Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Este é provavelmente o momento mais difícil porque passo aqui neste blogue. Difícil porque tenho de responder a um companheiro de blogue; difícil porque esse companheiro foi aquele que me convidou a participar neste blogue; e difícil ainda porque corro um risco sério – responder à pessoa e não aos seus argumentos.

Conheço o Bruno Carvalho há (relativamente) pouco tempo, mas é como se o conhecesse há décadas. Penso dele hoje o mesmo que pensei quando me foi apresentado por amigo comum; aqui está um homem que pensa pela sua cabeça e não tem medo de exprimir as suas opiniões.

Dito isto (e podia dizer muito mais) mudo a agulha para lhe responder ao seu post “Um Benfica Global, mas medíocre”, em si mesmo uma resposta ao meu “O Benfica Global”. Começo por lhe agradecer a honra de uma réplica a um texto que se outro mérito não tem, tem pelo menos um: o que escrevi sobre o Benfica Global é a minha opinião, que não alieno, nem altero ao sabor das conveniências e das circunstâncias.

Como o Bruno, prezo-me de sempre ter pensado pela minha cabeça e de, também como ele, não ter medo da crítica, nem da divergência. Julgo mesmo que a divergência, saudável, é a alma deste blogue.

Afinal o que é este Benfica, que apelidei de Benfica Global? É o Benfica de sempre, de todos e para todos. É o Benfica de Eusébio, claro, mas antes era já o Benfica de Nicolau. É o Benfica de Carlos Lisboa, sem dúvida, mas também o de Livramento e Ramalhete e Luís Ferreira. É o Benfica de Vanessa e de Nélson Évora e de Telma Monteiro, como o foi de António Leitão. E podia ficar aqui a encher ecrãs e ecrãs de computador com todos os nomes gloriosos que me vêm à memória.

Quem olha só, ou principalmente, para o futebol, é benfiquista claro, mas está apenas a ver uma parte do Benfica. O futebol é a alma e o coração do Glorioso, nenhuma dúvida, mas ainda me recordo de ficar emocionado com um título de campeão de basquetebol, no velhinho pavilhão Borges Coutinho a deitar por fora, e a multidão eufórica a cantar “Cheira bem, cheira a Lisboa”.

Ainda me lembro de ficar de lágrimas nos olhos quando não conseguíamos cumprir o sonho de sermos campeões europeus de hóquei patins e caíamos aos pés do Barcelona, do Réus ou do Voltregá.

Ainda me lembro de vibrar com esse mago dos ringues chamado Panchito Velasquez, um símbolo do Benfica, como Ricardinho, agora. Ainda me lembro dos “cestos” mágicos a saírem das mãos de Jean Jacques e do saudoso Mike Plowden, infringindo derrotas históricas ao Real Madrid, à Joventud Badalona ou ao Bologna. É este o meu Benfica. É este o Benfica que amo.

Sou tão benfiquista como o benfiquista que aprecia mais o hóquei do que o futebol, ou que gosta mais de andebol do que de basquetebol, ou que agora está delirante com as nossas performances no futsal.

É por isso que o Benfica é Global e que nenhum clube do Mundo se lhe compara.

 

Post - Scriptum: Por motivos técnicos, fui obrigado a dividir o meu texto em dois. A segunda parte está logo a seguir.

 





O Bruno Carvalho elenca os resultados do Benfica nos últimos 10 anos nas 5 modalidades que enunciei no meu texto (que são aquelas que habitualmente se chamam de alta competição). Começo por sublinhar um pormenor: só o Benfica, entre os 3 grandes (FC  Porto e Sporting CP) é que compete em todas as 5 modalidades, pelo que a comparação global com o sucesso ou insucesso de portistas e sportinguistas é impossível. O FC Porto não tem vólei nem futsal; o Sporting não tem vólei, nem basquete, nem hóquei. Só esta realidade devia merecer o elogio e o aplauso dos benfiquistas. Eu sinto orgulho nesta realidade.

Depois, o Bruno Carvalho analisa uma década. Nesses 10 anos, o Benfica teve 3 presidentes: Vale e Azevedo (1997/2000); Manuel Vilarinho (2000/2003) e Luís Filipe Vieira (2003/ ?). O primeiro e o segundo não ganharam qualquer título (o primeiro até acabou com o andebol e preparava-se para acabar com tudo), nem no futebol, nem nas modalidades.

Luís Filipe Vieira tem a seu crédito o regresso às vitórias no futebol, no voleibol, no futsal e no andebol. Acresce que há um fenómeno nas modalidades que convém lembrar. Existem clubes que só vivem para aquela modalidade, caso mais paradigmático é o do ABC, no andebol (convém também recordar que o brutal investimento do ABC lhe permitiu brilhantes campanhas europeias), mas também o da Ovarense, no basquete, ou do Sporting de Espinho e Castelo da Maia, no vólei.

Ou seja, a partir de 2003, com Vieira na Presidência, o Benfica Global está aí, ganhador e a recuperar o terreno e o tempo perdido, em todas as frentes. No caso do FC Porto ou do Sporting, não se podem contabilizar derrotas ou vitórias porque, em muitas frentes, estes clubes não existem.

Se havia dúvidas de que antes da chegada de Vieira à liderança do Benfica, o que existia era um deserto de títulos, os quadros publicados pelo Bruno Carvalho são a prova eloquente e concludente.

Com Luís Filipe Vieira, o Benfica acabou com a hegemonia portista no andebol (1 campeonato para cada clube), desde 1988 que não chegávamos ao título; mantém a liderança folgada no basquetebol, com um recorde de 22 vitórias consecutivas, preparando o regresso ao título, (que nos foge desde 1995), enquanto que o FC Porto se bate no fundo da tabela; mantém uma equipa altamente competitiva no voleibol (tendo mesmo chegado ao título em 2005, o que não acontecia desde 1991); continua a dominar no futsal e luta ombro a ombro com o FC Porto no campeonato de andebol (título o ano passado, o que não acontecia desde 1990).

No hóquei, a hegemonia do FC Porto assenta num exorbitante investimento em jogadores espanhóis de selecção, como Edo Bosch ou Pedro Gil, ou argentinos, como Reinaldo Garcia. O Benfica, por seu lado, tem vindo a apostar na formação e em jovens jogadores, e mesmo assim tem vindo a lutar lado a lado com o FC Porto, a quem já goleou esta época na Luz – no play-off vamos a ver…

O Benfica Global é hoje o mesmo de sempre: liderante, imperial, imaculado. Nunca medíocre, de novo ganhador.

