Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Paulo Ferreira em 30/01/09 | comentar | 41 comentários

Diz o povo e com a propriedade que se reconhece ao saber popular que “promessas leva-as o vento”. E é um facto que no calor de campanhas eleitorais ou discursos acessos, por uma questão de má fé ou simplesmente entusiasmo ingénuo se diz e promete o que depois dificilmente se consegue cumprir.

 

Justiça seja feita a LFV que tem cumprido bastante do que prometeu e em algumas matérias como a Fundação Benfica (ainda que o trabalho árduo venha agora, depois do acto formal, e ainda que tenha existido algum défice de solidariedade a figuras bem próximas do clube que dela muito necessitam) até poderia ter “esquecido” a promessa sem que muitos reparassem. A Fundação, o Estádio, O Benfica TV, o Seixal, entre outros, mostram que LFV leva a sério o que prometeu e está no Benfica de forma séria e responsável.

 

No campo desportivo as promessas são mais difíceis de cumprir porque não dependem apenas da vontade ou de dinheiro, mas sim de um conjunto de factores mais complexo. Mas não deixam de ser promessas e quem as faz está sujeito a que se pergunte porque não foram cumpridas.

LFV foi ousado quando proferiu frases como:

"O Benfica será mais forte que o Real Madrid"

“Dentro de 3 anos o Benfica será o maior do mundo” - 19-04-2003

"Projecto do Benfica está a assustar muita gente".

"Queremos ser campeões europeus".

"Os benfiquistas sabem que iniciámos um novo ciclo em Dezembro e esse ciclo é para continuar".

 

Neste campo efectivamente as expectativas de LFV foram goradas. E mesmo aqueles que apontam o futuro como promissor não se podem esquecer que esse futuro glorioso, segundo a promessa do presidente, já deveria ter acontecido em…2006!

 

E LFV sabe que está em défice nesta matéria e por isso nos últimos dois anos tem feito um forte investimento (quiçá colocando em causa algum saneamento financeiro pelo qual lutou no anos anteriores) para alcançar pelo menos a regularidade nas vitórias e nos títulos.

 

Mas importa perceber porque ainda não o conseguiu! Rodeou-se de quem sabe de futebol e está habituado a ganhar (casos de José Veiga e agora de Rui Costa, sendo que pelo meio tentou ele próprio assumir esta competência mas rapidamente percebeu que não era o caminho), contratou treinadores cotados e fez contratações sonantes.

 

E então porque não arranca esse novo ciclo tão apregoado e permanentemente adiado? Simplesmente porque no Futebol (e no desporto em geral) 2+2 quase nunca dão 4. Ter uma boa equipa, um bom treinador e um bom director desportivo não chega para ganhar, e infelizmente este ano os sinais não são de que efectivamente arranquemos para um novo ciclo! Quique mostra algum nervosismo e frustração por ver as suas estrelas não empregarem em campo a vontade e raça que ele próprio tinha quando jogava, Rui Costa não pode fazer muito mais e a equipa joga um futebol medíocre.

 

Existem medidas de fundo óbvias que devem ser tomadas para garantirem que o “potencial” se transforme em resultados práticos:

  1. O Benfica tem de falar a uma só voz e o discurso para fora nem sempre pode ser o mesmo que para dentro. Ultimamente e nas alturas de resultados menos conseguidos fala-se demais, o que dá azo a que a comunicação social faça páginas e páginas e que contribuem para destabilizar. Se nos queixamos da CS porque lhes damos tanta matéria para trabalhar?
  2. A circulação de jogadores tem de abrandar. Cada ano sai e entra metade do plantel, o que provoca que não existam referências (e as que foram chegando como Simão, Leo – que a propósito refere hoje em entrevista o sentimento que nutre por Quique e deixa perceber que o aspecto familiar não foi o único motivo porque quis sair - , Miccoli saíram dando lugar a outros de pior qualidade) no plantel que transmitam qualquer mística e liderança (aplaudo a renovação de Nuno Gomes neste particular caso se concretize) e mais grave que quem vem considere a estada no Benfica apenas passageira e não se sinta obrigado a dar o que tem e que não tem em campo…
  3. A cultura de responsabilidade e de vitória tem de ser implementada urgentemente. Esta cultura não passa apenas por descer ao balneário quando existem maus resultados ou por uns berros ao balneário! Passa sobretudo pela exigência do dia a dia e por uma selecção criteriosa de quem tem qualidade e personalidade para ser jogador do Benfica.

 

Resumindo, caso o Benfica não tivesse objectivos desportivos tudo estaria muito bem. Mas tem e nesse aspecto não se pode esperar mais para entrar nos eixos (e não é preciso ser melhor que o Real Madrid ou Campeão Europeu…apenas ser o melhor de Portugal e estar bem na Europa, sempre!). Pode ser que o consiga este ano e os próximos dois jogos são importantíssimos para tal. Espero que os jogadores o entendam e o vivam!

 

PS1 – A vergonha na arbitragem e na Federação continua. Mesquita Machado demite-se não porque tenha vergonha, mas para poder dizer mais umas baboseiras, o Benfica vê Katsouranis ser castigado por ter dito a verdade num jogo em que fomos prejudicados…há um mês! Vítor Pereira diz que está tudo bem e os árbitros acertam 95% das decisões (esquecendo-se de classificar que menos de 10% são decisões complicadas…). Enfim, não há quem ponha mão nisto ?

 

PS2 – Jesualdo Ferreira aculturou-se tão bem ao FCP que a sua arrogância e visão parcial está cada vez melhor ao ponto de criticar um árbitro de um jogo de um rival (quando a sua equipa empata) e dizendo que não comenta ou não é especialista do apito quando é escandalosamente beneficiado. É mesquinho e irritante mas o que é um facto é que está bem alinhado com o discurso do Clube…

 

Saudações Benfiquistas,

Paulo Ferreira

 




Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Bruno Carvalho em 29/01/09 | comentar | 145 comentários

 
 
É absolutamente inequívoco que a Liga Sagres está a entrar numa fase crucial e que pode ser decisiva na determinação do futuro campeão nacional.
 
Neste momento, creio que no Benfica os sinais não são bons.
 
Não são bons porque me parece evidente uma desagregação da equipa.
 
O espírito de grupo dá mostras de estar abalado e já começaram as desculpas do costume.
 
As atenções dos adeptos benfiquistas e dos seus dirigentes estão de novo centradas no sítio errado: nos árbitros e no sistema.
 
Parece-me que se começa, de novo, a preparar o caminho para as desculpas.
 
Está no ar, mais uma vez, o clima da desculpabilização e de atirar as culpas para os suspeitos de sempre.
 
Eu acho que isso deve parar já.
 
É preciso que o Benfica saiba reagir e que acredite nas suas potencialidades.
 
É preciso que o Benfica não prepare o caminho para as desculpas, mas que se prepare para a vitória.
 
Não há que ter medo de ganhar!
 
Confesso que estou deveras cansado das derrotas e das desculpas e é por isso que, com toda a minha energia e vontade de ganhar, escrevo este post.
 
Se eu estivesse no lugar de Luís Filipe Vieira, teria uma reunião muito séria com Rui Costa e com Quique Flores para traçar a estratégia para os próximos tempos, que tem de ser muito bem definida e ganhadora.
 
Há que travar, de imediato, este permanente ajuste de contas de Quique Flores com os seus jogadores, na praça pública, diante dos olhos de todos, que só pode contribuir para desfazer a nossa equipa.
 
