Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Paulo Ferreira em 31/10/08 | comentar | 29 comentários

Luís Filipe Vieira faz 5 anos de presidência do Sport Lisboa e Benfica. Não é ainda tempo de balanço mas é certamente uma boa altura para análise!

 

Primeiro que tudo é de referir que o percurso de LFV não começa no início destes 5 anos, mas sim antes quando era o braço direito de Manuel Vilarinho. E quanto a Manuel Vilarinho é de reconhecer a fase em que encontrou o Benfica e o bom trabalho na sua "reconstrução"!

 

Quanto a Luís Filipe Vieira temos forçosamente de distinguir a componente de Gestão Financeira da de Gestão Desportiva.

 

Na 1ª, nota muito elevada para o Presidente...

1) O Benfica é hoje uma instituição com muito maior credibilidade

2) O Benfica é hoje uma empresa muito mais equilibrada financeiramente

3) O Benfica tem um novo e magnífico estádio

4) O Benfica está prestes a lançar o seu Canal de Televisão

5) Foram implementadas inúmeras medidas de Marketing de aplaudir

 

Aspectos negativos, também os haverá neste particular e certamente seria possível fazer melhor (é-o sempre) mas parece-me inequívoco que está provado um trabalho de grande qualidade...

 

Na parte desportiva não posso seguir pela mesma linha de raciocínio. LFV não é um especialista de futebol e sabe-o tendo portanto tentado rodear-se de quem sabe (primeiro Veiga e agora Rui Costa). Conseguiu alguns marcos importantes como sejam a conquista do campeonato e boas prestações europeias.

Tem também a "desculpa" de não ser possível fazer mais dada a situação financeira, embora aqui não concorde e entenda que existem indicadores que demonstram que seria possível bem melhor:

1) Ao longo dos últimos anos o Benfica gastou muito dinheiro em jogadores, sendo que a maior parte das contratações se revelaram fracassos desportivos e financeiros

2) Os múltiplos jogadores, os vários treinadores e até as polémicas e mexidas quanto a Directores Desportivos impediram o Benfica de fazer um processos evolutivo, sendo que existiram mais retrocessos que avanços nesta área

3) O Benfica por muito que custe é ainda hoje uma equipa à procura de uma entidade que nunca teve nos últimos anos. É também (do ponto de vista) desportivo uma equipa pouco "respeitada" pelos seus adversários.

4) Tardam em aparecer jogadores formados no Benfica e tardam em nascer frutos da formação do clube

5) Por último, as modalidades que conheceram um forte desinvestimento e hoje não têm o folgor de outros tempos.

 

Do ponto de vista financeiro grande trabalho, do ponto de vista desportivo nem tanto. Ainda assim, alguns bons resultados, o ter de trabalhar com a conjectura financeira existente e a "humildade" demonstrada este ano em reconhecer que pouco sabe de futebol (deixando para quem sabe as decisões neste capítulo) deixam margem para nota positiva.

 

Uma última consideração para o papel de "sacrifício" que assume muitas das vezes que fala do seu cargo e do espírito de missão que tantas vezes enumera...faz-me alguma impressão! Ser Presidente do Benfica por muito trabalho que dê e problemas que traga deveria trazer mais entusiasmo e regozijo!

 

PS - Jesualdo diz que sabe o que falta ao Porto...as bolas que batem no poste passarem a entrar. É bom quando o adversário reconhece que em vez de 3-2 um resultado bom seria o 3-3. Gosto muito deste discurso de falta de ambição (ou de reconhecer as debilidades). Quanto mais ouço Jesualdo mais gosto de Quique!

 

Saudações Benfiquistas,

Paulo Ferreira




Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Miguel Álvares Ribeiro em 28/10/08 | comentar | 54 comentários

 

No passado fim-de-semana assisti, pela televisão, à segunda parte do Porto-Leixões e ao jogo entre o Benfica e a Naval.
 
Do que vi nestes jogos retive principalmente:
 
- a qualidade do futebol praticado, quer pelo Leixões, quer pela Naval.
 
- a ingenuidade e passividade das defesas do Porto e do Benfica nos golos sofridos.
 
- o “regresso do sistema”, com situações claras mal ajuizadas, em benefício do Porto, que nem assim conseguiu evitar a derrota frente ao Leixões, e em prejuízo do Benfica que, apesar disso conseguiu vencer a Naval.
 
