Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

                       

 
1. NOTA PRÉVIA
 
Tinha prometido que hoje publicaria um post sobre o FC Porto e o seu presidente.
 
No entanto, devido ao que tenho lido nos últimos dias no Novo Benfica, vi-me obrigado a adiar esse post, pois entendo que devo escrever as linhas que se seguem.
 
A todos aqueles que já salivavam, prontos para me atacar por aquilo que eu vou dizer (seja o que for que eu escreva servirá os seus propósitos), espero que aguardem apenas mais uma semana. Terão matéria bastante para me insultar, para me atacar, para falar do meu “canalzeco”, para dizerem que eu estou ao serviço e que sou lacaio de Pinto da Costa, que sou um pirómano e por aí fora.
 
Poderão até afirmar, com renovada segurança, que sou portista desde pequenino. É que para esses eu sempre fui portista e agora que sou Director Geral do canal de televisão da cidade do Porto é que me tornei benfiquista. Estamos perante uma lógica tão boa que eu fico sem qualquer espécie de argumentos para a poder rebater.
 
Meus caros, não tenham pressa, afinal só terão que esperar mais uma semana e vão poder, como tanto têm vindo a sonhar, desmascarar-me de vez.
 
2. AGRADECIMENTO SINCERO
 
Confesso que estou sem palavras face ao que os meus companheiros de blog têm escrito sobre mim e muito especialmente ao António Souza-Cardoso, que muito me sensibilizou com o seu texto.
 
Estou-lhes imensamente agradecido e digo-lhes que é uma enorme honra estar ao seu lado neste projecto que já é de todos os benfiquistas.
 
É que o mais importante para mim no Novo Benfica é o facto de, tenhamos nós mais ou menos razão naquilo que dizemos, mantermos sempre o mesmo estilo de cordialidade, longe de insultos pessoais, longe de ironias mais ou menos finas que apenas servem para agredir e insultar os outros.
 
No Novo Benfica o que debatemos são ideias e não insultamos ninguém. E isso muita gente não tolera. Mas é esse o nosso caminho e dele não nos afastaremos.
 
Quero aproveitar para deixar uma palavra de sincero agradecimento a todos aqueles que, não me conhecendo pessoalmente, deixaram uma palavra amiga e que compreendem o que tentamos fazer pelo clube que amamos.
 
3. OUTROS BLOGS
 
No post anterior ao que analisei o desempenho de Luís Filipe Vieira no Benfica, escrevi um texto sobre o Novo Benfica. Nesse post afirmei:
 
“É que o Novo Benfica não se limita a ver em cada jogo 10 penaltis que não foram marcados a nosso favor, 5 expulsões de jogadores adversários que ficaram por marcar, ou a escrever insultos aos nossos adversários mais directos. No Novo Benfica somos todos benfiquistas e somos adeptos tão fanáticos como os outros. Também neste blog se fala de penaltis, de expulsões, de foras de jogo, de arbitragens e do famoso sistema. Mas fala-se de muito mais coisas.”
 
Estas afirmações foram entendidas como uma crítica a outros blogs o que desencadeou uma reacção irada do autor do blog Geração Benfica.
 
Gostava de esclarecer que não queria de forma alguma insultar ninguém nem diminuir nenhum outro blog. Há muitos blogs de grande qualidade sobre o Benfica e o Novo Benfica não se acha melhor do que ninguém. Há, no entanto, vários blogs que têm objectivos diferentes do Novo Benfica e eu não faço qualquer juízo de valor sobre eles.
 
A todos aqueles que se sentiram magoados ou atingidos pelas minhas palavras eu peço as minhas desculpas. Sei bem que as ofensas às vezes não estão em quem as faz, mas em quem as sente, e por isso reforço o meu pedido de desculpas. Quem me conhece sabe bem que não é meu hábito ofender os outros.
 
Já agora deixo aqui uma palavra para a Tertúlia Benfiquista. Confesso que apesar de não ser o meu estilo, a Tertúlia Benfiquista é um bom blog sobre o Benfica, escrito com paixão clubística, inteligência e humor.
 
Quando há dias fizemos o jantar na Catedral da Cerveja com o Presidente do Benfica e com o Rui Costa, ficou decidido, no meu gabinete, entre mim, o Pedro Fonseca e o António Souza-Cardoso, que faríamos um jantar aberto aos habituais frequentadores do Novo Benfica, mas bastante restrito, uma vez que chegamos a ter um cenário em que poderiam participar cerca de 400 pessoas.
 
Como não era esse o nosso objectivo, optámos por outra estratégia e ter um grupo pequeno à volta da mesa, para que o jantar fosse produtivo, como veio a ser. Mesmo assim, nós os três decidimos convidar a Tertúlia Benfiquista a estar presente e a levar os membros do blog que quisessem.
 
Apareceram dois bloggers da Tertúlia (Pedro F. Ferreira e Sérgio Bordalo) acompanhados do Pedro Ribeiro, que escreve quer para a Tertúlia quer para o Novo Benfica. Apareceram dois, mas podiam ter aparecido todos, que teriam sido muito bem-vindos.
 
Penso que o Novo Benfica os recebeu bem, com toda a deferência e cordialidade que se impunham.
 
Pena tenho que, a propósito do meu texto sobre Luís Filipe Vieira, alguns membros da Tertúlia Benfiquista tenham retribuído o nosso gesto com uma agressividade despropositada, chamando-me pirómano, messias e tecendo uma série de considerações lamentáveis sobre mim. É pena.
 
É pena, pois o que desencadeou isso foi somente a nossa diferença de opinião. Mas é para debater diferentes opiniões que aqui estamos todos. No entanto, cada um sabe de si e actua como quiser…
 
Entendo que o que nos une deve ser sempre mais forte do que aquilo que nos separa, pelo que, pela minha parte, vou manter a Tertúlia Benfiquista nos meus blogs favoritos e vou continuar a ler os textos aí colocados.
 
Já agora, relativamente ao texto escrito por Gwaihir intitulado “Para os pirómanos com défice de atenção” confesso que, à primeira vista, está muito interessante, mas deixo-lhe algumas notas no ponto seguinte.
 
Não quero deixar de advertir apenas para um aspecto, aqueles que acham que eu não percebo nada de contas ou que eu fiz uma análise mais ou menos superficial ao Relatório e Contas da Benfica Futebol SAD, deveriam ter investigado melhor o meu curriculum.
  
   
 
4. AS CONTAS DO BENFICA
 
Apesar do tom agressivo com que na Tertúlia se referiram ao meu comentário relativo às contas do Benfica, gostava de dizer, desde já, que não retiro uma vírgula ao que disse no meu post anterior. Não é o tom ofensivo nem o "show off" para a bancada que dão razão a quem escreveu o texto.
 
E mais. A minha análise é até bastante benevolente e isso prende-se com o facto de eu achar que a Administração está de boa fé e que está a ser feito um grande esforço para equilibrar o Benfica, pois os aspectos que apontei estão longe de serem exemplares.
 
Então vejamos.
 
Se não fosse a redução das Provisões para Outros Riscos e Encargos em 673 mil euros as contas da Benfica Futebol SAD seriam negativas em cerca de 553 mil euros. Assim ficaram positivas em 120 mil euros. A SAD justifica a redução dessas despesas porque “a Administração considera que se assistiu a uma diminuição do risco a que a Sociedade se encontra actualmente exposta”. Mas alguém percebe esta explicação? Talvez outros entendam, mas eu, na minha ignorância, não percebo a razão pela qual a SAD entende que diminuiu o risco da Sociedade. Até digo mais, se a SAD quisesse que alguém percebesse seria a primeira a explicar. Isto faz-me pensar que existiu aqui uma tentativa clara de passar à força os resultados da SAD para terreno positivo para que isso ficasse bem nas notícias.
 