É chegada a hora do tudo ou nada e é preciso apelar a uma grande união do grupo e de todos os benfiquistas em torno da sua equipa.
 
Assim, neste espírito, parecia-me da maior utilidade que o Benfica decretasse, de imediato, um blackout.
 
E porquê?
 
Para proteger o grupo e para poder dar a todos a oportunidade de trabalharem em paz e com a tranquilidade necessária para se centrarem num único objectivo: sermos campeões nacionais.
 
Com o blackout, acabaríamos, de imediato, com declarações de alguns elementos pertencentes à actual estrutura do Benfica que têm revelado especial tendência para falarem quando deviam estar calados.
 
Com o silêncio imposto, conseguiríamos parar, igualmente, com as intervenções de Quique Flores nas quais vários jogadores do Benfica têm sido criticados.
 
Não quero analisar, neste momento, se Quique tem razão ou não. Tenho uma ideia muito clara sobre esse assunto, mas guardarei a minha opinião para mais tarde.
 
O importante é que Quique consiga agarrar o grupo.
 
No próximo jogo com o Rio Ave, Quique tem uma grande oportunidade de conquistar os seus jogadores.
 
Nesse jogo, Quique deveria chamar Quim, Sidnei, Reyes e Cardozo e pô-los a jogar com Aimar, Nuno Gomes, Katsouranis, Luisão, Ruben Amorim, Carlos Martins, e todos aqueles que são, de facto, os melhores jogadores do Benfica.
 
Como é evidente, não sou eu que vou dizer a constituição da equipa, mas acho muito importante voltar a ganhar os corações de todos esses jogadores.
 
Está na altura de vermos todos de que fibra é feita esta equipa, de que fibra são feitos estes jogadores, de que fibra é feito este treinador, de que fibra é feito o nosso Director Desportivo e de que fibra é feito o nosso Presidente.
 
É neste jogo com o Rio Ave que Quique tem que ganhar uma equipa de guerreiros que depois, cheios de confiança, vão ganhar ao Dragão.
 
Acabe-se de vez com as distracções e com a política de desresponsabilização.
 
Acabe-se de vez com a conversa dos coitadinhos que são roubados todos os anos.
 
Essa é a cultura dos fracos e dos incapazes.
 
Essa é a cultura da derrota.
 
O Benfica não é sítio para perdedores.
 
Basta!
 
Nós queremos um Benfica dominador, ganhador e conquistador.
 
Nós queremos um Benfica campeão.
 
Queremos um Benfica sem receios, sem desculpas e preparado para ganhar.
 
O Benfica tem jogadores que têm um nome a defender, tem um treinador habituado aos grandes palcos, tem um Director Desportivo que é admirado por todos e que tem a confiança total do Presidente.
 
Então o que falta?
 
Não pode e não deve faltar nada.
 
Volto à minha proposta inicial.
 
Parem de falar.
 
Imponha-se um blackout total.
 
Trabalhe-se com sossego e volte-se a construir um forte espírito de grupo.
 
Acabe-se com as críticas aos jogadores.
 
Vamos lá ganhar ao Rio Ave e ao Porto.
 
Vamos ser campeões.
 
“Yes, we can”.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: os únicos prejudicados com esta minha proposta são os jornais desportivos, mas mesmo esses devem acalmar-se, pois se o Benfica for campeão, verão que irão vender mais papel do que nunca.
 
PS 2: Um conselho para a Benfica TV: vão buscar aos arquivos da RTP jogos em que o Benfica ganhou ao Porto. Passem-nos várias vezes. É importante criar-se um clima de vitória e a Benfica TV pode ajudar muito.
 

 




Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

António de Souza-Cardoso em 28/01/09 | comentar | 53 comentários

 

Os Portugueses são pouco dados ao pensamento analítico.

Quando se trata de analisar e discutir são brigões, sanguíneos e emotivos o que normalmente lhe retira bom senso, objectividade e lucidez. Mas a evidência mais explícita deste “deficit analítico” dos portugueses é a tendência vertiginosa que todos temos para meter tudo no mesmo saco, confundindo alhos com bugalhos, misturando razões e emoções, não separando para análise aquilo que tem origem ou natureza diferente.

Por isso generalizamos e agravamos as injustiças relativas que nos fazem sofrer para, logo a seguir, condescendermos, com angelical compreensão, para as injustiças que nos fazem sorrir.

Como todos os outros, também eu sou português. E com a distância que me é imposta por um genoma de que muito me orgulho, também eu acho que em matéria de futebol temos sido miseravelmente roubados. Ou, num esforço de lucidez, importantemente prejudicados no “deve e haver” da justiça desportiva e, em especial, das arbitragens do actual campeonato.

A diferença entre os dois jogos disputados por Benfica e Porto com o Braga, foi apenas a de o Benfica ter sido prejudicado no jogo anterior e ... no seguinte.

As outras diferenças são desprezíveis e têm a ver com as atitudes, do actual treinador do Porto – que ao contrário de há uma semana já analisa lances e “intensidades”, e do que dizem ser futuro treinador do Porto que devia estar entretido a jogar “playstation” enquanto o seu clube de hoje era violentamente prejudicado em favor do que dizem ser o seu clube de amanhã.

Jesus fez juz á frase que o imortalizou de que “não há fair play no futebol”!

O Benfica tem sido prejudicado, dizemos nós, julgo que com justiça e sem confusões escatológicas.

Mas esta constatação não deve toldar-nos a vista, confundir-nos a análise e desviar-nos de uma outra questão essencial.

O Benfica desta época está a jogar bem? O Benfica deste novo ciclo de todas as esperanças tem a dimensão e estatura que gostaríamos? O Benfica dos novos  30 milhões somados aos passados 30 milhões, é o Benfica campeão e de envergadura europeia que nos prometeram?

E sem fugir às questões: O jovem dinâmico e ambicioso Quique Flores cumprir os objectivos para que foi contratado? Está a ser devidamente aproveitado o conhecimento, a notoriedade internacional e a paixão ao Benfica que nos é dedicada pelo Menino Rui?

Agora que estamos a meio da época sugiro que, sem grandes emotividades, cada um de nós faça uma análise fria ao desempenho do nosso Clube esta época.

Para essa análise de baixa temperatura, devemos pensar nos jogadores que vendemos e nos que compramos (ou remuneramos) em comparação com os nossos opositores directos.

Devemos pensar, sem ingenuidades, o nosso percurso europeu.

Devemos pensar que das 3 principais competições que disputamos só estamos vivos naquela onde ainda ninguém morreu.

E nessa, temos mais 1 ponto que na época anterior e menos 2 do que há duas épocas atrás.

A única diferença é que o Porto que no final da época passada, em termos de jogadores, vendeu certezas e comprou promessas, a única diferença dizia, é que o Porto tem, nesta época, cerca de menos 8 pontos que nas duas épocas anteriores.

Quer dizer, provavelmente somos mais competitivos porque o Porto está menos competitivo. Está mais a nossa mão. Mas o verdadeiro drama é que com todos estes milhões, com Quique e com o Menino Rui, não melhoramos.

Ainda não melhoramos, dirão alguns. Mas esta conversa do “amanhã é que vai ser”  tem tantos anos que merece reflexão mais profunda. Porque é esta condescendência, esta falta de exigência e de rigor que nos tem tirado sentido crítico e afastado da grandeza que já tivemos.

E isso só não vê quem não quer ver. Olho com tristeza para a minha equipa e fico com a angústia e a sensação de quem vê estrelas e não vê o Céu.

