Terça-feira, 31 de Março de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 31/03/09 | comentar | 127 comentários

 

 

No início de Março escrevi um post intitulado Março, o mês das decisões, por ser este um mês decisivo em todos os principais campeonatos desportivos em que o Benfica se encontra empenhado.

 

Com Março no seu final, pode já fazer-se um balanço dos resultados alcançados:

 

No futebol, o balanço não é muito favorável. De facto, vencemos a final da Taça da Liga, contra o Sporting, embora sem grande brilho, mas na Liga Sagres passámos para 3º lugar, a 5 pontos do Porto e a 1 do Sporting.

 

Apesar de tudo continuo a acreditar que vai ser um final de Liga muito disputado, em que o apoio indefectível da massa associativa do Benfica vai ser imprescindível para o nosso sucesso.

 

 

No que diz respeito às restantes modalidades desportivas o panorama é um pouco melhor.

 

No andebol o Benfica terminou a 1ª fase no 2º lugar, atrás do Porto, pelo que jogará o play-off dos ¼ de final contra o S. Bernardo.

 

No basquetebol o Benfica prossegue a sua campanha 100% vitoriosa, com a 27ª vitória consecutiva, perante a equipa de Vagos, por 91-87, pelo que é com naturalidade que esperamos obter o título.

 

No futsal, nova goleada (7-3) perante uma das mais fortes equipas da Liga, a Fundação J. Antunes, que nos levou ao 2º lugar, em igualdade pontual com a Fundação e 1 ponto atrás do Belenenses.

 

No hóquei em patins, tal como se antecipava, derrotámos a Candelária por 7-0 e 2-1, o que nos apurou para as meias finais dos Play-off’s do Campeonato, contra o Porto. Na Taça estamos nos ¼ de final, onde iremos defrontar a Física.

 

No voleibol o Benfica perdeu a meia-final da Taça contra o V. Guimarães e foi eliminado na ½ final do play-off contra a equipa, como eu previa claramente favorita, do Sp. Espinho.

 

p.s. – O post do Bruno sobre o sistema veio agravar as preocupações que exprimi no meu último post e tornar praticamente impossível o meu apoio à sua candidatura.

 

É que eu sou um dos “básicos” que considera que o pagamento a árbitros (seja por meio de viagens, de favores sexuais ou outros) a jornalistas e outros agentes desportivos, constituem motivo suficiente para uma clara condenação dos seus promotores; sejam eles cigarras ou formigas, não deviam ter lugar no sistema desportivo. E não me importa minimamente que as provas de tais factos (bem visíveis e evidentes para quem quiser ver) não sejam admissíveis em tribunal.

 




Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Pedro Fonseca em 30/03/09 | comentar | 66 comentários

A dois meses e oito jogos oficiais de acabar a época, os nomes de potenciais reforços do Benfica começam a inundar as páginas de jornais. É uma tradição que não se perde – neste caso, a tradição ainda é o que era.

 

Desconhecidos e semi-desconhecidos fazem parangonas e enriquecem o nosso conhecimento futebolístico. A “A Bola”, sempre à frente da concorrência no que ao Benfica diz respeito, preenche, há semanas, duas páginas sobre as novidades para a próxima época.
Hoje, para além de novos nomes de futebolistas que vão animar a Luz, revela “os espiões da águia”. Os 5 nomes, cada um com a sua área de influência, suscitam alguma reflexão. Dois, José Boto e Francisco Oliveira, são-me completamente desconhecidos; Abel Silva, um razoável defesa direito, ex-campeão mundial de juniores, com Queiroz (autor de um monumental golo à Nigéria, na final de Riade), cuja carreira podia ter sido mais “perfomante”; Jorge Gomes, um ex-lugar tenente de Reinaldo Teles e de José Veiga, nos anos da brasa da década de 80; e Pietra, esse sim, uma antiga glória, fantástico defesa direito (e esquerdo, quando era preciso).
Curiosamente, a Pietra está destinada, na minha opinião, a área mais importante e decisiva da prospecção – o mercado nacional. E ainda bem.
É tempo de o Benfica começar a preparar a próxima época. Nenhuma dúvida sobre isso. Contudo, o que tem vindo a lume não é de maneira a merecer grandes optimismos. Dos mercados externos chegam nomes de jogadores desconhecidos, uns ainda na sua fase de formação, outros com a carreira já em fase terminal. Nem uns, nem outros, apresentam o que quer que seja que os referencie positivamente.
Espero que Pietra apresente serviço. É aqui, no mercado nacional, que o Benfica deve apostar as suas energias e o seu investimento. Não quer isso dizer que os jogadores devam ser todos portugueses, mas o conhecimento que têm do futebol português é uma vantagem e uma mais-valia a não negligenciar.
Um jogador estrangeiro tem, pelo menos, um ano para se adaptar. E se for de fora da Europa, esse período de tempo é mais alargado. Tomemos o exemplo de Luisão. As suas primeiras exibições foram de molde a considerar a sua aquisição um fracasso. Hoje, é titular da Selecção do Brasil, capitão do Benfica, e pedra fundamental no relvado e no balneário.
Antes de pensar em conquistar, de novo, a Europa, o Benfica tem de readquirir a hegemonia do futebol português.
No mercado interno há jogadores que podem ser mais eficazes que os oriundos de outros mercados. E há jogadores a quem se deve dar outra oportunidade. Estou a lembrar-me de Fábio Coentrão. Mas, para isso, é preciso que o Benfica crie, para além da “equipa de espiões”, uma outra “equipa” – um grupo de elementos, preferencialmente antigas glórias, que acompanhe diariamente jogadores que vêm de outras realidades futebolísticas e sociais.
Coentrão já disse que “em Lisboa a fama subiu-me à cabeça”, e que isso foi um dos factores do seu insucesso. O jogador emprestado pelo Benfica ao Rio Ave não teve o acompanhamento que devia na Luz. Preparar a integração destes jovens numa realidade colossal como é o Benfica e numa cidade como Lisboa devia ficar a cargo de homens como José Henriques, Vítor Martins, Néné, Chalana, Pietra, Mozer, Veloso, Diamantino, muitos deles a trabalhar na Luz mas sem se saber muito bem em que funções.
Jogadores para observar em Portugal não faltam. No passado, da província vieram enormes craques como Vítor Paneira, António Veloso, Isaías (do Boavista), Álvaro, Toni, entre muitos outros.
Era o “Benfica português”, a que se tem de regressar. Bem acompanhado, bem integrado, Fábio Coentrão pode ser uma espécie de porta-estandarte desta nova era – abrindo a porta a Di Maria, para possibilitar, também, um encaixe financeiro significativo.
Coentrão pode ser o Chalana (na equipa principal com 17 anos, no final da década de 70) da próxima década.
Mas na preparação da próxima época, a questão do treinador é fundamental. Na minha opinião, dentro dos parâmetros que defini atrás, só um treinador português é capaz de compreender a nova filosofia que tem de emergir na Luz.
Mais que os nomes, é o perfil que tem de começar a ser, desde já, desenhado. Jovem, com experiência internacional como jogador, estudioso das novas metodologias de treino, com discurso moderno. Comecem à procura.



Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Bruno Carvalho em 26/03/09 | comentar | 280 comentários

 

Muitos me pedem para falar do sistema. Pensam eles que dessa forma me poderão atacar ou afectar a minha candidatura à Presidência do Benfica.
 
Em vários posts tenho-me referido ao sistema, mas tenho muito gosto em voltar ao tema para deixar perfeitamente claro aquilo que penso.
 
Ao contrário do que muitos imaginam, o tema “sistema” é um assunto que me agrada bastante e que acho que pode ser fundamental para o futuro do Benfica, como certamente se perceberá no final deste texto.
 
Vamos lá, então, analisar o sistema e tudo aquilo que gira à sua volta.
 
Neste momento, Luís Filipe Vieira assume-se como a pessoa que publicamente mais fala contra o famoso sistema.
 
Por esse facto, o actual Presidente do Benfica consegue o aplauso de muitos benfiquistas.
 
Mas, afinal, que sistema é esse?
 
Vamos começar por fazer o pequeno exercício de, por momentos, ver o que pensam os adeptos dos vários clubes sobre o sistema e sobre as arbitragens:
 
- Na perspectiva dos adeptos do FC Porto:
 
Será suficiente falar apenas alguns minutos com os adeptos do FC Porto para se perceber que qualquer portista acha que o Benfica domina o sistema.
 
Os adeptos do FC Porto acreditam que o Benfica é sempre “levado ao colo”.
 
Todos os portitas acham, genuinamente, que o FC Porto é sistematicamente roubado pelos árbitros e que só sendo muito melhor que os adversários é que conseguem ganhar títulos em Portugal.
 
Experimentem e falem com eles.
 
Os adeptos do Porto pensam que, se tiverem uma equipa ao nível da do Benfica ou do Sporting, nunca serão capazes de ganhar nada por culpa dos árbitros.
 
Logo a solução que eles preconizam é serem melhores que Benfica e Sporting.
 
- Na perspectiva dos adeptos do Sporting:
 
Para os sportinguistas é totalmente claro que o Sporting é o eterno prejudicado das arbitragens.
 
Os sportinguistas até já chegaram a fazer luto por causa do sistema.
 
 Basta ver as declarações após o jogo da final da Taça da Liga para se perceber que os adeptos e dirigentes sentem-se perseguidos por um sistema dominado pelo Benfica e pelo FC Porto.
 
- Na perspectiva dos adeptos do Benfica:
 
Para muitos benfiquistas o futebol é um lugar simples.
 
Nos últimos 15 anos o Benfica ganhou 1 campeonato, mas a culpa é evidentemente do sistema.
 
Para os adeptos do Benfica, o FC Porto controla tudo e todos. Se não fosse isso o Benfica ganharia tudo.
 
Pouco importa que a equipa nada jogue, que não haja um treinador que se consiga impor na Luz ou que os resultados europeus sejam uma catástrofe.
 
Está bem claro para todos que, se o Benfica não ganha, a culpa é dos árbitros que são todos corruptos, sendo que há sempre um dedo de Pinto da Costa nisso tudo.
 
- Na perspectiva dos clubes mais pequenos:
 
Qualquer clube de menor dimensão quando joga com Benfica, Porto ou Sporting queixa-se sempre da arbitragem.
 
Os clubes mais pequenos dizem que os árbitros têm medo e que protegem sistematicamente os 3 grandes.
 
Não fazem aqui diferenças entre Benfica, Porto ou Sporting. Acham que quando jogam com qualquer um deles são sempre prejudicados.
 
 
Em resumo, e como se pode verificar, o sistema tem muitas faces e serve para muita coisa.
 
Que fique, desde já, uma coisa esclarecida: com isto não quero dizer que não existam situações menos claras no futebol português.
 
Mas o certo é que se fala muito e prova-se muito pouco ou nada.
 
Contudo, na justiça desportiva, FC Porto, Boavista e Leiria foram castigados, bem como Pinto da Costa, João Loureiro e João Bartolomeu, no processo designado por “Apito Final”.
 
Já disse noutros posts e volto a repetir, o FC Porto, para não começar este campeonato com menos 6 pontos, sacrificou a honra e não recorreu do castigo que lhe foi aplicado.
 
Para mim esse foi um erro gravíssimo do FC Porto porque a honra não tem preço.
 
Ao não recorrer o FC Porto arriscou-se seriamente a ficar para sempre conotado como um clube corrupto. Tal só ainda não aconteceu porque o seu Presidente recorreu e, se for ilibado, tal facto aproveitará ao FC Porto porque os factos são os mesmos.
 
Este processo ainda não terminou uma vez que as decisões tomadas contrariam a decisão de um Supremo Tribunal.
 
Na justiça civil ainda não há qualquer condenação.
 
E isto é tudo que verdadeiramente se conhece do sistema.
 
Parece-me muito pouco para que se fale tanto de sistema.
 
Os processos Apito Dourado e Apito Final decorrem já há quase 4 anos, o que tem colocado os árbitros sobre grande pressão e o futebol em permanente vigilância até das autoridades judiciais.
 
E o que tem acontecido?
 
O FC Porto continua a ganhar o campeonato todos os anos.
 
Então a quem serve o sistema?
 
É claro que, para quem perde, o sistema é uma desculpa fantástica.
 
No ano em que o Luís Filipe Vieira dizia que o Benfica tinha o melhor plantel dos últimos 10 anos e que nem queria ser treinador do Benfica pois este deveria ter problemas em dormir para formar a equipa, tal era a qualidade dos jogadores, o que é aconteceu?
 
Esse treinador que devia ter problemas de sono foi despedido no final da 1ª jornada.
 
Depois veio o amigo Camacho, com quem Luís Filipe Vieira tinha passado essas férias de verão, tendo a época acabado com Chalana à frente da equipa, pois Camacho, quando se apercebeu que tinha um jogador no plantel que na prática já era seu chefe, achou que já era palhaçada a mais e foi-se embora.
 
E qual foi o resultado de tudo isso? O Benfica ficou em 4º lugar, a 23 pontos do Porto, e fora da Liga dos Campeões.
 
E o que fez o Benfica?
 
O habitual.
 
Queixou-se muito do sistema. Chegou até a ir para a UEFA apresentar queixa contra o FC Porto e tentar conseguir na secretaria o que não conseguiu em campo.
 