 

Post-Scriptum: um dos comentários ao texto do Bruno Carvalho apelida-me de “voz do sistema”. Corrijo: “voz contra o sistema” – o sistema que tem de ser sempre denunciado, enquanto a justiça não cumprir o seu papel num Estado de Direito. Lamento, no entanto, que ainda haja quem não conviva com opiniões diferentes.

Um grande abraço aos exemplares jogadores do Benfica que bateram com classe e galhardia a valorosa equipa do Leixões. E um grande abraço também para o Quique Flores que com todas as “ganas” puxou pela equipa e pelos adeptos e vibrou, oh se vibrou!, como um verdadeiro latino. Olé Quique!




Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

  

 

Hoje vou falar do denominado Benfica Global, mas sem antes deixar de me referir ao jogo de Alvalade, Sporting-Benfica, do passado sábado.
 
Não vou tecer quaisquer comentários, uma vez que já foi tudo dito e, pelo que vou lendo noutros blogs benfiquistas, se fosse eu a dizer essas coisas, cairia o Carmo e a Trindade.
 
A única observação que quero fazer é que me meteu impressão ver a vontade, o querer e a garra dos jogadores do Sporting, em claro contraste com a total apatia e indiferença dos jogadores do Benfica.
 
No entanto, esse alheamento dos jogadores do Benfica não é um problema novo, é, antes, algo que se arrasta, inexplicavelmente, há anos a fio.
 
Em abono da verdade, vimos um Benfica a ser esmagado na segunda parte, exactamente como aconteceu o ano passado no jogo para a Taça de Portugal.
 
Com efeito, é lamentável que praticamente não haja diferenças entre esse Benfica de Chalana e o Benfica do passado sábado.
 
Aliás, houve uma diferença muito grande relativamente ao ano passado: este ano tivemos muito mais sorte. No ano passado sofremos 5 golos na segunda parte, este ano apenas sofremos 2, tendo o Sporting criado as mesmas ou até mais ocasiões flagrantes para marcar.
 
E todos sabemos que este Sporting vale muito pouco, como o Bayern de Munique deixou bem claro ontem ao ganhar por 5-0 em Alvalade. Mas mesmo um Sporting fraquinho chegou para ganhar, com facilidade, ao Benfica.
 
É pena constatar que passou mais um ano, mas as coisas no Benfica continuam na mesma.
 
Depois deste preâmbulo, vamos lá, então, falar do tal Benfica Global.
 
No passado dia 16 de Fevereiro, o meu companheiro de blog Pedro Fonseca escreveu um post sob o título “O Benfica Global”.
 
Pelo interesse do assunto, resolvi revisitar esse texto e mostrar a minha perspectiva sobre o que é o Benfica de hoje.
 
É importante que se diga que eu sou, como já afirmei múltiplas vezes, amigo do Pedro Fonseca e tenho uma enorme consideração por ele, pois é uma pessoa com uma dimensão humana extraordinária.
 
Apesar de eu e o Pedro termos muitas vezes visões diferentes do Benfica, isso não impede que eu admire a forma como ele defende o nosso clube e a prová-lo está o convite que lhe fiz para ser um dos representantes do Benfica no programa “A Bola é Redonda” que o Porto Canal emite, em directo, às segundas-feiras à noite.
 
Nesse programa, Pedro Fonseca e Raul Lopes são os melhores defensores do Benfica na televisão portuguesa. Afirmo isto sem favor e com a imparcialidade que me é possível.
 
Dito isto, para que não haja qualquer mal entendido sobre este assunto, parece-me que a ideia de um Benfica Global ganhador e glorioso está bem longe de ser verdade.
 
Antes de aprofundar o meu pensamento gostaria de fazer uma nova ressalva para dizer o que penso do papel das modalidades no Benfica.
 
Eu defendo um Benfica eclético, mas centrado no seu “core business” (no seu negócio central) que é o futebol.
 
Clarificando, eu quero que o Benfica ganhe no futebol e que pratique as outras modalidades.
 
O sucesso ou fracasso do Benfica, mede-se pelo sucesso ou pelo fracasso que tem no futebol, desde que isso seja feito sem comprometer a estabilidade financeira do clube.
 
As restantes modalidades devem existir, pois o Benfica não é apenas futebol, mas, no meu ponto de vista, não é muito relevante se elas ganham ou não.
 
O importante é que as modalidades existam, que com a sua prática se fomente o desporto, que o Benfica tenha um papel útil à sociedade, que promova o seu nome, tudo isto num contexto em que essas modalidades sejam sustentáveis sob o ponto de vista económico.
 
Sinceramente, não me deixa nada feliz se formos campeões de basquetebol, de andebol, de voleibol, de hóquei patins ou de futsal, mas se não vencermos em futebol.
 
É no futebol que o Benfica tem que ganhar e tem que ganhar muito mais vezes que os seus adversários.
 
O problema do Benfica é que não tem dominado em nada e não existe uma verdadeira cultura de vitória e de responsabilização.
 
A forma como se celebra o tal Benfica Global, recheado de vitórias, não passa de uma ilusão.
 
O Benfica tem sido globalmente um fracasso, com uma gestão desportiva medíocre e o que se passa no futebol, também se passa nas modalidades, não havendo solidez, nem um conjunto de vitórias sustentadas.
 
Na realidade estamos longe de um Benfica ganhador, como podemos ver de seguida nos quadros que mostram as classificações nas modalidades apontadas pelo meu companheiro Pedro Fonseca, nos últimos 10 anos:
 
- HÓQUEI EM PATINS
 
1998/1999: FC Porto
1999/2000: FC Porto
2000/2001: ÓC Barcelos
2001/2002: FC Porto
2002/2003: FC Porto
2003/2004: FC Porto
2004/2005: FC Porto
2005/2006: FC Porto
2006/2007: FC Porto
2007/2008: FC Porto
 
Em hóquei em patins, o Benfica não ganhou um único campeonato. O FC Porto ganhou 9 e o Óquei Clube de Barcelos 1.
 