- o apoio proporcionado à equipa pela massa associativa do Benfica e as manifestações dos adeptos do Porto, com assobios e aceno de lenços brancos.
 
- mais tarde viria a saber que Pinto da Costa desceu ao balneário após o jogo e que os jogadores do Porto, especialmente o tristemente célebre Cebola, foram ameaçados e as suas viaturas apedrejadas.
Curiosamente, a imprensa continua a tratar estes assuntos que rodeiam o Porto com grande parcimónia, como se tivessem medo de relatar o que, de facto, se passa. A imprensa mais directamente ligada ao Porto, omite mesmo os desacatos no final do jogo e tenta fazer crer que a descida de PC aos balneários se deveu a uma manifestação de confiança no treinador e nos jogadores.
 
 
Tudo isto me faz pensar que este é um ano diferente, apesar de ainda se manterem situações de privilégio inaceitáveis. Para nós é certamente um ano diferente, pela qualidade do projecto em construção. A massa associativa do Benfica tem um papel importante a cumprir na motivação constante da equipa, como aliás é hoje ressaltado por Luisão em “A Bola”.
 
As últimas exibições do Benfica nem sempre foram muito entusiasmantes, mas os jogadores tiveram a força e a capacidade de sacrifício suficiente para conquistar importantes resultados, que aumentam a confiança e força anímica de toda a equipa e dos adeptos. Além disso, os resultados obtidos pelos outros principais candidatos ao título, mostram que alguns resultados do Benfica, que se diziam ser desastrosos, afinal não foram assim tão maus.
 
O crescimento da equipa, a recuperação de todos os jogadores do plantel e o apoio da massa associativa dão-me uma enorme confiança no futuro. Já no Domingo e na 5ª feira seguinte temos dois importantíssimos jogos. Com as vitórias que, estou certo, iremos obter frente ao V. Guimarães e ao Galatasaray, podemos assumir a liderança no Campeonato e no Grupo B da Taça UEFA.
 
Força Benfica!
 

sinto-me:
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Este fim-de-semana, o futebol português fez um regresso ao passado. Um regresso aos velhos tempos do Apito Dourado, do Apito Final, e afins. Se são para ficar ou não, os próximos tempos vão-nos dar a resposta.

Pensavam que o “sistema” tinha acabado? Pensavam que os “rostos” desse mesmo “sistema” estavam moralmente mortos ou moribundos e sem qualquer capacidade de reacção? Pobres ingénuos.
Não é com palavras de circunstância ou com meros formalismos legais, que se desmonta uma complexa teia de interesses, cumplicidades e promiscuidades. O “sistema” estrebucha ainda, e de que maneira.
No sábado, no estádio do FC Porto, Paulo Batista,o árbitro de Portalegre, foi o porta-voz e o porta-estandarte desse poder ainda forte, vigoroso e estabelecido. Desde muito cedo disse ao que vinha. Duas entradas a “matar” de Rodriguez, logo no início do jogo, sobre um jogador do Leixões passaram impunes.
O que se seguiu dava para envergonhar muita gente, mas infelizmente é pouca a gente do futebol ainda com carácter para se envergonhar, a maioria já perdeu a vergonha toda.
O golo anulado ao Leixões é o exemplo acabado de que os vermes continuam a andar por aí, sentem-se e sabem-se impunes. E, aqui e agora, eu quero saudar as bravas gentes de Matosinhos e os generosos e corajosos adeptos do Leixões.
Gente do mar, gente de carácter e gente simples, que se sentiu roubada e vilipendiada. Mas nunca vergada. Eu quero, e comigo os milhões de benfiquistas, juntar a minha indignação à indignação de milhares de leixonenses.
Não fossem os jogadores do Leixões da mesma têmpera dos seus adeptos – bravos e corajosos – e mesmo contra todas as indignidades souberam ir buscar a vitória como quem vai buscar o alimento ao alto mar, e o futebol português teria assistido, sábado à noite, no estádio do FC Porto, a um dos maiores escândalos do nosso futebol.
Não contente com isto, o “sistema” voltou à carga, ontem na Luz. Rui Costa, o árbitro do Porto, fez tudo, mas tudo, para prejudicar o Benfica e, assim, atenuar um pouco o “desastre” de sábado.
O penálti que ninguém viu, marcado por Paulo Batista contra o Leixões, no estádio do FC Porto, e o penálti que toda a gente viu não marcado por Rui Costa no estádio da Luz, contra a Naval, são todo um compêndio de como o “sistema” funciona e actua.
E por isso, quero desde já lançar um aviso à navegação. Estão redondamente enganados os dirigentes do Benfica se pensam que é com palavras e discursos diplomáticos que se consegue acabar com este estado de coisas.
Os senhores do “sistema” têm de perceber que o Benfica não está distraído, que está atento e vigilante e, por isso, há que começar a utilizar a linguagem dura, a linguagem da verdade, a linguagem de quem não esmorecerá enquanto a credibilidade e a transparência não regressarem de vez ao futebol português. Porque quem não deve não teme.
 