E este ano o Benfica vai pelo mesmo caminho.
 
O Benfica já vai em 3º lugar, o que a suceder nos deixará, de novo, fora da Liga dos Campeões. Para além disso, o Benfica teve uma presença triste na Taça UEFA e foi eliminado muito cedo da Taça de Portugal.
 
No entanto, como colocou Rui Costa como Director Desportivo, Luís Filipe Vieira pensa que pode lavar as mãos de toda a responsabilidade como qualquer Pilatos.
 
Para além disso, Luís Filipe Vieira tem ainda o sistema como desculpa.
 
De facto, o sistema serve principalmente para branquear a gestão desportiva catastrófica e desastrosa que existe há muitos anos no Benfica.
 
Se Luís Filipe Vieira é genuinamente um defensor da verdade desportiva como diz ser, perdeu uma excelente oportunidade para o provar na final da Taça da Liga.
 
Toda a gente viu como é que o Benfica venceu essa Taça e como o árbitro errou.
 
Luís Filipe Vieira poderia dizer que o Benfica não quer ganhar títulos assim e que o jogo deveria ser repetido.
 
Teria o meu aplauso e o de quase todos os benfiquistas.
 
Por um lado, porque nenhum benfiquista gosta de ganhar assim.
 
Por outro lado, até explorando o facto de a Taça da Liga ser um troféu menor sem qualquer relevância desportiva, aproveitava isso para pôr-se num plano moral superior e dizia: “o Benfica quer a verdade desportiva, logo queremos que o jogo se repita”.
 
Isso já aconteceu, por exemplo, com o Arsenal, em 1999, quando Arsène Wenger pediu para que um jogo que tinha ganho ao Sheffield United fosse repetido por respeito ao espírito desportivo. Esse jogo foi mesmo repetido e o Arsenal voltou a ganhá-lo.
 
É importante salientar que a reacção do Sporting é totalmente disparatada e exagerada.
 
Erros dos árbitros com influência nos resultados acontecem todas as semanas, e todos os benfiquistas já sentiram na pele terem sido prejudicados.
 
Mas mesmo até por causa desta reacção despropositada do Sporting, Luís Filipe Vieira poderia ter demonstrado toda a classe do Benfica.
 
O Presidente do Benfica deveria ter dito, em conferência de imprensa, que queria que o jogo fosse repetido e aproveitava para pedir ao Sporting que escolhesse o árbitro e o estádio. Depois disso o Benfica ia lá jogar e ganhava a Taça.
 
Isso, sim, seria uma reacção à Benfica!
 
Luís Filipe Vieira perdeu, deste modo, uma grande oportunidade de ficar para a História e de mostrar a toda a gente que o seu discurso sobre a verdade desportiva não é só conversa.
 
É que as palavras, leva-as o vento…
 
De facto, o que acontece é que a prática está bem longe das acções.
 
É por isso que o sistema é muito útil, sobretudo, para explicar as derrotas.
 
Perguntam-me, então, se eu não acredito no sistema.
 
Deixem-me que vos diga, eu acredito não apenas num sistema, mas em dois.
 
Parece-me claro que no futebol português existem 2 sistemas: há o “Sistema da Cigarra” e o “Sistema da Formiga”.
 
No “Sistema da Cigarra” canta-se demasiado em Agosto e chora-se muito em Maio.
 
No “Sistema da Cigarra” promete-se muito, vendem-se todas as ilusões, mas trabalha-se pouco, não se planeia, está tudo mal organizado e depois, é claro que os resultados não aparecem.
 
No “Sistema da Cigarra” compram-se jogadores pelos nomes, mesmo que estejam numa fase descendente da carreira há já muito tempo.
 
No “Sistema da Cigarra” os jogadores chegam em jactos privados, em ambiente de grande festa, e dão logo muitas entrevistas fazendo elogios pouco credíveis ao clube que os contratou.
 
No “Sistema da Cigarra” apresentam-se dois “números 10” na mesma época como se isso fosse normal.
 
No “Sistema da Cigarra” pagam-se salários incomportáveis aos jogadores e depois nada se lhes exige.
 
No “Sistema da Cigarra” nenhum treinador serve porque ninguém é solidário.
 
No “Sistema da Cigarra” há muita gente vaidosa, que gosta muito de aparecer e falar.
 
No “Sistema da Cigarra”, os Directores de Comunicação tendem a dar muitas entrevistas e a falar muito, quando o seu papel seria fazer com que a mensagem dos verdadeiros protagonistas passasse correctamente na comunicação social.
 
Mas nos clubes que adoptam o “Sistema da Cigarra” falam todos. Vice-Presidentes são comentadores desportivos, Directores de Comunicação são estrelas mediáticas e Assessores Jurídicos são apresentadores de televisão.
 
O “Sistema da Cigarra” é muito alegre e colorido, só tem um problema: é que com ele não se ganha nada.
 
Depois há outro sistema: o “Sistema da Formiga”.
 
No “Sistema da Formiga” fala-se pouco e trabalha-se muito.
 
No “Sistema da Formiga” está tudo milimetricamente organizado, as coisas são pensadas e está tudo bem planificado.
 
No “Sistema da Formiga” compram-se os jogadores que são necessários para as posições em que foram detectadas necessidades.
 
No “Sistema da Formiga” descobrem-se jogadores que tanto podem estar a jogar num clube do nosso País como pode estar a jogar num qualquer clube japonês.
 
No “Sistema da Formiga” não se compram jogadores pelos seus nomes famosos que depois são incapazes de se entregarem de alma e coração aos jogos.
 
No “Sistema da Formiga” são preferidos jogadores jovens cheios de vontade e talento que depois podem ser vendidos com grandes proveitos.
 
No “Sistema da Formiga” os jogadores chegam de forma discreta ao clube que os contratou, não dão entrevistas e são protegidos até se sentiram integrados na nova equipa.
 
No “Sistema da Formiga”, os Directores de Comunicação não são protagonistas nem falam à comunicação social.
 
No “Sistema da Formiga” os Vice-Presidentes não são comentadores desportivos nem os Assessores de Comunicação apresentam programas de televisão.
 
O “Sistema da Formiga” não está pensado para promover pessoas ou vaidades, mas sim para ganhar títulos.
 
No “Sistema da Formiga” os foguetes não são lançados em Agosto, mas sim lá para Maio.
 
Agora, peço apenas que façam um pequeno exercício: atribuam um nome de um clube português que pensem que se identifique com o “Sistema da Cigarra” e façam o mesmo relativamente ao “Sistema da Formiga”.
 
Infelizmente, não deve ter sido um exercício difícil.
 
Confesso que acho triste a facilidade com que seguramente acertaram porque demonstra bem onde as coisas chegaram.
 