- ANDEBOL
 
1998/1999: ABC
1999/2000: Sporting
2000/2001: ABC
2001/2002: FC Porto
2002/2003: FC Porto
2003/2004: FC Porto  
2004/2005: Madeira Andebol SAD
2005/2006: ABC
2006/2007: ABC
2007/2008: BENFICA
 
No andebol, o Benfica é o campeão em título, mas, como se vê, está longe de dominar o andebol português. Nos últimos 10 anos o ABC foi campeão por 4 vezes, o FC Porto 3, o Madeira SAD, o Sporting e o Benfica 1 vez.
 
- BASQUETEBOL
 
1998/1999: FC Porto
1999/2000: Ovarense
2000/2001: Portugal Telecom
2001/2002: Portugal Telecom
2002/2003: Portugal Telecom
2003/2004: FC Porto
2004/2005: Queluz
2005/2006: Ovarense
2006/2007: Ovarense
2007/2008: Ovarense
 
Em basquetebol, o Benfica não ganhou nenhum campeonato nos últimos 10 anos. A Ovarense ganhou 4, a extinta equipa da Portugal Telecom ganhou 3, o FC Porto ganhou 2 e o Queluz ganhou 1.
 
- FUTSAL
 
1998/99: Sporting
1999/00: Miramar
2000/01: Sporting
2001/02: Freixieiro
2002/03: BENFICA
2003/04: Sporting
2004/05: BENFICA
2005/06: Sporting
2006/07: BENFICA
2007/08: BENFICA
 
Em futsal, a modalidade estrela do Benfica, somos bi-campeões. Nos últimos 10 anos ganhámos 4 campeonatos, os mesmos que o Sporting, enquanto o Miramar e o Freixieiro ganharam 1 campeonato cada. Refira-se que o FC Porto não tem futsal.
 
- VOLEIBOL
 
1998/1999: Espinho
1999/2000: Espinho
2000/2001: Castelo da Maia
2001/2002: Castelo da Maia
2002/2003: Castelo da Maia
2003/2004: Castelo da Maia
2004/2005: BENFICA
2005/2006: Espinho
2006/2007: Espinho
2007/2008: Guimarães
 
Em voleibol, o Castelo da Maia ganhou por 4 vezes o campeonato nacional nos últimos 10 anos, o Espinho foi campeão também por 4 vezes e o Benfica e o Guimarães ganharam 1 campeonato cada.
 
- FUTEBOL
 
1998/1999: FC Porto
1999/2000: Sporting
2000/2001: Boavista
2001/2002: Sporting
2002/2003: FC Porto
2003/2004: FC Porto
2004/2005: BENFICA
2005/2006: FC Porto
2006/2007: FC Porto
2007/2008: FC Porto
 
Em futebol, nos últimos 10 anos, o FC Porto ganhou 6 campeonatos, o Sporting 2 e o Benfica e o Boavista ganharam 1 campeonato cada.
 
No quadro resumo que se segue, poderá ver-se, então, os títulos de campeão nacional que o Benfica conquistou nas principais modalidades, nos últimos 10 anos:
 
- VITÓRIAS DO BENFICA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS:
 
Hóquei em Patins: 0
Andebol: 1
Basquetebol: 0
Futsal: 4
Voleibol: 1
Futebol: 1
 
Como se pode constatar, o tal Benfica Global e avassalador de que se falou não existe.
 
O que existe é um clube que de vez em quando, de uma forma esporádica, lá vai ganhando um campeonato de qualquer coisa. E quando ganha, curiosamente, tende a não manter os treinadores campeões, como aconteceu no andebol, no futsal e no futebol.
 
De facto, no Benfica não há conquistas sistemáticas, não há uma organização com um fim ganhador.
 
Se repararmos bem, em 10 anos, exceptuando no futsal, não há nenhuma modalidade em que o Benfica tenha conseguido ser campeão mais do que uma vez, sendo que em hóquei em patins e em basquetebol nem sequer um campeonato ganhou.
 
Mesmo no futsal, o Benfica tem o mesmo número de vitórias que o Sporting, apesar de pagar salários milionários e totalmente insustentáveis, como é o caso dos 12.500 euros mensais que paga ao Ricardinho. Eu gostava de saber quanto ganha o jogador mais bem pago da equipa profissional de futebol do Leixões. De futebol, não de futsal.
 
Seguramente o jogador que mais ganha no futebol do Leixões tem um salário menor que um jogador de futsal do Benfica, o que é um absurdo e que poderá ter consequências financeiras muito graves para o futuro do Benfica. Mas esse será o tema do meu próximo post.
 
A deriva deste Benfica pode ser vista com o que sucedeu numa modalidade que não está nos quadros acima: o ciclismo.
 
De vez em quando, no Benfica, alguém se lembra desta modalidade, gastam-se fortunas e depois o ciclismo volta a desaparecer.
 
Desta vez, foi mesmo lamentável, pois apesar de toda a propaganda e de todo o investimento, não ganhamos sequer a Volta a Portugal.
 
O regresso do ciclismo foi ainda pior do que no tempo de Vale e Azevedo. Ao menos, nessa altura, conseguimos ganhar a Volta. Desta vez, o ciclismo apareceu com pompa e circunstância, para depois desaparecer sem qualquer honra nem glória.
 
É, de facto, assustadora a falta de estratégia no Benfica que depois se reflecte a todos os níveis.
 
O Benfica Global de que se fala é, sem dúvida, um Benfica medíocre.
 
A realidade, triste, é que neste pretenso Benfica Global a única coisa que se pode constatar com clareza é a falta de mentalidade ganhadora e a ausência de uma organização séria e profissional orientada para as vitórias.
 
Mas alguns benfiquistas parecem estar muito contentes com um Benfica que não ganha, mas que é muito bom a lamentar-se e a desviar as atenções dos seus próprios fracassos.
 
A maior vitória dos adversários do Benfica não são os campeonatos que conquistaram, mas sim o facto de terem conseguido que o Benfica e os benfiquistas se contentem com pouco.
 
Ao que o Benfica chegou!
 
Pois eu digo a todos em alto e bom som: é preciso parar com isto urgentemente, é preciso devolver a ambição ao Benfica, é preciso que no Benfica não nos contentemos com as migalhas dos outros.
 