É que durante o exercício passado, os proveitos operacionais da Benfica SAD registaram uma diminuição de 9 milhões de euros, o que corresponde a uma variação negativa de 15.5% face ao exercício anterior. Isto está escrito no Relatório e Contas da SAD que eu li, com o devido cuidado, antes de me pronunciar.
 
Esta diminuição de receitas nada tem a ver com a venda de jogadores de futebol, mas deve-se aos seguintes factos:
 
- diminuição dos proveitos gerados com cachets (que o Benfica recebe quando participa em jogos e torneios particulares)
- diminuição de receitas com cedências temporárias de atletas
- diminuição das receitas de bilheteira que está justificada com o pior desempenho da equipa na Taça UEFA face ao ano anterior
- diminuição dos prémios das competições europeias
- decréscimo das receitas de bilheteira, excluindo os cativos, devido ao mau desempenho da equipa no campeonato nacional (4º classificado)
 
Isto sim, justifica a dificuldade que a SAD teve em mostrar resultados positivos. Eu não inventei nada. Está tudo escrito no Relatório e Contas da Benfica Futebol SAD 2007/2008, que está disponível no site oficial da SAD na internet.
 
Quanto à dimensão do Passivo, eu sei bem que o Benfica não é a General Electric. É por isso que se fazem comparações com empresas do mesmo sector e não se comete o disparate de comparar alhos com bugalhos.
 
Assim, de acordo com a imprensa, o passivo do Clube + SAD dos principais emblemas portugueses é o seguinte:
 
- Boavista: 90 milhões de euros
- FC Porto: 160 milhões de euros
- Sporting: 240 milhões de euros
- Benfica: 280 milhões de euros (sem o Estádio)
 
Parece-me evidente que o Benfica, com este passivo, está ainda longe de uma posição de conforto financeiro. Parece-me que afirmar o contrário é que é um exercício de enorme irresponsabilidade. Estou certo que os próprios dirigentes do Benfica estarão de acordo comigo.
 
Aliás, há um dado objectivo que pode atestar o que digo, é o facto da Autonomia Financeira da Benfica Futebol SAD (Capitais Próprios / Activo) situar-se em apenas 15.5%, o que é um valor muito baixo em qualquer parte do mundo.
 
E há mais, os Capitais Próprios da Benfica SAD estão reduzidos a 23 milhões de euros face a um Capital Social de 75 milhões de euros, o que significa que a SAD já consumiu 52 milhões de euros em prejuízos acumulados.
 
Como os Capitais Próprios são já inferiores (e muito) a metade do Capital Social, esta situação coloca a Benfica SAD ao alcance do artigo 35º do Código das Sociedades Comerciais.
 
Para cumprir o estipulado por lei, os Capitais Próprios da Benfica SAD teriam que ser, no mínimo, de 37.5 milhões de euros, pelo que estão em falta 14.5 milhões. Apesar da sua ineficácia actual, recordo que o artigo 35º prevê a dissolução da Sociedade para quem não cumprir os critérios aí exigidos.
 
No que diz respeito ao facto das contas da SAD serem auditadas pela KPMG, começo por agradecer o facto de me terem elucidado que não se tratam das iniciais do Kaiserslautern. Também imagino que a Deloitte não seja nenhum primo do Freddy Adu que venha jogar para o Benfica.
 
O facto é que as principais instituições financeiras do mundo, todas elas auditadas pelas mais conceituadas empresas do meio, faliram, foram nacionalizadas ou precisaram de enormes injecções de dinheiro para evitarem a falência, sem que nenhuma dessas prestigiadas auditoras tenha escrito uma só linha sobre o assunto. Só por curiosidade aponto alguns dos casos mais conhecidos, apesar de haver muitos outros:
 
- Merrill Lynch – auditado pela Deloitte & Touche
- Morgan Stanley - auditado pela Deloitte & Touche
- HSBC – auditado pela KPMG
- Bear Stearns – auditado pela Deloitte & Touche
- Lehman Brothers – auditado pela Ernest & Young
- Goldman Sachs – auditado pela PriceWaterhouseCoopers
- Freddie Mac - auditado pela PriceWaterhouseCoopers
- Fannie Mae - auditado pela Deloitte & Touche
- Société Générale - auditado pela PriceWaterhouseCoopers
- AIG - auditado pela PriceWaterhouseCoopers
- HBOS - auditado pela KPMG
- Hypo Real Estate - auditado pela Deloitte & Touche
- Northern Rock – auditado pela PriceWaterhouseCoopers
- Credit Suisse - auditado pela KPMG
- Fortis - auditado conjuntamente pela KPMG e pela PriceWaterhouseCoopers
 
O facto dos auditores não terem feito qualquer reserva está mais do que visto que não confere nenhuma garantia especial e não desmente de todo o facto da Benfica SAD ter chegado aos resultados positivos apenas por uma mal explicada redução de provisões, num momento em que se vivem tempos muito difíceis.
 
Tudo isto que eu escrevi não visa retirar o mérito à Administração do Benfica e em especial ao seu Presidente. Longe vão os tempos de Vale e Azevedo e a credibilidade do Benfica regressou e isso deve-se a Luís Filipe Vieira. No entanto, a guerra ainda não está ganha e ainda há muito que fazer.
 
Foi apenas isso que eu disse e tenho pena que alguns tenham tentado promover-se e serem engraçados à custa de uma análise séria que procurei fazer.
 
5. CONCLUSÃO
 
Não posso concluir sem deixar de agradecer publicamente aos seguintes frequentadores habituais do Novo Benfica pelas palavras que quiseram deixar:
 
- Vitória do Benfica
- Joaquim Lopes
- Jomanuel
- Tiago V.
- Eduardo Terra Limpa
- Xander Águia
- Afonsus
- Rui Lopes
- Valdir Cardoso
- Yur@n
- LF
- Mike (Moscovo)
- Pelicano
- Gosto Muito de Fruta
- PMCA
- Norberto Vieira
- Observador Atento
- Arquivo Vivo
- Dylan
- Mafegos
- Hugo
- Manoel Barbosa
- ProençaVaz
- Zé
 
Todas estas pessoas, e muitas mais, estão verdadeiramente interessadas em discutir o nosso Benfica. Basta ler os comentários de todos eles para perceber o que eu digo. E que fique claro, muitos deles expressam, por diversas vezes, o seu desacordo relativamente ao que eu digo, mas isso é salutar.
 
É que há outros que se esforçam muito para descredibilizar este blog e principalmente a mim. Há mesmo alguns que chegam a usar 11 nomes diferentes (ou mais) para me insultarem, para assim lançarem cortinas de fumo e darem ideia que há uma grande contestação relativamente ao que eu vou escrevendo.
 
Eu deixo aqui uma pergunta: porque é que esses se darão ao trabalho de cada vez que eu escrevo comentar com tal agressividade o que eu digo usando mais de 11 nomes diferentes? Que interesses têm esses senhores no Benfica que eu poderei estar a ameaçar? Com franqueza, não sei.
 
Para os que passam a vida a dizer que se eu me candidatasse a presidente do Benfica seria imediatamente esmagado, fica aqui o meu esclarecimento: eu não estou em campanha eleitoral nem o Novo Benfica tem esse fim como facilmente se pode verificar atendendo à diversidade de pontos de vista expressa por cada um dos membros do blog.
 
Por outro lado, também se percebe, por aquilo que aqui vou escrevendo, que não estou em nenhum concurso de popularidade.
 
Este blog existe para aqueles que amam o Benfica e gostam de pensar o seu clube e não é para aqueles que lhes custa escutar e respeitar a opinião dos outros.
 
É que eu também consigo distinguir a floresta de algumas ervas daninhas que por aí andam.
 
Bruno Carvalho
 
 
PS 1: Sou criticado, pasme-se, até por normalmente escrever um ou mais post-scriptum. Este PS é apenas para não os desiludir e para dizer que continuarei a escrever os PS que bem entender.
 