No entanto, os benfiquistas em breve poderão optar, nas eleições, qual o Sistema que preferem para o Benfica.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: O Benfica foi retirado da lista dos Clubes Históricos da FIFA. A representar o futebol português está lá agora o FC Porto.
É o resultado lógico do sistema, do “Sistema da Cigarra” e do “Sistema da Formiga”.
 
PS 2: Hoje à noite (5ª feira, dia 26 Março), estarei presente no programa de televisão "Lugar Cativo", da TVI 24, onde terei muito gosto em responder a qualquer questão que me queiram colocar.

 




Terça-feira, 24 de Março de 2009

António de Souza-Cardoso em 24/03/09 | comentar | 163 comentários

Há momentos na vida de cada um de nós, onde somos postos à prova. São momentos que pela sua intensidade e pelo apelo que fazem a emoções ou convicções profundas, se traduzem em desafios maiores à nossa integridade e ao nosso carácter.

Momentos de verdade, onde as máscaras caem e a nossa natureza se revela.

Momentos de valor, onde se convocam os valores do que somos e do que queremos.

Sem querer parecer demasiado presunçoso ou moralista julgo que é nestes momentos que reconhecemos o valor e a grandeza dos Homens e das Instituições.

Vem este intróito a propósito da posição dos dirigentes do Benfica sobre a final da Taça da Liga e sobre o erro claro do árbitro Lucílio Baptista.

Temos falado abundantemente no espaço deste Blogue na corrupção no futebol, na defesa da justiça e da equidade desportiva e na luta intransigente que devemos promover contra todos os sistemas que condescendam com menos do que a verdade inteira.

Tenho dito muitas vezes que essa luta pela verdade deve ser sempre um pressuposto da nossa actuação, e até que não se deve transformar numa obsessão nem, principalmente, num álibi para as nossas próprias fragilidades.

E, por isso, reconhecendo que o Benfica foi já prejudicado neste campeonato e que deve denunciá-lo com veemência tenho, para ser justo, que reconhecer que não temos sido os melhores e que foi tantas vezes por culpa própria que perdemos, quando era importante ganhar. A forma como fomos eliminados na Taça UEFA ou na Taça de Portugal são apenas exemplos recentes do que refiro.

Os dirigentes do Benfica têm tido, e bem, esta postura de serem paladinos da verdade e da justiça desportiva e de não pactuarem com as suas hesitações ou, muito menos, com as suas declinações.

Pois na primeira oportunidade que tiveram de ganhar através do erro e da mentira (que todos viram e reconhecem), o que fazem os dirigentes do Benfica?:

Mandam a verdade desportiva às malvas e embrenham-se numa teoria obscura e perigosa da “compensação”. Uma espécie de “ladrão que rouba a ladrão..” ou da “mão que lava a outra” e …não se fala mais nisto. A “Tacinha” já cá canta e o resto, apesar de espúrio, deixou de o ser porque, desta feita, o bandido que ficou com o ouro fomos nós.

E não percebem, na soberba (ou desespero?) de ganhar uma taça menor que deixaram passar o momento em que podiam ter sido estrondosamente íntegros, coerentes e verdadeiros.

Pelo contrário mostraram que são feitos da mesma massa: Porque só condenam a batota que os prejudica. Porque não percebem que só há uma verdade e uma mentira. Por muito que nos custe, por mais que quiséssemos fazer a festa que tem sido repetidamente adiada.

No exacto momento em que tomaram esta atitude, os dirigentes do Benfica perderam a superioridade moral de quem não se limita a dizer o faz, mas se preocupa também em fazer o que diz. Perderam a legitimidade de continuar a reclamar que a justiça e a verdade sejam sempre vencedoras.

Estes dirigentes no Benfica, neste momento único e revelador perderam a oportunidade de serem íntegros e corajosos, defendendo que o Benfica não quer ganhar assim e mostrando a certeza de que voltaríamos a ganhar, com verdade, só porque somos melhores.

Estes dirigentes do Benfica perderam, neste momento único e revelador, a batalha contra a corrupção, contra a mentira, … contra o sistema.

Que teriam ganho se, neste momento único e revelador, tivessem sabido mostrar a integridade e o carácter que têm reclamado veementemente dos outros.

 

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 




Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Lucílio Batista fez mais pelo mediatismo da Taça da Liga do que todas as campanhas de marketing e de sponsorização. Hermínio Loureiro pode, assim, agradecer ao árbitro de Setúbal esta inusitada “febre” em torno de um troféu que, à partida, foi considerado um título menor.

 

Qual quê? A Taça da Liga é que é. Sem ela, o sporting revolveu mundos e fundos e soares franco não quer consumar a sua saída de cena sem lançar um repto aos sportinguistas: uma colecta para comprar uma réplica da Taça, que irá emoldurar a sala de troféus de alvalade, quiçá ser colocada em exposição no átrio da porta 10-A.
Lucílio está encantado com a proeza. O seu golpe de génio suplantou em mediatismo a “mão de Deus” de Maradona, no Mundial de 86, contra a Inglaterra. Mesmo o célebre golo da Inglaterra na final do Mundial de 66, contra a Alemanha, cuja bola não entrou, é um caso menor face a este penálti-que-não-foi.
É certo que este árbitro já tinha tentado noutras ocasiões ascender ao estrelato. Lembro, por exemplo, um também célebre Boavista – Benfica da época passada em que o nosso Lucílio não viu três grandes penalidades a favor do Benfica. O jogo acabou 0-0, o Benfica não chegou ao segundo lugar e, por isso, ficou fora da Liga dos Campeões – a favor do sporting -, mas Lucílio não viu devidamente reconhecido este feito.
Nem quando, no mesmo ano, marcou uma grande penalidade inexistente a favor do sporting, contra o Marítimo, ou quando em alvalade fez vista grossa a vários penáltis a favor do FC Porto.
Nos encantadores dias que se têm seguido à final de sábado, temos visto de tudo um pouco. paulo bento tem direito a mais de meia-hora na TVI 24 para enxugar as lágrimas. Diz que se quer ir embora. Sugiro-lhe o campeonato da Alemanha.
O presidente do sporting vai hoje à noite à SIC Notícias. Consta que em Carnaxide estão a ponderar colocar um círculo vermelho no canto superior direito do ecrã, tal o número de disparates e asneiras que vão ser emitidos. Um aviso á navegação: as crianças devem ser poupadas a tal espectáculo. Já basta o Luís de Matos…
soares franco e ribeiro teles falam em roubo, mas, caramba, são visita frequente de casa de outros larápios e nunca lhes ouvi sequer uma lamúria. O primeiro sai de cena, não sem antes culminar o seu mandato com uma grande coreografia, em que os de alvalade são especialistas: um dia de luto pelo futebol.
Uma proposta ao departamento de marketing leonino: o sporting devia pedir permissão à Académica para no próximo jogo actuar todo de negro. Não sei era se o negro podia servir para exprimir indignação ou se para cobrirem a face pela vergonha do comportamento de paulo bento, pedro silva e outros da mesma fornada.
Mas o sporting é assim: sem alma, sem carácter, sem vergonha. Pedem agora, por favor, que os deixem ficar em segundo lugar. Se o ridículo matasse… Temos é que ter todos muita tranquilidade e desejar as melhoras a essa trupe circense da alvaláxia.
Não faltará muito tempo para todos constatarmos da coerência de comportamentos e de palavras de alguns destes protagonistas. O tempo ainda é o maior mestre…
Post-Scriptum: A ironia azeda é a melhor resposta ao comportamento e às palavras dos “responsáveis” sportinguistas. O que eles querem sei eu… sabemos todos. Mas é, coitados!, uma estratégia tão canhestra que dá dó.