Não pensem alguns que a cegueira é colectiva, pois há sempre alguém que consegue realmente ver a floresta.
 
Um dia, voltaremos ao nosso lugar!
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: No passado dia 8 de Fevereiro, faleceu Humberto Fernandes.
Humberto Fernandes era defesa central, tendo representado o Benfica durante 17 anos, repito, 17 anos.
Ao serviço do Benfica, Humberto Fernandes foi Campeão Europeu em 1962, ganhou 6 campeonatos e 4 Taças de Portugal.
Humberto Fernandes foi e será para sempre uma glória do nosso Benfica.
Pena é que nenhum membro da Direcção do Benfica tenha tido disponibilidade para ir ao funeral de Humberto Fernandes.
É uma vergonha e depois ainda falam de mística e de Fundações!
Não saber respeitar a história do próprio clube é um pecado sem perdão.
 
PS 2: Já há bode expiatório à vista! Se o Benfica não for campeão já sabemos que as culpas irão inteirinhas para Quique Flores. Basta estarmos atentos e os sinais estão por todo o lado. Só não sei se Rui Costa conseguirá evitar sair, igualmente, chamuscado por um eventual fracasso. Uma certeza existe, porém: Luís Filipe Vieira, mais uma vez, sairá isento de quaisquer culpas e dará, alegremente, início a mais um “Novo Ciclo”. Em Agosto gastaremos mais 30 milhões de euros em novos jogadores, teremos um novo treinador, será prometido um Benfica ganhador em Portugal e na Europa e será anunciado mais um novo ciclo perante a felicidade de milhares de benfiquistas. Até quando será assim? Até quando cairemos todos nesta propaganda barata?
 
PS 3: Só mais uma questão que deixo para meditarmos todos e que gostava que alguém da Direcção do Benfica respondesse: se o Benfica não ganha por culpa dos árbitros, do sistema e da corrupção, porque é que despedem os treinadores?
 

 




Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 25/02/09 | comentar | 82 comentários

 O

O jogo com o Sporting, com todo o sabor triste e amargo que nos trouxe, teve a bondade de nos permitir ver com mais clareza e adivinhar com melhor acutilância os próximos episódios da vida interna do Benfica.

Ainda o “banho de bola” não nos deixou de doer e já começámos a ver os dedos de muitos apontados ao espanhol Quique Flores de quem, ainda há tão pouco tempo, se exageravam (?) os méritos, a juventude e a ambição.

Quique Flores era, com o Menino Rui a face visível e radiosa do novo Benfica – de um Benfica regressado, para ficar (muitos anos diziam), à Sua Glória e verdadeira Condição.

Como a Europa se foi, tristemente, aos “pés” de um conjunto de equipes sem estatura ou dimensão (ainda ontem sofri só de ver jogar); como a Taça de Portugal voou, ingloriamente, perante o aguerrido mas modesto Leixões, ficava-nos ou fica-nos de importante para esta época, vencer o Campeonato Nacional.

O jogo com o Sporting veio pôr-nos mais longe dessa legítima e última ambição. E apesar de nada estar ainda perdido – o Campeonato tem esta natureza de nos pôr a sonhar durante mais tempo, já começo a ver a propaganda do costume a adiantar desculpas e justificativos e agora, como convém, a adiantar o esboço de um suspeito ou, até já, de um provável culpado.

Porque tamanho insucesso precisa de ter um culpado. E o sistema (que existe) e a incompetência e iniquidade da arbitragem e do dirigismo do futebol (que também existem) não chegam já para sossegar as hostes. Não chegam já para explicar porque levamos um banho de bola do Sporting, (ou 5 a 1 do modesto Olympiacos)?

 Não foram eles que foram maus, fomos nós. E por isso precisamos, de entre nós, de apontar alguém que, por todos nós, venha a expiar a culpa de não sermos aquilo que nos prometeram (uma vez mais) que seríamos.

Nestas coisas é assim - a culpa inclina-se sempre para o lado mais fraco. E neste novo ciclo do Benfica (mais um..) o lado mais fraco é, sem nenhuma surpresa,  o espanhol Quique Flores.

Não foi assim também no ciclo anterior com outro espanhol também glorificado e elevado ao epíteto de salvador, antes de ser mortificado e pronunciado como o culpado de então?

Por isso, meus Caros benfiquistas, sinto com muita tristeza que estamos a ver uma filme antigo – uma cansada “reprise”.  

Que, com clareza, me parece que radica sempre no mesmo: temos um Presidente que não tem nada a ver com o Futebol. Tem com Estádios, Centros de Estágios, Fundações, Canais de Televisão e outras coisas assim.

 Mas com o Futebol não! Pois se ele não marca golos, nem defende penalties!!!

E apesar disso, nós somos um Clube de Futebol – o Maior dizemos nós com toda a propriedade.

Mas, apesar disso, damo-nos ao luxo de ter um Presidente que não percebe nada de futebol, nem se acha responsável por nada do que lá se passa. Arranja (pede emprestado, claro) com competência o dinheirinho que é o mais difícil. No resto, é como Poncio Pilatos..

Parece aquele Pai ausente que acha que para educar os Filhos chega e sobra passar o cheque…

Sejamos francos. Vemos isto nos nossos rivais mais directos ou em qualquer outro Clube de dimensão Mundial?

Por muito menos Soares Franco pediu a demissão. E nunca Pinto da Costa deixaria que a figura principal da glória ou da crise fossem assumidas por Reinaldo Teles ou, até, por Jesualdo Ferreira.

É nesta liderança parcial, digo-o com toda a frontalidade, que começa a cultura da desresponsabilização e do “empurra pró lado” que tem roubado a mística e a atitude de que o Benfica tanto precisa.

Nesta meia (e envergonhada) liderança que permite que o Presidente do Benfica esconda as derrotas do Clube nas costas menos experientes do Menino Rui ou de Quique Flores, afinal aqueles que Ele próprio escolheu para liderar aquela outra parte que não sabe ou não quer liderar.

Estou cansado de perder e de ouvir os mesmos cantos de sereia. Mas não é minha intenção ser divisionista ou alarmista. Julgo, até que é nestas horas que devemos estar unidos.

Porque é verdade que nada está ainda perdido. Porque temos, de facto, bons jogadores. Porque está ainda ao nosso alcance fazer um bom colectivo e construir uma organização eficaz e responsável.