PS 2: Não quero deixar de felicitar o Leixões que cometeu a enorme proeza de em poucos dias ganhar no Dragão e em Alvalade. O Leixões é um clube de Matosinhos, essa fantástica terra onde eu trabalho. Tenho grande respeito pelo Leixões, até porque é um clube sociologicamente muito parecido com o Benfica, isto é, é um clube do povo. A principal diferença do Benfica para o Leixões, é o que o Benfica ganhou 30 campeonatos, foi 2 vezes campeão europeu e conquistou muitos outros títulos. Se não fossem as vitórias provavelmente nada diferenciaria os dois clubes. Esse pequeno detalhe com que eu aborreço as pessoas, as vitórias!
 



Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Miguel Álvares Ribeiro em 18/11/08 | comentar | 39 comentários

 

 
Ver uma claque organizada, no apoio ao seu clube, pode ser um espectáculo grandioso, que acrescenta valor ao próprio espectáculo desportivo.
No entanto, infelizmente, as claques estão associadas aos piores momentos do desporto português.
As claques são uma das melhores demonstrações de como uma excelente ideia pode ser mal implementada, provocando mesmo efeitos desastrosos, contrários aos pretendidos e aos interesses das instituições que se pretende promover.
Quando pensamos nas claques, vêm-nos rapidamente à ideia as cenas mais lamentáveis no desporto, em vez da beleza do espectáculo que proporcionam no apoio ao seu clube.
Mesmo não falando dos desacatos e de outras situações mais graves que já provocaram, as imagens da escolta policial das claques para o interior dos recintos desportivos são deprimentes.
O comportamento dos grupos organizados com este cariz nos recintos desportivos introduziu um sentimento de insegurança que é, provavelmente, o principal responsável pela menor frequência deste tipo de eventos desportivos, sobretudo por parte dos jovens e das famílias.
O clubismo é um espaço de irracionalidade muito especial, mas as claques levam-nos a extremos totalmente inaceitáveis. Voluntária ou involuntariamente, confundem adversários com inimigos, criam ódios onde apenas devia existir competição e diferenças de opinião/clube, com tal procurando justificar comportamentos totalmente inaceitáveis.
Pela sua própria natureza e forma de organização, as claques escapam ao controlo dos próprios clubes que deviam servir.
Apesar disso, nestes dias a família benfiquista tem que estar triste, por ter permitido que um conjunto de malfeitores se tenha organizado e albergado sob o manto do benfiquismo.
 
PS - Embora pretendesse dar um maior destaque e profundidade ao comentário que se segue, a actualidade do que se passa em torno dos NN obrigou-me a remetê-lo para este post-scriptum.
Tenho assistido, com alguma tristeza, a um grande número de comentários desagradáveis e injustos, feitos por vários participantes no blog, sobre o Bruno Carvalho.
Antes da criação deste blog não conhecia pessoalmente o Bruno Carvalho e o incómodo que senti perante os seus primeiros posts fizeram mesmo com que lhe dedicasse um dos meus primeiros posts.
Compreendo que os seus comentários são frequentemente incómodos e mesmo pouco simpáticos mas, tal como também disse logo no post que já referi “Não duvido que parte substancial das principais linhas da sua argumentação sejam as que devem ser utilizadas pelos órgãos que definem a estratégia de actuação do Benfica”.
Apesar de nem sempre concordar com ele, não me passa pela cabeça pôr em dúvida o seu benfiquismo. Acho mesmo que a sua capacidade de análise e de visão estratégica são um precioso contributo para o debate de ideias sobre o Benfica, tarefa a que este blog se pretendeu devotar.
 



Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Pedro Fonseca em 17/11/08 | comentar | 40 comentários

Cada clube tem a sua matriz genética, cada presidente o seu estilo. O ideal será uma comunhão entre as características mais marcantes da massa associativa e o perfil pessoal do líder.

O Benfica atingiu esse ponto de convergência entre aquilo que é a essência do clube e a forma de estar, a filosofia de vida, do actual Presidente do Glorioso. Passemos a explicar.
Clube do povo, o Benfica não nasceu em berço de ouro, como os seus dois mais directos rivais. Escolheu a cor vermelha, como forma de melhor expressar essa ligação indelével às camadas mais pobres e de estratos sociais mais baixos.
O contraponto com o Sporting, clube da aristocracia e do regime, e com o FC Porto, da alta burguesia portuense, foi evidente e notório. As vitórias no campeonato, a conquista da Taça Latina, em 1950, e, principalmente, a epopeia dos anos 60, com as duas vitórias na Taça dos Campeões Europeus, fizeram do Benfica um fenómeno de aceitação em Portugal e nas antigas colónias.
Se a base, onde estava a esmagadora maioria dos adeptos, sócios e simpatizantes, era preenchida com a gente pobre e assalariada, os golos de Julinho e de Eusébio, mas também as vitórias de José Maria Nicolau, na Volta a Portugal em bicicleta, garantiram um apoio transversal em todas as camadas da população.
Mas o Benfica nasceu povo, é povo e será sempre povo. Nem sempre os líderes do clube souberam perceber esse toque divino à nascença. Uns por distinção social, outros por estilo.
Não é o caso de Luís Filipe Vieira. O actual presidente do Benfica pode vir, no futuro, a ser identificado como o “Presidente do Estádio”, ou o “Presidente da Credibilidade”, ou, ainda, o “Presidente da Recuperação Económico-Financeira”, ou, mais ainda, o “Presidente do Regresso aos Títulos”.
Mas, verdadeiramente, o que lhe vai garantir um lugar ao lado de Joaquim Ferreira Bogalho, Maurício Vieira de Brito e de Duarte Borges Coutinho, é o facto de ser (ter sido) o “Presidente do Povo”.
Por debaixo da capa de negociador implacável, de empresário de mérito e de gestor de sucesso, está a alma de um adepto comum, igual à de milhões e milhões de adeptos do Benfica espalhados pelo Mundo.
O homem que não troca o bom nome e a credibilidade do Benfica pelas vitórias (mesmo que isso não seja totalmente entendido); o homem que prefere manter os pés na terra, cumprindo os contratos que celebra (mesmo que isso lhe acarrete algumas incompreensões); o homem que não hipoteca o futuro do Benfica mesmo que lhe agitem ilusórias e efémeras vitórias – esse homem é o mesmo que vibra com os êxitos e com os títulos, sejam os do futsal ou os do futebol; é o mesmo que desde que há cinco anos assumiu a liderança do Benfica, não se cansa de percorrer as Casas do Benfica, de Norte a Sul, para estar junto do “povo benfiquista”.
Em 2004/2005, no Bessa, na última jornada do campeonato, com o Benfica a conquistar o título depois de 11 anos de jejum, Vieira foi o adepto comum, que entrou no relvado para abraçar um a um todos os jogadores que tinham acabado de cumprir um sonho.
Aliás, escrevo-o com conhecimento de causa, às vezes essa paixão irracional de adepto transfere para segundo plano o rigor do gestor de créditos firmados. Por um momento, Luís Filipe Vieira também deixou que o seu “coração vermelho” se aventurasse e fugisse para fora do controlo do frio e imprescutável guardião do rigor e do equilíbrio das contas do maior clube do Mundo.
No ano do título (2004/2005), após a inesperada e quase catastrófica derrota em Penafiel, o Benfica precisava de vencer o Sporting (fulgurante com Peseiro) na Luz para unicamente depender de si para chegar ao título.
Logo nessa fatídica noite, Vieira fez saber junto da Direcção do Boavista que estava na disposição de comprar toda a bilheteira do estádio do Bessa, onde o Benfica disputava o último jogo do campeonato.
O arrojo e a coragem teve um preço. Alto. Quase um milhão de euros. Em Óbidos, no primeiro dia de estágio com vista ao jogo com o Sporting, o Presidente do Benfica reuniu todo o plantel e colocou em cima da mesa os caixotes com os bilhetes adquiridos. Disse apenas que o que estava ali dentro era o sonho de milhões de benfiquistas e que esse sonho não podia ser desfeito.
Luisão avançou e batendo com a mão no peito garantiu: “Presidente, vamos ganhar e vamos ser campeões”. Na Luz e no Bessa, a história é conhecida. Onze anos depois, o Benfica era, de novo, Campeão. E Luís Filipe Vieira, o “Presidente do Povo”.