Quantos, como eu, não sentiram mesmo quando reassumimos a liderança no jogo de Braga que não iríamos ficar aí por muito tempo? Não por termos sido beneficiados pela arbitragem. Como disse, ainda temos muito a haver nesse desiderato. Mas por termos jogado pior do que o Braga.

Por não termos merecido vencer. Como não merecemos passar a fase de grupos com equipas medianas do universo europeu que queremos liderar.

Em suma, devemos lutar com clareza e determinação por uma justiça no futebol que está decaída e espero que a nenhum benfiquista doa a voz ou falte coragem para falar sempre a verdade em defesa do nosso Clube.

Mas devemos ter também a frontalidade de assumir que este novo ciclo não está a ter os resultados prometidos e que é necessária uma nova cultura de exigência e de orientação para os resultados na gestão do Benfica.

Se misturarmos a análise destas duas questões que, apesar de interligadas, têm origem e natureza diversa então, corremos o risco de errar e, pior do que tudo, de deixar que o Benfica continue a errar.

Para que o Novo Benfica reabilite o Benfica de Sempre precisamos de lucidez e de rigor. E deixarmos todos de tomar a nuvem por Juno, a árvore pela floresta ou, simplesmente confundir a Obra-Prima do Mestre com o a prima do mestre-de-obras.

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: bem
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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Miguel Álvares Ribeiro em 27/01/09 | comentar | 29 comentários

 

 

Desde que veio para o Benfica que sou um admirador de Quique Flores, sobretudo pelo seu carisma e pela postura diferente que assumiu, em termos de correcção, frontalidade, honestidade e simpatia.

 

Após um início de época muito prometedor, com bons resultados e exibições, começaram a surgir exibições e resultados menos positivos e logo se começaram a ouvir as vozes críticas. Embora reconhecendo alguma razão no que diz respeito à pobreza exibicional em alguns jogos e à rigidez táctica que não permite a existência de soluções alternativas ao “seu” sistema de jogo, sempre continuei a manter a confiança em Quique.

 

 

Apesar disso, as recentes decisões e intervenções públicas de Quique têm-me desiludido. Começou com os “castigos” impostos aos jogadores que tiveram uma exibição menos conseguida ou mesmo com erros graves. Foi o caso dos guarda-redes, com o afastamento de Quim (nem para o banco foi) e depois de Moreira, após falhas graves. Não penso que esta seja a melhor forma de resolver estas falhas e certamente mina a confiança dos jogadores. Depois de todas estas experiências penso que concordaremos, quase unanimemente, que Quim tem que ser titular e Moreira o suplente. Não consigo compreender o continuado afastamento de Quim dos relvados.

 

Não sabemos (eu, pelo menos, não sei) o que se passa no interior do balneário do Benfica, mas não é novidade para ninguém que a força de uma equipa depende muito do espírito de grupo que consiga estabelecer-se entre todos os seus elementos, pelo que e a qualidade do ambiente no balneário e a união no esforço colectivo e nos objectivos do grupo são fundamentais. Nenhum indivíduo se pode, portanto, sobrepor ao colectivo, mas é importante saber integrar todos nesse espírito de grupo e nos objectivos comuns. Essa é uma das tarefas fundamentais da dupla Rui Costa/Quique Flores.

 

Também nesse aspecto as recentes intervenções de Quique não têm sido felizes; não duvido que Balboa e Reyes, para citar os exemplos mais recentes, precisam de ser responsabilizados e espicaçados, para mostrarem níveis exibicionais mais elevados e consistentes, mas não me parece que a gestão do balneário em conferência de imprensa seja a solução para tal.

 

 É evidente que, não conhecendo, como já admiti, o que se passa no balneário, não posso fazer um juízo definitivo sobre estes incidentes mas, apesar da posição especial que ocupa, Quique (juntamente com Rui Costa) é também um dos elementos do grupo e o principal responsável por conseguir que este apresente bons resultados. Daí que não me pareça positiva a atitude de se pôr de fora a criticar publicamente alguns elementos do grupo. A bem da união do grupo é importante que todos assumam as suas falhas e que as consigam ultrapassar em espírito de cooperação e não de acusação/crítica pública.

 

Naturalmente que é inevitável, num grupo altamente competitivo, a existência de rivalidades entre os seus elementos, até porque as suas carreiras dependem em grande medida das oportunidades que têm de mostrar o seu valor em campo (aqui convém também explicar-lhes que depende primeiro da qualidade do colectivo pois sozinhos não vão derrotar os adversários). É, no entanto, tarefa do treinador e dos dirigentes resolver esses conflitos no interior do grupo, evitando o desgaste mediático, sempre prejudicial. Também aqui me parece que o caso de Cardozo não tem sido bem enquadrado. Apesar de não querer entrar por questões técnicas, porque não serão eventualmente neste caso as mais relevantes e porque para elas não tenho qualquer competência, não consigo perceber que quando se precisa de reforçar o ímpeto atacante da equipa, a dupla Cardozo/Suazo, servida por Aimar não seja uma opção mais frequente.

 

 

Como já vimos, temos que ser muito superiores para conseguir impor-nos pois, se o jogo for equilibrado ou se formos apenas ligeiramente superiores ao adversário, o sistema arranja sempre maneira de nos prejudicar. Convém, portanto, não dar ainda mais armas aos adversários; a estabilidade é essencial, evitar situações públicas de divisão interna é imperioso.

 

 

Continuo firmemente convencido que a dupla Rui Costa/Quique Flores é a indicada para conduzir o Benfica neste processo de renovação e que nos trará ainda muitas alegrias, mas algumas das atitudes mais recentes devem merecer uma seria reflexão e, se não existem outros factores que desconheço, uma inflexão na política de gestão do grupo.




Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Pedro Fonseca em 26/01/09 | comentar | 61 comentários

Os já poucos vestígios de credibilidade do futebol português ficaram estilhaçados nos últimos dias. Depois da indignação concertada e hipócrita a propósito da arbitragem do Benfica – Braga, cujos erros se limitaram a um fora-de-jogo milimétrico no golo de David Luiz e a um eventual penálti de Luisão, eis que o que pretendiam com aquela feira de dislates foi conseguido em todo o seu esplendor.

 