Post-Scriptum 1Na verdade foi um fim-de-semana infausto para os arautos da desgraça e para os vermes do “sistema”. Dentro das quatro linhas, foi o que se viu. Fora das quatro linhas, o Benfica provou, mais uma vez, que está bem e recomenda-se: apresentou resultados líquidos positivos pelo segundo ano consecutivo e conseguiu, ainda, reduzir substancialmente o seu passivo. Com os principais clubes portugueses, como FC Porto e Sporting, a acumularem prejuízos astronómicos, cuja crise internacional mais irá agravar, o Benfica, clube e SAD, apresenta uma saúde financeira invejável, em mais um reflexo da correcta estratégia traçada pela gestão de Luís Filipe Vieira.
 
Post-Scriptum 2Aproxima-se cada vez mais o dia do grande jantar (7 de Novembro), do Novo Benfica. Todos os benfiquistas podem e devem inscrever-se através do email novobenficajantar@gmail.com. Ao longo dos próximos dias vamos revelando as muitas surpresas que estão a ser preparadas. Inscreva-se!

sinto-me: Enojado
música: Help!


Sábado, 25 de Outubro de 2008

António de Souza-Cardoso em 25/10/08 | comentar | 33 comentários

Hoje, no solarengo dia 25 de Outubro, faz 5 anos que foi inaugurado o Estádio da Luz.

Cerca de 5 milhões de espectadores, 123 jogos e 80 vitórias depois, cumpre fazer uma primeira avaliação.

A “Nova Luz”, como sublinhou o Presidente, Luis Filipe Vieira, simbolizou a vontade de renascer de novo. Sem nenhum fractura com o passado, mas na perspectiva de que mesmo as grandes instituições, aquelas que têm melhor memória, podem ter momentos de entorpecimento e de preguiça e precisam de ser reinventadas e reconciliadas com o seu passado.

Depois de um conjunto de Direcções desastrosas o velho Benfica precisava de ser espevitado pelo ar fresco da mudança. Julgo que a “Nova Luz” tem cumprido esse primeiro desiderato. O de dar auto-estima aos benfiquistas, proporcionando-lhes uma casa nova de que todos nos orgulhamos e que está à altura dos pergaminhos e da dimensão universal do clube.

Um ano e meio depois da inauguração da Nova Luz, o Benfica foi campeão. E o entusiasmo da mudança alastrou-se aos Benfiquistas confiantes que o Clube voltaria a percorrer a áurea gloriosa de outros tempos e de outras casas.

Passaram-se 3 anos e o Benfica não ganhou mais. A Direcção de Luis Filipe Vieira não conseguiu ainda conciliar o Benfica com a Sua História, conferindo á mudança, uma dinâmica definitivamente vitoriosa.

As almas ganhadoras como a minha inquietam-se. E a pergunta que fica num momento de avaliação como este, não pode deixar de ser a interrogação de quem está ansioso por ganhar: Será que é desta?

Julgo, como já aqui disse, que o Benfica começa a ganhar aquilo que não teve nas duas últimas décadas – uma organização forte, assente num modelo de gestão claro e numa estratégia desportiva onde o rigor, o trabalho e ambição constituem mais do que objectivos, pressupostos de acção. Onde cada um tem o seu lugar e conhece o seu papel.

