Sábado, 3 de Outubro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 03/10/09 | comentar | 11 comentários

 

 

 

Contra uma equipa desmoralizada e sem qualidade para fazer frente ao melhor Benfica desta época, fizemos uma das exibições mais pobres dos últimos tempos e o AEK aproveitou as facilidades para dar um pontapé na sua crise interna.

 

Pela segunda vez nesta época o Benfica jogou fora para a Liga Europa, perdeu e não mostrou o bom futebol a que nos vem habituando.

 

Não acho que o Benfica merecesse perder, mas também não fez o suficiente para ganhar o jogo, sobretudo na primeira parte, em que cometeu o erro de oferecer a iniciativa ao adversário, que se foi convencendo que podia fazer um bom resultado contra aquele Benfica que estava em campo.

 

Sem grandes mexidas na equipa base de Jesus, menos se compreende esta pálida imagem da equipa que temos visto a jogar esta época.

 

Júlio César teve outra oportunidade mas não ofereceu confiança e poderá ter perdido de vez o lugar para Quim, pelo menos nos tempos mais próximos. César Peixoto, que até tem sido opção frequente de Jesus, era aqui titular por doença de Shaffer e também não foi nada feliz.

 

Para além destes, alinharam os habituais jogadores da equipa base, mas não foram capazes de jogar com o entusiasmo e a qualidade que vêm mostrando; apenas di Maria e Ramires e, a espaços, Javi Garcia e David Luiz, me pareceram manter a atitude que vem caracterizando o Benfica vencedor.

 

No ataque, que vem sendo a imagem do Benfica 2009, estiveram as exibições mais desinspiradas; a falta de chama de Aimar (praticamente passou ao lado do jogo) terá sido a maior razão para a queda exibicional a que assistimos e desta vez não houve Weldon salvador.

 

É verdade que Sebastian Saja, o guarda-redes argentino ao serviço do AEK, fez meia 3 ou 4 defesas que evitaram outros tantos golos do Benfica. Se pelo menos uma destas ocasiões tivesse resultado em golo, poderia ter empolgado a equipa para outra exibição e pelo menos o resultado seria bem mais positivo.

 

O único lado positivo deste jogo terá sido o de não comprometer nenhum objectivo e afastar euforias excessivas. Para os jogadores terá ficado a lição de que têm que entrar em campo sempre com uma enorme determinação e capacidade de entrega ao jogo e que não se pode relaxar por o adversário ser, teoricamente, mais fraco.

 

2ª feira o Benfica joga em Paços de Ferreira sem 3 titulares indiscutíveis: Aimar, di Maria e Maxi Pereira. Será um teste difícil (jogar na Mata Real é-o geralmente), que nos irá permitir ver até que ponto a equipa consegue reagir bem a esta exibição menos conseguida e também se as soluções do banco (aposto em Ruben Amorim, Fábio Coentrão e Carlos Martins) dão a resposta que o Benfica precisa quando os titulares estão indisponíveis.

 

 

P. S. 1 – Pela grande diferença relativamente a alguns erros do passado, saúdo a forma organizada e sistemática como o Benfica tem vindo a rever a situação contratual dos seus principais jogadores.

 

P. S. 2 – A nossa equipa de futsal começou da melhor forma as competições europeias desta época, com duas goleadas (15-1 e 7-1) e o apuramento para a fase seguinte da UEFA futsal Cup. Tal como se previa Joel Queirós está a provar ser um grande reforço e Ricardinho continua a espalhar magia pelos pavilhões.

 


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Sábado, 26 de Setembro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 26/09/09 | comentar | 6 comentários

 

 

O Benfica comunicou ontem que foi autorizado pela CMVM a constituir o Fundo “BENFICA STARS FUND - Fundo Especial de Investimento Mobiliário Fechado”, cujo  objecto  principal consistirá  no  direito  a participar em determinada percentagem nas receitas e potenciais mais valias decorrentes da eventual transferência de um conjunto de jogadores, vinculados desportivamente à Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD.

 

Esta parece-me ser uma medida de grande interesse, que mostra o empenho em encontrar formas alternativas de financiamento para a actividade do Benfica que envolvam os seus associados.

 

É evidente que, sem conhecer os pormenores do fundo, não se pode dizer exactamente o interesse que ele pode ter para os potenciais investidores interessados, mas é certo que:

 

§       para os associados é uma forma de aumentar o seu envolvimento com o Clube e o seu interesse nos resultados desportivos do Benfica e, consequentemente, do valor dos seus principais jogadores e do seu investimento.

 

§        para o Benfica é uma forma de aumentar receitas e de dividir os riscos. É evidente que o Clube partilhará uma parcela dos lucros com a venda de jogadores, mas simultaneamente diminui o investimento necessário e dilui o risco inerente.

 

Estou certo que o meu filho, por exemplo, estará ainda mais interessado nos resultados desportivos do Benfica se souber que as suas poupanças estão a crescer na medida do sucesso do Clube.

 

Espero que os resultados de hoje permitam já aumentar a valorização dos jogadores do nosso plantel.