São muitos anos de conivências, cumplicidades, cunhas, subornos, lealdades antigas, para que tudo rua como um castelo de cartas, por mais apitos dourados e finais que venham a lume. O país é o que é, e ponto final.
O mais dramático é perceber que as tentativas de credibilização da indústria do futebol sofreram um forte abalo na semana que passou, e dos escombros ainda não se sabe o que vai nascer. Convém, por isso, fazer uma retrospectiva rápida dos acontecimentos, após o que propomos algumas medidas para retirar o futebol desta chafurdice.
No final do Benfica – Braga, o treinador bracarense, Jorge Jesus, e o presidente do clube, António Salvador, (para além de alguns jogadores arsenalistas), atacaram a arbitragem de Paulo Batista em termos de uma violência que julgava já caída em desuso.
Mais a Norte, no estádio do Dragão, Jesualdo não escondia a azia pelo empate frente ao Trofense. E qual foi a desculpa que arranjou para desviar as atenções? “Passaram-se coisas estranhas num campo onde jogou outro candidato ao título”, disse. Bonito.
No dia seguinte, saltou para a ribalta esse “dinossauro” do poder local, Mesquita Machado, presidente da Câmara de Braga e, pasme-se, da Mesa da AG da Federação. Pediu a intervenção da Procuradoria e lançou diversas suspeições sem concretizar. O futebol português no seu melhor.
O “sistema” movimentava-se. A jornada que aí vinha podia ser decisiva e não convinha deixar nada ao acaso. Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem ajudou à missa com declarações anedóticas e infelizes. O caldo estava preparado.
Incapaz de aguentar a pressão, Vítor Pereira fez o que tinha sido meticulosamente preparado. O “sistema” não dorme. Para o Restelo, avançou Elmano Santos, 21º classificado na época passada. O árbitro madeirense não deixou os seus créditos por mãos alheias – 3 grandes penalidades por marcar contra o Belenenses (2 sobre Suazo, 1 sobre Yebda) e uma expulsão perdoada a jogador azul por entrada de pitões na perna de Di Maria.
Para Braga, Paulo Costa velho conhecido dos “papas”, cuja arbitragem vai figurar no top das mais vergonhosas que já ocorreram em Portugal. Mas, para o Sporting de Braga, tudo pareceu normal.
Face a 3 penáltis contra o FC Porto por assinalar, 1º golo portista em fora-de-jogo, e agressão de Hulk a jogador bracarense sem punição disciplinar, Jorge Jesus, talvez com medo de não dar o salto ambicionado, aos costumes disse nada. Onde estava o indignado treinador que na Luz disse que “nunca tinha visto nada igual em 20 anos”? E Mesquita Machado, cujas palavras timoratas revelam compromissos antigos? Faça-se justiça, porém, a António Salvador, presidente do SC Braga, que quase repetiu “ipsis verbis” o que tinha dito na Luz, embora contra o FC Porto a gravidade do prejuízo tenha sido muito maior.
O que fazer? O futebol português só pode ser salvo se o Governo (neste caso, o Estado) intervir, e rapidamente. A intervenção governamental deve centrar-se na nomeação dos presidentes da Federação, Liga e Comissão de Arbitragem destes dois organismos.
Admito que esta medida seja transitória e que a sua regulamentação possa remeter para sede parlamentar a escolha dos titulares destes órgãos, para o que bastaria maioria simples. Teríamos, assim, o presidente da Federação a ser escolhido pelo Governo e o presidente da Liga a ser escolhido em sede parlamentar. Os responsáveis da arbitragem seriam escolhidos pelo Governo.
Se o órgão executivo e o órgão legislativo intervêm na escolha de titulares de organismos públicos como a Presidência do Conselho Superior de Magistratura ou da Procuradoria-Geral da República, porque razão não o podiam fazer no mundo do futebol?
Acresce que tal resultaria numa dignificação do cargo e Governo e/ou Parlamento podiam a todo o momento proceder a substituições (como de um qualquer ministro) – de 4 em 4 anos, como é vulgar em democracia, essas escolhas seriam avaliadas.
Rompia-se assim esta tenebrosa rede de influências, de compadrios e de favores. O presidente da Federação deixava de estar preocupado em agradar às associações, de cujo voto depende a sua eleição, - elas próprias geridas com base em troca de lealdades e outros “arranjos” (lembram-se do célebre “chito” de Adriano Pinto, à época presidente da AF Porto?). E o presidente da Liga (ressalve-se a boa vontade e o esforço do actual, Hermínio Loureiro) deixava de depender dos equilíbrios de poder entre os clubes. Um futebol mais são, mais transparente e mais credível tem de passar por esta mutação interna. Tem a palavra o Governo.

sinto-me: indignado
música: Desolation Row


Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Paulo Ferreira em 23/01/09 | comentar | 35 comentários

Primeiro que tudo o Benfica está de parabéns e a última semana tem sido extremamente positiva, no Futebol passámos às ½ finais da Taça da Liga, em Basquetebol ontem derrotámos o FCP e estamos nas ½ finais da Taça de Portugal (e no Campeonato seguimos em 1º invictos), no Hóquei vencemos categoricamente o FCP (algo que já não acontecia há algum tempo) e ganhamos fôlego e esperança para o título, no Andebol ganhámos a Taça da Liga numa final contra o SCP e no Volei registámos mais uma vitória perante o Leixões e continuamos na senda de vitórias. Depois de algumas decisões controversas nas modalidades, a verdade é que temos hoje equipas muito competitivas e com orçamento bem mais equilibrados que num passado próximo.

 

Para este equilíbrio financeiro e cultura competitiva que hoje se assiste nas modalidades contribuiu muito, a aposta em equipas jovens, com jogadores oriundos da formação ou novos talentos descobertos em clubes de menor dimensão. Ambas as fontes garantem um menor custo e uma elevada ambição, o que complementada com algumas mais-valias (estrangeiras ou nacionais) que garantam qualidade e maior experiência dão o mote para equipas de sucesso. Esta é uma lógica que tem forçosamente de ser aplicada ao futebol se queremos ter um clube são financeiramente e queremos ter atletas que entendam e apliquem a apregoada mística benfiquista!

 

Vejamos, este ano o Benfica lidera o Campeonato (Zona Sul) em Juniores, está em 2ª em Juvenis e Iniciados. Está portanto provado que existe talento a explorar e a incorporar gradualmente no plantel principal para que possamos em poucos anos estar a rentabilizar o investimento que é feito na Formação. Não nos podemos esquecer que a Formação custa muito dinheiro ao Benfica e se não forem valorizados os activos criados é apenas mais uma fonte de custo e não investimento. Se a equipa principal viver apenas de jogadores que vão sendo adquiridos no mercado, para que serve o investimento na formação? Até há pouco tempo a inexistência da estrutura do Seixal ajudava a explicar o porquê apenas saiam regularmente jogadores com bom mercado dos outros clubes (onde admitamos o SCP tem sido o expoente máximo…sendo que depois não os sabe rentabilizar na altura de os vender, mantendo quem deveria vender e vendendo barato que depois se prova valer bem mais…), mas neste momento começa a ser tempo de colher os frutos do que se andou (e bem) a plantar.

 

Esta é uma das formas de rentabilizar o nosso futebol e tornar as equipas mais personalizadas e identificadas com o Clube. As declarações de Katsouranis ontem em que revela que Quique tem (quase sempre) de apelar ao profissionalismo para que corram mais na 2ª parte, são demonstrativas de que a maior parte dos jogadores não sente a camisola que veste. Julgo ser premente a todos os níveis apostar efectivamente nesta componente e nesta linha espero que André Carvalhas vingue no Olhanense e possa voltar pela porta grande.

 

PS – Mais uma semana de polémica no Futebol Nacional. Os regulamentos são mal escritos e os clubes apenas os analisam quando lhes dá mais jeito. Nada mudará no Futebol porque ninguém (ou quase) quer que nada mude! Enquanto houver polémicas as atenções estão desviadas para aí e não para o pobre futebol que se pratica, para os salários em atraso, etc etc. Da mesma forma, Vítor Pereira tem uma declaração infeliz que apenas demonstra a pressão a que está sujeito e da mesma forma os abutres do Sporting caem-lhe em cima de forma “vampiresca”  (já não se devem lembrar da posição que tomaram no Benfica vs Braga e do golo fora-de-jogo de que beneficiaram no jogo seguinte e que os deixou calados que nem ratos).

 

PS1 – Leo saiu. Foi um dos melhores laterais esquerdos que o Benfica teve nos últimos 15 anos, se não o melhor! Ele como Micolli personalizaram e bem como deve jogar quem veste aquela mítica camisola. Boa sorte para eles…

 

 Saudações Benfiquistas,

Paulo Ferreira




Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Bruno Carvalho em 21/01/09 | comentar | 215 comentários

 

 
 
A Benfica TV é uma boa ideia.
 