O Benfica apresentou, pelo segundo ano consecutivo, resultados positivos. Apesar dos investimentos feitos, as contas da SAD começam a consolidar-se e o passivo foi já reduzido de uma forma clara, conferindo uma imagem de credibilidade que permite ao Benfica perspectivar a continuação dos investimentos que tem feito a nível desportivo e sem os quais não fará aquilo que é, afinal, o seu principal desígnio – ganhar.

Dir-me-ão - tudo tem um tempo e esta Direcção tem provado que o Benfica está a dar passos seguros para uma reabilitação sustentada e duradoura.

Eu, apaixonado do Benfica, digo logo que sim, e agradeço o esforço de todos quantos contribuíram para esta mudança, este assomo de personalidade, esta vontade de emergir…

 Mas na mesma condição de apaixonado, digo também que esse tempo agradecido já foi dado a esta Direcção por todos os benfiquistas que continuam juntos, a alimentar a mesma mística e a mesma vontade de vencer.

Por isso é no tempo de hoje, porque não podemos esperar um minuto mais, no tempo em que comemoramos os 5 anos da “Nova Luz” que queremos ganhar.

 Que queremos ser todos “O Novo Benfica”.

 

António de Souza-Cardoso

 

PS: A minha homenagem sentida ao capitão do Benfica, Nuno Gomes. Sempre fui um seu devoto aficionado. Sempre o admirei pelas raras características que têm como goleador e como “construtor. É muito estimulante ver o “Novo Benfica” ser inspirado pela sua experiência e competência. É muito bom ver Nuno Gomes voltar às grandes exibições. Ele que deu o primeiro sinal de vitória na “Nova Luz”, marcando o primeiro golo. Ele que com a sua inteligência e liderança pode ser um dos principais instigadores deste “Novo Benfica”, sempre campeão!

 

 

 


sinto-me: Renascido
música: Parabéns a Você!


Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Paulo Ferreira em 24/10/08 | comentar | 36 comentários

O post que escrevi há algumas semanas atrás intitulava-se "Leixões...o Jogo mais importante" e mudando a equipa adversária aplica-se na íntegra esta semana.

 

O Benfica ontem não fazendo um jogo brilhante, esteve razoavelmente bem e colocou em campo uma atitude adequada. Entrou bem pressionando bem no meio campo, boa troca de bola, jogo pelas alas... fica a ideia de podermos ter saído com a vitória e fica também a ideia que se tivesse ficado Katsouranis e saído Binya, as coisas poderiam acabar melhor.

São conjecturas e subjectividades, mas o certo é que a postura do Benfica nada teve que ver com aquela a que assisti com o Leixões e com o Penafiel.

E as desculpas da qualidade dos jogadores para mim não serve...pode-se jogar mal mas não se pode ter défice de atitude.

 

Para mim o grande desafio é manter esta mesma vontade, pressão em jogos "menores"! E isso se verá Domingo...espero sinceramente que a lição esteja aprendida!

Nos meus tempos de desportista existia uma frase que sendo exagerada traduz aquilo que as equipas têm de fazer em campo "Cheira a sangue...mata". Assim, entrávamos em campo com uma vontade enorme de matar e estando numa posição previligiada pressionávamos ainda mais...

Com equipas de grande qualidade não ganhei nada e com equipas menos talentosas mas mais humildes ganhei muito mais do que perdi.

O que espero do Benfica é que seja uma equipa sedenta de vitória seja em que montra e contra que adversário for. Nós, adeptos, estamos certamente sedentos de vitória e perdoaremos más exibições mas não temos mais tolerância para sobranceria e falta de humildade e profissionalismo!

 

Acredito que Quique conseguirá dar sede de vitória aos talentos que tem ao ser dispôr e assim construir uma grande equipa!

 

PS - 20.000 na Luz para ver o Penafiel é obra. Ainda existem dúvidas sobre quais os melhores adeptos? Não será por aí que virá a falta de motivação.

PS1 - Nuno Gomes tem estado brilhante neste início de temporada. Para mim é um prazer ver jogar alguém com uma inteligência e conhecimento do jogo tão acima da média. É o melhor ponta de lança português...goste-se ou não do seu cabelo.