 




Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

António de Souza-Cardoso em 07/05/09 | comentar | 55 comentários

Não gosto por mero pudor (que é meu e que não contém nenhuma critica para quem o não tem) de comentar posts ou opiniões dos meus companheiros de Blog.

Mas confesso que desta vez não resisto em “meter a colher” relativamente ao texto do meu Amigo Miguel Álvares Ribeiro e, principalmente, aos comentários que suscitou.

O Miguel, cuja isenção neste caso é maior que a minha, não quis abordar a questão juridico-regulamentar envolvida na “elegibilidade” da candidatura do Bruno Carvalho.

O Miguel, apesar de insigne Professor Universitário percebe apenas das Leis da Química e da Física.

O Miguel não tratou esse problema e, se calhar por isso, foi distratado ou, pior do que isso, mal e injustamente tratado.

O Miguel que é uma pessoa que admiro muito (há muitos anos) pelos princípios e pela coerência que nunca declina, quis tratar de um outro assunto:

Quis opinar se era ou não justo impedir um sócio de ser candidato por ser ou ter sido sócio correspondente.

Quis reflectir, por outro lado, se independentemente dos candidatos era bom ou mau para o Benfica que essa limitação existisse.

E quis, finalmente, perguntar se o actual momento do Benfica e a realização das próximas eleições, não justificariam uma alteração estatutária que permitisse uma maior mobilização associativa e com ela o aparecimento de novos projectos, ideias e protagonistas.

Eu, ao contrário do Miguel, vou directo à questão jurídica que ele não tratou e que muitos deram como adquirida.

Também, ao contrário do Miguel (ou pelo menos “diferentemente”), sou jurista, formado em Direito na Universidade Católica do Porto em 1987, e conheço por via das funções profissionais que desempenhei nos últimos vinte anos, as diferentes “construções jurídicas” das associações e organizações, qualquer que seja a sua natureza.

E com essa formação e experiência, afirmo sem nenhum rebuço, que o Bruno Carvalho pode candidatar-se à presidência do Benfica sem que seja necessária qualquer alteração estatutária.

O artigo 23ª dos estatutos merece uma leitura menos apressada do que a que tem sido feita e, principalmente, uma inevitável confrontação e conciliação com os nºs 1, 2 e 3 do artigo 12º que previamente regula os direitos e deveres dos associados.

O que o artigo 23º dos estatutos impõe aos associados que pretendam candidatar-se aos órgãos sociais é que, à data da eleição, respeitem duas condições distintas, sem as quais se não podem candidatar:

A primeira é que, à data da eleição, os candidatos perfaçam 5 anos ininterruptos de filiação associativa.

A segunda é que, à data da eleição, detenham a categoria de sócios efectivos.

E estas condições embora tenham que ser cumulativas, no sentido em que uma e outra têm que existir e ser verificáveis na esfera individual dos candidatos, não carecem de ser justapostas, no sentido de que a segunda condição (a da categoria de sócio) se alargue ou sobreponha à primeira.

Se a letra do estatuto não contraria esta minha interpretação, muito menos se compreenderia qualquer outra à luz do que terá sido o espírito do legislador.

Porque a verdade é que só esta interpretação parece não conflituar com as disposições prévias, previstas nas alíneas d) e e) do nº 1 e nos nºs 2 e 3 do art. 12º que regulam precisamente os direitos dos associados. Direitos inalienáveis que não podem ser depois condicionados ou diminuídos por outras disposições (ou pela apressada e abusiva interpretação das mesmas).

Como podem comprovar, o artigo 12º quando consagra o direito que o associado tem de se candidatar aos órgãos sociais, impõe apenas 5 anos consecutivos de “filiação associativa”. Não referindo, em parte alguma, que essa condição temporal tenha que ser feita na mesma especial categoria de sócio.

Não pode, por isso, este direito claramente expresso no art. 12º, ser afastado ou limitado por interpretações abusivas do art. 23º cuja leitura e compreensão deve, pelo contrário, ser feita á luz dos direitos dos associados que o estatuto previamente consagra.

Poderia explanar ainda mais profundamente estes argumentos mas, tal como o Miguel, também me não assiste essa motivação.

A minha motivação é a mesma da dele e rege-se por uma questão que não é jurídica mas de princípio: os Estatutos existem para servir o Benfica e não para que ninguém se sirva deles.

E quando deixarem de o servir bem, por exemplo porque condicionam a participação associativa e a procura de alternativas credíveis, então devem ser mudados.

Não em favor de Luis Filipe Vieira ou de Bruno Carvalho. Mas sim, e sempre, em favor do Benfica.

Infelizmente no nosso Clube, à míngua de resultados desportivos à altura da nossa história e da nossa grandeza, existe muita gente entretida a pensar em questões jurídicas. A começar pelos dirigentes que até vão recrutar “gente do adversário” para dirigir esse crucial departamento.

 Aos “Juristas de Bancada” que fizeram tanto alarido com o artigo do Miguel é caso para perguntar de que é que têm medo?

Só se for mesmo dos sócios do Benfica ….

