
Acabamos de assinar a passagem para o Mundial da África do Sul.
Num jogo incaracterístico, com um relvado daqueles que já só existem nas distritais, Portugal fez só o que podia fazer e com um golo bonito de Raul Meireles, acabou com uma Bósnia que só teve garimpa e basófia até ao inicio do jogo.
Não foi uma boa campanha a que Portugal teve até aqui. Carlos Queiroz, como já tive oportunidade de dizer, não entusiasma, não convence, nem galvaniza. É uma destas coisas certinhas e direitinhas, mas aborrecidas de tão tristemente desenxabidas, de tão previsíveis e conservadoras.
Como disse José António Saraiva hoje no Record, Carlos Queiroz faz lembrar Quique Flores. É correcto e elegante, pessoal e tecnicamente. Mas quando marca, parece que se lhe acaba a ambição e a vontade de fazer parte do jogo. Limita-se a esperar que o jogo acabe depressa.
O que provavelmente Portugal precisava na fase final de um Mundial era de um treinador aguerrido e combativo, como Jorge Jesus que só se contenta com os golos todos, e só deixa de puxar pela equipa umas horas depois do jogo acabar.
Mas a verdade é que Carlos Queirós levou a água ao seu moinho e que Portugal está no lote das 32 selecções que disputarão o Mundial na África do Sul.
Por isso e porque certamente não vamos mudar de treinador (nem este Jesus tem o dom da ubiquidade) resta-nos felicitar Carlos Queirós e desejar a melhor fortuna a Portugal.
Como sempre agora que tudo recomeça, a esperança renasce e todos esperamos que tudo possa mudar para melhor (até Carlos Queiroz) e que Portugal possa voltar a sonhar em … ser Campeão.
Nestes últimos dias o sporting tem sido um tema apetecido de anedotas e dichotes. Poucas vezes um clube terá passado em tão pouco tempo por tão grande desvario e desnorte. Desde a inenarrável sequência de declarações de JE Bettencourt, que num clube a sério teriam levado imediatamente a eleições antecipadas, até à escolha de Carlos Carvalhal como o sucessor de Paulo Bento, o non-sense mais absurdo tem tomado conta daquela casa. Escrevo sobre o sporting num blogue do nosso Benfica porque aquilo que se está a passar em alvalade é algo que se poderia passar em qualquer outro clube. Como aqui já escrevi, os clubes não são eternos. O processo de sucessão de Paulo Bento deve ser estudado por todos aqueles candidatos, proto-candidatos ou pseudo-candidatos a líderes de qualquer coisa, porque em poucas horas Bettencourt conseguiu escrever um compêndio sobre como fazer tudo errado quando havia margem de manobra para fazer tudo certo. Bettencourt meteu o sporting noutra enorme trapalhada. Pós humilhação às mãos do Bayern, o sportinguista Eduardo Barroso disse que o sporting já não era um clube grande; há dias, na “A Bola”, Miguel Sousa Tavares escreveu que o sporting está em processo de morte lenta. Concordo com os dois. A eleição de Bettencourt foi um erro histórico, que o sporting está a pagar e vai pagar ainda mais. Qualquer manual sobre o perfil de um líder é inequívoco na avaliação do presidente do sporting: não tem características de liderança. Bettencourt, aliás, tem feito os impossíveis para confirmar esta tese. A contratação do novo treinador foi mais um processo que envergonharia qualquer clube dos distritais do futebol português. Em poucas palavras, a questão é esta: André Villas Boas, um neófito treinador, sem nome, sem currículo, sem nada, recusou abrir um braço de ferro com a Académica, histórico clube mas hoje no último lugar do campeonato, para ir treinar o sporting. Bettencourt e o Sporting levaram um rotundo não na cara de Villas Boas e da Académica. Esta é, resumidamente, a história desta falhada contratação. Seguiu-se uma segunda escolha – o desempregado Carlos Carvalhal. O ex-treinador do Marítimo, de onde foi corrido por triste e má figura, chegou a ganhar alguma aura no seio da “geração Mourinho”. Mas essa aura perdeu-a depressa por claro défice de competência e de liderança. Repito: o que se passa no sporting podia acontecer noutro clube. O Benfica já elegeu presidentes que nunca foram líderes, como Damásio, João Santos, Jorge de Brito, Manuel Vilarinho, e passou uma fase dramática na era de Vale e Azevedo. Mas, na hora da verdade, os benfiquistas souberam perceber que era preciso uma liderança forte, carismática, credível e mobilizadora, para agarrar no testemunho da fase de transição de Manuel Vilarinho. Os benfiquistas, que também já cometeram “erros históricos” mas souberam ultrapassá-los, perceberam que só um homem como Luís Filipe Vieira, cujas características de líder são inquestionáveis, estava à altura de comandar um clube da dimensão do Sport Lisboa e Benfica. O que se passa no sporting e o que se irá passar no fc porto pós-pinto da costa, é algo que não nos deve passar ao lado. Construir aquilo que se construiu depois dos anos catastróficos de Vale e Azevedo é algo de muito difícil – eu diria que, sem Vieira seria impossível. Mas destruir é fácil, muito fácil. Numa altura de euforia, os benfiquistas não se podem deixar inebriar. Ainda há muito caminho para caminhar, muito projecto para concluir, muitas vitórias e troféus para ganhar. Nada é irreversível. Olhando para o estado comatoso em que se encontra o sporting e perspectivando o caos no pós-pintismo, temos de estar eufóricos pelas nossa clarividência de termos eleito um líder para o presente e para o futuro. Um líder que soube escolher e contratar um líder para o relvado.