No entanto, penso que existe alguma confusão em torno da Benfica TV e os seus propósitos, nomeadamente no que diz respeito aos direitos televisivos dos jogos do Benfica a contar para a Liga Portuguesa de Futebol.
 
Instalou-se por aí uma ideia de que a existência da Benfica TV fará com que a Olivedesportos, e por conseguinte, a Sport TV, irá ter que pagar muito mais pelos direitos dos jogos do Benfica.
 
Aliás, estou em crer que a actual Administração do Benfica, nomeadamente Luís Filipe Vieira, conta com um verdadeiro “jackpot” televisivo à custa da Benfica TV.
 
Eu acho que não é bem assim e que mais uma vez, por simples ignorância, ou então, o que seria bem pior, por má fé, se estão a enganar os sócios do Benfica nesta matéria.
 
Voltando ao início, a Benfica TV é uma boa ideia.
 
E é uma boa ideia porque o Benfica é um clube com uma dimensão de tal ordem no nosso País que permite, perfeitamente, rentabilizar uma operação de televisão com as características da Benfica TV.
 
É importante que fique logo claro que a principal função de um canal de televisão como a Benfica TV é a de difundir o Benfiquismo.
 
A Benfica TV deve ser um ponto de encontro de todos os benfiquistas, servindo como uma poderosa ferramenta de marketing que permita solidificar a paixão pelo Benfica.
 
A Benfica TV deverá ser usada para relembrar permanentemente a grandeza do Benfica, para conquistar novos sócios, para manter os actuais sócios mobilizados em torno do Clube, para ajudar a encher o Estádio da Luz em todos os jogos, para ajudar a difundir as modalidades amadoras, para ajudar a atrair público aos pavilhões, para familiarizar todos os benfiquistas com as aspirações, problemas e objectivos do Benfica, isto é, para fomentar e solidificar a nossa mística.
 
A Benfica TV deverá permitir a todos os benfiquistas sentirem que fazem parte do Clube e que podem efectivamente ajudar o Benfica a crescer com o seu contributo e com as suas opiniões.
 
Por tudo isto, e não é pouco, a Benfica TV é um excelente instrumento e o Benfica está de parabéns por ser o primeiro clube Português a dispor de um canal de televisão próprio.
 
No entanto, no que diz respeito aos direitos de televisão dos jogos da equipa do Benfica, a conversa é outra.
 
O Benfica, actualmente, recebe, de acordo com o site Futebol Finance, 9,2 milhões de euros, por ano, da Olivedesportos, pelos direitos televisivos dos seus jogos, em casa, a contar para a Liga Sagres.
 
O Benfica disputa, por época, 15 jogos para a Liga no Estádio da Luz, o que significa que recebe 613 mil euros por jogo disputado em casa.
 
Para os jogos serem transmitidos na Benfica TV, e sendo a Benfica TV um canal cabo em aberto, a forma de rentabilizar os jogos terá de passar pelo sistema de “pay-per-view”, isto é, as pessoas pagam em casa cada vez que quiserem ver um jogo do Benfica.
 
Admitamos que o operador cabo venha a cobrar a cada assinante que queira ver um jogo do Benfica a quantia de 5 euros por jogo, o que não é barato.
 
Se retirarmos o IVA e uma parte para o referido operador cabo, podemos, então, com algum optimismo, assumir que o Benfica possa receber 4 euros líquidos por cada assinante cabo que esteja disposto, como vimos, a pagar 5 euros para isso.
 
Desse modo, para receber os mesmos 613 mil euros por jogo que a Olivedesportos actualmente paga, seria necessário que 153 mil assinantes cabo comprassem o visionamento do jogo.
 
Para quem percebe minimamente destas coisas, sabe que esse número é muito difícil, diria mesmo impossível, de atingir, até porque não estamos a falar de 153 mil espectadores, mas sim de assinantes, isto é, de 153 mil lares por jogo.
 
E se ainda admitirmos que esse número talvez seja possível de alcançar num Benfica-Sporting ou num Benfica-Porto, já me parece muito mais duvidoso que tal fosse possível num Benfica-Trofense ou num Benfica-Rio Ave.
 
Já para não falar nas alturas em que a equipa não está a ganhar, que infelizmente têm sido muitas, o que ainda agravaria as dificuldades em atingir esse número de subscritores dispostos a pagar para ver na televisão um jogo do Benfica.
 
O que eu posso dizer, é que clubes como o Real Madrid, que têm uma base de adeptos muito maior e com maior poder de compra que os portugueses, nunca foram capazes de atingir esses números quando vendiam os seus jogos em sistema de “pay-per-view” através dos seus canais de televisão.
 
É claro que se pode alegar que haveria sempre um aumento das receitas de publicidade da Benfica TV com a transmissão dos jogos do Benfica, o que é verdade, mas não é menos verdade que essas receitas seriam substancialmente absorvidas pelos custos de transmissão de cada jogo.
 
Que fique claro que eu também acho que o Benfica tudo deverá fazer para maximizar as suas receitas, e é claro que os direitos televisivos são uma área em que haverá seguramente margem para melhorar proveitos.
 
No entanto, não creio que a Benfica TV seja o instrumento para isso.
 
Creio, até, que é totalmente irrelevante para a melhoria dos contratos televisivos que exista ou não a Benfica TV.
 
Para aumentar as receitas de televisão, o que o Benfica tem que fazer é ter respeito por quem até agora tem pago ao clube por esses direitos, que foram muitas vezes negociados em alturas em que o Benfica muito precisava. Nessa altura o dinheiro serviu.
 
Gostava de chamar a atenção para um facto que agora se pretende esquecer: o Benfica esteve fora da Sport TV quase dois anos e a Sport TV era já um grande sucesso antes da entrada do Benfica. Talvez alguns não gostem que eu diga isto, mas esta é a verdade dos factos.
 
Não devemos esquecer que a Sport TV transmite a Liga Portuguesa, a Liga Espanhola, a Liga Inglesa, a Liga Italiana, a Liga Francesa, a liga Alemã, transmite Fórmula 1, a NBA e por aí adiante. É por ter este conjunto grande de coisas que a Sport TV tem tantos assinantes.
 
Os jogos do Benfica são, sem dúvida importantes, mas não devemos esquecer que com ou sem Benfica, a Sport TV continuará sempre a transmitir 15 jogos do Benfica por ano, pois o que se está a falar, em termos de direitos televisivos, é dos 15 jogos do Benfica em casa. A Sport Tv poderá continuar a transmitir os jogos do Benfica que são disputados fora de casa.
 
Parece-me importante que nesta matéria, e em todas as outras, se fale a verdade aos sócios e não se pretenda vender ilusões.
 
O melhor que o Benfica tem a fazer para maximizar a venda dos direitos televisivos é, quando for negociar novos direitos, não se encontrar numa posição negocial fragilizada, estar numa boa situação financeira e logo se verá se é possível ou não aumentar essas receitas.
 
Volto então ao que disse no início: a Benfica TV é uma excelente ideia, mas pelos motivos certos e não para ser usada como instrumento de chantagem negocial cujo valor é, no mínimo, extremamente duvidoso.
 
A Benfica TV tem que valer, isso sim, pela qualidade dos seus programas e pela forma como conseguir envolver os benfiquistas neste projecto de televisão tão promissor.
 
Eu acredito na Benfica TV.
 
Saudações Benfiquistas,
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: Será importante que a Benfica TV clarifique, em tempo útil, qual será a sua posição num cenário eleitoral em que exista mais do que uma lista para a Direcção do Benfica.
 



Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Pedro Fonseca em 19/01/09 | comentar | 62 comentários

Uma mentira dita mil vezes não passa a ser verdade. Nos últimos dias, a tentação de ir ao baú da História para tentar explicar o presente, fez ressuscitar um nome: Inocêncio Calabote. Quem o fez não conhece a história, nem tem tempo para essas minudências do estudo e da investigação séria e rigorosa.

 

Tocou de ouvido e, como é natural, espalhou-se ao comprido. O presidente do SC Braga, é dele que falamos, arrisca-se a entrar no anedotário nacional ao desajeitadamente nem o nome do antigo árbitro ter conseguido proferir com exactidão. Quem lhe terá encomendado tal tarefa?

 

As gerações mais novas nunca ouviram falar de Inocêncio Calabote. Não será por isso António Salvador a fazer o papel de “historiador”, que, como o próprio denuncia sempre que abre a boca, não lhe encaixa no perfil.
A bem da seriedade de procedimentos e da honestidade intelectual, solicito a todos que embarquemos numa rápida mas elucidativa, esclarecedora e pedagógica viagem na máquina do tempo.
Recuemos a 1958/59. O campeonato estava ao rubro e o Benfica e o FC Porto chegavam à última jornada empatados em pontos. Os adversários eram a Cuf, no Estádio da Luz, e o Torreense, em Torres Vedras.
O FC Porto levava vantagem de 4 golos, na fórmula de desempate, entre golos marcados e golos sofridos. Era esta décalage que o Benfica tinha de ultrapassar para ser campeão. Sem imagens televisivas, foi através da rádio que se seguiram as peripécias em ambos os campos.
Na Luz, o Benfica entrou em campo 6 minutos depois das 15, hora de início do encontro, para tomar conhecimento prévio do resultado de Torres Vedras. Um estratagema muito recentemente utilizado noutros campos do país. Pelo facto, o clube foi multado.
Com 90 minutos cumpridos e 7-1 no marcador, Inocêncio Calabote prolongou o jogo por mais 4 minutos, devido a perdas de tempo de jogadores da Cuf, (os guarda-redes, por exemplo, nessa época podiam recrear-se com a bola na sua grande área o tempo que quisessem). Como termo de comparação, lembremo-nos que o árbitro Luís Reforço, no recente jogo FC Porto – Trofense, resolveu prolongar o jogo por 7 minutos. E quem não se lembra de um tal de Isidoro Rodrigues, que em 2001/2002, num Varzim – Benfica, prolongou o jogo 10 minutos para que os poveiros empatassem?
Voltemos a 1959. Com os jogos terminados, 7-1, na Luz, e 0-3, em Torres Vedras, o FC Porto acabou por se sagrar campeão com … 1 golo de vantagem. O curioso é que os testemunhos orais foram reescrevendo esta “estória”, tentando esconder alguns pormenores que fazem toda a diferença.
Calabote, que foi irradiado (sendo o primeiro árbitro a sofrer tal punição) já cá não está para se defender, mas é preciso que a História o reabilite e lhe faça justiça. Quanto mais não seja porque nunca viajou para o Brasil a custas de um clube de futebol, como Carlos Calheiros, nem fugiu a sete pés, em pleno relvado, de onze jogadores de um clube, o FC Porto, como José Pratas, nem atentou contra a verdade desportiva, como Martins dos Santos ou Jacinto Paixão.
O que tem sido escondido conta-se em poucas palavras. O Benfica marcou o seu sétimo e último golo aos 38 minutos da segunda parte, ou seja, 7 minutos antes do apito final (sem os descontos). Qual o árbitro que em 7 minutos não encontraria forma de beneficiar uma equipa com mais um golo? Inocêncio Calabote teria muito a aprender com alguns dos senhores que já citei.
Mas escondido tem sido, também, o que se passou no jogo de Torres Vedras. Ali, o FC Porto ganhava apenas por uma bola a dois minutos do fim, o que daria o título ao Benfica. Entretanto, marcou o segundo golo, o que também não chegava para ser campeão, mas a 20 segundos do final, Teixeira marcou o terceiro golo do FC Porto, que com isso arrecadou o título de campeão.
Mas houve mais, em Torres Vedras. O FC Porto fez 0-1 quando o Torreense jogava com menos um jogador, por lesão. A partir dos 20 minutos da segunda parte, o Torreense estava só com 10, por expulsão de Manuel Carlos, e viu ainda outro jogador expulso após o 0-2, por pontapear a bola para longe. O 0-3 é sofrido com apenas 9 jogadores em campo. Não foi de estranhar, por isso, que a arbitragem de Francisco Guiomar tenha sido muito contestada pelos locais. Mas disso, não rezou a história. Por enquanto…

sinto-me: Vingado
música: Blowin in the wind
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Gosto muito do meu país mas estou desiludido. Gosto de Futebol mas a descrença assola-me e o entusiasmo desvanece-se. Amo o Benfica, mas sinto-o cada vez menos “meu”.

 

Enquanto indivíduos vivemos o dia-a-dia a cobrar, mas damos pouco de nós. Dizemos mal uns dos outros nos corredores mas não temos coragem de enfrentar o que discordamos ou de quem discordamos de forma frontal. Apreciamos falar com fartura mas não estamos disponíveis para ouvir os outros e discutir abertamente ideias. Atacamos os governantes mas não vamos às urnas na altura de os escolher, não temos sentido colectivo para combater o que está mal e no fundo deixamos andar…

 

Deitamos lixo no chão, não damos lugar aos idosos nos transportes públicos, não passamos aos nossos jovens a nossa história e cultura, permitimos que os nossos políticos façam “pontes” à nossa conta ou andem em renovadas frotas automóveis enquanto nos pedem para apertar o “cinto”. Enfim, vivemos o nosso dia e individualidade tentando safarmo-nos o melhor possível mas borrifando para quem está à nossa volta. Estamos no ridículo de quando entro no elevador e digo “Bom Dia” quem lá vai olha para mim como se fosse doido e pensando para consigo “Eu conheço este gajo de algum lado…”.

 

No meio de tudo isto um conjunto de “Chico-espertos” apoderou-se das estruturas do nosso país e gozam actualmente da impunidade de poderem fazer o que querem porque nós…não queremos saber!

 

Só assim se explica que nas Câmaras Municipais deste país se cometam as maiores atrocidades contra quem se deveria defender, só assim se explica a falta de ética no jogo de poderes entre cargos públicos e empresas privadas, só assim se explica que personalidades com poder públicos se imiscuam na Federação e que tenham a ousadia de tendo cargos relevantes no organismo que gere o futebol se pronunciem contra arbitragem ou em defesa de um clube em particular.

 

A culpa é nossa, é minha, mas a verdade é que o Futebol é neste momento dos dirigentes da Federação e os Clubes dos seus dirigentes. E a verdade é que eles fazem o que querem, na grande maioria das vezes mais em seu benefício que das instituições que deveriam defender, e por isso estes cargos são tão apetecidos e ninguém de lá quer sair! E é por isso que a arbitragem não é nem pode ser isenta…ela está sobre um jogo de poderes inacreditável que retira qualquer possibilidade de isenção e seriedade.