 

Post-Scriptum: O "post" do António Souza-Cardozo sobre o Bruno Carvalho tem toda a minha solidariedade e o meu apoio. Sem me querer alongar, apenas digo isto: o Bruno é um verdadeiro benfiquista, de corpo e alma - com a coragem que eu gostaria de ter e com um coração do tamanho do Mundo. Voltarei a este assunto no "O INFERNO DA LUZ".


música: Ser benfiquista


Domingo, 16 de Novembro de 2008

Júlio Machado Vaz em 16/11/08 | comentar | 33 comentários

Longe de mim desprezar quatro pontos de vantagem sobre o Porto e cinco sobre o Sporting, já não me lembrava de adormecer ao Domingo à noite com a cabeça tão desanuviada:)! (Partamos do princípio que este magnífico Leixões dará  alguma hipótese aos grandes lá mais para a frente...). Mas precisamente porque ganhámos, não há justificação para a ausência da análise tranquila. E que nos diz ela? É obrigatório fazer muito melhor. Ao nível da qualidade de jogo, da concentração e do empenhamento. A não acontecer, o despertar será doloroso... 

 

A recusa do direito de acesso a jornalistas da Lusa é uma atitude infeliz. Venham esclarecimentos, queixas, acusações, processos, o que a SAD entender justo e mais adequado à defesa dos interesses e credibilidade do Benfica. Mas proibições de entrada, não. Considero-as ilegítimas e eivadas de um sabor antigo - e amargo! - que desejo esquecer... 




Sábado, 15 de Novembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 15/11/08 | comentar | 147 comentários

 

Todos sabemos que o futebol é o espaço maior de todas as emoções. No melhor e no pior sentido. O novo Benfica tem-me dado essa experiência.

Aqui fiz já excelentes amigos.

 É, por exemplo, o caso do Pedro Fonseca que conhecia apenas pela mera circunstância de uns fugazes acasos profissionais. Conheci-O verdadeiramente no Novo Benfica. E, poucos meses passados, sinto que já o conheço há muito tempo, naquela confortável sensação que se tem perante um Amigo Velho.

 Lembro com emoção os dois intrépidos e prolongados abraços que ambos demos nos dois golos marcados pelo Benfica na mágica noite contra o Nápoles.

Não fosse a segurança da minha (nossa) estrutura óssea e o inabalável determinismo da minha (nossa) orientação sexual e alguma coisa teria mudado desde esses irrepetíveis momentos.

Ainda na última semana escrevi um post em que confessava a excelsa emoção de termos estado juntos, unidos e felizes, na nossa casa da Luz com o Presidente Luis Filipe Vieira, com o "Menino" Rui Costa e com Amigos que, conhecíamos ou não, mas que já sentíamos como Amigos.

Só por estes momentos já valeu a pena este trabalho que ninguém paga, nem tem preço, porque vem do coração.

 Mas também sei, no pior sentido, que este espaço de emoções que é o futebol, representa a distância mais curta para a declinação do “l” do bestial que já fomos, ou para assistirmos incrédulos á transmutação de vigorosas e juradas amizades em ódios viperinos e figadais.

Tenho assistido com pasmo e, confesso, alguma revolta aos comentários feitos por muitos (?) Bloggers ao nosso Amigo Bruno Carvalho.

Digo já, para que não fiquem dúvidas, que muito mais do um admirador confesso das qualidades (enormes e multifacetadas) do Bruno Carvalho, sou antes de tudo muito Amigo dele.

Mas essa Amizade não me tolda a vista nem perturba a lucidez. Pelo contrário, dar-me-ia até autoridade e dever para exercer uma legitima correcção fraterna, se no Seu temperamento ou comportamento vislumbrasse alguma atitude menos correcta.

O Bruno Carvalho é a razão primeira de existência do “Novo Benfica”. Como em tantas outras coisas que já fez, sonhou com este Blog, contagiou-nos com o seu entusiasmo e inteligência. E o “Novo Benfica” de que Ele foi (é) o principal instigador e animador aqui está mais de 150.000 visitas depois, a pouco mais de 150 dias de ter nascido.

Um sucesso portanto, como (quase?) tudo o que o Bruno Carvalho tem sonhado e ousado empreender. E num País de medíocres e de inveterados invejosos talvez seja essa a razão primeira do coro de criticas que, com enorme paciência, tem suportado.

Tem capacidade de liderança e ambição? Tem, e depois? Ainda bem que há benfiquistas assim.

Tem conhecimento, capacidade de análise e de gestão, visão estratégica de um negócio ou de uma organização? Tem, e depois? Ainda bem que há benfiquistas assim.

Revisito o que o Bruno Carvalho escreveu em posts, cuja formulação e conteúdo, confirmam bem a clareza do seu raciocínio, a acutilância e perspicácia da sua análise, a robustez do seu “argumentário” e, mais do que tudo, a frontalidade e verticalidade do seu carácter.

Só por demência se pode duvidar do transbordante Benfiquismo do Bruno Carvalho. Não estou a falar daquele brilho nos olhos e sorriso maroto que lhe descobrimos quando fala, encantada e encantadoramente, sobre o Benfica.

Estou a falar de coisas mais duras meus Amigos: alguém faz ideia, o que o Bruno Carvalho sofreu (de perseguições, de pulhices, de iniquidades) por ter ousado fazer um Canal de Televisão no Porto e ser, ao mesmo tempo, declarada e apaixonadamente Benfiquista.

Eu que nunca lhe disse isto, testemunho que ouvi gente importante do burgo nortenho dizer que nunca o apoiaria neste desígnio de comunicação para o Norte que foi a NTV e é o Porto Canal, por essa declinada paixão benfiquista que o Bruno Carvalho despudoramente proclamava.

Eu que estive a representar o Benfica durante 5 anos em dois programas de televisão do Norte e sei bem as ameaças que me fizeram e os incómodos e prejuízos que me trouxeram, nem quero imaginar o que o Bruno Carvalho já perdeu por esta Sua apaixonada condição de Benfiquista.

Quão mais fácil seria a vida e o futuro do Bruno Carvalho se tivesse apenas condescendido com a circunstância clubística da cidade ou com a nossa descontrolada pulsão regional?

Por isso Vos transmito o meu desprezo sincero por todos quantos, no cauteloso anonimato de um “nickname”, vêem dizer atoardas sobre o Bruno Carvalho, sobre o seu carácter ou sobre a sua paixão benfiquista.

 Sem cuidarem sequer de o conhecer, sem darem, ao menos, o beneficio da dúvida por esta Sua extrema e inequívoca paixão benfiquista.

Ao contrário dessa gente pequena que atira a pedra e esconde a mão, o Bruno Carvalho pensa naquilo diz e diz sempre, com frontalidade e rigor, aquilo que pensa.

Na semana passada no jantar do “Novo Benfica” todos falamos com aquela paixão e frontalidade de quem está no seio da Família Benfiquista e eu pude assistir, com muita satisfação, á cordialidade e simpatia com que o Presidente do Benfica nos tratou a todos e, em especial, ao Bruno Carvalho.

E não vi ninguém (foram todos convidados) a discordar ou a esgrimir pontos de vista diferentes com o Bruno Carvalho ou com qualquer um de nós. Houve, como tinha que haver, a sintonia de reunião e de inclusão de quem” Quer Bem ao Benfica” – que é afinal o principal e o mais bonito daquilo que a todos reúne.

Revisitando o que o Bruno Carvalho escreveu só vejo verdade, inteligência e sensatez, de um admirador do trabalho recente do Benfica em muitos, muitos planos, mas também de um inconformado (como eu) por essa mudança não ter sido ainda suficiente (não sei se capaz?) de voltar a fazer do Benfica uma Organização á altura da sua Marca e um Campeão á altura do seu Passado e da Sua Glória.