Para que isso aconteça precisamos saber exigir um Presidente inteiro, na decisão e na responsabilidade.

Para que isso aconteça não devemos arranjar, a meio da época, os habituais e distractivos bodes expiatórios.

Porque as responsabilidades, como as contas, apuram-se sempre no fim.

Viva o Benfica!

António de Souza-Cardoso

 

 


sinto-me: bem
música: SLB. SLB, SLB


Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Pedro Fonseca em 22/02/09 | comentar | 34 comentários

José Mourinho é conhecido pelos seus “mind games”, os jogos psicológicos que costuma utilizar antes das partidas para perturbar o adversário. O treinador do Inter de Milão, considerado o melhor do Mundo, pese a subjectividade desta eleição, introduziu na fleumática Inglaterra, quando ao serviço do Chelsea, um factor extra-jogo que deixou os britânicos estupefactos. “Special One” lhe chamaram, não tanto pelo domínio da táctica, nem pela forte personalidade de líder, nem sequer pelo currículo, mas sim pelo domínio completo do “jogo das palavras”.

 

O discurso de Mourinho, nas célebres conferências de Imprensa antes dos jogos, era tão ao mais temível que a equipa de estrelas do Chelsea. Com esse discurso, o treinador português matava dois coelhos de uma cajadada: elevava os índices de motivação dos seus jogadores a níveis impensáveis e lançava para o outro lado efeitos de perturbação que não raras vezes colocava o adversário em evidentes dificuldades.

 

Nunca se saberá, mas estou certo que Mourinho ganhou muitos jogos mesmo antes deles se iniciarem. Este exemplo é paradigmático do papel decisivo que hoje tem no futebol de altíssima competição as mensagens emitidas pelo treinador antes e depois dos jogos.

Na atónita Inglaterra, Mourinho foi talvez o pioneiro da pressão sobre os árbitros, chegando mesmo a apontar-lhes o dedo acusador depois de ter sido, na sua opinião, prejudicado – o que lhe valeu alguns castigos muito mediatizados. A Premiership nunca tinha visto nada assim.

 

Quique Flores vem de um futebol mais evoluído do que o português. O treinador do Benfica colhe muitas simpatias junto dos sectores mais insuspeitos, nomeadamente de sportinguistas e portistas.

Não vem mal ao mundo que tal aconteça. Quique tem um discurso moderno, transparente, honesto e civilizado. É simpático e correcto para com todos os agentes do futebol. É bom que assim seja. “Mind games” não são com ele.

 

Admiro Quique. Orgulho-me de ter um treinador que se rege por filosofias bem diferentes das dos seus rivais em Portugal. No entanto, há algo que me perturba. Quique é lesto e não tem papas na língua para criticar os jogadores quando acha que eles merecem. Foi assim com Balboa, foi assim com Reyes, foi assim com Cardozo.

Já quando a sua equipa é claramente prejudicada pelas arbitragens, Quique ou diz que estava a olhar para o lado, ou diz que não fala das arbitragens ou diz que os árbitros têm de ser ajudados.

 

O problema é que já não é a primeira, nem a segunda vez, que as palavras de Quique têm de ser rectificadas por Rui Costa. Foi assim com Nuno Gomes (não defendendo o jogador quando o capitão do Benfica foi acusado de atitude imprópria no final do Benfica – Nacional, algo que ninguém viu), foi assim com Pedro Henriques (recusando apontar o dedo ao árbitro quando este teve uma decisão prejudicial ao anular golo limpo do Benfica no final do jogo), foi assim quando disse que o segundo lugar também era importante (quando sabe, ou devia saber, que importante para o Benfica é ser campeão).

 

Há 7 meses em Portugal, Quique Flores teve tempo suficiente para perceber que as regras aqui não são as mesmas de Espanha. Se o treinador do Sporting critica os árbitros desde a primeira jornada, com os benefícios que se veêm; se o treinador do FC Porto até se dá ao luxo de comentar as arbitragens de jogos do Benfica, com os resultados que se conhecem, isto era motivo bastante para que o treinador espanhol reflectisse. E muito.

 

A fragilidade dos órgãos do futebol português e a falta de personalidade dos seus responsáveis é altamente sensível aos “mind games”. Jesualdo sabe isso desde sempre; e Paulo Bento conhece bem a técnica, ele que é um produto desta “escola”.

Nas últimas jornadas, esta falta de pressão legítima do Benfica tem-nos custado pontos valiosos. Foi assim no Restelo, foi assim no Dragão, foi assim, sábado, em Alvalade (ai o penálti sobre Aimar, aos 9 minutos, se tem sido assinalado, como tudo podia ter sido diferente…).

 

Ninguém pede a Quique para esconder deficiências da equipa com as críticas aos árbitros. Mas, que diabo!, ignorar, em nome de uma postura civilizada (seja lá o que isso quer dizer), as constantes malfeitorias que os árbitros têm feito ao Benfica, é deixar à solta e impune quem assim se sente confortável para continuar com esta vergonhosa campanha.

Utilizar uma linguagem supostamente civilizada num mundo onde esse conceito é quase desconhecido, é querer ser pomba em terra de falcões. Para além de que Quique tem de defender o Benfica, não a sua imagem.

 

A indignação é um direito, como bem disse um ex-presidente da República. Calar é consentir, sem nenhuma vantagem, nem nenhuma glória. Quique pode ser um homem ordeiro, cordato, bom rapaz, mas não são esses os atributos que o farão campeão. Nem nunca alguém se lembrará dele por esses atributos, se não for campeão.

Imitar Mourinho não é menosprezo para ninguém, antes pelo contrário. E “gajo porreiro” não é seguramente característica do actual treinador do Inter de Milão, nem epíteto que fará de alguém campeão.

 

Post-Scriptum: Questões de ordem profissional impediram-me de responder aos comentários que muitos benfiquistas fizeram ao meu último post: “O BENFICA GLOBAL”. Aproveito agora para agradecer ao Fernando Lopes, ao LF, ao Pedro5, ao José Almeida, ao Forteifeio, ao Mafarrico, ao Viriato de Viseu, ao Vítor Pereira, ao Daniel, ao António, ao O Glorioso, ao Jorge Ventura, ao Alexandre, ao Dylan, ao Luís Miguel, ao LC, ao Miguel, ao Dom Duarte Benfiquista, a todos o meu muito obrigado pelas palavras e pelo apoio.