Sábado, 21 de Março de 2009

Júlio Machado Vaz em 21/03/09 | comentar | 63 comentários

Sou sensível à alegria dos jogadores no final, do alto - ou fundo...?:) - dos meus 59 anos sei reconhecer a alegria de um grupo de jovens sedentos de vitórias. Um abraço especial ao Quim, que teve um começo escalafriante e acabou por ser o herói do jogo. Não entrarei em delírios culposos por causa do penalti mal assinalado, também já senti a revolta que hoje invade os sportinguistas. É preciso reconhecer que a partida foi pobrezinha -  pouco futebol e muitas faltas, hoje em dia é quase impossível em Portugal ver uns míseros minutos seguidos de jogo. E isso vai-nos sair caro. Ao nível dos clubes e da selecção...

Mas não sou hipócrita - é sempre agradável ganhar:). 




Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Paulo Ferreira em 20/03/09 | comentar | 43 comentários

Escolhi o passado Sábado para introduzir o meu filho mais novo nas andanças do futebol em directo e “in loco”. Bom tempo, jogo cedo, primeiro lugar na mira, enfim as condições perfeitas para levar uma criança “à bola”. Equipado dos pés à cabeça, cachecol ao pescoço e com uma grande ilusão e entusiasmo foi mágico ver nos seus olhos o brilho de quem tão pequeno se coloca diante algo tão grande.

 

Já no Estádio e de sorriso “tolo” e extasiado assistimos a tudo, a festa das bancadas, a entrada dos jogadores, ao desfile dos mais pequenos, ao voo da águia e depois naturalmente ao jogo.

 

Percebemos o quão importante é o futebol e as ilusões que ele provoca quando registamos estas expressões de felicidade que ficarão gravadas para sempre na minha memória.

 

Nesse dia o Benfica ganhou mais um “adepto fanático” e o futebol mais um admirador.

Se mais não houvesse, é por isto que se deve proteger o futebol e fazê-lo regressar a um estado mais puro, justo e equilibrado. Temos o dever de lutar por um futebol melhor!

 

No final do jogo o brilho e o sorriso foram-se! O Benfica havia perdido, não havia marcado qualquer golo, não tinha havido mais festa, e as pessoas estavam zangadas. Final “trágico” para um dia perfeito aos olhos de uma criança (e não só).

De olhar desiludido perguntou “Mas o Benfica não é o melhor?” Respondi “Claro que sim, mas às vezes os melhores também têm dias maus”.

 

Para lhe dizer a verdade teria dito que o Benfica foi mau, os jogadores sofríveis, as decisões técnicas más e que nada disso é novidade. Dir-lhe-ia também que infelizmente isso vem acontecendo com regularidade. Mas menti. Mantive a sua ilusão e satisfação.

 

Mas não quero continuar a mentir. Quero que efectivamente os dias maus passem a ser a excepção e não a regra e que o Benfica seja mesmo o melhor. Quero que o Benfica volte a brilhar!

 

Não quero esta semana apontar críticas e nem apontar as medidas que entendo necessárias para se criarem as condições para que no próximo ano estejamos no rumo certo. Adio uma semana esta análise porque amanhã jogamos uma final (é uma competição menor, mas não deixa de ser um final e com o Sporting) e que queremos ganhar.

 

Mas a análise e mudanças têm de ser feitas urgentemente. A próxima época está perto e definitivamente chega de esperar e estar desiludido.

 

Força Benfica!

Paulo Ferreira




Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Bruno Carvalho em 19/03/09 | comentar | 253 comentários

        

 
Na semana passada, neste mesmo espaço, anunciei a minha candidatura à presidência do Benfica.
 
Gostaria de dizer que escolhi este espaço para fazer esse anúncio devido ao grande respeito que tenho pelos leitores do Novo Benfica.
 
Como será fácil de perceber, haveria outros meios para anunciar a minha candidatura, nomeadamente através de uma clássica conferência de imprensa ou de uma entrevista selectiva a um órgão de comunicação social.
 
No entanto, pela primeira vez na história de um grande clube em Portugal, uma candidatura à presidência surge a partir da internet, neste preciso blog, tendo eu tido o privilégio de receber, de imediato, um conjunto de reacções a este meu propósito.
 
A minha decisão de me candidatar à presidência do maior clube português, e um dos maiores do mundo, foi um acto consciente e muito reflectido porque essa decisão acarreta uma série de inconvenientes para a minha vida.
 
Por um lado, porque, como todos aqueles que me conhecem bem sabem, eu não gosto de me expor aos olhos do grande público. Sempre gostei de preservar a minha privacidade. Apesar de já ter sido director de dois canais de televisão e de ter sido mandatário de uma candidatura à segunda maior câmara municipal do País, sempre consegui manter-me longe dos holofotes da imprensa, tendo recusado muitas e muitas entrevistas.
 
Por outro lado, porque tenho a minha vida organizada na cidade do Porto e esta minha candidatura e uma eventual eleição introduzirão significativas alterações em tudo.
 
Não obstante tudo isso, parece-me que a minha candidatura faz mais sentido do que nunca porque sinto que posso alterar o actual rumo do Benfica, apesar de haver quem o queira manter.
 
Eu, conjuntamente com o núcleo de pessoas que já está comigo e com todos aqueles que se vierem a juntar a nós, todos juntos, podemos e devemos mudar este Benfica.
 
Nesta semana o Benfica desceu à 3ª posição, situação que era manifestamente previsível.
 
Nos últimos 3 anos, o Porto foi sempre campeão e o Sporting ficou sempre em 2º lugar. O Benfica ficou duas vezes em 3º e no ano passado em 4º lugar.
 
Deste modo, não me parece nada estranho, nem fora do comum, estarmos mais uma vez em 3º lugar, com a agravante de, assim, ficarmos, de novo, fora da Liga dos Campeões.
 