Por isso, e porque só “não se sente quem não é filho de boa gente”, deixo aqui com clareza e sinceridade, o meu testemunho, a minha admiração e a minha homenagem ao Bruno Carvalho, pela forma apaixonada e inteligente como tem estimulado o nosso coração e esclarecido a nossa razão Benfiquista.

 

Obrigado, Bruno Carvalho!

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: Reconhecido
música: SLB. SLB, SLB


Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Bruno Carvalho em 12/11/08 | comentar | 104 comentários

                 

 
Devo começar por expressar que não é tarefa fácil escrever sobre o Presidente do Benfica.
 
É importante fazer um pequeno preâmbulo para dizer que tenho um grande respeito pelo Sr. Luís Filipe Vieira e que tudo o que vou comentar nada tem de pessoal.
 
Ao contrário do que muitos julgam, sobretudo aqueles que vão contaminando o espaço de comentário do Novo Benfica com algumas críticas longe da verdade, é preciso que se diga que eu e o Sr. Presidente do Benfica temos uma excelente relação pessoal pautada por uma grande cordialidade e respeito mútuo.
 
Tudo isto não me impede de apontar erros e criticar, quando julgo útil, o desempenho da Direcção do Benfica. É importante que se diga que todas as críticas que venho fazendo são sempre construtivas e feitas com o objectivo de ajudar o Benfica, ao contrário de alguns que pautam os seus comentários por inenarráveis ataques meramente pessoais que por tão infelizes apenas diminuem quem os faz.
 
Num tempo em que a popularidade de Luís Filipe Vieira parece ser tão alta (segundo os dados publicados recentemente no jornal “A Bola”) e numa altura em que se assiste a uma grande empatia entre os sócios e Director Desportivo, equipa técnica e jogadores, talvez fosse mais fácil embarcar no unanimismo vigente.
 
No entanto, eu não acredito em pensamentos únicos. Deste modo, vou fazer a avaliação do trabalho de Luís Filipe Vieira de acordo com os meus critérios valorativos e de acordo com a minha consciência, não procurando, mas também não fugindo à crítica.
 
Quando alguém tem a incumbência e honra de liderar a maior instituição do País é natural que tenha que se submeter ao juízo dos outros. Ninguém gosta muito de críticas e há sempre a tendência para se dizer que este não é a altura certa, mas eu acho importante avançar para essa avaliação neste momento.
 
Para quem tenha lido os parágrafos anteriores pode parecer que eu apenas tenho coisas negativas a dizer sobre Luís Filipe Vieira. Puro engano.
 
Luís Filipe Vieira e Manuel Vilarinho conseguiram salvar o Benfica depois da inqualificável liderança de Vale e Azevedo.
 
É a estes dois homens que o Benfica deve o seu regresso a um mundo de credibilidade e respeitabilidade. E este é para mim o maior activo de Luís Filipe Vieira. Só por isso já teria valido a pena ter tido Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira como presidentes, por mais erros que tenham cometido, e cometeram alguns.
 
Também se deve a Manuel Vilarinho e a Luís Filipe Vieira e ao esforço do Sr. Mário Dias a existência da Nova Catedral, esse magnífico estádio novo que nos deixa a todos os benfiquistas cheios de orgulho.
 
 
 
Lembro-me do contexto extremamente difícil em que o Benfica lançou a obra numa altura em que muitos achavam impossível e que já não ia a tempo de estar concluído para o Euro 2004. Lembro-me da forma sobranceira que os de Alvalade olhavam para nós enquanto construíam o seu novo estádio e pensavam que nós não o faríamos.
 
Hoje a diferença está à vista. O estádio Alvalade XXI é o mais horrível dos estádios portugueses, com um perigoso e anacrónico fosso, com um centro comercial completamente desfasado no tempo e com uns azulejos assustadores. Mas a melhor parte é que os sportinguistas vão ter que o suportar durante uns 50 anos, que é a vida média de uma infraestrutura como aquela.
 
Mas a obra de Luís Filipe Vieira é de inegável importância e de assinalável dimensão e não se limita ao estádio.
 
Luís Filipe Vieira entendeu perfeitamente o cariz popular do Benfica. Essa vertente popular orgulha qualquer benfiquista e opõe-se em estilo e forma à arrogância e elitismo do Sporting. Foi por perceber o que é o Benfica que Luís Filipe Vieira soube dar importância e atenção às Casas do Benfica. Neste aspecto penso que tudo o que o Benfica e a sua Administração fizerem no sentido de valorizarem e apoiarem as Casas do Benfica são passos no sentido correcto. É que as Casas do Benfica desempenham um papel vital na preservação da famosa mística benfiquista.
 
Também a Luís Filipe Vieira se fica a dever a construção do magnífico Centro de Estágios do Benfica que muito poderá contribuir para melhorar a formação dos nossos jovens jogadores e que dá todas as condições de trabalho à nossa equipa principal.
 
Importante foi também a acção do Presidente no aumento do número de sócios com o seu empenho pessoal nas acções de promoção do Kit.
 
Parecem-me também da mais elevada importância os passos que a Benfica TV está a dar. A Benfica TV poderá ser um instrumento decisivo no aumento das receitas televisivas do Clube, mas também, e tenho ouvido falar pouco sobre este aspecto, um meio de pressão brutal sobre o comportamento dos árbitros nos jogos do Benfica. Basta imaginar a possibilidade que a Benfica TV nos dá de repetir as vezes que quisermos um erro de um árbitro que nos prejudique. Isso levará forçosamente a que os árbitros passem a ter muito mais cuidado ao apitarem os jogos do Benfica e sobretudo a evitarem os erros grosseiros que, infelizmente, hoje são tão comuns. Estou em crer que este aspecto fará com que outros clubes se vejam forçados a lançar as suas próprias televisões. O tempo dirá se tenho ou não razão.
 
Não quero deixar de dar uma palavra à luta que Luís Filipe Vieira tem travado contra a corrupção no futebol português. Apesar de eu considerar que essa guerra nem sempre tem vindo a ser conduzida da melhor maneira, é inegável que é uma batalha que vale a pena ser travada e que se mostra assaz necessária.
 
E uma coisa parece-me evidente, se Luís Filipe Vieira teve a coragem de enfrentar tudo e todos pela verdade desportiva é porque ele próprio tinha as mãos limpas, caso contrário, já há muito o teriam atacado por onde pudessem. Este aspecto deixa-me particularmente orgulhoso do nosso Presidente.
 
Mas continuemos a análise do trabalho de Luís Filipe Vieira.
 
Uma das coisas que mais tem sido elogiada no trabalho desta Administração é o facto do Benfica mostrar uma forte recuperação económico-financeira. Não há dúvidas que o Benfica hoje é uma instituição respeitável e que paga os seus compromissos a tempo e horas. Mas isso significará que o Benfica de facto recuperou e se encontra hoje numa boa situação?
 
Neste domínio, e com sinceridade, não posso estar seguro da verdadeira situação do Benfica.
 
É que para se fazer a correcta aferição da situação económico-financeira do Benfica seriam necessários mais dados. Por um lado seria importante que a Benfica Futebol SAD e a Benfica Estádio já tivessem sido fusionadas. Isso já estava previsto no Relatório e Contas de 2005/2006 (pág. 14), o que não veio a acontecer, e volta a ser referido no último relatório e Contas (2007/2008). Vamos a ver se é desta. É que sem esta fusão é muito difícil ler as contas da SAD, bem como é impossível saber a real situação do Benfica sem as contas do Clube. Eu acho que as contas do Clube deveriam estar no site do Benfica, do mesmo modo que estão as da SAD.
 