 

A todos, um abraço do tamanho do universo benfiquista.

 

Pedro Fonseca

 

 





Miguel Álvares Ribeiro em 22/02/09 | comentar | 20 comentários

  

 

 

 

 

O jogo de ontem contra o Sporting não nos deixa grandes recordações.

 

Pior do que o resultado foi o facto de na maior parte do tempo, sobretudo na segunda parte, a equipa do Benfica não ter jogado bem, não sendo capaz de atacar com verdadeiro perigo nem apresentando a consistência defensiva desejável.

 

Depois de uma excelente exibição no Dragão, muito concentrada e tacticamente quase perfeita, esperava-se mais da equipa. Faltou empenho e inspiração à generalidade dos jogadores do Benfica.

 

O jogo começou equilibrado, mas o extraordinário golo de Liedson virou o jogo a favor do Sporting, que a partir daí construiu uma das melhores exibições da época. O Benfica chegaria ao empate de grande penalidade, a castigar falta sobre Suazo, que Reyes não desperdiçou.

 

Na segunda parte, quando se esperava que o Benfica regressasse com mais ambição para virar o jogo, o Sporting marcou muito cedo e a partir daí dominou claramente o jogo.

 

Na luta estratégica há que reconhecer que Paulo Bento ganhou, anulando os pontos fortes do Benfica e montando uma equipa rápida, que trocou bem a bola e jogou um futebol bonito e eficaz, criando várias oportunidades de golo.

 

Para Quique apenas o realce pela forma digna como assumiu a derrota e elogiou o jogo do adversário.

 

Quanto ao árbitro, como é hábito teve uma actuação infeliz, não assinalando uma grande penalidade logo no início do jogo, que poderia ter alterado radicalmente a forma como este se desenrolou, mas não se pode dizer que tenha prejudicado o Benfica, tendo mesmo voltado a não marcar outra grande penalidade, esta contra o Benfica, por mão de Maxi Pereira.

 

Neste jogo o Benfica só pode queixar-se de não ter sido capaz de contrariar o jogo do Sporting, que foi superior na maior parte do tempo, merecendo sem qualquer dúvida a vitória.

 

Nada ficou definitivamente perdido, excepto a oportunidade de centrar a discussão do título entre Porto e Benfica.  Porto e Sporting entraram num período difícil, de muitos jogos importantes, e na próxima jornada há um Porto-Sporting, que pode voltar a encurtar distâncias na frente da Liga, mas infelizmente este resultado concede uma maior tranquilidade ao Porto graças aos 4 pontos de avanço que passou a ter.

 




Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Paulo Ferreira em 20/02/09 | comentar | 29 comentários

A avaliação de Pedro Proença, em que foi penalizado por não prejudicar suficientemente o Benfica, destacou mais uma vez a teia em que o futebol nacional está envolvido. É inegável a podridão, a incompetência, a corrupção e os lobby’s e jogos de pressão e interesses.

 

 

Que os jogos e os campeonatos não se resolvem só dentro das 4 linhas, estamos perfeitamente esclarecidos e cabe ao Benfica lutar contra a vergonha instalada e defender os seus interesses. E de certa forma tem-lo feito embora demasiadas vezes de uma forma que não se percebe muito bem qual a real motivação e o papel que assume (já me pareceu Don Quixote, Calimero,…). Julgo que também nesta matéria faria falta uma acção mais planeada e com uma estratégia de comunicação mais clara e bem definida.

 

 

Mas será que isto é motivo suficiente para os anos de vazio que vamos vivendo? Não me parece! Contribui sem dúvida, mas não é o factor preponderante pelo qual não temos tido o sucesso desportivo que ambicionamos. E acrescento que a melhor forma de lutar contra o poder instalado é ganhar! Talvez seja mesmo a única forma, porque devolverá ao Benfica o respeito desportivo que infelizmente tem vindo a perder!

 

 

E é possível ganhar mediante este cenário de viciação? Pois claro que sim! Como? Como outros têm feito em campeonatos onde existem igualmente Filhos e Enteados. Sendo inequivocamente melhores e reduzindo o espaço de manobra de um sistema viciado. Lembro-me do Chelsea de Mourinho que contra tudo e todos e perante um evidente proteccionismo ao Manchester United venceu categoricamente.

 

 

Na minha opinião e mais do que denunciar ou lutar contra a penalização dos outros (que é necessário), o caminho é impor a mudança através de uma dinâmica de vitória!

 

 

Parece-me instalada uma cultura de desculpabilização e desresponsabilização alicerçada num álibi do sistema, que apenas nos leva ao desespero e ao desfoque do essencial pelo acessório.

 

 

Até nos comentários a este espaço se nota uma resignação latente com o estado actual e uma falta de ambição que por vezes me choca! A ambição e a exigência são a única forma de atingir o patamar que deveria já ser nosso.

 

 

O Benfica tem o melhor e mais caro plantel do Futebol Nacional, mas infelizmente não traduz em campo essa qualidade e isso é um factor que nada tem que ver com aspectos externos. Ainda assim, tem condições e eu acredito que este pode ser um ano de mudança! E essa mudança passa por Alvalade amanhã, onde defrontamos uma equipa claramente mais fraca (para mim é o 4º plantel em Portugal) e onde a mediocridade apenas é mascarada por Moutinho e Liedson (e Vukcevic a espaços). Em Alvalade e por muito que respeite o adversário temos de ganhar, e considero esta partida essencial para a discussão do título. Força Benfica!

 

 

PS – Comungo com as apreciações das modalidade que têm vindo a ser feitas mas é preciso rigor. No basquetebol por exemplo são merecedoras de destaque as 21 vitórias da Liga, mas não deixa de ser verdade que o Benfica tem de longe o melhor e mais caro plantel, a Liga se decide é nos playoffs (o ano passado também terminámos a Proliga destacados à frente e depois fomos eliminados pela Física) e na Taça de Portugal, que tínhamos obrigação de vencer, ficámos pelas meias-finais, sendo derrotados pela Ovarense.