Post-Scriptum: O funeral de Robert Enke foi um momento único de pesar como poucas vezes vi no futebol. Em poucos anos, o Benfica vê desaparecer dois “monstros” da sua baliza: Bento e Enke. Como a grandeza também se vê na tragédia, gostava que imortalizassem na Luz a memória destes dois gigantes da nossa baliza. Como fizeram com Miki Fehér.
Todos sabemos que o futebol do BENFICA está a atrair multidões à nossa catedral e enche os estádios dos nossos adversários. Também sabemos que estamos em primeiro lugar na liga nacional, com todo o mérito a par com o Braga.
Durante seis, sete anos fomos incapazes de oferecer bons espectáculos, bom futebol e sobretudo títulos relevantes. Poder-se-á dizer que a herança deixada por Vale e Azevedo tolheu o novo Presidente e que este teve de arrumar a casa antes de rumar para as vitórias e os títulos que todos nós ansiamos. Mas será que os referidos seis, sete anos não serão demasiados anos para encontrar o caminho das vitórias? Parece-me e com grande objectividade o digo que foi muito tempo para se encontrar a estrada da vitória. Sei que ainda nada se ganhou de relevante sendo certo que hoje em dia a equipa de futebol tem mais soluções porque o seu plantel é melhor, tem mais qualidade e tem um treinador feito à medida do Presidente actual. Eleito numas eleições cujo o timing foi totalmente desajustado mas por si conseguidas com o alto patrocínio do Presidente da Assembleia Geral, Manuel Vilarinho e ainda pela ineficácia da máquina judicial portuguesa, Luís Filipe Vieira ganhou as eleições com cerca de noventa por cento dos votos sendo certo que tremeu perante a outra candidatura liderada por Bruno Carvalho.
Com efeito essa candidatura abanou por completo o trabalho desenvolvido pelas direcções de LFV que anos a fio nada de novo trouxeram para o nosso Glorioso a não ser tristeza e resultados negativos no campo desportivo. Não valerá a pena falar na situação económica até porque não sou especialista mas tal foi devidamente dissecado em artigos neste blog, não só pelo Bruno mas também por outros intervenientes. Considero pois que a candidatura de BC foi fundamental para dar um abanão importante num grande clube que durante seta anos viveu uma das suas piores crises em termos de resultados desportivos da sua história. Penso que o contributo do BC vai ser devidamente avaliado este ano caso o Benfica ganhe a liga nacional e na liga Europa tenha uma carreira que a todos nos orgulhe.
Em merecida homenagem a um dos seus naturais, S. Miguel e os Açores receberam ontem a visita do Benfica para a 1ª edição do troféu Pauleta, em jogo com a equipa do Santa Clara, a delegação nº 5 do Benfica.
Apesar de não dispor de uma quantidade importante de jogadores titulares, envolvidos em compromissos das suas selecções, esperava-se um Benfica dominador num jogo contra uma equipa naturalmente mais fraca.
E o início do jogo não podia ser mais prometedor; logo na primeira iniciativa ofensiva do Benfica, conquistámos um canto, no seguimento do qual Filipe Menezes colocou a bola na cabeça de
A opção de Jesus, de não incluir qualquer dos habituais titulares, permitindo rodar e dar experiência a uma série de jogadores com menos oportunidades, mostrou que, apesar de haver ali muitos jovens com elevado potencial, ainda estão longe do nível apresentado pelos principais jogadores do plantel do Benfica.