 

António de Souza-Cardoso

  


sinto-me: justiceiro
música: Chamem a Policia


Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 25/02/09 | comentar | 82 comentários

 O

O jogo com o Sporting, com todo o sabor triste e amargo que nos trouxe, teve a bondade de nos permitir ver com mais clareza e adivinhar com melhor acutilância os próximos episódios da vida interna do Benfica.

Ainda o “banho de bola” não nos deixou de doer e já começámos a ver os dedos de muitos apontados ao espanhol Quique Flores de quem, ainda há tão pouco tempo, se exageravam (?) os méritos, a juventude e a ambição.

Quique Flores era, com o Menino Rui a face visível e radiosa do novo Benfica – de um Benfica regressado, para ficar (muitos anos diziam), à Sua Glória e verdadeira Condição.

Como a Europa se foi, tristemente, aos “pés” de um conjunto de equipes sem estatura ou dimensão (ainda ontem sofri só de ver jogar); como a Taça de Portugal voou, ingloriamente, perante o aguerrido mas modesto Leixões, ficava-nos ou fica-nos de importante para esta época, vencer o Campeonato Nacional.

O jogo com o Sporting veio pôr-nos mais longe dessa legítima e última ambição. E apesar de nada estar ainda perdido – o Campeonato tem esta natureza de nos pôr a sonhar durante mais tempo, já começo a ver a propaganda do costume a adiantar desculpas e justificativos e agora, como convém, a adiantar o esboço de um suspeito ou, até já, de um provável culpado.

Porque tamanho insucesso precisa de ter um culpado. E o sistema (que existe) e a incompetência e iniquidade da arbitragem e do dirigismo do futebol (que também existem) não chegam já para sossegar as hostes. Não chegam já para explicar porque levamos um banho de bola do Sporting, (ou 5 a 1 do modesto Olympiacos)?

 Não foram eles que foram maus, fomos nós. E por isso precisamos, de entre nós, de apontar alguém que, por todos nós, venha a expiar a culpa de não sermos aquilo que nos prometeram (uma vez mais) que seríamos.

Nestas coisas é assim - a culpa inclina-se sempre para o lado mais fraco. E neste novo ciclo do Benfica (mais um..) o lado mais fraco é, sem nenhuma surpresa,  o espanhol Quique Flores.

Não foi assim também no ciclo anterior com outro espanhol também glorificado e elevado ao epíteto de salvador, antes de ser mortificado e pronunciado como o culpado de então?

Por isso, meus Caros benfiquistas, sinto com muita tristeza que estamos a ver uma filme antigo – uma cansada “reprise”.  

Que, com clareza, me parece que radica sempre no mesmo: temos um Presidente que não tem nada a ver com o Futebol. Tem com Estádios, Centros de Estágios, Fundações, Canais de Televisão e outras coisas assim.

 Mas com o Futebol não! Pois se ele não marca golos, nem defende penalties!!!

E apesar disso, nós somos um Clube de Futebol – o Maior dizemos nós com toda a propriedade.

Mas, apesar disso, damo-nos ao luxo de ter um Presidente que não percebe nada de futebol, nem se acha responsável por nada do que lá se passa. Arranja (pede emprestado, claro) com competência o dinheirinho que é o mais difícil. No resto, é como Poncio Pilatos..

Parece aquele Pai ausente que acha que para educar os Filhos chega e sobra passar o cheque…

Sejamos francos. Vemos isto nos nossos rivais mais directos ou em qualquer outro Clube de dimensão Mundial?

Por muito menos Soares Franco pediu a demissão. E nunca Pinto da Costa deixaria que a figura principal da glória ou da crise fossem assumidas por Reinaldo Teles ou, até, por Jesualdo Ferreira.

É nesta liderança parcial, digo-o com toda a frontalidade, que começa a cultura da desresponsabilização e do “empurra pró lado” que tem roubado a mística e a atitude de que o Benfica tanto precisa.

Nesta meia (e envergonhada) liderança que permite que o Presidente do Benfica esconda as derrotas do Clube nas costas menos experientes do Menino Rui ou de Quique Flores, afinal aqueles que Ele próprio escolheu para liderar aquela outra parte que não sabe ou não quer liderar.

Estou cansado de perder e de ouvir os mesmos cantos de sereia. Mas não é minha intenção ser divisionista ou alarmista. Julgo, até que é nestas horas que devemos estar unidos.

Porque é verdade que nada está ainda perdido. Porque temos, de facto, bons jogadores. Porque está ainda ao nosso alcance fazer um bom colectivo e construir uma organização eficaz e responsável.

Para que isso aconteça precisamos saber exigir um Presidente inteiro, na decisão e na responsabilidade.

Para que isso aconteça não devemos arranjar, a meio da época, os habituais e distractivos bodes expiatórios.

Porque as responsabilidades, como as contas, apuram-se sempre no fim.

Viva o Benfica!

António de Souza-Cardoso

 

 


sinto-me: bem
música: SLB. SLB, SLB


Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 17/02/09 | comentar | 37 comentários

  

 

 

No último jogo que fez para a Liga, contra o Paços de Ferreira, o Benfica foi capaz de mostrar o melhor e o pior da equipa.