 

Saudações Benfiquistas,

Paulo Ferreira




Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Miguel Álvares Ribeiro em 21/10/08 | comentar | 31 comentários

 

O Benfica tem na 5ª feira um importante jogo contra o Hertha de Berlim, onde se começa a discutir o apuramento para a fase seguinte da Taça UEFA. Nesta fase todos os jogos são importantes, mas este é-o particularmente por ser o primeiro, com todo o entusiasmo que um bom resultado traz em termos anímicos, e por irmos defrontar um dos principais adversários na corrida pela qualificação, em sua casa.
 
Curiosamente não estou preocupado com esse jogo, onde estou certo de que faremos uma boa exibição e que traremos um resultado muito positivo para encararmos a qualificação com tranquilidade.
 
O que me está a preocupar mais é o jogo com a Naval no fim de semana, para o Campeonato…
 
De facto, o Benfica já provou que tem uma excelente equipa, capaz de lutar de igual para igual com as grandes equipas, mas tem demonstrado uma grande dificuldade em assumir a sua superioridade perante equipas mais fracas.
 
Bem sei que a maior parte destas equipas joga contra o Benfica como se fosse o jogo da vida delas, mas o Benfica tem que ser capaz de impor a sua melhor equipa e obter resultados. Parece-me que a principal preocupação de Quique neste momento deve ser a de conseguir que o Benfica assuma, sem rodeios, a sua superioridade perante estas equipas e jogue deliberadamente ao ataque. Além disso, em alguns campos será necessário repetir jogos como o de Paços de Ferreira, com a capacidade de sofrimento, entrega e empenho até ao último minuto.
 
Eu acredito muito no trabalho de toda a equipa técnica do Benfica, que já mostrou ser capaz de construir uma equipa ganhadora, a jogar bom futebol. Falta transmitir-lhes a confiança de que são capazes de ganhar todos os jogos, mas de que têm de trabalhar desde o primeiro ao último minuto para o fazer.
 
Força Benfica!
 
 
 
PS – Ainda o comando técnico da Selecção.
 
Apesar dos resultados e exibições miseráveis que coleccionou nos últimos jogos, Carlos Queirós tem recebido declarações de compreensão e mesmo de apoio generalizadas de todos os sectores, começando na Imprensa e acabando em Pinto da Costa.
 
O contraste não podia ser mais gritante com o que vinha acontecendo com Scolari, que recebia sistematicamente críticas muito negativas, talvez porque teve o desplante de ser apenas vice-campeão da Europa, e de nos tirar o prazer de fazer contas aos milagres necessários para nos apurarmos para todas as grandes competições em que a Selecção esteve envolvida sob o seu comando.
 
Estas declarações de “apoio” a Carlos Queirós por parte da maioria dos membros do sistema vêm pôr a nu o incómodo que sentiam perante Scolari: ousou desafiar o sistema e fazer da Selecção uma equipa sem clubes, onde a influência dos poderosos do sistema não se fazia sentir. Esta foi, para mim, a grande revolução que ele conseguiu no comando da Selecção, mas que também acabaria por o fragilizar.
 
Já estão a estender a mão a Queirós e isto tem certamente um preço… espero que ele não se deixe levar por este “canto de sereia” e saiba manter o estado de coisas que herdou de Scolari.

 


sinto-me:


Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Pedro Fonseca em 20/10/08 | comentar | 54 comentários

Aqueles que esperavam um texto sobre a difícil eliminatória da Taça, contra o Penafiel, decidida ontem, na Luz, nos penáltis, ou sobre o jogo da próxima 5ª feira para a Taça UEFA, em Berlim, contra o Hertha, poderão ficar surpreendidos, mas espero que não desiludidos.