Com sinceridade, a única coisa que me custa entender é a passividade que a massa associativa mostra perante esta situação.
 
Esta apatia é comparável à apatia da equipa do Benfica que, mesmo estando a perder com o Guimarães, parecia imperturbável. O que mais me custa não é perder, é a forma como se perde.
 
Será que ninguém no Benfica fica incomodado com as derrotas?
 
Porque é que nenhum dos jogadores do Benfica estava irritado por estar a perder?
 
Tirando o caso de David Luiz (cujo esforço era incompreensivelmente premiado com assobios), não havia mais nenhum jogador que se parecesse importar minimamente com o resultado.
 
Do mesmo modo, parece-me que há muitos sócios que não reagem a este ciclo de derrotas que se perpetua há anos.
 
Será que ninguém se importa?
 
O que será necessário fazer para acordar o Benfica que eu sempre conheci?
 
Porquê tanta resignação?
 
Não será possível fazer melhor?
 
Não será possível colocar o Benfica, de novo, no seu lugar?
 
Não será possível pôr o Benfica a ganhar?
 
O Presidente Luís Filipe Vieira pede mais tempo. Mas não está Luís Filipe Vieira há 8 anos no Benfica? Quanto mais tempo será que ele acha que necessita? Mais 20 anos?
 
O Presidente Luís Filipe Vieira diz que este rumo é para manter. Mas que rumo?
 
- Será que é para manter o rumo de ficar sempre em 3º ou 4º lugar?
- Será que é para manter o rumo de ficar anos a fio sem ganhar nada?
- Será que é para manter o rumo de passar a vida a mudar de treinador?
- Será que é para manter o rumo de contratar 30 milhões de euros de jogadores por ano, como quem vai ao supermercado?
- Será que é para manter as festas em Agosto e os choros no final dos campeonatos?
- Será que é para manter o rumo de ter presenças frustrantes na Europa?
- Será que é para manter o rumo de estarmos sempre a arranjar desculpas para os nossos fracassos?
- Será que é para manter o rumo de aumentar fortemente o passivo do clube?
- Será que é para manter o rumo de apresentar prejuízos cada vez maiores?
 
Sinceramente não se percebe que rumo é este.
 
Não se percebe para que projecto é que Luís Filipe Vieira precisa de mais tempo.
 
É por isso que eu faço daqui um apelo veemente a Luís Filipe Vieira: a bem do Benfica, não se recandidate a Presidente.
 
Se eu fosse Presidente do Benfica há 8 anos e tivesse os resultados do actual Presidente podem ter a certeza que não me recandidataria.
 
A gestão desportiva da actual Direcção do Benfica é péssima e a gestão económico-financeira caminha a passos largos para o desastre.
 
E eu pergunto: quando é que os benfiquistas despertam?
 
O que será necessário que aconteça para que os benfiquistas acordem?
 
Será que os benfiquistas irão ficar apáticos, sem poder de reacção, tal e qual a nossa equipa de futebol cujos jogadores tanto lhes faz estarem a ganhar ou a perder?
 
O Benfica precisa realmente de um Novo Ciclo!
 
Mas não de mais um “novo ciclo” ao estilo de Luís Filipe Vieira!
 
Depois do lamentável 4º lugar do ano passado a 23 pontos do FC Porto, Luís Filipe Vieira tirou da cartola um coelho chamado Rui Costa e conseguiu, de novo, criar a ilusão nos benfiquistas.
 
O certo é que, apesar de todas as promessas feitas e de todo o fogo-de-artifício lançado, no Benfica nada de estrutural mudou.
 
O clube permanece sem estratégia, sem rumo, sem ideias, sem organização, e tudo isso reflecte-se, obviamente, nos resultados.
 
É claro que com o desastre eminente o Benfica já prepara o “Novo Ciclo” do costume.
 
Parece evidente que as críticas a Quique Flores, que começaram discretamente, aumentaram repentinamente de tom.
 
Eu diria que há já em marcha uma campanha organizada para colocar Quique Flores fora do Benfica e a prová-lo estão as opiniões que têm vindo a ser emitidas por várias pessoas próximas de Luís Filipe Vieira.
 
É que Quique Flores será o alvo perfeito.
 
Por um lado, funcionará como bode expiatório, pronto a ser sacrificado em caso da mais do que provável derrota no campeonato.
 
Por outro lado, a saída do treinador será bastante útil, pois poderá dar azo a que se abra
mais um “Novo Ciclo” no Benfica.
 
Isso mesmo, o tal “Novo Ciclo” que Luís Filipe Vieira anuncia todos os anos.
 
É que depois do entusiasmo gerado pela chegada de Rui Costa o ano passado será necessário gerar de novo um grande entusiasmo para disfarçar, mais uma vez, os fracassos do Benfica.
 
Não seria de admirar que um treinador brasileiro que foi até há pouco tempo Seleccionador Nacional venha a ser utilizado para mais uma manobra de diversão e para vender mais ilusões.
 
Empurra-se Quique pela borda fora para que possa vir o”Treinador do Povo”.
 
Já estou a imaginar a euforia habitual que se gera normalmente lá para Agosto, desta vez com a alegria de podermos ver milhões de bandeirinhas do Benfica às janelas das casas portuguesas, de norte a sul do País.
 
Depois da indemnização recebida no Chelsea, com os bolsos bem recheados, nada como voltar a viver num país cheio de sol, em que se fala português e onde os adeptos, por um estranho adormecimento, parecem ter perdido a necessária exigência. Estão reunidos os ingredientes para umas belas férias!
 
Não importa se no final o Benfica não ganha nada.
 
Volto a fazer a mesma pergunta que já aqui lancei: se a culpa dos maus resultados do Benfica é do sistema, porque é que insistem em trocar de treinador?
 
É que o que é importante para os actuais dirigentes do Benfica é gerar esta alegria e iludir os sócios, fazê-los sonhar uns meses e depois, se não correr bem, arranja-se sempre um culpado.
 
Este ano o sacrificado será Quique, como já foram outros no passado.
 
Enfim, o Benfica prepara-se para mais do mesmo.
 
Até quando os sócios suportarão isto?
 