 

O Benfica entrou bem na primeira parte, criando uma flagrante oportunidade em que Luisão e depois Aimar podiam ter começado a resolver o encontro; depois fez uma exibição muito contida, sem grandes oportunidades mas também sem sobressaltos defensivos.

 

Na segunda parte, depois da substituição de Carlos Martins por Di Maria, o Benfica mudou muito. Passou a dispor de dois extremos para abrir mais o jogo nas laterais e, pela primeira vez, vimos Rúben Amorim a jogar no seu lugar natural.

 

Depois de algumas jogadas de ataque bem delineadas o Benfica chega ao golo por Cardozo, numa fífia monumental do guarda redes do Paços, e a equipa passou a jogar ainda mais distendida, voltando a marcar por Rúben Amorim passados uns minutos.

 

Mas tão distendida ficou a equipa que demonstrou uma passividade defensiva a que já não estamos habituados e permitiu o golo do Paços numa jogada aparentemente inofensiva.

 

A partir daí só deu Benfica até que aos 87 minutos se deu o momento da noite com um golo de levantar o estádio de Di Maria, a justificar finalmente o estatuto que lhe vem sendo atribuído.

 

Quando já se gritavam olés (nunca gostei desta atitude do público, que além de ser de pouco desportiva e mostrar mesmo alguma desconsideração pelo adversário, muitas vezes acaba por perturbar os próprios jogadores) e não se esperava senão a possibilidade de o Benfica ampliar a vantagem, eis que em dois contra-ataques o Paços faz o segundo golo e por muito pouco não faz o empate em cima do apito final.

 

Resultado justíssimo para o jogo, a reflectir a maior atitude atacante do Benfica e a displicência que mostrou na defesa em certos momentos do jogo perante uma equipa adversária que nunca se rendeu mas que claramente não tem argumentos perante o Benfica.

 

Grande destaque para o enorme golo de Di Maria bem como para o grande golo e a grande exibição de Rúben Amorim. Muito bem também esteve Cardozo, bastante mais interventivo do que é habitual, a quebrar um longo jejum de golos. Destaque final para a equipa, pela solidariedade e espírito de entreajuda, como muito bem ressaltou Quique, apesar das inexplicáveis quebras de concentração quando tinha o jogo controlado com dois golos de vantagem.

 

A experiência de jogar com dois extremos puros e Rúben Amorim no meio mostrou claramente que o Benfica sobe de rendimento em termos ofensivos com este esquema, e não terá sido por ela que as desconcentrações defensivas ocorreram, embora Rúben Amorim seja de uma extrema eficiência a “fechar” o seu corredor em termos defensivos, o que já não é o caso de Di Maria.

 

 

Para terminar vou plagiar-me a mim próprio, copiando o que escrevi aqui há 15 dias, apenas alterando o nome do nosso adversário:

 

Espero realmente que o Sporting-Benfica seja um grande jogo, comentado ao longo de toda a semana pela qualidade e beleza do futebol jogado (sobretudo o do Benfica, espero eu!) e não pelos casos de arbitragem. (Infelizmente Paulo Bento já começou a “chorar-se” e o Porto tem interesse na nossa derrota, o que é uma má combinação de elementos para uma arbitragem de qualidade e isenta).

 

A vitória do Benfica irá dar novo alento à nossa equipa e fazê-la arrancar para uma 2ª volta muito mais positiva, a culminar com mais um título de campeão. Para isso é fundamental que toda a equipa se empenhe fortemente no jogo e que Quique consiga mais uma vez retirar todo o rendimento que aquele conjunto de jogadores já demonstrou ser capaz de proporcionar.

 

 

 

PS – As recentes “pérolas” de Jesualdo

 

Os jogadores do Porto são dos mais agredidos – com esta Jesualdo começou a desvendar os seus métodos de trabalho disciplinadores.

 

Dentro de campo os árbitros encarregam-se de que nenhum jogador se aproxime de um raio de 1-2 m de qualquer jogador do Porto sem que seja marcada falta/penalty e sanção disciplinar (veja-se os casos de Gaspar e Yebda e de nos dois últimos jogos no dragão).

 

As agressões a que Jesualdo se refere só podem, portanto, passar-se ao intervalo, nos balneários ou nos treinos, ou quando ainda assim não chega, no contacto com os adeptos mais entusiastas.

 

Agora é mais fácil perceber a fúria incontrolada de Bruno Alves, que, no fundo, apenas põe em prática aquilo que lhe ministram nos treinos e nas palestras.

 

A minha actuação como árbitro terminou no domingo – Mais uma “pérola” de Jesualdo, mas esta com melhores resultados para todos os desportistas. A acreditar no que Jesualdo disse (não aconselho pois o homem não é de fiar), não haverá mais patacoadas sobre a actuação dos árbitros da sua parte. Que alívio! É que ele não acertava uma única para amostra!




Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 04/02/09 | comentar | 24 comentários

O Benfica joga no próximo Domingo aquele que é, provavelmente e à luz do contexto actual do clube, o jogo da época.