 

 

Saudações Benfiquistas,

Paulo Ferreira




Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Bruno Carvalho em 19/02/09 | comentar | 157 comentários

                 

 
 
Escrevo há já alguns meses neste blog.
 
Tem sido uma experiência bastante interessante porque se consegue sentir o pulsar dos benfiquistas através de um meio de comunicação tão aberto, democrático e acessível como é a internet.
 
É evidente que há, no meio disto tudo, alguns que não têm a menor dose de civilidade ou de respeito e que se permitem, a coberto do anonimato que a internet permite, soltar toda a sua agressividade e falta de educação.
 
Mas essa agressividade não é um mal do Benfica ou deste blog, é, antes, o reflexo destes tempos modernos em que os valores são cada vez mais deixados para trás e onde a tolerância para com quem tem opiniões diferentes das nossas não cessa de diminuir.
 
No entanto, vou deixar essas análises para os sociólogos, uma vez que nem essa é a minha especialidade, nem dissecar esses fenómenos é o objectivo deste meu texto.
 
É interessante verificar que muitos se entretêm mais em analisar o meu benfiquismo do que a tentarem reflectir sobre os problemas do Benfica e sobre as várias soluções que vou apontando.
 
Quando iniciei este blog com os meus companheiros deste Novo Benfica, confesso que não tinha a noção do estado de resignação que os meus consócios atingiram.
 
Depois de presidentes como Manuel Damásio ou João Vale e Azevedo, os benfiquistas baixaram, e muito, a fasquia quanto ao grau de exigência relativamente ao desempenho do Benfica e de quem o lidera.
 
Tenho 40 anos e, de uma forma realista, tenho que admitir que o Benfica não é o clube dominador do futebol em Portugal há já muito tempo.
 
Fico orgulhoso com o facto de o Benfica ter ganho por duas vezes a Taça dos Campeões Europeus. No entanto, isso ocorreu em 1961 e em 1962. Tenho muito orgulho, mas não vi. Não vivi. Não festejei. Não abracei os meus amigos, num qualquer estádio da Europa ou em frente a uma televisão, para celebrar os golos da vitória e da conquista do troféu máximo do futebol europeu.
 
Há um paralelismo evidente relativamente ao período dos descobrimentos portugueses. Todos temos muito orgulho em Gil Eanes, em Diogo Cão, em Bartolomeu Dias, em Vasco da Gama, em Pedro Álvares Cabral e em muitos outros, mas nenhum de nós viveu esse período.
 
Eu não quero que aconteça ao Benfica o mesmo que sucedeu a Portugal. O nosso País viveu um período de intensa glória e realização há 500 anos atrás e ainda hoje vive à sombra desses feitos, não tendo sido capaz de se reinventar e fazer reviver o esplendor perdido.
 
Tenho muito orgulho que o Benfica tenha sido campeão nacional por 31 vezes, no entanto, nos meus 40 anos de vida, o Benfica não é o clube português que mais vezes ganhou o campeonato e não ganhou um único título europeu.
 
De facto, se fizermos as contas aos últimos 40 anos, repito, 40 anos, há outro clube que foi mais vezes campeão que o Benfica, com a agravante desse clube ter ganho 6 títulos internacionais nesse período, sendo que 3 desses títulos foram nos últimos 6 anos.
 
Não obstante, o Benfica continua a ser o maior clube de Portugal, o que mais campeonatos nacionais ganhou, o que tem a maior massa associativa, o que tem os melhores adeptos do mundo, o que tem mais meios em Portugal, o que obtém mais receitas, o que move mais paixões, o que faz vender mais jornais, o que consegue gerar mais audiências televisivas, o que arrasta mais gente aos estádios portugueses, o que mais suscita paixão por todo o mundo, em qualquer lugar em que haja um português.
 
Se somos tão grandes, se somos ainda maiores do que as palavras conseguem transmitir, será pedir demais que voltemos a colocar o Benfica no lugar que é, por direito e dever, o seu?
 
Pois eu peço, como pediu um dia o nosso estimado José Torres, que me deixem sonhar.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica ganhador como o que tínhamos nos anos 60.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica respeitado na Europa.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que jogue todos os anos na Liga dos Campeões.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica Campeão Europeu, que não seja humilhado na Taça UEFA por equipas sem gabarito.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que domine, com clareza, o futebol português.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica que seja a ambição máxima para qualquer jogador de futebol.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica influente e prestigiado entre os demais grandes clubes europeus.
 
Deixem-me sonhar com um Benfica de alegrias em vez de lamúrias.
 
Deixem-me sonhar com o renascimento da mística benfiquista.
 
No fundo, quero que me deixem sonhar com um Benfica grande e respeitado pelo seu presente e não apenas pelo seu passado que, por muito glorioso que tenha sido, e foi, já é isso mesmo, passado.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: Dedico este post a todos aqueles que, como eu, sonham com um Benfica de regresso à sua famosa glória e que acreditam que isso é possível.
 
 

    Benfica: Campeão Nacional e Campeão Europeu, 1961

 




Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 18/02/09 | comentar | 39 comentários

Tenho insistido que o problema do Benfica está principalmente ligado à atitude que o Clube tem perante a sua própria circunstância.

Explico melhor:

O Benfica desabituou-se de ganhar, é essa a sua actual circunstância. E como assim foi, baixou o nível de expectativa e de exigência dos seus principais responsáveis.

Pior do que tudo, este espírito mais conformado perante uma circunstância menos gloriosa, tem pegado de estaca no nosso clube e contaminado quem não devia contaminar que é a massa associativa do Benfica.

Todos querem bem ao Benfica, claro está. Mas nem todos têm uma perspectiva do Clube condizente com a força da marca, da história e da mística do Clube.

Só assim se explica que num Benfica que tanto investiu e nada ganhou nos últimos anos nos animemos tanto em ser “campeões de inverno”, ou melhorarmos nas modalidades amadoras, ou em não perdermos esta época (pelo menos ainda) com os nossos dois maiores opositores.

Só assim se explica que acabemos o jogo em casa com o último adversário, todos abraçados em lacrimejante euforia, por conseguimos ganhar por um contundente 1 a 0 (!!)

Só assim se explica, que depois de eliminados da Taça pelo Leixões e das competições europeias por já nem sei quem, continuemos animados por estarmos em segundo lugar no campeonato atrás do eterno Porto que não tem, comprovadamente, o valor e o fulgor das últimas épocas.