 

O maior problema é que a teia está tão bem construída que quando nos dermos conta que nada podemos fazer (ou seja, quando acordarmos e resolvermos agir…) será tarde. E será tarde porque entretanto os estatutos, as estruturas vão sendo mudadas de forma a que não tenhamos vós e fiquemos subjugados à decisão de quem manda (e lá diz o povo…quem pode manda, os outros obedecem). Estamos a entrar numa ditadora repartida por diversas instituições e não demos ainda por isso…

 

No Benfica ainda há pouco foi aprovado um empréstimo sem que os sócios pudessem nada fazer mesmo que não concordassem porque tudo estava acertado antes da Assembleia. Somos manipulados para nos preocuparmos com o acessório e negligenciarmos o essencial para proteger incompetências e irresponsabilidades.

 

Não estou contente com o Benfica actual porque considero que o clube está fechado aos sócios. E estou preocupado porque quem levante a voz contra o que está mal é rotulado de “anti-benfiquista” independentemente da veracidade do que diz. E para calar quem levanta a voz fazem-se investimentos loucos para vencer mas não para construir porque sabe-se que assim a malta anda contente e não vê o essencial, contenta-se com o acessório.

 

Quanto à Federação e Arbitragem o panorama ainda é mais negro e apenas uma limpeza geral e uma fiscalização rigorosa impedirá que o panorama de podridão, lobbys e desonestidade continuem. Mas dão-nos um Scolari e uns resultados e a malta deixa andar.

Do meu lado, que tenho culpa em tudo isto porque também me resigno com demasiada facilidade, apenas gostava de ter voz e conseguir que o Benfica fosse melhor e mais meu e que o Futebol Nacional fosse mais transparente (até porque o Benfica é normalmente prejudicado e por isso mesmo gasta demasiadas energias a combater o sistema – qualquer dia tem de ser montada uma estrutura só para isso).
Sou utópico? Se for só ou serei…ser formos todos Não!

 

Adaptando uma das frases mais célebres de sempre “Não perguntes o que o Futebol/Benfica pode fazer por ti, mas sim o que podes fazer pelo Futebol/Benfica”!

 

PS – No meio de tudo isto, o Benfica vai em 3 vitórias seguidas (e num jogo até foi beneficiado – ALELUIA), a histeria do Braga passou em parte com o Golo de Vukcevic (existem pessoas que não sabem quando devem ficar caladas e depois têm de engolir uns Sapos) e amanhã comigo lá passará às meias finais da Taça da Liga. A verdade é que sem jogar bem lá vamos andando e ganhando…e ainda bem!

 

PS 1 – Saiu ontem uma notícia que Luís Filipe Vieira fez 24 anos de sócio do FC Porto. Não questiono o Benfiquismo de LFV, mas será Pinto da Costa sócio do Benfica?

 

Saudações Benfiquistas,

Paulo Ferreira

 




Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

                       

 
O Benfica este ano optou por uma estratégia de ganhar já, procurou resultados imediatos e é nesse âmbito que trouxe para a Luz um jogador como David Suazo.
 
Eu acho que fez mal.
 
Penso mesmo que a entrada de Suazo no Benfica mostra a deriva e falta de estratégia que, infelizmente, tanto caracterizam o Benfica.
 
Eu vou explicar porquê.
 
Para isso gostava de recordar a passagem de Jardel pelo futebol português.
 
Não, não estou a falar do George Jardel que passou pelo Benfica pela mão de Manuel Vilarinho.
 
Estou a falar do verdadeiro, do Mário, jogador esse que esteve em dois momentos distintos para ingressar no Benfica e que da primeira vez acabou no Porto e na segunda no Sporting.
 
Mário Jardel era um grande avançado e deu vários campeonatos ao Porto e até ao Sporting, numa época em que o Sporting pouco mais era que João Pinto e Jardel.
 
O que Porto e Sporting souberam fazer, foi reconhecer as qualidades de um avançado que valia muitos golos e adoptaram um sistema de jogo em função do jogador que tinham, maximizando o número de golos que Jardel e, por conseguinte, as suas equipas poderiam obter.
 
Jardel era sinónimo de golos e de vitórias. E não era por causa do Guaraná, mas sim porque os sistemas de jogo aproveitavam o facto de essas equipas disporem de um jogador com as características de Jardel.
 
Ao fim de muitos anos o Benfica conseguiu contratar um avançado que vale muitos golos por época, que custou 9 milhões de euros, e que é jovem.
 
Não. Não estou a falar de Suazo. Estou, evidentemente, a falar de Óscar Cardozo.
 
No seu primeiro ano no Benfica, Cardozo marcou 17 golos, sendo que 13 foram para o campeonato, 3 na Liga dos Campeões e 1 na Taça UEFA.
 
Diga-se, que para primeiro ano, Cardozo teve um bom desempenho e seria de esperar uma forte aposta do Benfica neste avançado, até porque:
- Cardozo é jogador do Benfica
- Cardozo custou 9 milhões de euros
- Cardozo tem 25 anos
- Cardozo marca golos
 
Em qualquer lugar normal do mundo, Cardozo seria uma forte aposta do clube e o futebol da equipa seria pensado tendo em consideração um jogador como ele.
 
Com a excepção dos clubes ricos que não sabem o que fazer ao dinheiro, todos os outros têm a obrigação de serem sensatos e valorizarem os seus activos, tirando deles o máximo partido.
 
E o que é que o Benfica fez?
 
Benfica foi buscar David Suazo ao Inter de Milão.
 
David Suazo é um bom jogador? Sem dúvida, mas é preciso não esquecer que:
- David Suazo é jogador do Inter e não do Benfica
- Qualquer valorização de David Suazo aproveitará ao Inter e não ao Benfica
- David Suazo tem 29 anos
- David Suazo é o jogador mais caro do campeonato português. O Benfica paga-lhe 150.000 euros por mês, sendo que o Inter lhe paga outros 150.000 euros. Se o Benfica pagasse a totalidade teria que pagar-lhe 300.000 euros/mês. Mas bastam os 150.000 euros para já ser o mais caro jogador do campeonato português
- David Suazo veio para o Benfica apenas por um ano, o que torna impossível garantir o futuro, a estabilidade e um modelo de jogo
- David Suazo tem marcado muito menos golos que Cardozo. Marcou, até agora, 4 golos no campeonato, enquanto Cardozo, mesmo tendo sido relegado para o banco, já apontou 5
 
Eu não consigo perceber a política desportiva do Benfica.
 
Em vez de valorizar um investimento elevado, em vez de valorizar um activo do clube, em vez de colocar a jogar um jogador ainda jovem e que poderia melhorar muito, em vez de apostar num jogador que na época passada apontou 17 golos, o Benfica, o que fez, foi colocar Cardozo numa prateleira.
 
O que o Benfica conseguiu foi pedir emprestado um jogador de 29 anos, o que mais dinheiro custa no campeonato português, sem qualquer perspectiva de ganho, uma vez que o jogador é do Inter. Ainda por cima Suazo marca menos golos que o Cardozo.
 
Voltando ao exemplo de Jardel, pergunto: teria sido normal Porto e Sporting terem desperdiçado um jogador como Mário Jardel?
 
Pois é exactamente isso que o Benfica está a fazer com Óscar Cardozo. Trouxe um grande avançado para a Luz, que deu provas, e está a desperdiçá-lo, para por a jogar David Suazo.
 
Mais uma vez digo que não está em causa o valor de Suazo, que é de facto um excelente jogador, mas na minha opinião não devia ter vindo para o Benfica.
 
Há ainda mais um pequeno detalhe que sei que a poucos interessa: é que pagar salários como este obrigam depois a que o Benfica tenha que pedir mais 40 milhões de euros de financiamento à banca.
 
Mas os erros do Benfica não param em Suazo.
 