Em primeiro lugar porque é, infelizmente, o que nos resta de valioso para ganhar. Espero a este propósito que o Benfica (tal como Porto) poupe no jogo de hoje com o Guimarães os seus jogadores mais influentes. Não apenas por o jogo é apenas com o Guimarães, mas ainda porque o jogo é ainda (e só) da Taça da Liga. Uma Taça feita, pelos usos e pelos vistos, para promover as rodagens dos bancos e para entusiasmar aquelas equipes que nunca ganham nada de verdadeiramente relevante.

Em segundo lugar porque a matemática nos obriga a ser realistas e, sendo o Porto o nosso principal opositor neste desiderato, os pontos que se ganham e perdem devem ser multiplicados por dois. Quer dizer, estão seis pontos em disputa no que à liderança do campeonato diz respeito. Para ainda ser mais sugestivo e preciso – no limite, o Benfica alcança a liderança e deixa o Porto a 2 pontos, ou o Porto reforça a liderança e descola 4 pontos do Benfica.

Em terceiro lugar porque é mais um jogo onde, uma vez mais, se discutem hegemonias: Entre o ainda maior Clube Português e aquele que tem ganho mais vezes nos últimos 20 anos. Entre aquele que ainda é e aquele que já reclama ser.

É por isso, também, um jogo que pode mudar psicologicamente qualquer das equipes:

O Porto que não tem a mesma qualidade e desempenho de épocas anteriores, pode galvanizar-se neste jogo e reforçar a convicção de que começou com novos valores mas que, entretanto, foi possível integrá-los e adaptá-los à cultura ganhadora do Clube que volta a ter níveis elevados de eficácia e desempenho.

O Benfica porque gastou mais 30 milhões para criar novamente valor na equipe. Porque reiniciou um novo ciclo, com um novo treinador e um novo director desportivo. Porque quer provar que mais do que um conjunto de estrelas, tem hoje um colectivo e uma organização capazes de o reabilitarem como Clube Glorioso e Vencedor.

É ainda um jogo que pode unir e conciliar os adeptos de cada Clube. Os do Porto que não gostam muito de Jesualdo e que sentiram a “tremideira” do inicio de época.

Os do Benfica que não se sentem compensados pelo apoio extraordinário que têm dado ao clube e que estão sinceramente cansados de novos ciclos e novas promessas.  

Os do Porto e os do Benfica que arrostarão por muitos dias a vergonha da derrota ou que gozarão truculentamente o excelso sabor da vitória.

Espero que um e outro Clube não tenha benefícios ou prejuízos externos á capacidade que vierem a demonstrar em campo. Quer dizer - espero que a equipe de arbitragem esteja á altura da enorme responsabilidade deste jogo.

Não escondo que tenho medo que isso não aconteça e que o clube mais vulnerável, a julgar pelo histórico deste campeonato, é o Benfica.

Isso seria muito mau:

 Porque reforçava a suspeita que todos temos da persistência do “sistema”.

Porque prejudicava, uma vez mais, o nosso Clube na única competição valiosa que ainda tem para ganhar.

E, não menos importante, porque dava pretexto aos benfiquistas mais conformados de justificaram mais este adiamento, mais esta declinação do Benfica.

Espero com sinceridade que isso não aconteça e que o Benfica se não adie, nem decline, um único dia mais.

O primeiro passo para isso é ganhar no Domingo no Dragão... o jogo da época.

 

 

 

 

António de Souza-Cardoso

 

PS: Espero ainda que, resistindo á tentação de “ficar próximo” do líder, o Benfica só jogue para ganhar. Porque deve ter sempre essa têmpera e essa ambição ganhadoras. Mas também porque se o não fizer, arrisca-se verdadeiramente a perder o jogo. Que assim não seja!

 

 


sinto-me: Muito esperançado
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 28/01/09 | comentar | 53 comentários

 

Os Portugueses são pouco dados ao pensamento analítico.

Quando se trata de analisar e discutir são brigões, sanguíneos e emotivos o que normalmente lhe retira bom senso, objectividade e lucidez. Mas a evidência mais explícita deste “deficit analítico” dos portugueses é a tendência vertiginosa que todos temos para meter tudo no mesmo saco, confundindo alhos com bugalhos, misturando razões e emoções, não separando para análise aquilo que tem origem ou natureza diferente.

Por isso generalizamos e agravamos as injustiças relativas que nos fazem sofrer para, logo a seguir, condescendermos, com angelical compreensão, para as injustiças que nos fazem sorrir.

Como todos os outros, também eu sou português. E com a distância que me é imposta por um genoma de que muito me orgulho, também eu acho que em matéria de futebol temos sido miseravelmente roubados. Ou, num esforço de lucidez, importantemente prejudicados no “deve e haver” da justiça desportiva e, em especial, das arbitragens do actual campeonato.

A diferença entre os dois jogos disputados por Benfica e Porto com o Braga, foi apenas a de o Benfica ter sido prejudicado no jogo anterior e ... no seguinte.