Os últimos textos deste blogue têm abordado um tema chamado “liderança”. Do Benfica, bem entendido. Reconheço que é um tema aliciante. Aliás, sem liderança nada se faz, nenhum clube avança, nenhum país progride, nenhuma estratégia é vencedora.
Estou mesmo convencido de que é a falta dessa mesma liderança que tem levado a Europa e os Estados Unidos para uma crise sem precedentes. E é por causa dela – ou da sua falta – que olhamos com tanta atenção para as eleições americanas, que, no próximo dia 4 de Novembro, vão dizer que tipo de Mundo esperamos construir no futuro.
Liderança, então. No Benfica, temos vivido, nos últimos 25 anos, com uma crise de liderança. Mais precisamente, desde Borges Coutinho. É certo que tivemos presidentes mais ou menos populistas, mais ou menos carismáticos, mais ou menos vencedores. Mas nenhum como Borges Coutinho. Talvez não tenha ganho tantos títulos como Fernando Martins, nem sido tão populista como Vale e Azevedo, ou tão mecenas como Jorge de Brito, ou tão corajoso como Manuel Vilarinho, mas foi Borges Coutinho, “o” presidente do Benfica, aquele de quem primeiro nos lembramos quando queremos nomear um líder do clube da Luz.
Esta reflexão acontece não porque o Benfica tenha alguma crise de liderança. Mas concedo que talvez fosse mais actual no Sporting, onde o presidente em funções é todos os dias colocado em causa, dá entrevistas que são autênticos tiros nos pés dos sportinguistas e, por fim, ouve um antigo líder chamar-lhe mentiroso com todas as letras. Ou mesmo no FC Porto, onde o actual líder prepara uma sucessão, mas não se sabe muito bem quem será o eleito.
Porque é que acontece no Benfica? Por mais estranho que pareça, porque HÁ LIDERANÇA. Liderança no clube e na SAD, liderança no departamento de futebol, liderança na equipa de futebol. Ora, no Benfica, isto não tem sido vulgar nos últimos 20 anos.
Dentro de pouco mais de um ano, o Benfica vai a eleições. Se se recandidatar, e nenhum benfiquista espera outra coisa (mas essa é uma opção tão pessoal que só a ele diz respeito), Luís Filipe Vieira cumprirá 9 anos à frente do Sport Lisboa e Benfica. É um recorde.
Mas Vieira não ficará apenas recordado por isso: terminou com um jejum de 11 anos, tendo sido campeão nacional em 2004/05; construiu o novo estádio e o centro de estágios; impulsionou as modalidades, tornando-as, de novo, campeãs; reanimou as camadas jovens no futebol; - mas principalmente, devolveu a credibilidade ao clube, mobilizou a massa associativa, lutou pela regeneração do futebol português.
Com Rui Costa e Quique Flores, líderes cada um nas suas funções, Luís Filipe Vieira ainda tem algumas vertentes do seu projecto por acabar. Os próximos 4 anos são os da auto-sustentabilidade do clube, baseada no equilíbrio e rigor das contas, no aumento exponencial das receitas, através da quotização (recorde mundial de sócios), da receita de bilheteira (afluência recorde de adeptos ao estádio), merchandising e sponsorização, e do crescimento e solidificação do Canal Benfica.
Tudo isto só fará sentido com um cada vez maior investimento no futebol. Vieira sabe disso como ninguém e a prova está no investimento feito este ano na equipa de futebol. Nos próximos 4 anos, a meta será garantir um constante amealhar de títulos. Com o trabalho de casa feito, todos os sonhos agora são possíveis.
 
Post-Scriptum: Na passada sexta-feira, o jornalista Nuno Luz fez, no DN Sport, um perfil do Presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Para aqueles que não leram, talvez valha a pena consultar o jornal ou, em última análise, ler o que escrevi aqui.



Domingo, 19 de Outubro de 2008

A exibição do Benfica, esta noite. Hoje o Benfica esteve duas horas para conseguir marcar um golo a uma equipa da 2ªdivisão. E ia perdendo. Essa é que é essa. Há muito trabalho pela frente. Única consolação (além de termos passado): a ideia de que, mesmo com exibições como a de hoje, ou como a do jogo contra o Leixões, a confiança em Quique Flores permanece intacta.Eu, pelo menos, penso assim, apesar dos evidentes pesares.

Dá-me ideia que o treinador é, aliás, um dos poucos vencedores de hoje: já ninguém duvida que ele escolhe, de facto, os melhores. E os que não jogam...é porque não estão à altura.

Excepções, entre aqueles que não jogam habitualmente ou não têm jogado ultimamente: Moreira, enorme. Makukula. E o Leo é daqueles a quem é muito difícil apontar alguma coisa, mesmo quando não faz um jogo à sua maneira. Aliás, é das poucas coisas em que eu embirro com o treinador: para mim o Leo é sempre titular!

Agora Bynia, Miguel Vitor, Di Maria, Balboa, Urreta...vão ter de esperar. Muito.

 

P.S. - Ah! Vamos, seguramente, ganhar a Taça.