A comunicação social avançou com um passivo total do Benfica (Clube + SAD) de 279,7 milhões de euros (deixando ainda de fora o passivo da Benfica Estádio), o que a ser verdade é um número gigantesco e que deixa o Benfica ainda longe de uma situação de conforto financeiro.
 
Uma coisa é clara, no último relatório e contas há algum “window dressing” (que numa tradução livre significaria, “enfeitar a montra”), isto é, há alguma preocupação em mostrar umas contas melhores do que são na realidade, talvez já a pensar no acto eleitoral do próximo ano.
 
A título de mero exemplo, nota-se que as Provisões para Outros Riscos e Encargos diminuíram 673.000 euros pelo facto de a Administração da SAD considerar que se verificou uma diminuição de risco a que a Sociedade se encontra exposta actualmente, o que me parece algo muito estranho atendendo à conjuntura de enorme crise que se vive a nível mundial. Caso a Benfica SAD tivesse mantido estas Provisões com os mesmos valores do ano anterior, o que me parecia sensato, os resultados não teriam sido positivos em 120 mil euros, mas sim negativos em 553 mil euros.
 
No entanto, a Benfica Futebol SAD parece ter as contas razoavelmente equilibradas, sobretudo num contexto em que não foi vendido nenhum dos principais jogadores da equipa de futebol.
 
Finalmente queria analisar o trabalho de Luís Filipe Vieira no plano desportivo e, sobretudo, no futebol.
 
Equipa do Benfica 
 
É precisamente na gestão do futebol em que eu mais divirjo do Presidente do Benfica.
 
O Benfica não é uma empresa normal, não é um Banco nem uma empresa de Construção Civil. O Benfica é muita coisa, mas é sobretudo um clube de futebol.
 
E o Benfica não é um clube de futebol qualquer. O Benfica é de longe o maior clube português e um dos mais importantes clubes do mundo.
 
Mas se o Benfica é tão grande, deve-o apenas a uma coisa: às vitórias. Se o Benfica não tivesse o palmarés que tem, seguramente não seria tão grande e importante como é.
 
Quem hoje tiver 14 anos viu o Benfica ser campeão uma única vez. E destes 14 anos, 8 são da responsabilidade de Luís Filipe Vieira: 3 como responsável pelo futebol e 5 como Presidente.
 
Luís Filipe Vieira continua com um discurso de recuperação face ao passado, mas ele já é o número 1 do futebol do Benfica há 8 anos! E 8 anos são já muitos anos. Até quando podemos continuar a desculpar-nos com o passado? Será até aos 10 anos? Até aos 15 anos? Até aos 20?
 
Nestes 8 anos o Benfica ganhou 1 campeonato numas circunstâncias muito especiais, e com José Veiga como responsável pelo futebol. Mas após o título ganho, como é hábito no Benfica, desfez-se tudo. O treinador foi-se embora e o responsável pelo futebol também saiu do clube.
 
Nestes 8 anos o Benfica contratou cerca de 100 jogadores, a grande maioria de qualidade muito duvidosa, tendo gasto muitos milhões sem resultados visíveis.
 
De facto, o estado natural do Benfica é ter a equipa de futebol em construção.
 
O Benfica tem vivido de esperança em esperança e têm-nos pedido, a nós benfiquistas, que não façamos críticas para não prejudicar a equipa que está em construção. Mas está sempre em construção e chega uma altura em que é preciso dizer basta e apontar os erros.
 
E esse apontar de erros não é como alguns julgam um acto anti-benfiquista, mas sim o único caminho para se chegar às vitórias.
 
Só numa cultura de exigência e de responsabilização é que as pessoas dão o melhor de si.
 
Há um exemplo claro do que afirmo (e até de algum modo extremo) que é o caso do Barcelona. Apesar do presidente Joan Laporta do FC Barcelona ter sido várias vezes campeão de Espanha e ter sido campeão europeu com Frank Rijkaard, os sócios do Barcelona, descontentes com a última época votaram contra a permanência do presidente à frente dos destinos do clube, tendo os votos negativos atingido 60%. No entanto, como os estatutos do Barcelona exigiam 66% de votos contra, Laporta manteve-se à frente do Barcelona e hoje o Barcelona está de novo do caminho do sucesso. Mas, sem dúvida, que a pressão e a exigência desempenharam um papel importante para que o presidente do Barcelona se visse obrigado a fazer o seu melhor.
 
No Benfica tem que haver lugar à discussão e à crítica. Sem isso as organizações perdem o espírito de luta que tanto necessitam para chegar às vitórias.
 
Depois de muitos erros e decisões que se revelaram desastradas, Luís Filipe Vieira sempre teve um condão: a capacidade de se reinventar.
 
É nesse contexto que surgiu um discurso recorrente de novos ciclos, das melhores equipas dos últimos 10 anos e da permanente desculpabilização com o sistema.
 
Mas no meio de tantos equívocos surgiu algo de bom e que nos enche a todos nós de esperança: Rui Costa.
 
Rui Costa é o homem certo no lugar certo. Isto é, é o Director Desportivo que o Benfica tanto necessita. Inteligente, sabe de futebol, ama o Benfica e pertence a uma nova geração com uma nova mentalidade. É um verdadeiro rosto de um Novo Benfica.
 
Mas devo confessar que gosto muito menos quando vejo Rui Costa como Administrador da SAD ou mesmo como futuro presidente do Benfica. Não percebo sequer a utilidade de se mencionar esse assunto.
 
Rui Costa deve ser protegido e acarinhado por todos os benfiquistas. Rui Costa deve estar resguardado e fazer aquilo que realmente percebe: estar no futebol.
 
Este é o desafio actual do Presidente do Benfica: dar todas as condições a Rui Costa para que este possa fazer do Benfica campeão.
 
Se o Benfica não regressar aos títulos rapidamente não vejo outra alternativa que não seja o do Benfica procurar novos caminhos.
 
É que há pessoas diferentes capazes de fazer coisas diferentes. Se calhar quem consegue construir estádios e equilibrar contas não é capaz de encontrar os caminhos de um Benfica Campeão.
 
E a razão de ser do Benfica é ser campeão.
 
Bruno Carvalho
 
 
PS: Queria desde aqui enviar os meus sinceros parabéns aos No Name Boys pela atitude de apoio à equipa que demonstraram durante o jogo com o Galatasaray, especialmente no fim, quando a derrota já era irreversível. Foi uma demonstração de grande benfiquismo e de apoio inequívoco aos jogadores, treinador e ao Rui Costa.



Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Miguel Álvares Ribeiro em 11/11/08 | comentar | 29 comentários

 

Finalmente, perante um adversário mais fraco, o Benfica entrou em campo personalizado, consciente da sua superioridade mas também da necessidade de trabalhar com intensidade desde o primeiro minuto para a demonstrar. Não admira, portanto, que conseguisse construir em 30 minutos um resultado dilatado, que definiu desde logo o vencedor da eliminatória e permitiu uma gestão do jogo até final.
 
Até parece que a exibição de ontem foi uma resposta ao apelo do Novo Benfica, num post que escrevi intitulado “as pequenas dificuldades”, e aos comentários muito acertados de Yur@n e LRosario. Recordo que na altura escrevi:
 
“De facto, o Benfica já provou que tem uma excelente equipa, capaz de lutar de igual para igual com as grandes equipas, mas tem demonstrado uma grande dificuldade em assumir a sua superioridade perante equipas mais fracas.
 … a principal preocupação de Quique neste momento deve ser a de conseguir que o Benfica assuma, sem rodeios, a sua superioridade perante estas equipas e jogue deliberadamente ao ataque … “
 
e, no comentário mais acutilante, Yur@n disse:
 
“Perante as equipas pequenas o Benfica tem de assumir a sua superioridade, e isso tem de acontecer logo que o jogo começa. Tem de entrar a pressionar o adversário de uma forma absolutamente sufocante e com um objectivo em mente, marcar nos 1ºs 15/20 minutos.
Entrar de forma pausada, a estudar o adversário, é um erro quando do outro lado temos uma equipa mais fraca, isso permite que esta faça os ajustamentos necessários no seu jogo de forma a anular da melhor forma o esquema do Benfica, o que leva a um arrastar do jogo e a um aumento de confiança dos jogadores adversários.”
 