Eu sou dos que acho e apregoo que temos sido iniquamente prejudicados. Mas até nesse terreno lamuriento das injustiças que temos sofrido, temos perdido sucessivamente.

A tal ponto que um Senhor Gonçalves, observador do último Porto-Benfica, deu nota negativa ao árbitro Pedro Proença por ele não ter assinalado um penalty sobre Lucho e ter poupado o amarelo a Sidnei (!!!) . Sim leram bem, segundo o observador oficial ao jogo, Pedro Proença esteve mal porque prejudicou claramente a equipe do Porto, com influência directa no resultado final.

Eu fiquei pasmado. Como pasmado fiquei com a notícia da designação de Olegário Benquerença para o derby com o Sporting.

É caso para dizer que já não há vergonha no Futebol. Mas pior do que isso que já não há respeito pelo Benfica.

E não há respeito porque, como tenho defendido, não temos a atitude certa. Aquela que exige sempre mais e melhor da organização que somos e dos responsáveis que temos.

Em suma, não temos a atitude e a boa crença dos campeões e por isso ficamos sujeitos às más crenças dos Olegários da vida.

 

António de Souza-Cardoso

 

 

 




Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 17/02/09 | comentar | 37 comentários

  

 

 

No último jogo que fez para a Liga, contra o Paços de Ferreira, o Benfica foi capaz de mostrar o melhor e o pior da equipa.

 

O Benfica entrou bem na primeira parte, criando uma flagrante oportunidade em que Luisão e depois Aimar podiam ter começado a resolver o encontro; depois fez uma exibição muito contida, sem grandes oportunidades mas também sem sobressaltos defensivos.

 

Na segunda parte, depois da substituição de Carlos Martins por Di Maria, o Benfica mudou muito. Passou a dispor de dois extremos para abrir mais o jogo nas laterais e, pela primeira vez, vimos Rúben Amorim a jogar no seu lugar natural.

 

Depois de algumas jogadas de ataque bem delineadas o Benfica chega ao golo por Cardozo, numa fífia monumental do guarda redes do Paços, e a equipa passou a jogar ainda mais distendida, voltando a marcar por Rúben Amorim passados uns minutos.

 

Mas tão distendida ficou a equipa que demonstrou uma passividade defensiva a que já não estamos habituados e permitiu o golo do Paços numa jogada aparentemente inofensiva.

 

A partir daí só deu Benfica até que aos 87 minutos se deu o momento da noite com um golo de levantar o estádio de Di Maria, a justificar finalmente o estatuto que lhe vem sendo atribuído.

 

Quando já se gritavam olés (nunca gostei desta atitude do público, que além de ser de pouco desportiva e mostrar mesmo alguma desconsideração pelo adversário, muitas vezes acaba por perturbar os próprios jogadores) e não se esperava senão a possibilidade de o Benfica ampliar a vantagem, eis que em dois contra-ataques o Paços faz o segundo golo e por muito pouco não faz o empate em cima do apito final.

 

Resultado justíssimo para o jogo, a reflectir a maior atitude atacante do Benfica e a displicência que mostrou na defesa em certos momentos do jogo perante uma equipa adversária que nunca se rendeu mas que claramente não tem argumentos perante o Benfica.

 

Grande destaque para o enorme golo de Di Maria bem como para o grande golo e a grande exibição de Rúben Amorim. Muito bem também esteve Cardozo, bastante mais interventivo do que é habitual, a quebrar um longo jejum de golos. Destaque final para a equipa, pela solidariedade e espírito de entreajuda, como muito bem ressaltou Quique, apesar das inexplicáveis quebras de concentração quando tinha o jogo controlado com dois golos de vantagem.

 

A experiência de jogar com dois extremos puros e Rúben Amorim no meio mostrou claramente que o Benfica sobe de rendimento em termos ofensivos com este esquema, e não terá sido por ela que as desconcentrações defensivas ocorreram, embora Rúben Amorim seja de uma extrema eficiência a “fechar” o seu corredor em termos defensivos, o que já não é o caso de Di Maria.

 

 

Para terminar vou plagiar-me a mim próprio, copiando o que escrevi aqui há 15 dias, apenas alterando o nome do nosso adversário:

 

Espero realmente que o Sporting-Benfica seja um grande jogo, comentado ao longo de toda a semana pela qualidade e beleza do futebol jogado (sobretudo o do Benfica, espero eu!) e não pelos casos de arbitragem. (Infelizmente Paulo Bento já começou a “chorar-se” e o Porto tem interesse na nossa derrota, o que é uma má combinação de elementos para uma arbitragem de qualidade e isenta).

 

A vitória do Benfica irá dar novo alento à nossa equipa e fazê-la arrancar para uma 2ª volta muito mais positiva, a culminar com mais um título de campeão. Para isso é fundamental que toda a equipa se empenhe fortemente no jogo e que Quique consiga mais uma vez retirar todo o rendimento que aquele conjunto de jogadores já demonstrou ser capaz de proporcionar.

 

 

 

PS – As recentes “pérolas” de Jesualdo

 

Os jogadores do Porto são dos mais agredidos – com esta Jesualdo começou a desvendar os seus métodos de trabalho disciplinadores.

 

Dentro de campo os árbitros encarregam-se de que nenhum jogador se aproxime de um raio de 1-2 m de qualquer jogador do Porto sem que seja marcada falta/penalty e sanção disciplinar (veja-se os casos de Gaspar e Yebda e de nos dois últimos jogos no dragão).

 

As agressões a que Jesualdo se refere só podem, portanto, passar-se ao intervalo, nos balneários ou nos treinos, ou quando ainda assim não chega, no contacto com os adeptos mais entusiastas.

 

Agora é mais fácil perceber a fúria incontrolada de Bruno Alves, que, no fundo, apenas põe em prática aquilo que lhe ministram nos treinos e nas palestras.

 

A minha actuação como árbitro terminou no domingo – Mais uma “pérola” de Jesualdo, mas esta com melhores resultados para todos os desportistas. A acreditar no que Jesualdo disse (não aconselho pois o homem não é de fiar), não haverá mais patacoadas sobre a actuação dos árbitros da sua parte. Que alívio! É que ele não acertava uma única para amostra!




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