Saudações benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: Para aqueles que têm dúvidas da força da minha candidatura ou que olham para ela com desdém, fica aqui apenas uma nota: o meu nome foi pesquisado no Google, esta semana, por 500 mil pessoas, repito, em 7 dias apenas, meio milhão de pessoas quis saber mais sobre aquilo que eu quero fazer no Benfica.
Quem tenta fazer da minha candidatura algo de marginal ou pretende comparar-me com candidaturas marginais do passado está a perder o seu tempo. Talvez seja do medo…
 
PS 2: Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, é agora, pasme-se, apresentador da Benfica TV, num programa chamado “A Jornada”, em que, todas as quintas-feiras, entrevista o Director de Comunicação do Benfica, João Gabriel, que aproveita o tempo de antena que lhe é dado para fazer uma espécie de eucaristia semanal, ao estilo daquilo que apenas se vê em países como a Venezuela, em que Hugo Chavez também faz uma comunicação ao país uma vez por semana.
E eu pergunto, onde é que já se viu o assessor jurídico de um clube ser apresentador de televisão?
Talvez a falta de jeito que demonstrou a defender a estratégia do Benfica na UEFA tenha levado Paulo Gonçalves a mudar de carreira e dedicar-se a ser estrela de TV.
A continuar assim, qualquer dia talvez o vejamos a apresentar um programa ao estilo do Big Show SIC, aos pulinhos, a fazer lembrar o nosso saudoso João Baião.
Depois de o Benfica ter colocado um Vice-Presidente seu a debater futebol na televisão com meros adeptos dos outros clubes, temos agora um assessor jurídico a apresentador de televisão.
É a febre da TV a invadir o Benfica.
Já ninguém se dá ao respeito.
Isto bateu no fundo!
 
PS 3: Conforme sempre disse, e ficou demonstrado nos últimos dias, o “Novo Benfica” nunca foi nem nunca será um blog que represente qualquer tendência organizada dentro do Benfica.
De facto, a pluralidade e o debate de ideias são as principais características deste blog.
Não posso, neste momento, deixar de agradecer ao António Souza-Cardoso e ao Paulo Ferreira as palavras de apoio à minha candidatura à presidência do Benfica.
Quero aproveitar esta ocasião para lhes enviar um grande abraço extensível a todos os outros companheiros deste blog.
Não posso deixar, igualmente, de enviar um agradecimento muito especial a todos aqueles que na área de comentários quiseram expressar o seu apoio à minha candidatura.
Foi muito importante para mim e será ainda mais importante para o futuro do Benfica.
Todos juntos podemos alterar o rumo das coisas e ter, de novo, o Benfica que tanto desejamos.
Muito obrigado.
 
PS 4: Como muitos me têm sugerido (ou desafiado), na próxima semana vou falar do sistema. Vou falar do sistema como eu o vejo.
 



Quarta-feira, 18 de Março de 2009

António de Souza-Cardoso em 18/03/09 | comentar | 51 comentários

Pronto já está!

O previsível aconteceu. O Benfica perdeu a primeira das suas 9 finais e ficou a 5 pontos (julgo que 6, se quiser ser campeão) do Porto.

E tal bastou para que se falasse já de um novo treinador (o tal bode expiatório de que falei) de novas contratações (agora é que se lembraram dos laterais de que também falei!!) anunciadoras de mais um futuro auspicioso e prometedor para o Benfica.

Uma vez mais a história repete-se e parece que o que nos resta é entregarmo-nos sem ânimo à disputa menor de um segundo ou terceiro lugar (ou nem isso), ou de uma Taça feita (pelo menos até agora) para rodar os suplentes das equipes maiores, ou afagar, com ilusões de vitória, o ego dos clubes menores.

Os velhos argumentos renovam-se com a animação criadora da Primavera:

No cimo da Lista aparece o tenebroso sistema que sub-reptícia e maldosamente nos tira a Taças todas de todas as competições que, não fora essa mão criminosa e invisível, merecidamente ganharíamos.

 Como segundo argumento, tem feito caminho e alguma jurisprudência recente, esta ideia de que as coisas boas têm um tempo certo para serem feitas. Um tempo que não pode ser sofregamente antecipado. Temos que ter paciência e saber conviver com as derrotas e com o mau feitio de alguns benfiquistas mais intempestivos (se calhar menos Benfiquistas) que não percebem que isto de ser campeão é mais ou menos como construir Roma ou Pavia.

Estes são os principais repetidos das repetidas desculpas que arranjamos para a repetição dos nossos insucessos.

A repetida verdade é que, uma vez mais, saímos sem brilho nem glória da Europa enquanto o nosso adversário principal enche o peito dizendo (com desabrido exagero) que está já no lote das 8 melhores equipes europeias.

Para os que tudo justificam com o sistema, vale a pena perguntar se foi o sistema o responsável pelo Benfica ter-se ficado pela fase de grupos de uma competição europeia mais pequena, num envergonhado último lugar, sem uma única vitória, perante adversários de pequena dimensão que chegaram até a golear o Benfica?

Para os que tudo justificam com o sistema vale a pena perguntar se, ao invés, foi este o responsável por o Porto ter ficado em primeiro na fase de grupos da competição europeia maior e estar agora a disputar os quartos de final?

E para dar exemplos internos de sistemas mais plausíveis, pergunto ao que tudo justificam com o sistema se acham mesmo que foi essa a razão que nos derrotou na primeira das 9 finais com o Guimarães?

Que fique claro, eu acho (repito pela enésima vez) que o Benfica tem sido prejudicado pelas arbitragens, designadamente neste campeonato. Mas não confundo a obrigação que todos temos (e que a Direcção não tem sabido defender com eficácia) de lutar intransigentemente pela verdade desportiva, com a posição patética e “calimérica” de justificar com o sistema todos os nossos males e insucessos.

Digam lá com franqueza:

Gostaram das exibições do Benfica nos últimos jogos? Acham que está á altura de um campeão? Não adivinhavam em jogos anteriores que mais cedo ou mais tarde iria acontecer o que aconteceu na última jornada?

Depois vem esta coisa de dar tempo ao tempo.

 Outra vez ao contrário do Porto, o Benfica em vez de vender por muitos milhões alguns dos seus jogadores principais, comprou por muitos milhões novos jogadores para reforçar a equipe. O Porto que substituiu certezas por promessas, demorou a afinar o jogo, até acho que não tem a equipe poderosa que teve nos últimos anos, mas a verdade é que lá está à frente do Campeonato, nos “ quartos” da Champions e a disputar a Taça de Portugal. Mas mais do que tudo isso, lá está com uma atitude e uma cultura altiva e ganhadora. Com uma organização que não tolera tibiezas nem condescende com estados de alma.

E essa é a diferença: Os campeões têm o tempo certo para não deixar de o serem. O resto, são desculpas de mau perdedor.

Atenção falo do Porto porque é o nosso principal adversário, aquele que eu quero vencer sempre, a toda a hora. O clube contra o qual eu luto tenazmente, com todas as minhas forças. O Clube também, é verdade, que tem dominado o sistema e que espero venha a pagar por isso.

Julgo, meus Amigos, que o pior de tudo é que estamos a fazer um Benfica cheio de tolerâncias, de desculpas e de promessas por cumprir. Estamos a contaminar o nosso instinto, a nossa crença a nossa ambição, com uma atitude pequena, desculpabilizante e antecipadamente perdedora.