Acho que podemos todos imaginar facilmente Yur@n, antes do jogo de ontem, a dar a palestra aos jogadores do Benfica.
 
Destaque ainda para o excelente golo de Yebda, que tranquilizou a equipa, e para o extraordinário pormenor de Pablo Aimar no passe para o terceiro golo, com boa finalização de Maxi. Grande destaque finalmente para o retorno à competição de David Luiz, jogador que muito aprecio; penso que formará, com Sidnei, uma dupla de centrais de extraordinária qualidade, o que é indispensável para construir uma equipa de excelência e de que o Benfica já há bastante tempo não dispunha.
 
 
 
PS – O recurso do Porto
 
Reafirmo não ser um especialista da área jurídica, mas custa-me perceber muitas das situações que se passam à volta dos processos na justiça em geral e na justiça desportiva em particular.
 
De acordo com o regulamento, o processo de revisão (figura jurídica usada no recurso do Porto) "é admitido quando se verifiquem circunstâncias ou meios de prova susceptíveis de demonstrar a inexistência de factos que determinaram a punição e que não puderam ser oportunamente utilizados pelo arguido em processo sumário ou disciplinar".
 
No comunicado publicado pela Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD relativo ao assunto, em nenhum lado se discute a inexistência de factos que determinaram a punição, como se prevê no Regulamento ser fundamento para este tipo de recurso, mas sim novamente incidentes processuais que limitariam os meios de prova usados que, pelo que na altura foi referenciado, nem sequer foram determinantes na aplicação da pena.
 
Num extraordinário assomo de cinismo, a que infelizmente já vamos estando habituados, o comunicado inclui o seguinte ponto:
12 - A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD e o seu Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa não aceitam ser vítimas em todo o redemoinho destes processos;

 




Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Pedro Fonseca em 10/11/08 | comentar | 21 comentários

Foto Jantar

O António Souza-Cardozo escreveu um texto admirável sobre o memorável jantar de sexta-feira à noite, no Estádio da Luz, organizado por este blogue. Sem Benfica no fim-de-semana, vejo-me compelido a abordar, de novo, esta iniciativa, que contou com a presença do Presidente, Luís Filipe Vieira, e do Director Desportivo, Rui Costa.

Receio, porém, não estar suficientemente à altura de tal tarefa, depois do que escreveu o Souza-Cardoso. Assumo, no entanto, o desafio.
Antes de mais, uma palavra de agradecimento para os benfiquistas que marcaram presença no encontro. Depois, o agradecimento que se exige ao Presidente Luís Filipe Vieira e ao Director Desportivo, Rui Costa. Não só pela participação mas pelas intervenções realizadas.
Luís Filipe Vieira falou da obra erguida em 5 anos, a sua “menina dos olhos”, da recuperação financeira, da devolução da credibilidade ao clube, da revolução encetada ao nível administrativo, com a modernização interna do clube – cuja “cereja em cima do bolo” é a ligação “online” a todas as Casas do Benfica -, o novo estádio e centro de estágio, a recuperação das modalidades, hoje com performances ganhadoras, do reforço da equipa de futebol, etc.
José Nuno Martins, director do Jornal do Benfica, escreveu em recente editorial que a obra de Vieira é fruto de uma extraordinária perspectiva “visionária” do que deve ser o Benfica do futuro.
O Presidente do Benfica realçou, ainda, os novos projectos que o animam para o futuro: o Museu, a Fundação, e, principalmente, a revolução que pretende fazer ao nível audiovisual, através da Benfica TV, sabendo que o Benfica é o líder em termos de audiências televisivas. A recente polémica com a ZON TV Cabo é a prova de que Vieira não recua, nem verga, na defesa dos interesses do Benfica.
“Se tenho alguma responsabilidade neste processo de recuperação e regeneração do Benfica é ter tido sempre a preocupação de não olhar para a árvore, mas sim para a floresta”, disse, durante uma intervenção clarividente e esclarecedora.
O Benfica do futuro exige que não se abalem os alicerces construídos nestes últimos anos. E, por isso, é imperioso que se recusem quaisquer aventureirismos, que levariam o Benfica, outra vez, até perto do abismo.
Rui Costa é o garante que aos 3 títulos conquistados nos últimos anos (Campeonato, Taça e Supertaça), muitos mais se vão somar. De uma forma consistente e permanente. Ao comando do futebol, Rui Costa sabe como ninguém do seu ofício. Respira futebol e benfiquismo por todos os poros e sente-se como peixe na água a falar do jogo que o elegeu como um dos seus maiores intérpretes de sempre.
Guardo ainda na memória uma frase do Rui, que me há-de acompanhar até Maio/Junho, quando o campeonato estiver no fim. “Vamos ser campeões”, disse o Maestro. Foram como acordes de música celestial estas palavras. Despedimo-nos com a “chama imensa” bem acesa dentro da nossa alma. O Benfica do futuro está lançado a grande velocidade.
 
Post-Scriptum 1: Uma das maiores conquistas de Luís Filipe Vieira foi a mobilização dos benfiquistas em torno do clube. Agora que tanto se fala em “militância” clubística, Vieira bem pode dizer: “uns têm-na, outros não”. E para provar esta realidade, basta ver que o Sporting, em dois jogos importantíssimos (Shaktar e FC Porto) não reuniu mais de 45 mil pessoas em Alvalade. O Benfica, na Luz, num só jogo (Galatasaray), ultrapassou essa fasquia;
 
Post-Scriptum 2: Perdoem-me esta “boleia”, mas, sobre o jantar de sexat-feira, podem ainda consultar o que escrevi n´”O Inferno da Luz”.

sinto-me: Campeão
música: Ser benfiquista


Domingo, 9 de Novembro de 2008

António de Souza-Cardoso em 09/11/08 | comentar | 46 comentários

Benfica.jpg

Escrevo depois de uma jornada de caça madrugadora, feita junta a Mértola, num montado dobrado, imponente e custoso, prenhe de perdizes ásperas a exigir assomos rijos do corpo.

Quando tocou a vespertina tinha dormido 3 horas velozes, minguadas e senti o corpo lerdo e dorminhoco a pedir mais descanso para as despesas do dia.

Pensei no que acontecera na véspera. Pensa-se sempre na véspera com arrependimento. Aquele último wisky…, aquela última hora de escusada folia.

Mas quando rememorei, sorri, ainda com o doce sabor do Benfica.

 Foi uma “Ganda Noite”.

 Acabada, é certo, com 3 horas de condução até Mértola sob o castigo de um nevoeiro denso. Mas valeu a pena.

Lá estava o “Terra Limpa” com um texto magnífico que explicava que o Xistra é um instrumento de limpeza equídea (com amostra e tudo);

 Lá estava a querida Vitória que tem um sorriso tão amigo e suave como os comentários que escreve.

 Lá estava o João e o Pai do João que o educou com esmero e paixão benfiquista.

 Lá estava o meu Amigo Raúl Lopes e o nosso amigo Luis Miguel que não via há anos “gordos” (os anos, não ele).

 Lá estava a tertúlia, feita de gente fogosa e cheia de graça.

Lá estava o Presidente, bem-humorado e chistoso, dando ao evento o cariz familiar que merecia.

Lá estava o Rui Costa, rigorosamente á minha frente (juro, não estou a regar) com aquele ar de “menino” (como ele diz) que nos cativa a todos.

Lá estávamos nós:

 Eu, o Bruno Carvalho (feliz, tal como eu), o Pedro Fonseca (que finalmente conseguiu dar cabo de mais um carro), o Armindo (a quem falta o tempo para a “palavra” mas não para “comunhão”), o Pedro Ribeiro (que joga com a mesma destreza connosco e com a Tertúlia).