As outras diferenças são desprezíveis e têm a ver com as atitudes, do actual treinador do Porto – que ao contrário de há uma semana já analisa lances e “intensidades”, e do que dizem ser futuro treinador do Porto que devia estar entretido a jogar “playstation” enquanto o seu clube de hoje era violentamente prejudicado em favor do que dizem ser o seu clube de amanhã.

Jesus fez juz á frase que o imortalizou de que “não há fair play no futebol”!

O Benfica tem sido prejudicado, dizemos nós, julgo que com justiça e sem confusões escatológicas.

Mas esta constatação não deve toldar-nos a vista, confundir-nos a análise e desviar-nos de uma outra questão essencial.

O Benfica desta época está a jogar bem? O Benfica deste novo ciclo de todas as esperanças tem a dimensão e estatura que gostaríamos? O Benfica dos novos  30 milhões somados aos passados 30 milhões, é o Benfica campeão e de envergadura europeia que nos prometeram?

E sem fugir às questões: O jovem dinâmico e ambicioso Quique Flores cumprir os objectivos para que foi contratado? Está a ser devidamente aproveitado o conhecimento, a notoriedade internacional e a paixão ao Benfica que nos é dedicada pelo Menino Rui?

Agora que estamos a meio da época sugiro que, sem grandes emotividades, cada um de nós faça uma análise fria ao desempenho do nosso Clube esta época.

Para essa análise de baixa temperatura, devemos pensar nos jogadores que vendemos e nos que compramos (ou remuneramos) em comparação com os nossos opositores directos.

Devemos pensar, sem ingenuidades, o nosso percurso europeu.

Devemos pensar que das 3 principais competições que disputamos só estamos vivos naquela onde ainda ninguém morreu.

E nessa, temos mais 1 ponto que na época anterior e menos 2 do que há duas épocas atrás.

A única diferença é que o Porto que no final da época passada, em termos de jogadores, vendeu certezas e comprou promessas, a única diferença dizia, é que o Porto tem, nesta época, cerca de menos 8 pontos que nas duas épocas anteriores.

Quer dizer, provavelmente somos mais competitivos porque o Porto está menos competitivo. Está mais a nossa mão. Mas o verdadeiro drama é que com todos estes milhões, com Quique e com o Menino Rui, não melhoramos.

Ainda não melhoramos, dirão alguns. Mas esta conversa do “amanhã é que vai ser”  tem tantos anos que merece reflexão mais profunda. Porque é esta condescendência, esta falta de exigência e de rigor que nos tem tirado sentido crítico e afastado da grandeza que já tivemos.

E isso só não vê quem não quer ver. Olho com tristeza para a minha equipa e fico com a angústia e a sensação de quem vê estrelas e não vê o Céu.

Quantos, como eu, não sentiram mesmo quando reassumimos a liderança no jogo de Braga que não iríamos ficar aí por muito tempo? Não por termos sido beneficiados pela arbitragem. Como disse, ainda temos muito a haver nesse desiderato. Mas por termos jogado pior do que o Braga.

Por não termos merecido vencer. Como não merecemos passar a fase de grupos com equipas medianas do universo europeu que queremos liderar.

Em suma, devemos lutar com clareza e determinação por uma justiça no futebol que está decaída e espero que a nenhum benfiquista doa a voz ou falte coragem para falar sempre a verdade em defesa do nosso Clube.

Mas devemos ter também a frontalidade de assumir que este novo ciclo não está a ter os resultados prometidos e que é necessária uma nova cultura de exigência e de orientação para os resultados na gestão do Benfica.

Se misturarmos a análise destas duas questões que, apesar de interligadas, têm origem e natureza diversa então, corremos o risco de errar e, pior do que tudo, de deixar que o Benfica continue a errar.

Para que o Novo Benfica reabilite o Benfica de Sempre precisamos de lucidez e de rigor. E deixarmos todos de tomar a nuvem por Juno, a árvore pela floresta ou, simplesmente confundir a Obra-Prima do Mestre com o a prima do mestre-de-obras.

 

António de Souza-Cardoso

 


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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 27/01/09 | comentar | 29 comentários

 

 

Desde que veio para o Benfica que sou um admirador de Quique Flores, sobretudo pelo seu carisma e pela postura diferente que assumiu, em termos de correcção, frontalidade, honestidade e simpatia.

 

Após um início de época muito prometedor, com bons resultados e exibições, começaram a surgir exibições e resultados menos positivos e logo se começaram a ouvir as vozes críticas. Embora reconhecendo alguma razão no que diz respeito à pobreza exibicional em alguns jogos e à rigidez táctica que não permite a existência de soluções alternativas ao “seu” sistema de jogo, sempre continuei a manter a confiança em Quique.

 

 

Apesar disso, as recentes decisões e intervenções públicas de Quique têm-me desiludido. Começou com os “castigos” impostos aos jogadores que tiveram uma exibição menos conseguida ou mesmo com erros graves. Foi o caso dos guarda-redes, com o afastamento de Quim (nem para o banco foi) e depois de Moreira, após falhas graves. Não penso que esta seja a melhor forma de resolver estas falhas e certamente mina a confiança dos jogadores. Depois de todas estas experiências penso que concordaremos, quase unanimemente, que Quim tem que ser titular e Moreira o suplente. Não consigo compreender o continuado afastamento de Quim dos relvados.