 

 




Sábado, 18 de Outubro de 2008

António de Souza-Cardoso em 18/10/08 | comentar | 28 comentários

                          

A desastrada entrada da selecção nacional no Mundial pôs muita gente a pensar no deve e no haver desta mudança de seleccionador que ocorreu no final do último campeonato da Europa.

Sem, como o humorista, querer dizer que Queiroz fez o que Murtosa nunca conseguiu fazer - que é convencer-nos que Scolari é bom treinador, digo já que não sou, nunca fui, um admirador nem de Scolari, nem de Carlos Queiroz.

Reconheço, no entanto, a um e a outro, qualidades indispensáveis para se conseguir ser um bom treinador de futebol.

Scolari tem uma enorme inteligência emocional, um poder de comunicação empático e envolvente e uma capacidade de liderança e de motivação fora do comum.

Scolari tem aquela espécie de carisma popular que posto num político meteria medo, tal é a capacidade de manipulação que está por detrás de um espírito tão envolvente e sedutor.

Nunca, como com Scolari, a Selecção despertou tantas paixões, foi tão eclética do ponto de vista social e de género. Scolari conquistou o rico e o pobre, o masculino e o feminino, com aquele ar meigo e empenhado na hora de fazer, dorido e contristado na hora de perder, sublime e magnânimo na hora de ganhar. Scolari conquistou a nação inteira que em vez de lenços brancos desfraldou bandeiras, de unidade e amor pátrio, nas sacadas das janelas.

 Scolari e a Sua D. Olga foram tão próximos tão mobilizadores dos portugueses que, nas fases finais de campeonatos, começava-se a temer pela harmonia das famílias, não tanto porque ele queria ver o futebol e ela a novela, mas porque nenhum dos dois cuidava de fazer o jantar.

Scolari não tinha, no entanto, uma abundante competência técnica, uma elaborada visão táctica, uma profunda sensibilidade e percepção do jogo no seu conjunto. Um conhecimento integral do futebol, enfim, que o projectasse para a galeria dos verdadeiramente especiais.

Sclari era esperto e ladino mas não era cerebral. Era brigão e sanguíneo, mas não era organizado, acutilante, racional. Era persistente mas não flexível. Tinha garbo mas não sentido crítico.

Mas, apesar disso, Scolari tinha a fortuna, tinha a Senhora de “Caravaggio”. Que não era nossa mas que logo adoptamos com fervor.

Com o carisma e a fortuna e, principalmente com um naipe de jogadores que nos seus clubes se habituaram a vencer, Scolari teve resultados como nenhum outro seleccionador nacional.

Depois veio Carlos Queiroz, aquele precisamente que em Riade, tinha construído a primeira equipe de jovens campeões para Portugal que mais tarde se afirmaram com grande relevância no futebol nacional e internacional.

Carlos Queiroz, curiosa e ironicamente, foi a semente do fruto com que Scolari havia de saciar (quase viciar) os portugueses.

Sem o carisma de Scolari, Carlos Queiroz assume a postura professoral de quem valoriza os aspectos técnicos e tácticos do jogo. Mas que infelizmente não domina as valências humanas e comportamentais. Não é um líder, é só um professor.

Talvez, por isso, tenha vingado, nos escalões mais jovens, onde os comportamentos são mais simples de enquadrar e dominar. Talvez por isso, tenha sucumbido estrondosamente ao molho de galácticos que foi encontrar no Real Madrid. Talvez por isso, tenha sido sempre um competentíssimo nº 2. Aquele que percebe muito do jogo mas a quem é retirado o palco e a liderança. O Murtosa de Sir Alex Fergunson!

Depois, Carlos Queiroz não tem a sua Senhora de Caravaggio. Não tem a fortuna de Scolari e da maioria dos atrevidos. O jogo com a Dinamarca e a última meia hora com a Albânia mostraram que Queiroz não pode ficar entregue ao sabor da sorte. Se jogar roleta russa morre á primeira tentativa. Parece um daqueles personagens tristes que apesar de terem sido sempre esforçados e sabedores, nunca tiveram a sorte e o golpe de asa para, verdadeiramente, se cumprirem.

Por isso, caros leitores do “Novo Benfica”. Aqui fica o desafio. Qual o melhor? O mais indicado para Portugal (ou talvez, quem sabe, para o Benfica)?