Porque a verdade é que parece que já desistimos de ganhar.

 Despede-se o “ bode expiatório” que há uns meses era apresentado como o salvador, contratam-se os tais laterais que há uns meses não eram precisos para nada, e mais uma vez, entramos confiantes no “pró ano é que vai ser”.

 Eu quero dizer claramente à Direcção do Benfica que façam o que quiserem aos treinadores e aos jogadores que contrataram, mas o que os benfiquistas exigem é que sejamos Campeões.

 O que os Benfiquistas não toleram é que a culpa morra outra vez solteira.

 O que os Benfiquistas não querem é que se despeçam mais 15 jogadores e o treinador e contratem por muito milhões (até quando?) novas estrelas para mais um repetido ciclo de desresponsabilização e de “dar tempo ao tempo”.

O que os Benfiquistas não aceitam é derrotas antecipadas.

O que os Benfiquistas desejam é só… que sejamos Campeões, como manda a natureza do Maior Clube Português.

Por falar em derrotas antecipadas concordo muito (o que até não é vulgar) com António Pedro Vasconcelos quando defendeu ontem no “Trio de Ataque” a antecipação do Acto Eleitoral.

Só assim, conseguiremos a tal cultura de responsabilização que falta à actual Direcção do Benfica.

A começar pelo seu Presidente, mestre em lavar as mãos e sacudir o capote das derrotas dos últimos anos. Continuo a achar que Luis Filipe Vieira tem a obrigação de dizer já aos Benfiquistas se se recandidata.

Finalmente queria dizer (não em “post scriptum”) que vejo com muita satisfação a candidatura do Bruno Carvalho. Porque corporiza o ar fresco que o Benfica precisa. Mas também porque representa a atitude rigorosa e ganhadora que é preciso voltar a trazer para o Clube.

 Fico, como todos os outros, muito expectante com o projecto que vai apresentar e com a equipe que o vai concretizar. Mas porque conheço o Bruno, a sua competência, integridade e ambição, faço já a minha declaração de interesses:

Eu apoiarei o Bruno Carvalho.

 Obviamente!

 

António de Souza-Cardoso

 




Terça-feira, 17 de Março de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 17/03/09 | comentar | 70 comentários

 

Ao ler o post de ontem, cheguei a meio com a convicção de que o Pedro Fonseca ia acumulando argumentos para defender a continuidade de Quique à frente do Benfica na próxima época. Foi, portanto, com alguma surpresa que vi como o final do post anulava as considerações iniciais e tirava a conclusão oposta à que se ia construindo ao longo da leitura.

 

Compreendo a frustração (que também senti) perante a derrota caseira com o Guimarães, que nem sequer fez um jogo de grande qualidade. Já vi jogos piores do Benfica nesta época, com melhor resultado final. O Benfica construiu algumas oportunidades de golo claras e não sofreu grandes sobressaltos defensivos, mas nesta altura não há margem de erro e a falta de ambição demonstrada após o golo do Guimarães foi francamente deprimente. Preferia ter visto Quique correr o risco de perder por 2 ou mais, com a entrada de jogadores para reforçar o ataque, mas assumindo uma clara postura ofensiva e a vontade de ganhar o jogo.

 

Ainda no meu último post defendi a continuidade da equipa técnica na próxima época e não será apenas mais um mau resultado/exibição que me convence do contrário. Para a afirmação de um projecto desportivo é preciso dar condições de estabilidade e tranquilidade, pelo que não sou adepto de nova mudança, embora a minha confiança na capacidade técnica e táctica de Quique tenha vindo a diminuir nos últimos tempos. As declarações de Quique na conferência de imprensa após o jogo foram também muito infelizes e contrárias à postura correcta e profissional que tem sido a imagem de marca do nosso treinador, tendo perdido uma boa oportunidade de assumir as suas responsabilidades e fortalecer o espírito de grupo, fundamental para criar uma dinâmica de vitória.

 

O papel principal nesta decisão cabe à Direcção e ao Director Desportivo do Benfica, que certamente definiram um projecto desportivo e um sistema de jogo base, e procuraram os jogadores e o treinador que o pudessem pôr em prática. Além disso, conhecem o trabalho diário de todos os elementos da equipa. São eles, portanto, quem dispõe das informações completas para avaliar o trabalho da equipa técnica e tomar a decisão que melhor serve os interesses do Benfica.

 

O Benfica tem sido um cemitério de treinadores, e isso não interessa aos treinadores que por lá passaram mas, sobretudo, não interessa ao Benfica. Em situações semelhantes os nossos principais rivais tiveram a capacidade de dar um voto de confiança ao treinador de quem a imprensa e, por vezes, a própria massa associativa, já pediam a cabeça, com resultados sensíveis em termos de estabilidade e afirmação do projecto desportivo.

 

Se se reconhece que temos bons jogadores e os resultados não aparecem, sistematicamente, com diversos treinadores, a quem se reconhece competência, então a culpa certamente não será só (nem principalmente) deles…

 

______________________________________________________________

 

 

O Bruno Carvalho anunciou a sua candidatura à presidência do Benfica e terminava com um Post Scriptum onde dizia: ”No momento do lançamento, foi afirmado por nós que este blog não representava nenhuma tendência dentro do Benfica. E continua a não representar, pelo que peço aos meus companheiros do Novo Benfica que clarifiquem a sua posição face à minha candidatura, se assim o entenderem fazer.

 

Relativamente ao facto de este blog não representar nenhuma tendência dentro do Benfica, penso que não haverá dúvidas, até pela diversidade de opiniões dos seus elementos.

 

Por outro lado, quem tenha lido as minhas intervenções neste blog já saberá o essencial da minha posição quanto à luta eleitoral que nos é prometida:

 

Não sou um adepto de Luís Filipe Vieira, a quem agradeço o muito que fez pelo Benfica, mas que não conseguiu a tão desejada recuperação desportiva da principal equipa de futebol.

 

Acho que algumas das ideias que o Bruno adiantou podem e devem ser estruturantes na esquematização de um Benfica vencedor, mas tenho grande dificuldade em ultrapassar duas questões principais:

 

 - a forma como ignora as sistemáticas distorções da verdade desportiva e “passa uma esponja” sobre este tema.

 

 - o facto de mostrar nos seus escritos, com frequência, mais facilidade em afrontar os seus consócios que não comunguem da sua opinião do que as pessoas e os esquemas que minam o nosso edifício desportivo.

 

Por outro lado, não se conhece ainda nem a equipa nem o projecto que propõem para o Benfica, pelo que não disponho de elementos para tomar uma posição perante esta anunciada candidatura e a previsível candidatura de LFV.

 




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