Individualmente, colocados junto dos titulares, muitos deles fariam certamente um bom jogo e poderiam até crescer muito com este tipo de experiência; todos juntos, na prática, não formaram uma boa equipa.
Destaque para o excelente trabalho de Keirrison no golo que apontou, apesar de tudo um pormenor no seu desempenho global, já que mostrou uma vez mais ser demasiado macio e nem sempre muito empenhado no jogo. Vê-se que há ali material, mas falta muito trabalho para vir a ser o grande jogador que merece o valor que o Barcelona desembolsou por ele.
Sidnei e Roderick, dois jogadores a quem já vi grandes exibições (embora, penso, nunca a jogar juntos) não ofereceram a necessária segurança defensiva, oferecendo um golo numa jogada sem qualquer perigo e permitindo que os avançados contrários construíssem diversas oportunidades, que acabaram por esbanjar.
Não conhecia Danilo, que tem uma planta física impressionante e que, sem deslumbrar, fez uma exibição globalmente positiva, sendo o principal responsável por conter as iniciativas atacantes do Santa Clara. Disso mesmo se ressentiu a equipa na segunda parte, após a sua saída, altura em que o ataque do Santa Clara se mostrou mais activo e construiu algumas boas oportunidades para marcar.
Globalmente a melhor exibição foi a de Urreta, a mostrar que terá direito a algumas oportunidades, apesar de estar bastante “tapado” pelo excelente momento de forma de Di Maria.
Merece destaque ainda o facto de, nos momentos decisivos, nenhum dos nossos jogadores ter falhado quando teve que marcar o penalty e de Moreira ter conseguido conquistar para o Benfica mais um troféu com uma boa defesa (apesar de o penalty ter sido mal marcado pelo jogador do Santa Clara há que dar mérito a Moreira).


Estive para pedir dispensa aos leitores, porque estou numa viagem de trabalho em Buenos Aires, de onde só regressarei no fim-de-semana.
Nunca cá tinha vindo e percebi que é preciso vir para entender o que é a conhecida “Rainha da Prata”.
Em mais nenhum outro Pais da América do Sul (e conheço já muitos) vi a mesma inspiração europeia, misturada com o calor da terra e do sangue que tanto nos encanta nos Países e regiões da América latina.
É um complicado equilíbrio entre a frivolidade da natureza e a altivez civilizacional pela qual a Argentina, pelo especial contexto histórico, foi fortemente tocada.
Quem passeia nesta cidade limpa, monumental, feita a régua e esquadro, desde a autenticidade da Boca e do seu “El Caminito”, até à sofisticação da Rua Florida que escorre generosa até à Plaza Martin, percebe que estamos perante um povo especial, e uma cidade com a magia e o sentido que levou Carlos Gardel, a impor na França de então, o espírito romântico e o ritmo fervilhante do tango.
Mas, dirão os leitores, o que é tudo isto tem a ver com o Benfica?
Pois tem meus Amigos, e eu passo a contar. Tinha eu acabado de comprar uma camiseta oficial da selecção Argentina com um flamejante “ Di Maria” nas costas – a prenda que o meu filho achou que eu lhe devia trazer da Argentina, quando passeando com um amigo pela Reconquista (a par da Florida a maior Rua pedonal de Buenos Aires), senti que me cruzei com algo de familiar e muito afectivo.
O instinto obrigou-me a virar os olhos para trás e, de facto, não estava a sonhar.
Um jovem passeava despreocupado pelas ruas de Buenos Aires, ostentando, impante, uma camisola do Benfica.
Corri para ele, obriguei-o a tirar os “phones” que tinha nos ouvidos. Olhou para mim assarapantado. Ainda pensei que fosse português. Mas ele, receoso da minha impetuosa abordagem, lá gaguejou que era Argentino.
E então fui eu que confessando a minha perplexidade, lhe perguntei o que é que um jovem, num dos Países com o melhor Futebol do Mundo, andava a fazer, todo catita, com uma camisola do Benfica? Seria por Pablo Aimar, por Saviola, por Angel Di Maria?
“No, senor” disse-me ele com alegria e serenidade, explicando simplesmente que trazia aquela camisola porque “ Benfica mi gusta mucho!”.
É assim o nosso Clube. Maior do que nós. Verdadeiramente universal e transbordante de glória e de “aficcion”.