O condutor de homens que tem a personalidade mas não tem o conhecimento. Ou o Professor que tem o conhecimento mas não tem a personalidade.

Por mim, digo já que se estivesse no casaco de Madail (cruzes!) nunca escolheria nem um nem o outro, porque são os dois apenas parte do que falta para realmente vencer.

Quem eu escolheria era um treinador tão especial, tão especial que tivesse o melhor destes dois mundos.

A têmpera do condutor de homens e a sabedoria do Professor. Eu conheço um. Espero que, como ele já disse (e é dos tais que nunca diz nada ao acaso), não tarde o dia em que se venha a cruzar com Portugal (o com o Benfica).

 

António de Souza-Cardoso

 


sinto-me: indeciso
música: eu (não) tenho dois amores


Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Paulo Ferreira em 16/10/08 | comentar | 20 comentários

Sempre que abordei a selecção fui coerente com a minha opinião. Sempre achei Scolari excelente e Queiroz uma má opção!

 

Queiroz devolveu-nos algo, que Scolari nos fez esquecer:

1)      Finais atrás de finais nos apuramentos (com Scolari eram aborrecidas e nem estimulava a matemática...). Scolari apenas nos deu uma final e perdeu...que bandido!

2)      Jogadores a discutir com os árbitros (o pugilismo ainda não chegou mas a seu tempo e continuando assim não espero pela demora)

3)      Equipas desmotivadas (até Moutinho deixa as pilhas em casa...)

 

Por outro lado, têm algumas coisas em comum:

1)      Ambos unem os portugueses (o problema é que com Queiróz é contra...mas pelo menos une também os Dinamarqueses e os Albaneses)

2)      Ambos irritam (o mérito de Scolari é que irritava o FCP e Queiróz irrita toda a gente...) com as suas declarações e opções

3)      Ambos têm muita fé (Scolari na N.Sra. Caravaglio e Queiróz em que o adversário faça falta de comparência).

 

Deixando a ironia de lado, com Queirós a selecção está uma autêntica vergonha. Joga mal, não ganha, as opções são discutíveis, os jogadores discutem mais do que jogam, os laivos de vedetismo voltaram...é mau de mais para ser verdade.

 

Adicionalmente, Queirós diz na conferência antes do jogo que trabalha para ter uma selecção que ganhe alguma coisa porque nunca o fez. Não sendo mentira a oportunidade é rídicula (o fantasma de Scolari faz dizer cada coisa...é que desvia as atenções do essencial e o importante nessa altura é reforçar a humildade e juntar as tropas para um jogo importante com a muito mais humilde Albânia).

 

Depois do jogo mais preocupante ainda...diz que não sabe o que mais a selecção poderia ter feito para ganhar e que o guarda-redes albanês esteve muito bem! Ai não sabe ? Então RUA! É que eu sei...pode começar por jogar um futebol decente, pode continuar por ser (ele e obrigar a equipa a sê-lo) humilde, depois ser coerente e construir um 11 com alguma lógica, pode também começar a jogar desde o minuto 0 e não ao 45, e por fim pode ter mais de 3 oportunidades de golos num jogo em casa com uma equipa fraca e com superioridade numérica. Chega ?

 

Concluíndo, infelizmente as minhas previsões estavam correctas...Scolari deixou uma herança muito pesada e parece-me que Queirós não está à altura do desafio enquanto treinador, líder de homens e nem enquanto pessoa (nem na entrevista apareceu...). Espero ter de engolir tudo isto mas não acredito. Penso que os tempos do “banir toda a merda da Federação”, ver as grandes decisões no Sofá e termos pugilistas em campo...estão novamente a espreitar !

 

Libertada esta ira, espero que nos nossos jogadores (mas porque raio Nuno Gomes tem de ver o inútil Hugo Almeida do banco...) tenham aprendido a lição em Leixões e com o Penafiel entrem como têm de entrar! E nem é difícil...é ver o video da selecção e fazer tudo ao contrário...

 

PS - Não sei se os boatos de Queirós no Benfica eram verdade, mas se sim a quem decidiu não o trazer o meu muito obrigado! E se foi LFV então é o melhor presidente do Mundo...se visse Quique do outro lado da rua, atravessava e abraçava-o!

 

Viva o Benfica!

Paulo Ferreira

 




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