 

Não sabemos (eu, pelo menos, não sei) o que se passa no interior do balneário do Benfica, mas não é novidade para ninguém que a força de uma equipa depende muito do espírito de grupo que consiga estabelecer-se entre todos os seus elementos, pelo que e a qualidade do ambiente no balneário e a união no esforço colectivo e nos objectivos do grupo são fundamentais. Nenhum indivíduo se pode, portanto, sobrepor ao colectivo, mas é importante saber integrar todos nesse espírito de grupo e nos objectivos comuns. Essa é uma das tarefas fundamentais da dupla Rui Costa/Quique Flores.

 

Também nesse aspecto as recentes intervenções de Quique não têm sido felizes; não duvido que Balboa e Reyes, para citar os exemplos mais recentes, precisam de ser responsabilizados e espicaçados, para mostrarem níveis exibicionais mais elevados e consistentes, mas não me parece que a gestão do balneário em conferência de imprensa seja a solução para tal.

 

 É evidente que, não conhecendo, como já admiti, o que se passa no balneário, não posso fazer um juízo definitivo sobre estes incidentes mas, apesar da posição especial que ocupa, Quique (juntamente com Rui Costa) é também um dos elementos do grupo e o principal responsável por conseguir que este apresente bons resultados. Daí que não me pareça positiva a atitude de se pôr de fora a criticar publicamente alguns elementos do grupo. A bem da união do grupo é importante que todos assumam as suas falhas e que as consigam ultrapassar em espírito de cooperação e não de acusação/crítica pública.

 

Naturalmente que é inevitável, num grupo altamente competitivo, a existência de rivalidades entre os seus elementos, até porque as suas carreiras dependem em grande medida das oportunidades que têm de mostrar o seu valor em campo (aqui convém também explicar-lhes que depende primeiro da qualidade do colectivo pois sozinhos não vão derrotar os adversários). É, no entanto, tarefa do treinador e dos dirigentes resolver esses conflitos no interior do grupo, evitando o desgaste mediático, sempre prejudicial. Também aqui me parece que o caso de Cardozo não tem sido bem enquadrado. Apesar de não querer entrar por questões técnicas, porque não serão eventualmente neste caso as mais relevantes e porque para elas não tenho qualquer competência, não consigo perceber que quando se precisa de reforçar o ímpeto atacante da equipa, a dupla Cardozo/Suazo, servida por Aimar não seja uma opção mais frequente.

 

 

Como já vimos, temos que ser muito superiores para conseguir impor-nos pois, se o jogo for equilibrado ou se formos apenas ligeiramente superiores ao adversário, o sistema arranja sempre maneira de nos prejudicar. Convém, portanto, não dar ainda mais armas aos adversários; a estabilidade é essencial, evitar situações públicas de divisão interna é imperioso.

 

 

Continuo firmemente convencido que a dupla Rui Costa/Quique Flores é a indicada para conduzir o Benfica neste processo de renovação e que nos trará ainda muitas alegrias, mas algumas das atitudes mais recentes devem merecer uma seria reflexão e, se não existem outros factores que desconheço, uma inflexão na política de gestão do grupo.




Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 13/01/09 | comentar | 45 comentários

Afinal o sistema está bem vivo e, com uma inesperada unanimidade, clama a uma só voz contra uma falha inesperada. Então não é suposto que o Benfica seja sempre prejudicado? Como é possível que um árbitro se atreva a não prejudicar claramente o Benfica?

 

Quando os árbitros erram contra o Benfica isso nem é notícia, é o que se espera deles … já o contrário, por tão inesperado e raro, dá direito a manchetes em todos os noticiários, primeiras páginas em todos os jornais, declarações inflamadas dos mais diversos agentes desportivos, etc …

 

Quanto ao Presidente e adeptos do Braga eu consigo compreender a sua indignação, pois ainda um par de semanas antes o Nacional (um concorrente directo do Braga na conquista de um lugar na Europa) havia sido claramente beneficiado no Estádio da Luz, pelo que, de acordo com uma já larga tradição, o Braga não esperaria menos.

 

Há não muito tempo Luís Filipe Vieira foi castigado com dois meses de suspensão pela Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) por "ter prestado declarações consideradas de tom irónico, sarcástico e insinuador, que puseram em causa a imparcialidade, seriedade e rigor do CJ da FPF".

 

Este castigo foi praticamente duplicado por, "com prévia autorização do delegado da LPFP e do árbitro da partida, LFV se apresentar no balneário da equipa de arbitragem com o propósito único de apresentar um pedido formal de desculpas à equipa de arbitragem".

 

Esta foi uma das primeiras falhas graves do sistema, pois a suspensão aplicada a LFV apenas o ajudou a encontrar o registo certo em que se deve apresentar o Presidente do Benfica.

