense, em Torres Vedras.
O FC Porto levava vantagem de 4 golos, na fórmula de desempate, entre golos marcados e golos sofridos. Era esta décalage que o Benfica tinha de ultrapassar para ser campeão. Sem imagens televisivas, foi através da rádio que se seguiram as peripécias em ambos os campos.
Na Luz, o Benfica entrou em campo 6 minutos depois das 15, hora de início do encontro, para tomar conhecimento prévio do resultado de Torres Vedras. Um estratagema muito recentemente utilizado noutros campos do país. Pelo facto, o clube foi multado.
Com 90 minutos cumpridos e 7-1 no marcador, Inocêncio Calabote prolongou o jogo por mais 4 minutos, devido a perdas de tempo de jogadores da Cuf, (os guarda-redes, por exemplo, nessa época podiam recrear-se com a bola na sua grande área o tempo que quisessem). Como termo de comparação, lembremo-nos que o árbitro Luís Reforço, no recente jogo FC Porto – Trofense, resolveu prolongar o jogo por 7 minutos. E quem não se lembra de um tal de Isidoro Rodrigues, que em 2001/2002, num Varzim – Benfica, prolongou o jogo 10 minutos para que os poveiros empatassem?
Voltemos a 1959. Com os jogos terminados, 7-1, na Luz, e 0-3, em Torres Vedras, o FC Porto acabou por se sagrar campeão com … 1 golo de vantagem. O curioso é que os testemunhos orais foram reescrevendo esta “estória”, tentando esconder alguns pormenores que fazem toda a diferença.
Calabote, que foi irradiado (sendo o primeiro árbitro a sofrer tal punição) já cá não está para se defender, mas é preciso que a História o reabilite e lhe faça justiça. Quanto mais não seja porque nunca viajou para o Brasil a custas de um clube de futebol, como Carlos Calheiros, nem fugiu a sete pés, em pleno relvado, de onze jogadores de um clube, o FC Porto, como José Pratas, nem atentou contra a verdade desportiva, como Martins dos Santos ou Jacinto Paixão.
O que tem sido escondido conta-se em poucas palavras. O Benfica marcou o seu sétimo e último golo aos 38 minutos da segunda parte, ou seja, 7 minutos antes do apito final (sem os descontos). Qual o árbitro que em 7 minutos não encontraria forma de beneficiar uma equipa com mais um golo? Inocêncio Calabote teria muito a aprender com alguns dos senhores que já citei.
Mas escondido tem sido, também, o que se passou no jogo de Torres Vedras. Ali, o FC Porto ganhava apenas por uma bola a dois minutos do fim, o que daria o título ao Benfica. Entretanto, marcou o segundo golo, o que também não chegava para ser campeão, mas a 20 segundos do final, Teixeira marcou o terceiro golo do FC Porto, que com isso arrecadou o título de campeão.
Mas houve mais, em Torres Vedras. O FC Porto fez 0-1 quando o Torreense jogava com menos um jogador, por lesão. A partir dos 20 minutos da segunda parte, o Torreense estava só com 10, por expulsão de Manuel Carlos, e viu ainda outro jogador expulso após o 0-2, por pontapear a bola para longe. O 0-3 é sofrido com apenas 9 jogadores em campo. Não foi de estranhar, por isso, que a arbitragem de Francisco Guiomar tenha sido muito contestada pelos locais. Mas disso, não rezou a história. Por enquanto…

sinto-me: Vingado
música: Blowin in the wind
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Domingo, 8 de Junho de 2008

António de Souza-Cardoso em 08/06/08 | comentar | 23 comentários

  

Ontem ganhamos à Turquia na jornada inaugural do Euro 2008 – normal, mas Bom Agoiro.

Antes tínhamos conhecido a lesão incapacitante de Quim que seria substituído por Nuno Espírito Santo – Mau Agoiro, tanto mais que para além de um Miúdo sem a grandeza nem a maturidade necessárias, restam-nos agora, na Baliza da Selecção, 2 graúdos que passaram as respectivas épocas sugestivamente sentados nos respectivos bancos.  Até parece que Scolari, ao contrário do que diz no milionário anúncio “às vezes não pensa” - Mau Agoiro, ainda porque na equipe de todos nós, saiu uma águia na força da vida para entrar um dragão de pouca chama.

O Onze inicial começou, para a além da Legião estrangeira, com 2 Benfiquistas, um Sportinguista e nenhum portista –  mais um Bom Agoiro, portanto.

No cômputo geral tivemos 4 bolas nos ferros e um golo anulado – Mau agouro, será que as Virgens de Caravaggio e de Fátima, se esqueceram de nós e da nossa extrema devoção?

Avaliados os bons e os maus agoiros vamos ao jogo. Ao contrário do que alguns diziam, ficamos a saber que a Turquia joga pequeno e que Portugal tem evoluído bem no colectivo, embora ainda sem a precisão e o entrosamento (gosto muito desta palavra que não vejo dizer em mais lado nenhum e me faz sentir mais perto de um Rui Santos ou outro verdadeiro comentador) que gostaríamos. Não estamos, na Suiça, ainda a trabalhar como um relógio, mas no global julgo que melhoramos.

Quanto às exibições destaco a boa prestação de Pepe que me pareceu fisicamente melhor do que Ricardo Carvalho, as alas não comprometeram a defender nem deslumbraram a atacar, o meio campo, com um Moutinho muito voluntarioso, um Deco a parecer cansado na segunda parte e o incansável Petit, o grande jogador das coisas pequenas – quantas recuperações de bola quanta energia posta em jogo. Pena não termos tido este Petit toda a época. Na frente para além da saudosa leveza de Simão e da genialidade de Ronaldo, a surpresa foi Nuno Gomes. O Capitão foi o ponta-de-lança que os comentadores têm dito que falta á Selecção. Uma bola no poste, outra na barra e uma preciosa assistência para o primeiro golo. E ainda, muito, muito trabalho a fixar a defesa Turca no seu reduto.

Pronto está visto, venha a República Checa onde a obrigação é vencer e, com isso, passar à fase seguinte

Um comentário final á entrevista do Presidente do Porto à SIC:

Assistimos a uma radical mudança de táctica no jogo jurídico azul e branco. Já perceberam que a invocação da não retroactividade da Lei não tem a definitiva validade jurídica que lhe queriam pôr. Perceberam também que conseguiram pressionar um Gilberto Madail sempre “esponjoso” e maleável e a pedir represália encarnada. Têm, finalmente, muita esperança, vá-se lá saber porquê no Conselho de Justiça e no recurso. Talvez animados por aquele também surpreendente (?) convite para se constituírem como assistentes no recurso interposto por Jorge Nuno (a vigiar…).

 Por isso a tese é: (1) vamos ganhar o recurso em tempo (desconfiemos todos se assim for);(2) o recurso de Jorge Nuno aproveita ao Porto (será que os catedráticos também disseram isto? – não me cheira);  e (3) a UEFA vê-se, em sede de recurso, confrontada com um batoteiro que já não o é (felizmente que na UEFA é menos permeável a  estes catedráticos “malabarismos”)  

No final, vi um Presidente mais envelhecido, sem a garimpa e o chiste de outros tempos. Com algumas “brancas” e outros mistérios como aquela dos suíços que ficamos sem saber se eram relógios, queijos ou canivetes….

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: Esperançado
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