Sábado, 30 de Agosto de 2008

António de Souza-Cardoso em 30/08/08 | comentar | 15 comentários

 

Hoje teremos mais um clássico.

 Não vale a pena diminuir a expectativa, a emoção e a competitividade destes jogos, onde directamente nos confrontamos com o principal opositor.

Gostamos de ganhar sempre, mas ganhar estes jogos tem realmente um sabor e um sentimento especiais.

 Só aparecer no café ou no trabalho de papo cheio, sorriso aberto e crista levantada, é uma perspectiva bem mais reluzente do que termos que fintar a troça, acabrunhados no gabinete ou em casa, com aquela premente necessidade de desaparecer, enquanto remoemos o indigesto sabor da derrota.

Estive em Vila do Conde e não gostei. Do nevoeiro, da equipe, da forma como foi armada na primeira parte, da amnésia do Carlos Martins, da falta de sorte da cabeça de Yebda, ou da falta de jeito (ou de árbitro?) de Aimar naquela jogada quase final (e fatal).

Houve pouca sorte, pouco árbitro e pouco Benfica no Estádio dos Arcos.

Por isso não queria nada levar com o Porto à segunda jornada. Com a nossa equipe ainda em fase de progressão e aprendizagem que já depois do jogo de Vila do Conde recebeu mais dois jogadores provavelmente “titularíssimos” – Di Maria e David Suazo.

Sei bem que o Porto também mexeu significativamente na sua estrutura e teve um resultado diferente com o Belenenses, porque os da “Cruz de Cristo” resolveram nascer outra vez e por outros, pequenos, pormenores (como o remate de Hulk) que só a fortuna sabe explicar.

Mas ainda assim preferia que não fosse agora.

A importância dos clássicos tem, para além das razões emotivas, razões de pura raiz matemática. De facto, nas contas finais dos jogos entre 2 opositores directos estão, sempre, doze pontos em jogo: seis que podemos ganhar e outros seis que podemos evitar que o nosso adversário ganhe.

O Benfica dos últimos anos, perdeu alguns campeonatos precisamente nos clássicos.

Porque, para além de tudo o que é azul, encarnado ou dourado (não vou falar, mas apetecia-me muito, de Jorge Sousa), lhe tem faltado a atitude vencedora, imprescindível em confrontos com este nível de pressão.

Por isso não vou fazer para este jogo de treinador de bancada.

Venha a melhor equipe que tivermos disponível, mas venha principalmente a raça e a mística que a camisola do Benfica deve dar a qualquer jogador que a vista.

Aquela meia vitória que é entrar em campo com a convicção, a vontade e a inquebrantável determinação de ganhar.

Dizendo de dentes cerrados, depois de afagar a relva e benzer a testa um – Até os comemos!

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: Determinado
música: Vamos Lá Cambada!



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