 A noite teve, para mim que lá regressava depois da arrepiante vitória com o Nápoles, muitos momentos inesquecíveis, coroados com uma intervenção serena, construtiva e ambiciosa do Presidente Luis Filipe Vieira que correspondeu à transbordante vontade, tão bem defendida pelo Bruno Carvalho, de sermos (sempre) “Campeões para Sempre”.

Mas os dois momentos que me tocaram mais fundo, os grandes golos que este novo Benfica fez na noite de ontem da Luz, foram os daquele texto apaixonado do Carlos que, sem estar presente, nos projectou a todos para este intrépido romantismo que é “sermos Benfica”, na mesma imensa paixão: projectados no ar naquela indelével mas majestática linha da esperança ou, como com o Galatasaray, arrostados no chão a sacudir o pó, só no tempo preciso que nos leva a subir outra vez.

E a intervenção (toda) de Rui Costa, que nos contou a sua vida (toda) de Benfiquista inteiro, mesmo nos tempos em que a geografia e a grandeza o afastaram de nós.

Durante uns vinte mágicos minutos, ali ficou, com aquele ar de “Menino” ainda apaixonado, a falar da Sua amada com elegante desvelo e inebriante paixão.

Quando o Rui terminou pedindo para o Balneário o texto do Carlos, juntou num rosto que é o dele e num gesto que nos abraçou a todos, a grande Declaração de Amor que acompanhará a memória desta Ganda Noite de paixão e fervor Benfiquista.

 

António de Souza-Cardoso

 

PS1: Seria injusto não destacar o papel do Pedro Fonseca na organização do Jantar. Também Ele um exemplo maior de Amor e dedicação ao Clube. Manuel Alegre diria: – “que este Amor é de Pedro por … Benfica”. Eu digo, com mais simplicidade: - Obrigado Pedro!

PS2: Outra vez por razões que me ultrapassam - o Alentejo profundo está ainda mal “conectado”, não conseguir pôr o post no momento que seria oportuno. As minhas desculpas por isso.

 


sinto-me: Apaixonado, sempre
música: Love For Ever


Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Bruno Carvalho em 06/11/08 | comentar | 86 comentários

 

 

 
“O terceiro lugar no Campeonato Nacional e a eliminação da Taça de Portugal nos quartos de final, constituem resultados que não podem, nem devem, ser considerados como normais em função dos investimentos realizados e, sobretudo, das expectativas criadas, após a conquista do Campeonato na época transacta."
Luís Filipe Vieira
in Relatório e Contas da SLB Futebol, SAD – 2005/2006
 
 
 
“…, não posso considerar a época desportiva 2006/2007 como exemplar, ainda que se tenha revelado como a mais competitiva dos últimos anos, com o título a ser decidido nos últimos 45 minutos da última jornada. Tenho bem presente que o sucesso financeiro, apesar de crucial e inegociável, não é tudo na vida da Benfica Futebol SAD.
… Temos uma excelente equipa e um corpo técnico de levado valor, ambos em comunhão total com os adeptos”.
Luís Filipe Vieira
in Relatório e Contas da SLB Futebol, SAD – 2006/2007
 
 
 
“É sabido que a época passada foi frustrante no que ao futebol profissional diz respeito, é um sentimento que partilho, mas nunca podemos perder de vista o horizonte."
Luís Filipe Vieira
in Relatório e Contas da SLB Futebol, SAD – 2007/2008
 
 
 
 
Estive por motivos pessoais bem distante de Portugal e nas longas viagens de avião que fiz tive tempo para pensar em muitas coisas.
 
Num desses momentos, assolou-me uma pergunta que me parece decisiva relativamente a este blog e ao seu futuro: para que serve afinal o Novo Benfica?
 
De facto, é fácil constatar que na blogosfera não faltam espaços dedicados ao Benfica.
 
Então qual a razão de haver este blog?
 
Sem falsas modéstias todos nós sabemos que o Novo Benfica é lido pelos presidentes dos clubes de futebol mais importantes de Portugal, por diversos jornalistas desportivos e, claro, por muitos adeptos e sócios do Benfica. Sei pelas reacções que me chegam diariamente que o que aqui se escreve é lido com atenção e tem real importância para muitos.
 
Mas então o que tem de especial este blog que faz com que tanta gente lhe dê atenção?
 
Na minha opinião a resposta é simples: é que o Novo Benfica é um espaço de reflexão sobre o clube com o verdadeiro intuito de ajudar o Benfica a voltar às tão desejadas vitórias.
 
É que o Novo Benfica não se limita a ver em cada jogo 10 penaltis que não foram marcados a nosso favor, 5 expulsões de jogadores adversários que ficaram por fazer, ou a escrever insultos aos nossos adversários mais directos.
 
No Novo Benfica somos todos benfiquistas e somos adeptos tão fanáticos como os outros. Também neste blog se fala de penaltis, de expulsões, de foras de jogo, de arbitragens e do famoso sistema. Mas fala-se de muito mais coisas.
 
Pelo meu lado a opção é clara: procuro em todos os meus posts tentar encontrar as razões do nosso insucesso dos últimos anos.
 
Nas frases que transcrevi no início deste post, vê-se claramente que o nosso Presidente tem escrito, ano após ano, mensagens que traduzem a tristeza da derrota.
 
O meu objectivo é que as futuras mensagens de Luís Filipe Vieira sejam bem diferentes. Quero que essas mensagens em vez de falarem de derrotas nos expliquem as vitórias.
 
Para alguns o caminho da vitória passa por ignorar os erros próprios, falar da corrupção do futebol e não encarar os problemas de frente.
 
Como dizia o Paulo Ferreira há uns tempos atrás: se alguém aponta algum erro ao Benfica neste blog é logo acusado de traidor e de falso benfiquista.
 
Mas eu penso exactamente o contrário. O Novo Benfica tem contribuído para aumentar os níveis de exigência relativamente ao trabalho da Administração da SAD. E isso consegue-se apontando erros e apontando novos caminhos.
 
É isso que procuro fazer e que vejo os meus companheiros de blog igualmente a fazerem. É certo que nem todos temos a mesma perspectiva, mas até isso reforça a importância deste espaço.
 
O Novo Benfica é exigente e quer vitórias. O Novo Benfica não quer mais desculpas.
 
O Novo Benfica tem ainda como grande activo os contributos muito válidos que recebe diariamente de muitos benfiquistas que aqui deixam os seus comentários e que desse modo ajudam na reflexão necessária para encontrar o caminho para vencer.
 
Na vida apenas os inconformados chegam às vitórias.
 
Aqueles que não toleram opiniões diferentes das suas e que estão conformados com o fracasso deverão procurar outros espaços porque o Novo Benfica não é para eles.
 
O Novo Benfica é de todos os benfiquistas que queiram ajudar o Benfica a ser melhor.
 
Depois do caminho já trilhado temos todos uma enorme responsabilidade de estarmos à altura do que nos propomos fazer.
 
Pelo meu lado vou continuar a fazer o melhor que posso em prol do Benfica.
 
Assim, nos meus próximos 2 posts vou falar de Luís Filipe Vieira e depois de Pinto da Costa. Muitos me têm pedido que fale sobre eles. Nada mais justo. Ao contrário do que alguns pensam, não tenho qualquer receio em falar de ambos.
 
Um abraço a todos. É com prazer que estou de volta.
 
Bruno Carvalho
 
 
 
PS: É já amanhã, sexta-feira, que se realiza o nosso primeiro jantar convívio aberto aos habituais frequentadores do Novo Benfica. É com enorme satisfação que teremos a oportunidade de conhecer pessoalmente alguns daqueles que habitualmente frequentam este espaço. É com grande simpatia que registo o facto de Luís Filipe Vieira e Rui Costa quererem dar-nos a honra de estarem presentes nesse jantar. Relembro que as inscrições deverão ser feitas em novobenficajantar@gmail.com
 
 



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