O que está Pablo Aimar a fazer no Benfica? Tem categoria? É claro que sim. Mas de que nos serve se não tem garra e se está sempre lesionado. Já não nos bastava termos o Mantorras lesionado há anos?
 
E o que dizer de Reyes? É, de facto, um excelente jogador. Mas Quique Flores disse há dias, numa entrevista ao jornal espanhol “El País”, que a sua tendência é ser irregular. Quique Flores disse que Reyes já foi treinado por Fábio Capello, por Arsène Wenger, por Javier Aguirre e que com todos teve dificuldades. Quique até disse que oxalá fosse capaz de encontrar o botão capaz de resolver o problema de Reyes. Isto foi dito por Quique e não por um qualquer opositor da política desportiva do Benfica.
 
Já agora é importante dizer que 25% do passe de Reyes custou ao Benfica 2.650.000 euros, o que significa que o passe do jogador custará ao Benfica 10,6 milhões de euros. Não devemos também esquecer que Reyes recebe 220.000 euros mês, sendo que, actualmente, o Benfica lhe paga metade desse valor e o Atlético de Madrid a outra metade. Serão estes salários sustentáveis para um clube português?
 
E Di Maria? Alguém acha que Di Maria joga hoje melhor do que no dia que chegou ao Benfica? Porque é que não evoluiu? Mas como pode evoluir se está tapado por Reyes? Di Maria é jovem e é jogador do Benfica. Mas isso de nada lhe serve. Quique diz que Di Maria não ficará muito tempo no Benfica, mas não se percebe porquê. Ao serviço do Benfica, Di Maria ainda não fez um único bom jogo. E se Quique acha que Di Maria é assim tão bom então porque não tira o máximo rendimento do jogador?
 
E o que dizer de Carlos Martins? É bonito vê-lo jogar. O problema é que é só quando lhe apetece. Carlos Martins é o jogador mais apático do Benfica e falta-lhe, à semelhança de outros, a famosa garra. Falta-lhe vontade e empenho.
 
Os jogadores do Benfica são meninos ricos que aparentemente não precisam de se esforçar para ganhar a vida. Não há uma cultura de exigência na vida. Acima de tudo é uma falta de respeito pelos milhões de pessoas que passam dificuldades e que depois ainda vêem estes miúdos, milionários, a gozarem com eles.
 
Mas continuemos.
 
E Balboa? Sobre ele não vou dizer nada porque é completamente desnecessário. Apenas um pormenor que diz tudo: Quique quer saber se Balboa está motivado para jogar no Benfica. Parece anedota, mas infelizmente não é. Não tem importância, afinal só custou 4 milhões de euros…
 
E Yebda? Alguém acha mesmo que Yebda é melhor que Petit? Petit não faria falta naquele balneário?
 
E já agora, para que é que se contratou o Jorge Ribeiro? Se para jogar a defesa esquerdo se coloca o David Luiz…
 
Nem tudo é mau. Dou nota muito positiva à aquisição de Ruben Amorim, de Sidnei e ao aproveitamento de Miguel Vítor que esteve a um passo de ser emprestado ao Aves. São jogadores jovens e em que o Benfica deverá apostar.
 
No entanto, com os exemplos que apontei acima não está nada garantido que estes jogadores tenham um futuro promissor entre nós.
 
Em resumo, o que me parece de assinalar é que a política desportiva do Benfica continua igual ao de sempre: muito má.
 
E eu digo isto num momento em que reassumimos a liderança. Saliento, para os mais desatentos, que eu estive calado no momento da derrota na Trofa.
 
Numa rápida consulta por outros blogs benfiquistas podemos ver as críticas duríssimas que foram feitas a tudo o que mexia no Benfica após a derrota com o Trofense e a perda da liderança. Quem tiver dúvidas pode ir lá ver, pois esses textos ainda lá estão.
 
Eu estive calado.
 
É claro que se tivesse dito metade do que esses senhores disseram… o que não teriam dito de mim.
 
Como também não sou nenhum abutre, digo isto no momento em que o Benfica volta a estar em primeiro depois de ter ganho ao Braga.
 
Não obstante, não consigo deixar de dizer que não sou capaz de encontrar nenhuma explicação racional para o facto de uma equipa como o Braga, com um orçamento tão mais pequeno que o Benfica ter vindo ao Estádio da Luz dar uma lição de futebol.
 
Bem sei que ganhámos o jogo, mas o certo é que o Braga foi muito melhor equipa.
 
O Braga jogou futebol, dominou o jogo, criou muitas oportunidades de golo e o Benfica foi incapaz de reagir a essa situação.
 
E isso aconteceu porquê?
 
O Benfica não tem melhores jogadores? Não tem jogadores muitíssimo mais caros que ganham muitíssimo mais dinheiro? O Benfica não estava a jogar em casa?
 
Não se compreende este Benfica.
 
Vamos em primeiro, mas este Benfica é igual ao Benfica de outros anos.
 
O actual Benfica é uma equipa sem categoria, sem espírito ganhador e sem um balneário coeso. Isso nota-se muito.
 
No entanto, depois de ter gasto, nos últimos dois anos, 60 milhões de euros, o Benfica com estes jogadores milionários e com grande fama internacional, com este treinador prestigiado e com estes dirigentes, tem a obrigação de ser campeão. Não se pode exigir menos.
 
Se há matéria humana e se há dinheiro, então o que falta?
 
A resposta só pode estar em quem manda. São eles que têm a responsabilidade de cumprir o nosso sonho e nosso destino: SERMOS CAMPEÕES.
 
Estamos em primeiro e desta vez que seja até ao fim.
 
Chega de desculpas!
 
Saudações Benfiquistas.
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: Na visita efectuada há poucos dias a Cabo Verde, Luís Filipe Vieira fez-se acompanhar por Eusébio e por … Mantorras. Por Mantorras!? Mas o que é que Mantorras foi lá fazer? Eusébio sim, fez muito bem em ir. Eusébio foi Campeão Europeu no Benfica, Eusébio foi por 11 vezes Campeão Nacional no Benfica, Eusébio ganhou 5 Taças de Portugal no Benfica, Eusébio foi Bola de Ouro da France Football quando jogava no Benfica, Eusébio ganhou 2 Botas de Ouro como melhor marcador da Europa enquanto jogador do Benfica, Eusébio foi por 7 vezes o melhor marcador do Campeonato Português ao serviço do Benfica, Eusébio foi por 3 vezes o melhor marcador da Taça dos Campeões Europeus, Eusébio liderou a nossa Selecção até ao 3º lugar no Mundial de Inglaterra, tendo sido o melhor marcador da competição, Eusébio é e será sempre o maior símbolo do Benfica. Mas Mantorras? Mantorras não é um jogador no activo do Benfica? Não devia estar a treinar ou a recuperar da sua lesão? O que é que Mantorras foi fazer para Cabo Verde? O que é que Mantorras ganhou no Benfica para ir passear? Será que já está retirado e nós não sabemos? Não há vergonha nem bom senso no Benfica.
 
PS 2: Já que falei de lesões, talvez fosse de levar Pedro Mantorras e Pablo Aimar à clínica de Tschen La Ling. Esta clínica tratou recentemente Arjen Robben, jogador holandês do Real Madrid. Robben também estava permanentemente lesionado pelo que era já chamado “Homem de Vidro”. Esta clínica assegura que Robben já não é de vidro e alega que é capaz de resolver os problemas específicos de cada jogador. Aconselho vivamente o Benfica a estar atento!
 
PS 3: Depois de muitos pedidos, na próxima semana vou falar sobre a Benfica TV. Fica aqui, desde já, a promessa.
 



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