 

Estou certo de que nem o Presidente nem o  treinador do Braga, nem sequer o presidente da mesa da  Assembleia Geral da FPF, terão qualquer destes problemas com a justiça desportiva, pois não foram irónicos, sarcásticos ou insinuadores, nem pretenderam apresentar qualquer tipo de desculpas, apenas vieram a terreiro alertar para o facto de que o sistema parece começar a apresentar falhas.

 




Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 07/01/09 | comentar | 31 comentários

Como o Menino Rui, também eu estou triste com o nosso Benfica.

O Rui, ao contrário de mim, sabe que tem (Luis Filipe Vieira não se cansa de o recordar) responsabilidades directas no fraco desempenho de uma equipe que tudo prometia e que foi já arredada, inglória e precocemente, da Europa e da Taça de Portugal.

Restava aquela centelha de orgulho de comandarmos no campeonato, mas quem tem seguido o desempenho dos 3 grandes adivinhava que, a continuar assim, o “sol seria de pouca dura”.

Não se trata, portanto, de ter perdido o que quer que fosse, para além dos 3 pontos desperdiçados perante o último classificado da Liga.

 Nada de relevante ou definitivo foi perdido no triste jogo da Trofa.

Perdemos, isso sim, quando fizemos aqueles trágicos jogos contra equipes sem a envergadura europeia que o Benfica prometia ter, ou contra o surpreendente Leixões que nos eliminou da Taça de Portugal.

Aliás a vantagem do campeonato é essa mesma. Até muito tarde quem quer que seja pode alimentar ilusões. Suponho que apesar do Benfica ter sido proclamado campeão de Inverno, o último classificado de Inverno, com quem agora perdemos pode ainda, matematicamente, ser campeão nacional.

Porquê então este “amargo de boca”?

Porque começamos a sentir que a história dos últimos anos se repete novamente neste que era o Ano Prometido, o Anos de todas as Esperanças.

Porque começamos a perceber que apesar dos valores individuais e do dinheiro gasto em aquisições de valor reconhecido, o Benfica tem sido confrangedoramente irregular.

Porque começamos a antever que vamos passar o resto da época a falar mais de arbitragens do que de futebol.

Porque começamos a sofrer e a sentir embaraçado com este Benfica que não ganha, nem joga para ganhar.

Tenho usado indevida, mas não inocentemente, o plural – como se todos nós tivéssemos este límpido entendimento.

Não é isso que, com perplexidade, tenho constatado. Inclusive nos comentários a este Blog.

Os Benfiquistas são por natureza generosos e a equipe não pode queixar-se de falta de apoio da Sua irrepreensível e devotada massa associativa.

Mas parece (a julgar pela amostragem dos comentários deste blog) que muitos benfiquistas vão muito para além desta virtuosa generosidade, parecendo tão conformados com os resultados do Clube nos últimos anos, como a maioria dos jogadores quando se  “deixavam derrotar” na Trofa com o último classificado.

E isso é o que verdadeiramente me preocupa. Os jogadores são profissionais e mudam ao sabor da carreira e dos euros que lhe possam estar associados.

 Mas os adeptos não mudam. Os verdadeiros adeptos, não.

E parece que os nossos começam a conformar-se com isto.

Ser terceiro já não parece terrível (!!). Há para aí uns 13 clubes atrás de nós e sempre ficamos melhor que no ano passado.

 Ser segundo é a apoteose máxima, porque temos até acesso à Liga dos Campeões.

E esta atitude contamina e instala-se, e passa a constituir o padrão e a natureza do Clube.

Nos Clubes Campeões os adeptos exercem a primeira e mais eficaz pressão sobre os jogadores e dirigentes. Querem muito. E quando querem muito, normalmente, chegam lá.

Por isso me tenho batido por um novo sentido crítico no Benfica. Menos desculpante e condescendente. Mais rigoroso e exigente. E isto não tem a ver com pessoas, tem a ver com factos e com resultados.

Não tenho que me candidatar a Presidente para não gostar da gestão desportiva dos últimos anos. Não gosto, na minha condição de adepto e de associado, porque não teve os resultados que devia, só isto.

E não sou menos benfiquista por isso. Ao contrário, sou daqueles benfiquistas que não se conformam em não serem os melhores. E isso é mais importante do que “cair no goto” de um Presidente ou de uma Direcção.

 Foi por isso, que em menino, eu que sou do Norte e vivo no Porto, escolhi o Benfica. Por ser o Melhor. E por isso não posso negar a natureza ganhadora daquilo que escolhi. O que, afinal, me motivou a aderir apaixonadamente ao meu clube.

Onde está o exigente tribunal da Luz? Onde está a o galvanizante “terceiro anel”? Onde está a altivez e o espírito de vitória da Águia que nos simboliza e nos reúne?

Julgo, em suma que está nas mãos dos adeptos, na atitude que tiverem perante o clube,  a maior força que o Benfica precisa para voltar a Ser Campeão.

De preferência este ano, claro.

De preferência já - com Luis Filipe Vieira, com o Menino Rui e com Quique, a quem não me cansarei de aplaudir com a mesma atitude que me levam hoje a dizer, com desassombro, que têm que fazer melhor para continuarem à frente do Benfica.

 

António de Souza-Cardoso

 


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