Vejam lá o que será quando voltarmos a ser campeões…
António de Souza-Cardoso
Escrever sobre o sporting é incontornável. O clube dos aristocratas e dos viscondes tornou-se palco de arruaças, de tiroteios, de insultos. Quem diria! Está, assim, descoberto o mistério da qualificação de “clube diferente”.
Fiquei estupefacto com as declarações do Presidente do Sporting quando afirmou aos microfones de várias rádios e televisões que o Sporting tinha nas suas hostes sócios perversos, que minavam o Clube.
Disse ainda, ou deu a entender que equiparava tais pessoas aos membros da HERRI BATASUNA. Tais afirmacões, pela sua gravidade, transportam inevitavelmente os adeptos do futebol, como eu, para uma reflexão sobre tal questão. Com efeito pensar que há dirigentes, sócios ou adeptos com tais intenções é em última instância pensar que o fim do futebol está próximo. Mas será assim? Optimista como sou, penso que não. A saída de Paulo Bento era inevitavel. Carrear para essa situação a carga dramática de uma HERRI BATASUNA é no mínimo sacudir responsabilidades que ele , Presidente tem de assumir. Não nos esqueçamos que o actual Presidente do SCP é pago mensalmente com um salário chorudo ou não, depende das suas necessidades, e como tal não deve ser na praça pública mas internamente que tem de debelar esse esquisito problema dos membros malévolos. Quando inquirido pela imprensa no sentido de saber qual a solução para a saída de Paulo Bento apenas disse que ainda não tinha pensado quem iria substituir o treinador. A morte anunciada do Paulo tinha de ter sido, há muito tempo equacionada pelo Presidente, porque Bento forever ou outro qualquer não existe no futebol. O romantismo que o Presidente analisa as situacções colide necessariamente com a carga emocional que transmitui nas suas declarações sobre o terrorismo que ele crê existir no SCP e consequentemente no futebol.
Depois do difícil jogo em Braga, novo jogo importante numa sempre difícil deslocação a Liverpool para defrontar o Everton
Esta vitória leva-nos ao comando do grupo I, muito importante por evitar o confronto com os vencedores dos outros grupos e com os 3º classificados nos grupos da Champions League, e por o segundo jogo da eliminatória seguinte ser jogado em casa.
Muito importante também pela autoconfiança que naturalmente acarreta e por permitir alguma tranquilidade na gestão do plantel para os jogos que faltam, numa altura em que também se avizinham importantes confrontos para a Superliga.
Este jogo voltou a mostrar que, num plantel de grande qualidade como o que o Benfica tem actualmente, é justo salientar a qualidade dos principais reforços adquiridos.
Saviola era já bem conhecido, apesar de alguma desconfiança que muitos manifestaram pelas capacidades e motivação que ainda teria; tem demonstrado ser um jogador fundamental na frente do ataque, pela enorme capacidade técnica, pela extraordinária mobilidade e oportunidade (apesar da relativamente baixa estatura já marcou vários golos de cabeça) e pelos espaços que abre para as entradas dos outros atacantes.
De modos diferentes mas, paradoxalmente, com muitas semelhanças, Javi Garcia e Ramires são também duas extraordinárias aquisições para o nosso plantel; são dois jogadores com uma enorme cultura táctica e com uma capacidade de leitura do jogo e ocupação dos espaços determinante em termos defensivos. Mais exuberante Ramires, até pela posição mais avançada que ocupa e pela maior liberdade de movimentos, com maior visibilidade pelo à-vontade com que integra as manobras ofensivas, mas Javi Garcia não é menos determinante, sobretudo pela segurança que transmite e pela liberdade de movimentos que os médios de carácter mais ofensivo podem ter com as “costas protegidas”.
De facto, se é verdade que a imagem de marca deste Benfica é o ataque demolidor, tal só é possível pela enorme capacidade defensiva que também demonstra, na qual estes dois jogadores são fundamentais. Espero, por isso, que a lesão de Ramires não o impeça de retomar brevemente o seu lugar na equipa.
Termino com uma nota sobre Paulo Bento, até ontem treinador do Sporting. Nunca o achei um grande treinador, em termos estritamente técnicos e tácticos, mas ontem deu uma enorme lição de integridade e dedicação ao clube que servia. Não há muitos assim, capazes de mostrar um grande desprendimento material e pôr os interesses da instituição que servem à frente dos seus; só por isso já merece o meu aplauso, pois um treinador é, em primeiro lugar, um condutor de homens e deve ser um exemplo. Paulo Bento deu um exemplo que não é comum ver neste mundo do futebol. Dou-lhe os meus parabéns e desejo-lhe o maior sucesso na sua carreira.